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ARROGANCIA E HUMILDADE
ARROGANCIA E HUMILDADE

ARROGANCIA E HUMILDADE

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

No livro de minha autoria, Por que Caem os Valentes?, escrevi sobre as fontes da moralidade ocidental. Destaquei que esse fundamento se firma em um desses tripés: Deus, a natureza ou o homem. A construção da moralidade ocidental, portanto, oscila entre aquilo que é relativo e o que é absoluto. Muitos filósofos não pouparam nem tinta nem papel para discorrer sobre esse assunto. O mais impetuoso deles foi Friedrich Nietzsche.'

Na sua análise sobre os valores, Nietzsche atacou duramente os pensadores gregos Sócrates e Platão, acusando-os de “domesticar” o ser humano por meio de princípios morais. Para ele, antes desses dois pensadores, o homem primitivo não seguia a normas morais inventadas, mas agia de acordo com seus instintos. Prevalecia então o que ele denominava de “vontade de potência”. Nietzsche, para ilustrar o seu pensamento, recorreu a dois personagens da mitologia grega — os deuses Apoio e Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio é a imagem da força instintiva, é a fonte dos prazeres e da paixão sensual. Por outro lado, Apoio é o deus da moderação, aquilo que faz as coisas seguirem o seu equilíbrio. Para ele, o que Sócrates e Platão fizeram foi “anular” o lado dionisíaco do homem, negando seus instintos e afirmando somente o seu lado racional. Essa “anulação” foi feita através de princípios morais ardilosamente inventados. Em seu famoso livro, A Genealogia da Moral, ele procura provar que todos os valores morais são criação do próprio homem. Nietzsche acusou também os cristãos de anular esse lado dionisíaco do homem, implantando aquilo que ele denominava de “moral de escravo”. Na sua fúria contra o cristianismo, esse pensador chegou a chamar o apóstolo Paulo de “o mais sanguinário dos apóstolos”. Mas o seu furor contra os valores morais cristãos está bem sintetizado nessa frase de sua autoria: “Sócrates foi um equívoco, toda a moral do aperfeiçoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco”.

Por que essa análise sobre a construção do pensamento nietzschiano é importante quando estudamos a humildade no contexto dos Provérbios? Porque assim como a coragem é uma virtude, a humildade também o é. Se por um lado Nietzsche acaba por incentivar a arrogância, por outro lado Salomão exalta a humildade. “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade” (Pv 18.12); “A soberba precede a ruína e a altivez

de espírito a queda” (Pv 16.18). Como podemos observar, não há espaço para a virtude da humildade dentro da filosofia nietzschiana. Em vez disso ele exalta a “vontade de potência”, como um valor a ser cultivado por todos que querem viver com autenticidade. Dentro desse modelo distorcido, a arrogância e não a humildade seria o alvo a ser alcançado.

Por natureza, o homem que não conhece a Deus é arrogante. A arrogância é uma marca distintiva da natureza humana não regenerada. Na história bíblica há o registro de vários aconteci mentos em que a arrogância, a prepotência e a presunção estão presentes na vida de homens sem Deus.

GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 79-81.

O RELATIVISMO MORAL E A QUEDA DOS VALENTES

"Não há nenhum relativista que goste de ser tratado relativamente."

Josh MacDowell

Séculos após séculos o padrão moral da civilização ocidental vem sofrendo corrosão. O impacto provocado por essa relatividade da cultura têm surtido um efeito devastador. A linha divisória entre o moral e o imoral é cada vez mais tênue. Sem padrões morais bem definidos, o valente está à mercê das investidas do Diabo. Ainda me lembro de que quando fazia faculdade de filosofia em uma Universidade Federal, tínhamos uma professora de história da filosofia que era uma verdadeira sumidade. Todos gostavam das suas aulas, ela se destacava dos demais professores graças a sua erudição. Certa vez, durante uma de suas aulas, exaltava o pensamento de determinado filósofo. Quando eu e outros colegas nos posicionamos contrariamente àquele pensamento, ela esbravejou: "Eu não aceito juízo de valores". Podíamos tudo, menos emitir uma ideia contrária ao pensamento daquele filósofo a quem ela fizera referência. Por quê? Por que tudo era relativo, não havia verdades absolutas, ninguém segundo ela podia dizer que estava com a verdade.

Afinal, não há um certo e um errado? É impossível falarmos de valores que norteiam a vida do cristão, sem nos referirmos a problematicidade da ética e da moral.

Mas o que é moral? Ou em palavras mais simples: o que é certo e o que é errado? É possível estabelecermos um padrão que distinga o certo do errado?

A discussão em torno dos problemas éticos e morais não é nova. Aristóteles escreveu um volumoso tratado em dez volumes denominado de "Ética a Nicômaco", no qual trata em minúcias dos problemas éticos. Todavia, muito tempo antes do filósofo grego, Hamurabi (século XVIII a. C.) deu ao mundo o seu famoso "Código de Hamurabi", um tratado sobre problemas éticos, jurídicos e morais. No Antigo Testamento, encontramos o Pentateuco, obra escrita pelo legislador hebreu Moisés, onde nos seus cinco livros encontra-se uma vasta explanação acerca de problemas éticos e morais.

Adolfo Sanchez Vazquez faz distinção entre ética e moral. Para esse filósofo mexicano, a ética "é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade", enquanto a moral "é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, que regulam o comportamento individual e social dos homens".

Pela definição de Vazquez, a moral seria aquilo que está no campo da prática — normas sociais que regulam o nosso dia-a-dia — e a ética, uma reflexão acerca dessa prática moral. Em palavras mais simples, a ética e a moral se complementam, enquanto uma (a moral) regula as nossas ações em sociedade, a outra (ética) reflete sobre o significado dessa ação.

Pois bem, tudo que falamos até aqui nos leva a um outro questionamento não menos importante: qual a origem da ética e da moral? Em outras palavras, qual a origem ou a causa dos nossos valores?

A Fonte da Moral

Ao longo da história, três fontes são dadas como originadoras do comportamento moral: Deus, a natureza e o homem.

Deus - Se Deus é a origem de nosso comportamento moral, isso significa dizer que nesse caso a moral é algo exterior ao homem, isto é, a moral não é criação humana, mas algo que lhe é dado. A moral baseada na divindade é uma moral revelada, que transcende ao próprio homem. Podemos denominá-la de moral vertical.

Natureza - A crença de que o homem em nada difere das outras coisas criadas gerou uma moralidade horizontalizada. O instinto biológico seria então o agente regulador do comportamento moral humano. Com o advento do pós-modernismo, corrente filosófica que ganhou força a partir das décadas de 60 e 70, esse pensamento ficou em evidência. Para os holístas, o homem deve estar em perfeita harmonia com a natureza, afinal é um todo harmônico, dizem.

O homem - Nesse caso os valores morais são criação do próprio homem. É o homem quem estabelece os valores. Mais adiante neste trabalho, veremos como essa forma de pensar influenciou drasticamente o pensamento ocidental.

Valores Absolutos e Relativos

Definir o que é absoluto e o que é relativo tem sido um desafio, tanto para a teologia como para a filosofia.

Podemos dizer que um valor é absoluto quando ele vale para todos os povos, em todas as épocas e em todos os lugares; por outro lado o valor relativo seria o oposto disso. Um valor absoluto tem validação universal, enquanto aquilo que se é relativo não goza dessa prerrogativa. É contingente ou circunstancial.

Na Grécia antiga, surgiu uma escola filosófica denominada "A Sofistica" (os sábios). O seu principal expoente foi Protágoras de Abdera (490-410 a. C). Não há como negar que Protágoras é o pai do relativismo ocidental. Ele negava que houvesse valores absolutos e eternos. Segundo ele, todos os valores são humanos. É conhecida a frase atribuída a ele: "O homem é a medida de todas as coisas". E interessante conhecermos melhor o pensamento desse filósofo grego, para entendermos o que acontece hoje em nossa cultura no que diz respeito aos valores morais.

Giovanni Reale, famoso historiador da filosofia, comenta sobre Protágoras:

A proposta basilar do pensamento de Protágoras era o axioma: "O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são". Por medida, Protágoras entendia a "norma de juízo", enquanto por todas as coisas entendia todos os fatos e todas as experiências em geral. Tornando-se muito célebre, o axioma foi considerado — e efetivamente é — quase a magna carta do relativismo Ocidental. Com esse princípio, Protágoras pretendia negar a existência de um critério absoluto que discriminasse o verdadeiro e o falso.

O único critério é somente o homem, o homem individual: "Tal como cada coisa aparece para mim, tal ela é para mim; tal como aparece para ti, tal é para ti". Este vento que está soprando, por exemplo, é frio ou quente? Segundo o critério de Protágoras, a resposta é a seguinte: "Para quem está com frio, é frio; para quem não está, não é". Então, sendo assim, ninguém está no erro, mas todos estão com a verdade (a sua verdade).

A Genealogia da Moral

Esse relativismo radical de Protágoras influenciou muitos pensadores. O alemão Friedrich Nietzsch (1844 - 1900) absorveu profundamente a filosofia de Protágoras. Ele tornou-se um dos mais fortes inimigos da moral cristã. A sua filosofia influenciou e continua influenciando o mundo acadêmico.

Nietzsch atacou duramente os pensadores gregos Sócrates e Platão, acusando-os de "domesticar" o ser humano através de princípios morais. Para ele, antes desses dois pensadores, o homem primitivo não seguia a normas morais inventadas, mas agia de acordo com seus instintos. Prevalecia então o que ele denominava de "vontade de potência". Nietzsch, para ilustrar o seu pensamento recorreu a duas personagens da mitologia grega — os deuses Apoio e Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio é a imagem da força instintiva, é a fonte dos prazeres e da paixão sensual. Por outro lado, Apoio é o deus da moderação, aquilo que faz as coisas seguirem o seu equilíbrio. Para ele, o que Sócrates e Platão fizeram foi "anular" o lado dionisíaco do homem, negando seus instintos e afirmando somente o seu lado racional. Essa "anulação" foi feita através de princípios morais ardilosamente inventados. Em seu famoso livro: A Genealogia da Moral, ele procura provar que todos os valores morais são criação do próprio homem.

Nietzsch acusou também os cristãos de anular esse lado dionisíaco do homem, implantando aquilo que ele denominava de "moral de escravo". Na sua fúria contra o cristianismo, esse pensador chegou a chamar o apóstolo Paulo de "o mais sanguinário dos apóstolos". Mas o seu furor contra os valores morais cristãos está bem sintetizado nessa frase de sua autoria: "Sócrates foi um equívoco, toda a moral do aperfeiçoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco".

O Existencialismo e o Relativismo

Um outro pensador que influenciou grandemente a nossa cultura foi Jean, Paul Sartre (1905-1980). Sartre sofreu influências diretamente de Heidegger e indiretamente de Nietzsch. Sartre afirmou:

Se Deus não existisse, tudo seria permitido. Ai se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, fica o homem, por conseguinte, abandonado, já que não encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegar [...] Se por outro lado Deus não existe, não encontramos diante de nós valores ou imposições ou desculpas [...] o existencialismo não pensará que o homem pode encontrar auxílio num sinal dado sobre a terra, e que o há de orientar, porque pensa que o homem o decifra mesmo esse sinal como lhe aprouver.

A moral sartriana não necessita de um ser transcendente, ela é construída a partir da existência do próprio homem.

A Fonte da Moral Cristã

Vemos, pois, que a problemática ético e moral está centrada naquilo que a fundamenta, ou seja, em sua origem. Foi Schopenhauer (1788-1860) quem disse: "Pregar a moral é fácil, fundamentar a moral é difícil".

Como vimos, quando Deus não é a fonte ou origem dos valores morais, nós não temos uma base sólida para fundamentá-la. Para nós cristãos, o alicerce de nossos valores morais está em Deus, não em um deus qualquer, mas no Deus que se revelou ao longo da história (Gn 12.1-3; Êx 3.1-12). Essa revelação está codificada na Bíblia Sagrada, nossa única regra de fé e prática. Para o Cristão, há sim um modelo ou paradigma para as questões morais - Deus.

Assim sendo, o cristão pode falar de valores universais e eternos. Ele não está sujeito ao relativismo moral, pois o Deus a quem ele serve é universal e eterno.

Josh MacDowell, pensador cristão contemporâneo, ilustra a questão da universalidade e eternidade dos valores em sua regra dos três "P" - preceito, principio e pessoa. Por trás de todo preceito bíblico, quer seja uma norma quer um mandamento, há um princípio, que por sua vez se fundamenta em uma pessoa, que é Deus. Nesse caso, para o cristão a norma moral "não adulterarás" tem valor absoluto (universal), pois esse preceito (norma) traz o princípio de que ninguém quer ser traído, e que esse princípio tem sua origem em um Deus fiel e que não tolera a infidelidade. Da mesma forma, a norma "não matarás" trás em si o princípio de que todos têm direito à vida, e a pessoa que a fundamenta — Deus — é o originador da vida. Esse princípio de universalidade dos valores morais foi um dos pilares da filosofia kantiana: "Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação universal".

Fica, pois, estabelecido que a origem dos valores morais para o cristão, bem como a sua fundamentação, está em Deus, e que a sua forma codificada é a Bíblia Sagrada.

Como se comportam aqueles que não têm um padrão que distinga o certo do errado? A filósofa Maria Lúcia de Arruda Aranha, ao falar dos "jeitinhos brasileiros", traz uma revelação interessante sobre o assunto:

Todo mundo já ouviu falar do "jeitinho brasileiro". Poder, não pode, mas sempre se dá um jeito... Muitos até chegam a achar que se trata de virtude a complacência com a qual as pessoas "fecham os olhos" para certas irregularidades e ainda favorecem outras tantas.

Certos "jeitinhos" parecem inocentes ou engraçados, e às vezes até são vistos como sinal de vivacidade e esperteza; por exemplo, quando se fura a fila do banco. Ou então pegar o filho na escola, que mal há em pararem fila dupla?

Outros "jeitinhos" não aparecem tão às claras, mas nem por isso são menos tolerados: notas fiscais com valor declarado acima do preço para o comprador levar sua comissão, compras sem emissão de nota fiscal para sonegar impostos, concorrências públicas com "cartas marcadas".

O que intriga nessa história toda é que as pessoas que estão sempre "dando um jeitinho" sabem, na maioria das vezes, que transgridem padrões de comportamento. Mas raciocinam como se isso fosse absolutamente normal, visto que é comum; só eu? e os outros? Todo mundo age assim, quem não fizer o mesmo é trouxa. Quem não gosta de levar vantagem em tudo?

É esse relativismo que enfraquece a vida espiritual de muitos valentes. Certo dia recebi em minha casa a visita de um amado irmão. A nossa amizade permitia-nos compartilhar nossas alegrias e tristezas. Pois bem, aquele irmão trazia em mãos uma folha de papel escrita, e pediu para que eu a lesse. Lendo-a, logo nas primeiras linhas percebi que se tratava de uma carta de amor, havia frases como: "Meu bem, eu te amo", "Não posso viver sem você", etc. Contou-me que uma jovem da sua igreja havia endereçando-lhe aquela carta. O mesmo filme de sempre — ele estava dando uma de "conselheiro" para aquela jovem. Após uma longa conversa, mostrando-lhe os perigos que ele estava correndo, aconselhei-o a tomar imediatamente uma decisão radical a respeito daquilo, peguei a carta e rasguei na sua frente. Disse-lhe que da mesma forma ele deveria tratar com aquela situação. Todavia, procurou relativizar o problema. Disse que não era tão grave como eu pensava, e que estava no controle da situação. Afinal, estava ajudando alguém. Estava equivocado. A última vez que o vi, estava afastado dos caminhos do Senhor.

Quando lemos as Escrituras somos informados do alto padrão moral exigido para os valentes de Deus. Paulo deixou isso bem claro na sua carta endereçada a Tito: "Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei: aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes"(1.5-9). Acredito que esse texto que o apóstolo escreveu a Tito é uma das mais belas exposições bíblicas acerca dos valores cristãos.

No versículo 5, Paulo usa a expressão: epidiorthosê que vem do verbo grego epidiorthoô, significando "colocar em linha reta, colocar em ordem, endireitar". Para Paulo, os valores que ele iria exigir daqueles que viessem a ser líderes tinham o poder de "endireitar, corrigir e colocar em linha reta". Lembramos que a palavra epidiorthoô é formada pela junção de três palavras gregas: epi, que é uma preposição significando "sobre, acima de"; dia, uma outra preposição significando "através de" e orthós cujo significado é "direito, correto" etc, esta última aparece em Atos 14.10, onde Paulo disse ao paralítico: "Levanta-te direito sobre teus pés" (grifo do autor). O verbo grego na sua forma composta tem seu significado intensificado. Em outras palavras, o propósito do apóstolo era que Tito seguisse as suas recomendações, e seguindo-as com certeza estava colocando os valentes de Deus em uma linha reta. Analisemos alguns desses valores:

  1. 6. Anenklêtos - nossas Bíblias traduzem esta palavra como "irrepreensível". O clássico Dicionário do Novo Testamento Grego de Vine, assim define esta palavra:

Significa que não pode ser chamada a pedir contas, isto é, sem acusação alguma (como resultado de uma investigação pública), irrepreensível (1 Co 1.8; Co 1.22; Tt 3.10, 1.6,7). Implica não somente mera absolvição, mas a inexistência de qualquer tipo de acusação contra uma pessoa.

  1. 7. Oikonomos - "mordomo, administrador da casa. A palavra enfatiza a tarefa a alguém e a responsabilidade envolvida. É uma metáfora extraída da vida contemporânea e retrata o administrador de uma casa ou estado."" Esta palavra deu origem a nossa palavra portuguesa "economia" e significa primeiramente o governo de uma família ou dos assuntos de uma família (oikos - uma casa, nomos - lei), isto é, o governo ou administração da propriedade dos outros, e por isso se usa de uma mordomia, Lc 16.2 [...] nas epístolas de Paulo, se aplica:
  2. a) A responsabilidade que lhe foi confiada de pregar o evangelho (1 Co 9.17).
  3. b) Da administração que lhe foi entregue para que anunciasse "cabalmente a palavra de Deus".
  4. c) Em Efésios 1.10 se usa da disposição ou administração de Deus.
  5. 7. Authade - não arrogante. "Obstinado em sua própria opinião, teimoso, arrogante, alguém que se recusa a obedecer a outras pessoas. E o homem que mantém obstinadamente a sua própria opinião, ou assevera seus próprios direitos e não leva em consideração os direitos, sentimentos e interesses de outras pessoas." Autocomplacente (autos, auto, e hêdomai, complacente), denota uma pessoa que, dominado pelo seu próprio interesse, e sem consideração alguma pelos demais, afirma arrogantemente sua própria vontade, "soberbo" (Tt 1.7); "contumaz" (2 Pe 2.10) o oposto de epiekês, amável, gentil (1 Tm 3.3), "um que supervaloriza de tal maneira qualquer determinação a que ele mesmo chegou no passado que não permitirá ser afastado dela".
  6. 7. Orgilos - que não seja: irascível, inclinado à ira, de temperamento quente.15
  7. 7. Pároinos - não dado ao vinho. Um adjetivo, literalmente, que tem seu entretenimento no vinho (para, en, oinos, vinho), dado ao vinho [...], é provável que tenha o sentido secundário, dos efeitos da embriaguez, isto é, um ébrio.lb
  8. 7. Pléktês - não violento. Briguento, espancador. A palavra pode ser literal: "não pronto a bater em seu oponente".
  9. 7. Aischrokerdés - não cobiçoso. Alguém que lucra desonestamente, adaptando o ensinamento aos ouvintes a fim de ganhar dinheiro deles [...], refere-se ao engajamento em negócios escusos. Este vocábulo é formado por duas palavras gregas: aischros (vergonhoso) e kerdos (ganância).
  10. 8. Philóksenos - amor aos estranhos, hospitaleiro.
  11. 8. Philágathos - amigo do bem, amante do que é bom. Denota devoção a tudo o que é excelente.
  12. 8. Sóphrona - sóbrio. Denota mente sã (sozo - salvar, phren - a mente); daí, com domínio próprio, sóbrio, se traduz "sóbrio" em Tito 1.8 (a Reina - Valera traduz como "temperado"); em Ti to 3.2, significa "prudente".
  13. 8. Díkaion - justo, aquele que age com justiça.
  14. 8. Hósios - devoto, santo. Significa religiosamente reto, santo, em oposição ao que é torto ou contaminado. Está comumente associada a retidão. Refere-se a Deus em Apocalipse 15.4; 16.5 [...] Em Tm 2.8 e Tt 1.8 se utiliza do caráter do cristão, na Septuaginta hósios é frequentemente tradução da palavra hebraica hasid, que varia entre os significados de "santo" e "mi-sericordioso".
  15. 8. Enkratê - que tenha domínio de si. A Bíblia de Jerusalém traduz como "disciplinado". Significa também "autocontrole, completo autodomínio, que controla todos os impulsos apaixonados e mantém a vontade leal à vontade de Deus". Denota ainda o "exercício do domínio próprio, alguém que é dono de si mesmo".
  16. 9. Antechómenon - apegado a, firme aplicação. Na voz média significa "manter-se firmemente ao lado de uma pessoa". Paulo usa o termo associando ao líder que é apegado à Palavra de Deus.

Para nós cristãos, a fronteira entre a verdade e o erro está bem demarcada. Há sim um padrão divino que estabelece a diferença entre o certo e o errado. Os valentes de Deus devem ter isso bem definido em suas mentes. Agindo de acordo com o modelo divino exposto na Palavra de Deus, o valente não irá ter problemas com o relativismo moral.

GONÇALVES, José,. Por que caem os valentes? Uma análise bíblica e teológica acerca do fracasso ministerial. Editora CPAD.

I - O SÁBIO VERSUS O INSENSATO

  1. Sabedoria e humildade.

SABEDORIA (destreza, habilidade, consequentemente: criterioso, usando razão habilmente', inteligência ampla e cheia e entendimento. Estas são de longe as palavras mais comuns na Bíblia a serem traduzidas pelo termo “sabedoria”, embora existam outros termos de ocorrência menos frequente traduzidos também como “sabedoria”: em hebraico, discernimento', prudente;  conselho ou entendimento).

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 5. pag. 276.

TERMOS RELATIVOS AOS TIPOS DE SABEDORIA

  1. Chokmah (também transliterado como hokmah): habilidade ou destreza na arte (Exo. 28.3; 31.6, et ai.); habilidade mais elevada de raciocínio, prudência, inteligência (Deu.4.6; 34:9; Pro. 10.1, et ai.).
  2. Sakal, ser prudente, circunspecto (l Sam. 18.30;Jó 22.2, et al)o
  3. Tushiyah, retidão, bom conselho e compreensão (Já 11.6; 12.16; Pro. 3.21, etal.).
  4. Binah, compreensão, introspeção, inteligência (Pro. 4.7; 5.5; 39.26; Deu. 4.6; I Crô. 12.32; Dan. 1.20; 9.22; 10.1, et ai.).
  5. Sophia (no Novo Testamento), palavra geral para todos os tipos de sabedoria, divina e humana (Luc. 1.17; 11.31,49; Atos 6.3,1O;,Rom. 11.31;I Cor. 1.17,19;Efé. 1.8,17;Tia. 1.5; 3.13,15, 17; II Ped. 3.15;Apo. 5.12; 13.18; 17.9,etal.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 5.

HUMILDADE. Apenas na fé bíblica a humildade é tida como uma virtude, as outras religiões relacionam a humildade à falta de honra e não a reconhecem como virtude. Filósofos, com exceção daqueles claramente influenciados pela tradição judaico-cristã, ou ignoram essa virtude ou a depreciam. Assim Aristóteles, na hábil sistematização da sabedoria pré-cristã, A Ética Nicomaquéia, exalta uma magnânima auto-suficiência que é justamente o contrário. Séculos depois Friedrich Nietzsche condena a humildade como parte inseparável de uma moralidade pervertida, a qual a transformação cristã de valores faz com que indivíduos inferiores como Paulo, com ressentimento, metamorfoseiem sua baixeza e fraqueza, exaltando a condição servil ao ápice da excelência. A humildade, portanto, é atacada por Nietzsche como uma negação da genuína humanidade que seria personificada no anticristão e aristocrático Super-homem.

Dentro da estrutura do teísmo revelacional, contudo, a humildade é de fato uma virtude, a atitude apropriada da criatura humana para com seu divino Criador. É o reconhecimento espontâneo da dependência absoluta da criatura em relação ao seu Criador; um reconhecimento de bom grado, não hipócrita, do abismo que separa o Ser que existe por si só do ser absolutamente contingente, a “infinita diferença qualitativa entre Deus e o homem” postulada por Kierkegaard. E a postura de ajoelhar-se em respeito e gratidão, ciente de que a existência é um dom da graça, inescrutável misericórdia que, tendo chamado uma pessoa para fora do não-ser, sustenta-a a todo instante para que ela não caia de volta na inexistência. A humildade, assim, é explicada pela confissão de Abraão de que ele não é mais do que “pó e cinzas” (Gn 18.27). É explicada novamente pela veemente lembrança de Paulo aos orgulhosos coríntios de que a posição do homem diante de Deus é necessariamente a posição de alguém que recebe, a de um mendigo cujas mãos estão vazias até que a benevolência divina as encha (ICo 4.6,7).

Além do mais, dentro da estrutura teísta, a humildade é a reação completamente correta de uma criatura culpada na presença de seu Criador santo. E o reconhecimento por parte do pecador de que sua irredutível insuficiência, enquanto criatura finita, tem sido, apesar disso, incomensuravelmente diminuída pela rebelião contra seu Criador. No AT é o grito do jovem profeta quando vê o Senhor: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros” (Is 6.5). No NT é a honesta autodepreciarão do apóstolo quando se dá conta de sua teimosa desobediência em relação à verdade (ICo 15:9; Ef 3.8; lTm 1.15). Humildade é o corolário lógico da consciência do pecado. Apesar de sua dignidade, contudo, seu inestimável valor como imago dei, o homem como um agente finito de rebelião é, na verdade, “pó e cinzas”.

Segue-se disso que a humildade é a essência da piedade do AT. Um tema frequente no livro de Provérbios (3.34; 11.2; 15.33; 16.19; 25:7), ela é exemplificada por Abraão (Gn 32.10); por Moisés, que proeminentemente “era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3); por Saul no início de sua carreira (ISm 9.21); e por Salomão cujo conhecimento de si mesmo motivou sua sincera auto humilhação (IRs 3.7). Como um fundamento da piedade, essa virtude é expressa de forma clássica em Miqueias 6.8, “o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?” Assim o Rabino Joshua ben Levi estava simplesmente resumindo o AT quando, ao discutir o mérito comparativo de várias graças, ele insistiu: “A humildade é a maior de todas, pois está escrito, ‘O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados’ (Is 61.1). Não foi dito ‘aos santos, mas ‘aos humildes’, de onde aprendes que a humildade é a maior de todas” (citado por Morton Scott Enslin, The Ethics of Paul [1930], 249).

A humildade é, da mesma forma, a essência da piedade do NT. Como poderia ser de outra maneira tendo-se em vista o próprio exemplo de Cristo? Como Paulo apresenta na maior de todas as passagens sinóticas, o Salvador “a si mesmo se humilhou”, abandonando voluntariamente seu status divino, renunciando sua beatitude e dignidade para viver como homem no mais baixo nível de pobreza e obscuridade, no devido tempo descendo aos níveis mais profundos de ignomínia e agonia (Fp 2.5-8). No agape de dar-se a si mesmo está a antítese e a contradição de todo eras narcisista. Além disso, o caráter de Jesus não exibiu nem um pouco de orgulho ou arrogância. Apesar de inabalavelmente corajoso e, às vezes, severamente sincero, ele era “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Assim, seus ensinos acerca da pobreza de espírito não tinham nenhuma associação hipócrita (Mt 5.3). Em vez de aceitar a glória, ele dava testemunho da dependência total de seu Pai como fonte de sua própria sabedoria e poder; em vez de apegar-se à glória, ele atribuía toda glória a seu Pai (Jo 5.19; 6.38; 7.16; 8.28,50; 14.10,24). Quando se inclinou para lavar os pés de seus discípulos, Jesus não estava se entregando a uma representação de ostentação teatral; pelo contrário, estava simbolizando com perfeita integridade todo o significado e mensagem de seu ministério. Nesse ato o motivo fundamental de sua pessoa e obra abre caminho, o motivo que atinge seu ápice na cruz.

Consequentemente, uma vez que a imitatio Christi é o imperativo do NT, a vida de todo discípulo fiel deve ser uma vida de humildade. Preocupado em exaltar o Salvador, assim como o Salvador estava preocupado em exaltar o Pai, o discípulo declara, como aquele que batizou o Salvador: “E necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). O discípulo dá as costas para a posição social, para a segurança e ao sucesso, pedindo apenas uma oportunidade para servir, ainda que modestamente (Mt 23.8,10; Mc 10.3545). Gloriando-se apenas na cruz (G1 6.14), ele luta para alcançar uma avaliação apropriada de si mesmo, não irrealisticamente esvaziada nem egoisticamente concebida (Rm 12.3). Ele se propõe seriamente a fazer da atitude de Jesus seu princípio controlador da vida, quer em relação a Deus quer em relação a seus irmãos (Rm 12.10; Tg 4.10; I Pe 5.5,6). Em resumo, o discípulo fiel trava uma batalha contínua contra o orgulho, o qual é a raiz do pecado, aquele egoísmo que dá origem ao egocentrismo, à auto exaltação, à obstinação, à presunção, à autoconfiança, à glorificação pessoal e, portanto, à decepção com seu último fruto de frustração e desespero (Rm 10.2). Na medida em que ele se mantém vencendo a batalha contra o orgulho e a presunção, ele amadurece naquela santidade que floresce apenas no solo da humildade.

Essa virtude pode ser grosseiramente mal interpretada. Falando claramente, portanto, a humildade bíblica não é o conceito oposto que utiliza o disfarce da humildade. E aquela atitude que resulta em uma avaliação pessoal destemidamente honesta, uma auto avaliação que nem diminui as realizações pessoais nem aumenta as falhas de ninguém. A humildade não é o masoquismo sutil que se deleita em sua própria humilhação. Não é aquela covardia que protege o indivíduo por meio de um servilismo ultrajante. Não é, além do mais, uma virtude puramente particular. É o produto daquele teocentrismo radical que agradecidamente reconhece a soberana concessão de dons por Deus e sua soberana capacitação para o serviço; isso elimina, assim, a arrogância que destrói a comunidade. Completamente desprovida de arrogância, a humildade, portanto, regozija-se com Maria, “Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e Santo é o seu nome” (Lc 1.49).

Agostinho, portanto, estava certo. O segredo da santidade é, como ele deu uma ênfase tríplice, “Humildade! Humildade! Humildade!” Ou nas palavras penetrantes de Kenneth Kirk: “Sem humildade não pode haver serviço digno do termo; o serviço protetor é autodestrutivo — pode ser o maior dos desserviços. Portanto, para servir seus companheiros — para evitar causar-lhes dano maior do que o bem a que se propusera fazer — um homem deve encontrar um lugar para a adoração em sua vida.... Se procurarmos fazer o bem com alguma esperança segura de que virá a ser o bem e não o mal, devemos agir com espírito de humildade; apenas a adoração pode nos tomar humildes” {The Vision of God [1931], pág. 449).

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 3. pag. 156-158.

Pv 11.2 Em vindo a soberba, sobrevêm a desonra. O orgulho é inerentemente associado à vergonha, porquanto envolve o indivíduo em atos altivos, deprimentes e, algumas vezes, até violentos. Sua antítese é a humildade, um dos aspectos da sabedoria. Quanto a outros versículos no livro de Provérbios que exaltam a humildade mas condenam o orgulho, ver Pro. 13.10; 15.33; 16.18,19; 18.22; 22.4. Ver no Dicionário os verbetes denominados Orgulho e Humildade quanto a detalhes e referências bíblicas. Aristóteles fazia da humildade um dos vícios de deficiência, mas tanto o Antigo como o Novo Testamento a encaram como virtude positiva.

Com os humildes está a sabedoria. “Humildes" é tradução do vocábulo hebraico çanua, encontrado somente aqui e em Miq. 6.8, em forma verbal, “andai humildemente” na presença de Deus. Deve fazer parte do caminho da vida, parte integrante do Andar (ver a respeito no Dicionário).

O orgulho (olhos altivos) é uma das sete coisas que Deus odeia (Pro. 6.17). A palavra hebraica para orgulho é zadon, que significa, literalmente, “ferver”, ou então zid, “cozinhar” (ver Gên. 25.29). Os arrogantes fervem em sua auto importância e gostam de perseguir homens menores. Mas os humildes é que, eventualmente, serão exaltados (ver Luc. 14.11). O arrogante Nabucodonosor teve o reino tirado de suas mãos (ver Dan. 4.30,31).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2591.

11.2 — Muitos provérbios comparam o arrogante ao humilde, assim como podemos ver aqui. A palavra soberba em hebraico provém de uma raiz que significa ferver; refere-se a uma arrogância ou insolência exagerada. Esta imagem é da postura presunçosa ou arrogante da pessoa sem Deus. Esta postura conduz sempre à afronta.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 959.

Ef 1.17 « ...espírito de sabedoria...» Isso poderia significar «o Espírito de sabedoria», referindo-se ao Espírito Santo. No entanto, no original grego, a palavra «espírito» não é acompanhada pelo artigo definido, o que esperaríamos como provável, se o Espírito de Deus estivesse em foco. Nem sempre essa ausência do artigo, porém, significa algo, pois a sua presença não faz o termo «espírito» significar, necessariamente, no grego, o Espírito divino. No original grego, essa palavra nunca aparece grafada com inicial maiúscula; e assim não temos meios de distinguir se está em foco o Espírito Santo, ou um espírito ou atitude qualquer, segundo se verifica na maioria dos idiomas modernos. Mas, como é óbvio, não há maneira de alguém adquirir a sabedoria divina não sendo através da influência do Espírito de Deus, o que também fica subentendido por toda esta oração que pede que os elevados alvos da vida cristã sejam atingidos por meio dele. Finalmente, se é o espírito humano que está aqui em foco, então é esse alto elemento da personalidade humana que está em vista aqui.

A tradução «...um espírito de sabedoria...», conforme dizem alguns, dá a ideia de uma simples «disposição» ou «inclinação» para a sabedoria. Mas isso fica muito aquém do sentido verdadeiro dessas palavras. Outrossim, deve significar mais do que um mero «espírito acolhedor» uma «disposição íntima», o desejo de entrar mais profundamente nos mistérios de Deus, que são a sua «sabedoria». O sentido essencial dessas palavras, pois, deve ser o «espírito humano», a porção espiritual do homem, iluminada pelo Espírito Santo, a fim de poder participar da sabedoria divina, e assim ser capaz de compreender a grandiosidade do chamamento e da esperança que temos em Cristo.

O espirito humano iluminado, pois, será possuidor da sabedoria divina.

(Com isso pode-se comparar o oitavo versículo deste capítulo, onde a mesma sabedoria é vista como a base de todo o «mistério» da vontade de Deus, que é a restauração de tudo, a unidade universal em Cristo. Ver as notas expositivas ali existentes sobre o significado da «sabedoria»). Esse entendimento espiritual sobre as questões fundamentais, sobre seus sentidos e subentendidos, bem como sobre os alvos futuros, nos é conferido através do Espírito de Deus, fazendo parte da presença habitadora de Deus entre os homens, porquanto tal sabedoria jamais poderá ser fruto da erudição ou intelectualidade humana. A sabedoria sempre ensina aos homens qual a «exigência divina» sobre a vida, mostrando que ela deve ser, por fim, totalmente entregue às mãos de Deus, porquanto nenhum outro destino é digno da vida. Assim, pois, a sabedoria humana e mundana, que tende por desperdiçar a vida em algo que é muitíssimo inferior, é repreendida aqui. A sabedoria autêntica ensina-nos que Deus não é apenas a fonte, mas é igualmente o alvo de tudo. O «conhecimento» de Deus é o alvo especial e precípuo dessa sabedoria; mas esse conhecimento diz respeito àquilo que se aplica a nós, àquilo que nos transforma, conforme as exigências impostas sobre as nossas almas.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 545-546.

Pede espírito de sabedoria. A palavra que usa para sabedoria é sofia: já sabemos que sofia é a sabedoria das coisas profundas de Deus. Paulo roga que a Igreja possa aprofundar cada vez mais no conhecimento das verdades eternas. Para que isto aconteça na igreja se requerem certas condições.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Efésios. pag. 38.

Ef 1.16,17 - Paulo orou para que os efésios conhecessem melhor a Cristo. Jesus é o nosso modelo. E quanto mais soubermos a seu respeito mais nos tornaremos semelhantes a Ele. Estude sobre a vida de Jesus através dos Evangelhos para saber como Ele era em sua vida terrena há quase dois mil anos. Conhecer pessoalmente a Cristo mudará a sua vida.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1646.

  1. Insensatez, arrogância e altivez.

Em Provérbios 11.2, lemos: “Em vindo a soberba, sobrevêm a desonra, mas com os humildes está a sabedoria”. Matthew Henry comentando Provérbios 11.2, destaca:

O orgulho é uma vergonha para o homem, o qual foi formado do pó da terra, vive de esmola, já que depende de Deus em tudo e, com o orgulho perde o direito de possuir tudo o que tem. O altivo se faz a si mesmo depreciável; é um pecado porque Deus, com muita frequência, abate os homens ao nível mais baixo, como fez com Nabucodonosor e Elerodes, cuja vergonha veio imediatamente depois de sua vanglória. Assim como o orgulho é necedade, pois, acaba em desonra, com os humildes está a sabedoria. O vocábulo hebraico para “humilde” só ocorre aqui e em Miqueias 6.8, porção sublime.

Por outro lado, “o orgulhoso”, observa Derek Kidner, “é colocado entre os piores pecadores em Provérbios, sendo o primeiro na lista das “sete abominações” em 6.17, e sua condenação é garantida com a do adúltero (6.29), o qual faz juramento falso (19.5), e outros pecadores dos mais destacados, embora ele possa “dar graças a Deus” por não se assemelhar a eles (...) o mal especial do orgulhoso e que se opõe aos primeiros princípios da sabedoria (o temor do Senhor e os dois grande mandamentos. O orgulhoso, portanto, está mal consigo mesmo (8.36), com seu próximo (13.10) e com o Senhor (16.5). Por isso, a ruína pode chegar, apropriadamente, de qualquer direção”.

GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 85.

Pv 25.28 Como cidade derribada, que não tem muros. Este versículo elogia o autocontrole. O sentido aqui é, essencialmente, o oposto de Pro. 16.32. Cf. também Pro. 14.29 quanto a outras ideias. A primeira vitória de que uma pessoa precisa é sobre si mesmo. Ver no Dicionário o artigo chamado Autocontrole. Ver Pro. 16.32 quanto a um poema ilustrativo e citações sobre a questão. O homem que não controla a si mesmo é como uma cidade exposta a todo o tipo de ataque, porquanto não tem defesas, o que já é uma ideia da segunda linha, sinônima. Cf. Pro. 29.11.

“O autocontrole caracterizado pela oração e pela vigilância é o muro da cidade. Devemos cuidar para que não haja nenhuma brecha nesse muro, causada pela auto dependência e indolência espiritual” (Fausset, in toe).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2668.

Como cidade derribada que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio (v. 28). Não são muitas as pessoas a quem se pode aplicar esta sabedoria, isto é, pessoas que não se dominam a si mesmas. Tais pessoas não podem dominar os outros, não podem governar o povo.

Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.

Pv 27.12 O prudente vê o mal e esconde-se. Um homem prudente pode ver a aproximação do perigo, e isso resulta de tipos específicos de atos. Vendo a aproximação do perigo, ele se esconde e, assim, escapa. Talvez esta linha tenha um tom moral: ele vê os perigos produzidos pelo pecado. Pro. 22.3 é virtualmente igual, e o leitor deve examinar ali as notas expositivas. A segunda linha também é igual a Pro. 22.3b. O homem bom avança pela estrada correta, porque parte de ser bom consiste em antecipar as consequências dos atos e das situações. Já o homem mau trilha o caminho ruim, porquanto ou não vê os efeitos adversos do que está fazendo, ou então pensa que, através de algum ato emergencial, pode evitar os maus efeitos de seus atos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2674.

Pv 2712 São ensinos análogos e que os homens de Ezequias repetiriam, por acharem interessantes os seus ensinos. O homem prudente afasta-se do mal, mas o tolo mete-se nele. Ficar por fiador é fato que Provérbios condena sem misericórdia; e tomar por penhor aquele que se obriga à mulher estranha é ensino que a gente não entende.

Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.

Pv 27.7 A alma farta pisa o favo de mel. Se um homem comeu muito e está de barriga cheia, ficará doente ao pensar em comer coisas tão deliciosas como o mel. E chegará a odiar as coisas que ordinariamente ama.

Antítese. Um homem faminto estará ansioso por comer até mesmo coisas amargas que satisfaçam sua fome. “A fome é o melhor tempero” (Charles Fritsch, in loc.). “O versículo pode estar ensinando que a atitude de alguém para com as possessões materiais é influenciada por quanto esse alguém possui. Os que têm muito não apreciam ou não valorizam um presente tanto como os que têm pouco” (Sid S. Fritsch, in loc.). Ou então o provérbio é apenas uma simples observação sobre certas coisas comuns na vida, sem intenção de encobrir um significado oculto ou moral.

Este versículo tem sido espiritualizado e cristianizado para falar na fome e na sede de justiça (ver Mat. 5.6), bem como no apreciar a boa mensagem do evangelho, que satisfaz a fome da alma destituída. Alguns, entretanto, abusam de seus privilégios espirituais, como foi o caso do filho pródigo (ver Luc. 15.23-32). Essas pessoas têm abundância de coisas boas, mas não as apreciam. Negligenciam os valores espirituais por estarem estragadas pelas oportunidades excessivas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2673.

Pv 27.7 — Quem tem tudo não aprecia o que tem, enquanto que para a alma faminta tudo é gostoso.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 984.

Pv 27.7 O luxo e a indolência da riqueza deixam as melhores coisas sem sabor, enquanto a pessoa que trabalha pesado e passa fome encontra doçura em qualquer coisa amarga. Esse provérbio se aplica além da comida para as coisas em geral, que significam muito mais para os que têm pouco.

MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 827.

Pv 26.3 O açoite é para o cavalo, o freio para o jumento. A essência deste provérbio é o fato de um insensato não poder ser controlado pela razão. Cf. Pro, 10.13 e

19.29. O cavalo precisa ser controlado por um rebenque, O jumento, o animal preferido para servir de montaria, não precisava ser açoitado, mas tinha de ser controlado pela brida. Nenhum desses dois animais faria o que o cavaleiro quisesse, não fosse algum mecanismo de controle. Não havia poder controlador dirigido pela razão, inerente nesses animais.

Sinônimo. Por semelhante modo, um insensato precisa ser controlado pela vara (punição física ou ameaça de tal punição), porquanto não se pode apelar para o seu intelecto (Cf. Pro. 10.13; 14.3 e 19.29). “A correção é tão apropriada a um tolo como o chicote é apropriado ao cavalo ou o freio ao jumento” (Adam Clarke, in loc.). O insensato é alguém que não foi capaz de estudar a lei de Moisés, ou então não quis mesmo estudá-la, e, afinal, não está em busca da sabedoria, pelo que também nunca muda. Você terá de aplicar sempre a torça para que ele faça o que é direito. As versões da Septuaginta, siríaca e árabe dizem “espora” em lugar de “freio”, mas isso não se recomenda como o texto original. Os insensatos são como feras brutas (ver Sal. 32.9; Judas 10). Meras palavras são gastas à toa com eles. Instruí-los é algo doloroso.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2668.

Pv 26.3 — O cavalo, bem como o jumento, precisa de algum mecanismo de controle para exercer alguma tarefa. Como o tolo não tem nenhuma motivação interior para nada, nem mesmo intelecto para ser dirigido pela razão, precisa também da vara [punição ou ameaça de punição] para fazer algo direito.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 983.

Pv 26.9 Como galho de espinhos na mão do bêbado. Um homem, no auge da bebedeira, perde temporariamente o controle. Ele se encaminha na direção de um arbusto espinhento e fere com espinhos sua mão. Desse modo, faz algo insensato que um homem sóbrio teria evitado. Um bêbado sofre danos por causa de sua loucura. Várias coisas têm sido imaginadas sobre esta porção do versículo, a saber: 1. O bêbado fica com um punhado de espinhos nas mãos, algo doloroso para ele. 2.0 homem apanha um arbusto de espinhos e o sacode, algo potencialmente doloroso para outras pessoas. 3. O bêbado, amortecido pela bebida alcoólica, não sente a dor causada pelos espinhos. Está insensível. 4. Esse homem é incapaz de tirar os espinhos das mãos. Provavelmente devemos pensar no primeiro ponto.

Sinônimo. Esses problemas “espinhosos”, ridículos e potencialmente maléficos como são, acompanham os homens quando um insensato alegadamente diz coisas sábias, ou declarações sábias, que, contudo, se tornam ridículas na boca do insensato. Cf. esta parte do versículo com II Ped. 3.16. Gussetius fez do espinho mencionado neste versículo um anzol, aumentando a dor envolvida na ilustração.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2669.

Pv 26.9 - Normalmente, quando ferimos nossa mão num espinho, ficamos alerta, a fim de descobrir outros espinhos e removê-los antes que nos firamos novamente. Porém, uma pessoa embriagada pode não sentir a dor do primeiro toque; e o espinho poderá penetrar em sua carne e causar maiores danos. Semelhantemente.

um tolo pode não sentir o perigo de uma palavra, uma ideologia ou atitude. E. em vez meditar cuidadosamente sobre o que foi dito, ele poderá aplicar a ideia na sua igreja, no seu trabalho, no seu casamento ou contra quem se rebelar. Da próxima vez que ficar surpreendido e disser "tal pessoa realmente deveria prestar atenção nisto” , pare e pergunte a si mesmo se isto também não se aplica a você.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 866.

Pv 26.6 Os pés corta, e o dano sofre. Quanto a provérbios sobre os mensageiros, ver Pro. 13.17, onde apresento a nota de sumário. Ver também sobre a palavra mensageiros, no Dicionário. Naqueles dias em que não havia comunicação de massa, o ofício de um mensageiro era muito importante e requeria fidelidade, prontidão e decisão. Jamais alguém empregaria um insensato como mensageiro.

Sinônimo. Os insensatos têm pés, mas não os usam corretamente ao transmitir mensagens. O homem que confia a um insensato esse mister metaforicamente corta os próprios pés. Pois aquele haverá de esquecer que sua mensagem deve ser entregue prontamente, sendo provável que a mensagem acabará nunca sendo entregue.

Sinônimo. Aquele que confia em um insensato acabará bebendo a violência. O negócio que ele quer conduzir falhará e criará hostilidade com o destinatário da mensagem. Talvez a mensagem diga respeito à conciliação em tempos de guerra, ou envolva animosidades pessoais que o remetente queria ver resolvidas. Haverá o envolvimento de asneiras que produzirão prejuízo, e não o bem que se esperava. Beber a violência significa “dano auto-imposto”. Cf. Jó 15.16 e Pro. 4.17. A má conduta do insensato ocasionará contendas, e delas certamente resultará alguma forma de dano.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2668-2669.

Os versos 6 e 7 dão outra doutrina. Não mandes mensagem por um tolo; quem faz isso é o mesmo que cortar os pés, pois as pernas do insensato são bambas; ele é coxo; não responde à missão. Os tolos devem ser deixados a sós. A palavra na boca do tolo é o mesmo que um coxo de pernas bambas. Comparações ferinas e até um tanto descaridosas, pois o insensato

não se fez a si mesmo, a não ser o que, assim sendo, pensa ser entendido. Então deve ser tratado como petulante. Pela sabedoria antiga, só os sábios podiam e tinham direitos na sociedade; talvez não seja este o fim desse ensinamento, mas, sim, o fato de os de menos capacidade não deverem ser guindados a postos de mando ou de ensino. Em tempo de eleições no Brasil, o que vemos muitas vezes são os menos capazes fazendo barulho para se elegerem.

Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.

Pv 26.10 Como um flecheiro que a todos fere. No original hebraico, este versículo é totalmente obscuro, pelo que provoca diferentes conjecturas sobre a intenção do autor sagrado. Considere o leitor estes pontos:

  1. O grande Deus, que criou todas as coisas, recompensa tanto o insensato quanto o transgressor, segundo eles merecem (no dizer a King James Version).
  2. Um arqueiro, se é insensato e não tem suficiente capacidade, fere a todos, sem distinguir entre amigos e inimigos. O mesmo acontece quando um homem contrata um insensato ou um beberrão para trabalhar para ele: dano e caos, no dizer da Revised Standard Version, da tradução da Imprensa Bíblica Brasileira e da Atualizada.
  3. Ou então um mestre habilidoso em sua arte produz tudo por meio de sua sabedoria e previsão, em contraste com o homem que contrata um insensato para fazer algum trabalho, ou como alguém que contrata a outrem que está passando, tal qual um beberrão. O desastre será o resultado.

A segunda linha, que poderia ser um sinônimo (tudo dependendo de como a primeira linha for compreendida), é fácil: o mal e o caos resultarão para quem contrata um trabalhador que tanto é incapacitado quanto é inepto para o trabalho para o qual estiver sendo contratado.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2669.

O verso de três linhas do versículo 10 nos estimula a não abandonarmos antigos amigos da família: melhor é o vizinho perto do que o irmão longe.

EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 408.

Pv 25.14 Como nuvens e ventos que não trazem chuva... Um homem ridículo qualquer se jacta de um presente que “ele vai dar”, mas que nunca dá. Diz o hebraico original, literalmente, “dom da falsidade”, que toma o lugar de um presente real. Esse homem não vive a lei do amor; não se mostra generoso; é um homem hipócrita e mesquinho, que faz promessas falsas. Ver no Dicionário o artigo chamado Liberalidade, Generosidade.

Sinônimo. Esse homem é como as nuvens lá em cima, a flutuar, encorajando as esperanças dos homens pela chuva necessária, mas nunca satisfaz, pois não chove. Os homens eram e continuam sendo totalmente dependentes de nuvens “produtoras” de chuvas. Se não chover, a vida cessa. A água pode ser diretamente obtida dos oceanos, mas eles também dependem da chuva para encher de novo os depósitos de água.

Estes homens são... nuvens sem água impelidas pelos ventos. (Judas 12)

O indivíduo instruído na lei será genuinamente generoso, amará ao próximo como a si mesmo, e será como uma nuvem que supre água abundante. O homem que é uma nuvem seca desobedece à lei e desconsidera as declarações da sabedoria.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2666.

O verso 14 diz respeito ao vangloriador, o sujeito que sempre se gaba dos seus feitos e das suas virtudes. O tal é como nuvens e ventos que não trazem chuvas. Só vento. Isso não interessa, pois vento sem chuva seca ainda mais a terra.

Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.

Pv 26.11 Como o cão que toma ao seu vômito. Algumas espécies caninas se em- panturram com muito alimento e então vomitam uma porção para os filhotes comerem. Sendo esse o caso, não é grande coisa que um cão coma o próprio vômito. Isso para nós é motivo de asco, mas é deleitoso para o cão, porquanto concorda com a sua natureza. II Ped. 2.22 cita este versículo e aplica-o aos apóstatas que retornam a seus pecados anteriores, depois de terem sido libertados por algum tempo.

Sinônimo. Um insensato parece-se com um cão. Talvez tenha períodos em que fica livre de sua insensatez, mas seguindo os ditames de sua natureza inerente (pois ele é um insensato!), nunca se reforma; nunca aprende. Volta sempre a praticar seus horrendos hábitos pecaminosos, os quais, para ele, são o seu bom vômito. Para os hebreus, o cão era um animal imundo, e outro tanto era considerado o insensato. Ver no Dicionário o artigo chamado Limpo e Imundo. Os textos falam da “sem-vergonhice do insensato pecaminoso, sua voracidade no pecado e a imundícia de seus pecados” (John Gill, in ioc.). Ver Êxo. 8.15 quanto a um exemplo bíblico dessa insensatez.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2669.