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COMENTARIO BIBLICO DE FILIPENSES CAP. 4 (B-C)
COMENTARIO BIBLICO DE FILIPENSES CAP. 4 (B-C)

  

FILIPENSES COMENTARIO BIBLICO CAP. 4 (B-C)

 

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Reciprocidade é um sentimento de correspondência, de intenções ou ações entre duas pessoas ou entre dois grupos. No contexto dessa temática, representa a manifestação amorosa dos cristãos filipenses para com o seu pai na fé, o apóstolo Paulo. Essa reciprocidade é típica da vida da igreja cujos interesses são comuns a todos. Portanto, reciprocidade se constitui numa qualidade que desfaz o individualismo, realça a fraternidade e desenvolve uma relação de paridade de sentimentos representados no amor cristão.

O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu na Carta aos Coríntios: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13.4-7).

Nesse capítulo, especialmente no texto de 4.10-13, o apóstolo Paulo expressa sua alegria e gratidão à igreja de Filipos, que lhe enviara donativos. Eram ofertas que o mantinham vivo na sua prisão, uma vez que ele não podia trabalhar fazendo tendas como havia aprendido para poder se manter. Essa escritura nos ensina a importância da reciprocidade que deve existir no seio da igreja. Paulo estava agradecido aos filipenses por terem se lembrado dele, mas destaca que sempre dependeu da providência divina para o seu sustento.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 142-143.

VIII. A Carta de Ação de Graças; as Doações dos Crentes (4:10-20).

Tendo chegado agora ao final de sua epístola, Paulo destaca um de seus principais propósitos ao escrevê-la. Os crentes filipenses se tinham mostrado generosos em seu apoio financeiro, reconhecendo as necessidades de Paulo e as crises de toda a ordem pelas quais ele passava. Eles queriam aliviar pelo menos suas dificuldades financeiras, até onde isso lhes fosse possível, pelo que lhe tinham enviado dinheiro em diversas ocasiões. Ora, neste ponto Paulo faz uma pausa a fim de agradecer a essas doações. A última ocasião em que os filipenses tinham enviado auxílio financeiro a Paulo fora quando da vinda de Epafrodito, o qual agora retomaria a eles como o portador da presente epístola, bem como seu representante, autorizado a corrigir alguns problemas que afligiam aquela comunidade cristã.

O fato que Paulo esperou até o fim desta epístola, para mencionar as doações recebidas mais diretamente, agradecendo aos crentes filipenses pelas mesmas, é questão que tem deixado perplexos a alguns intérpretes. Alguns deles têm pensado que Paulo não tivesse ficado satisfeito ante a quantia recebida, tendo a mesma também chegado tarde demais para fazer-lhe grande bem.

Mas outros veem nisso uma demonstração da delicadeza dos sentimentos de Paulo: o apóstolo teria adiado a menção da dádiva porque não queria que a questão parecesse ser demais importante para ele, como se estivesse motivado pela cobiça. Entretanto, é perfeitamente possível que ele já houvesse agradecido aos crentes filipenses pelo dinheiro enviado, em alguma epístola anterior, que agora desconhecemos; ou então, simplesmente, que as várias admoestações e instruções, necessárias para correção de outros problemas, e que foram incluídas nesta epístola, tenham forçado a menção da questão agora já no final da epístola.

A passagem que ora consideramos aprova as doações feitas a ministros e missionários do evangelho, como algo digno de louvor. A passagem de I Cor. 9:7-14 ainda se mostra mais detalhada e dogmática, ao abordar esse mesmo problema.

Ordinariamente, Paulo não recebia doações das igrejas que fundava, não apenas para dar exemplo de tal parcimônia a outros, mas provavelmente porque não queria que seu serviço, prestado à causa de Cristo, desse a impressão de ser feito a troco de uma «cobrança». Estava muito mais interessado em prestar seus serviços gratuitamente, posto que, antes de sua conversão a Cristo, havia perseguido à igreja do Senhor. Por exemplo, no caso da igreja em Corinto, sob hipótese alguma aceitou doações da mesma, visto que alguns de seus membros o tinham criticado concernente a essa questão, ao passo que outros, mui provavelmente, tinham dito que ele trabalhava no evangelho a fim de ter uma vida financeiramente abastada. Nessas críticas, realmente, havia um ataque contra o seu próprio apostolado.

Além disso, ainda outros explicavam como motivo do fato que ele não queria receber ajuda financeira, dizendo :«Ele não aceita salário, e com razão, pois nem mesmo é um apóstolo». Assim deveriam dizer especialmente os «judaizantes» que havia na comunidade cristã de Corinto. (Ver igualmente o trecho de II Cor.11:8,9, sobre esse mesmo problema). Esse versículo também menciona um dom anterior doado pelos filipenses, evidentemente há tempo considerável atrás.

Embora Paulo não recebesse ajuda financeira da parte de outras igrejas, exceto a dos filipenses, pelo menos não tendo nós registro histórico a respeito, o fato é que ele exortou, tanto aos crentes coríntios (ver I Cor. 9:7-14) como aos crentes gálatas (ver Gal. 6 :6), para que fossem cuidadosos no desempenho fiel desse dever. (Ver as notas expositivas nesses trechos citados, acerca desse tema em geral). O texto presente, em sua aplicação, deveria ser dirigido mais diretamente à questão da responsabilidade das igrejas locais para com os missionários, sobretudo para com aqueles que labutam em países estrangeiros, porquanto esse é o caso aqui especialmente ilustrado.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 65.

problema é que ele parece mais um termômetro do que um termostato! Esse comentário de um dos diáconos despertou a curiosidade do pastor. Estavam conversando sobre alguns candidatos para o conselho, e alguém citou o nome de Jim.

- Digo isso, pastor - o diácono explicou porque um termômetro não muda coisa alguma, apenas registra a temperatura.

Está sempre subindo ou descendo. Mas um termostato regula a temperatura do ambiente em que se encontra e faz as alterações necessárias. Jim é como um termômetro: não tem poder de mudar as coisas. Na verdade, ele se deixa afetar pelas coisas!

O apóstolo Paulo era um termostato. Em vez de ter altos e baixos espirituais de acordo com a mudança das situações, ele prosseguia com determinação, fazendo seu trabalho e servindo a Cristo. Suas referências pessoais no final desta carta mostram que ele não era vítima das circunstâncias, mas sim vitorioso sobre as circunstâncias: "De tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência" (Fp 4:12); "Tudo posso" (Fp 4:13); "Recebi tudo e tenho abundância" (Fp 4:18). Paulo não precisava ser paparicado para estar contente; seu contentamento vinha dos recursos espirituais que Cristo lhe provia abundantemente.

Contentamento não é o mesmo que complacência, como também não é falsa paz com base na ignorância. O cristão complacente não se preocupa com os outros, enquanto o cristão contente deseja compartilhar suas bênçãos. O contentamento não é uma fuga da batalha, mas sim paz e confiança permanentes em meio à batalha. "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4:11). Duas palavras desse versículo são de importância crítica: "aprendi" e "contente".

O verbo "aprender" refere-se a "aprender por experiência". Esse contentamento espiritual não era algo que ele havia assimilado imediatamente depois da conversão. O apóstolo teve de passar por várias experiências difíceis, a fim de aprender a viver contente.

O adjetivo "contente", na verdade, significa "contido, calmo". É a descrição de um homem cujos recursos encontram-se dentro dele, de modo que não precisa depender de substitutos externos. O termo grego significa "auto-suficiente" e era uma das palavras prediletas dos filósofos estóicos.

Mas o cristão não é auto-suficiente; sua suficiência encontra-se em Cristo. Uma vez que Cristo vive em nós, estamos à altura das exigências

da vida.

Neste capítulo, Paulo fala de três recursos espirituais maravilhosos que nos dão suficiência e contentamento.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 127.

I - AS OFERTAS DOS FILIPENSES COMO PROVIDÊNCIA DIVINA

  1. Paulo agradece aos filipenses.

O Tributo de Gratidão pelos Filipenses

O apóstolo Paulo faz um tributo de gratidão à igreja de Filipos dando um testemunho de sua relação com aquela igreja, a qual demonstrava o seu amor e desvelo pela obra missionária.

O tributo de gratidão de Paulo à igreja pelo seu “cuidado” para com ele (4.10)

Paulo começa dizendo: “muito me regozijei no Senhor” para demonstrar a igreja de Filipos que ele suportava as privações da prisão em Roma com uma atitude de gratidão a Deus, a qual lhe proporcionava grande alegria no seu espírito. O gozo do Senhor na alma e no espírito é nutriente de fortalecimento espiritual, moral e material quando estamos limitados e privados de conforto. Todo crente em Cristo deve estar consciente da presença imanente do Espírito em todas as circunstâncias da vida.

Já haviam se passado quase dez anos desde a última oferta enviada a Paulo pelos filipenses. Ele agradecia a Deus pelo suprimento feito pela igreja para ajudá-lo nas suas necessidades. Ele se lembrava da primeira oferta quando esteve em Tessalônica e foi agraciado pelo amor desses irmãos (4.15,16). Nessa Carta, Paulo agradece pela surpresa agradável da segunda oferta enviada para ele, exatamente quando estava preso em Roma. Ele agradece e se regozija pela lembrança dos irmãos. Foi por esse amor demonstrado que ele declarou: “muito me regozijei no Senhor” (4.10). Ele estava declarando que a oferta dos filipenses era o fruto da providência divina e da reciprocidade quando lhes pregou o evangelho em Filipos. Ele coloca a providência de Deus acima de qualquer sentimento porque entendia que era o Senhor quem inspirava esse amor demonstrado pelos filipenses.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 143-144.

A questão mais importante a decidir-se é se estes versículos estão em seu lugar adequado, no final de uma carta única, à igreja filipense, ou se representam uma “nota de agradecimento”, completa ou parcial, enviada anteriormente, em relação às seções precedentes que formam, agora, nossa carta, e formando, tal bilhete, ou nota, a primeira de uma longa série de cartas do apóstolo. De qualquer forma, o propósito da seção é claro: agradecer a dádiva que Epafrodito (2:25-30) trouxe (4:18). Quanto ao parágrafo todo, veja-se O. Glombitza, “Der Dank des Apostels: Zum Verständnis von Philipper IV 10-20”, NovT 7 (1964-5), pp. 13541, o qual também trata de outra questão levantada nestes versículos, isto é, será que Paulo conscientemente emprega termos comerciais, do jargão bancário contemporâneo, ou será que sua maior ênfase recai na resposta dos filipenses à sua pregação, e em sua declaração de que “vivemos o tempo todo pela graça”? (p. 140).

  1. Há uma partícula conectora (gr. de) não traduzida na RSV e na ARA. Se esta seção pertence integralmente ao que se segue, esta palavra (“mas”, “e assim”) marca uma transição.

Alegrei-me sobremaneira no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado. Esta é a maneira de Paulo dizer “obrigado”. Esta maneira indireta, oblíqua, de Paulo aludir ao donativo da igreja deu ensejo a algumas especulações entre os intérpretes. Por que aparece Paulo tão reticente, e não sai ousadamente, com uma palavra de apreciação? Teríamos nós alguma justificativa, na companhia de Dibelius, Lohmeyer e Gnilka, para falar de “agradecimentos sem agradecimentos”? (danklose Dank).

Uma razão para a expressão reservada seria encontrada se pudéssemos aceitar a opinião de J. H. Michael (“The First and Second Epistles to the Philippians”, ExpT 34 (1922-3, pp. 106-9), compartilhada por E. F. Scott, segundo a qual numa carta anterior à igreja, Paulo dissera algo, que causara ressentimento em Filipos, isto é, que ele não estava precisando de donativo em dinheiro. Esta sentença seria a tentativa de Paulo de esclarecer a dificuldade. C. O. Buchanan (EQ 36 (1964), pp. 161ss.) acha que Paulo, na verdade, está perturbado, porque os filipenses desobedeceram suas ordens a respeito de sua recusa em aceitar ajuda financeira da parte das igrejas (cf. 1 Co 9: 15-18). Podemos, contudo, questionar isto: será que esta firme política de recusar ajuda financeira aplicava-se a todas as congregações? Provavelmente a verdade é que Paulo sentiu um certo constrangimento com respeito a assuntos de dinheiro, e que seu jeito ambíguo de escrever reflete um pouco do conflito existente entre seu desejo de expressar gratidão pelo donativo recebido, agora e anteriormente (v. 15) e o desejo de mostrar-se superior a questões de dependência de outros, quanto a sustento financeiro.

Certamente é inusitada a maneira de Paulo agradecer o donativo, seja em dinheiro ou em espécie, vindo da igreja, principalmente se considerarmos as expressões que usa. Ele coloca toda ênfase de sua alegria no Senhor, não na generosidade dos filipenses — um traço peculiar que reaparecerá no versículo 18. Renovastes (gr. anethalete, encontrado somente aqui, em todo o NT, mas presente na LXX, SI 27:7; Sab. 4:4; Sir. 46: 12; 49:10, sobre plantas “que florescem outra vez” após a estação de hibernação). O verbo pode ser transitivo, sentido que é encontrado na RSV, e aceito por Debelius, Bonnard e Beare — “agora, finalmente, destes realidade ao vosso interesse”; ou melhor, o verbo pode ser factitivo (veja-se AG, que dão o sentido de “causar o crescimento”, encontrado na LXX, em Ez 17:24; Sir. 50:10). Outra alternativa é considerar o verbo como intransitivo: “revivestes, tanto quanto vosso interesse por mim”. (Veja-se Gnilka e N. Baumert, “Ist Philipper 4, 10 richtig übersetzt?”, BZ 13 (1969), pp. 256-62 (260). Esta é preferível, se for verdade, como assevera Gnilka, que Paulo, ao escrever seu agradecimento, vê o quadro inteiramente do ponto de vista dos filipenses; esta interpretação é apoiada pelo que se segue.

a meu favor o vosso cuidado usa o verbo chave desta epístola: gr. phronein, cf. 2:3s., e 1:7, que contêm uma expressão paralela. Paulo sente profundo interesse pelos filipenses. Agora, paga ele tributo ao envolvimento e ativo interesse deles em seus assuntos pessoais. O qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. A primeira parte da sentença enfatiza desejo ardente e prontidão dos filipenses em enviar ajuda (colhida nos w. 15s.: segundo Baumert, loc. cit., pp. 260s.). Não foi a falta de interesse dos filipenses, mas as circunstâncias desfavoráveis, que bloquearam o caminho da dádiva até o apóstolo. “Vós tivestes a falta do tempo (kairos) certo para ajudar”, é o que comenta Paulo ao usar esse verbo (gr. êkaireisthe).

Não está mencionada a razão da falta de circunstâncias favoráveis. Este fato influencia de alguma forma a data da carta. (Veja-se a Introdução, pp. 65s..) Quer fosse a situação do apóstolo, num certo lugar inacessível, ou a própria pobreza dos filipenses, ou a preocupação deles quanto à coleta para os santos de Jerusalém, não há culpa atribuída ao descuido. Foi algo fora de seus controles.

Ralph P. Martin, Ph. D.. Filipenses Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 175-177.

Emprestando a expressão de Paulo, agora, uma vez mais, ele lhes agradece formalmente o presente. Embora não dependesse da oferta, e nem mesmo a procurasse, ele se alegra com tal sacrifício que agrada a Deus e beneficia quem recebeu.

  1. Se Filipenses fosse realmente uma carta de agradecimentos, as palavras de apreciação deveriam ter vindo muito antes. O fato de aparecerem quase como um pós-escrito, empresta plausibilidade à conjetura de Michael que diz que Paulo já tinha feito seus agradecimentos e agora estava apenas esclarecendo algumas declarações, que evidentemente causaram ressentimentos (pág. xxi f; pág. 209 e segs.). Anathalo, "tornar a brotar novamente", descreve uma árvore cheia de brotos na primavera. Alguns, para fugir ao que parece ser uma branda reprimenda, entendem renovastes como indicando a recuperação de um período de terrível pobreza. A falta de oportunidade poderia então ser uma falta de meios. Entretanto, provavelmente significa que não havia ninguém disponível para a viagem.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Filipenses. pag. 28-29.

  1. Reciprocidade entre o apóstolo e a igreja.

Houve demonstração de reciprocidade entre o apóstolo e a igreja (v. 10)

A expressão “vossa lembrança” está traduzida na ARA como “vosso cuidado”. A palavra “cuidado” reveste-se de sentido especial na relação recíproca entre o apóstolo e a igreja de Filipos. Quando diz: “por, finalmente, reviver a vossa lembrança” estava, de fato, usando a palavra “reviver” com um modo de lembrar com carinho e demonstrar a materialidade desse sentimento em donativos que davam condições de sobrevida na sua prisão em Roma. O ato de reviver e lembrar experiências passadas se constitui um conforto que não tem preço para quem é o objeto dessa lembrança. A relação amorável entre os filipenses e seu pai na fé era demonstrada de modo fraterno e reconhecimento pelas bênçãos recebidas através de Paulo. Eles receberam as bênçãos do evangelho e não se esqueceram de corresponder quando o servo do Senhor estava necessitado.

A igreja de Filipos foi fundada por Paulo enfrentando muita oposição com perseguição, prisão e muito sofrimento. Agora a igreja demonstrava sua gratidão ao apóstolo cuidando dele e ajudando - o nas suas necessidades. Esse cuidado da igreja tinha um caráter espiritual, pois o que importava nessa ação da igreja era a sua motivação. Essa reciprocidade foi manifestada no reconhecimento da igreja de Filipos e a necessidade do apóstolo. Essa reciprocidade envolvia o dar e receber entre ambos (1 Co 9.11; Rm 15.27).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 144-145.

....reciprocidade na relação com o obreiro (4.15). A igreja de Filipos tinha um lugar especial na vida de Paulo. Desde o início, ela se tornou parceria do apóstolo e continuou assim até o final. Era uma igreja constante no seu compromisso com Deus e com o apóstolo.

Há igrejas que têm picos de entusiasmo pela obra missionária por um tempo, fazem conferências especiais, enviam o pastor para congressos missionários e fazem levantamento de provisão para os obreiros que estão no campo, mas depois abandonam essa trincheira e abraçam outras prioridades. A igreja de Filipos era uma igreja fiel no seu envolvimento e engajamento com o missionário e com a obra missionária.

A relação da igreja com o apóstolo era uma avenida de mão dupla. Ela dava e recebia. Ela investia bens financeiros e recebia benefícios espirituais (IC o 9.11; Rm 15.27). Ela investia riquezas materiais e recebia riquezas espirituais. De Paulo, a igreja recebia bênçãos espirituais; da igreja, Paulo recebia bênçãos materiais. Ela ministrava amor ao apóstolo e recebia dele gratidão.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 244.

«...Alegrei-me...» Temos aqui, um a vez mais, um a das notas chaves mais constantes da presente epístola, a «alegria». (Ver as notas expositivas a respeito desse tema, em Fil. 1:4 e 4:4, onde são aludidas as passagens onde esse assunto reaparece). A alegria é um a das facetas do «fruto do Espírito Santo», ou seja, um a qualidade espiritual. (Ver Gál. 5:22,23 e as notas expositivas ali existentes). Aqui Paulo usou o aoristo epistolar, no grego—traduzido em português por «...Alegrei-me...», vendo a questão do ponto de vista de seus leitores. Quando os crentes filipenses recebessem esta epístola, sua ação de agrade cimento já seria considerado com o algo ocorrido no passado; por essa razão é que Paulo escreveu o verbo no tempo passado. Normalmente, esses aoristos, a fim de se adaptarem à nossa maneira de dizer as coisas, são vertidos para o tempo presente, nas traduções modernas.

«...no Senhor...» (Quanto a notas expositivas completas sobre essa expressão, usada por mais de quarenta vezes nos escritos de Paulo, ver Fil. 4:1. Essa expressão indica a nossa união e contato com o Senhor Jesus, bem como a nossa posição como membros da família divina, juntam ente com ele; e também fica indicado o seu senhorio, que é comentado no trecho de Rom. 1:4). Paulo se regozijara tanto em face do próprio auxílio financeiro recebido como também porque o mesmo fora inspirado pelo amor cristão, o que ele reconheceu como um a das boas qualidades dos crentes filipenses.

«...agora, um a vez m ais...» Essas palavras indicam a pluralidade das doações enviadas (quando as consideramos juntam ente com a declaração «...renovastes a meu favor o vosso cuidado...»). E na passagem de II Cor. 11:8,9 vemos que isso já havia ocorrido relativamente cedo em seu ministério. Desde quase o princípio o apóstolo vinha recebendo ajuda financeira dos crentes filipenses. Podemos supor, assim sendo, que eles lhe prestavam ajuda regular, desde o tem pode sua segunda viagem missionária, cujo início está registrado em Atos 15:26. E o versículo décimo sexto desse mesmo capítulo m ostra que eles já lhe tinham enviado dádivas antes.

«...renovastes...» Temos aqui um a metáfora, indicando um a planta que sofrera de um período de estiagem, mas que agora revivia e florescia, e, assim, produzia fruto. Essa expressão tem sido compreendida essencialmente de duas maneiras:

  1. Se o verbo for usado intransitivamente, então Paulo estaria dizendo: «Alegro-me que chegastes ao estado de florescência, novamente, de modo a terdes podido pensar outra vez em mim, resultando isso na oferta que me enviastes».
  2. Mas se o verbo for transitivo, então ele teria dito: «Recebi a vossa preocupação por mim», em que a palavra «preocupação» seria o objeto do verbo. É provável que esta segunda posição seja a forma mais correta de compreender o trecho, pode subentender certa «reprimenda», porquanto deixaram aquela preocupação ficar amortecida por algum tempo. Mas, para evitar que tal interpretação fosse lida em suas palavras, Paulo teria adicionado que isso ocorrera por falta de oportunidade da parte dos filipenses, e não por falta de interesse, conforme se vê no restante do versículo.

«...o vosso cuidado...» Pode-se notar aqui o uso do verbo no modo imperfeito—durante todo o tempo eles tinham tido aquela preocupação, mas não havia como realizar isso na prática. Isso Paulo observou a fim de evitar qualquer interpretação errônea de suas palavras, no tocante ao intervalo que separava aquele envio das dádivas e a vez anterior em que o tinham feito.

«...faltava oportunidade...» Também no imperfeito. Por todo o tempo, embora quisessem fazer um a doação ao apóstolo, nunca se lhes apresentava a chance de enviarem suas dádivas. Os tipos de transporte antigo, bem como os assaltos frequentes nas poucas estradas, dificultavam imensamente a questão. Os crentes filipenses talvez não tivessem mesmo os fundos para um a doação, não possuíam prosperidade financeira bastante para tal coisa, ou então talvez não contassem com um mensageiro de confiança que estivesse livre, no momento, p ara o propósito de levar ao apóstolo os meios pecuniários. Mas, finalmente, em Epafrodito, encontraram o portador certo.

  1. A igreja cuidar dos seus obreiros.

A igreja tem a obrigação de cuidar dos seus obreiros

Quando a igreja em Filipos ainda não tinha uma estrutura organizacional com capacidade própria para se autos sustentar não deixou de fazer o que era possível para fazer a obra de Deus. Mesmo assim, a igreja em Filipos, não tendo um templo e ainda reunindo-se em casas dos irmãos, tinha o coração aberto para fazer a obra missionária. Em nossos tempos modernos não se justifica que uma igreja local que tenha uma estrutura material e financeira não faça a obra missionária. E princípio bíblico que deve nortear a igreja no sentido de sustentar seus ministros. Para isso, a igreja deve organizar um sistema financeiro equilibrado para a manutenção da vida eclesiástica. Nenhum obreiro pode fazer da missão pastoral um modo de ganhar dinheiro. Não se justifica pastores ricos com dinheiro das ofertas e dízimos da igreja. A igreja deve assumir a responsabilidade de dar o sustento necessário aos seus pastores para que eles possam realizar a obra sem ficarem restritos à falta de recursos para o sustento da própria família. Paulo sofreu com a falta de sensibilidade da igreja de Corinto, que deixou de pagar-lhe o que era devido. Por outro lado, a igreja de Filipos não deixou de cuidar do sustento do velho apóstolo (2 Co 8.8,9; 12.13). A obra missionária é responsabilidade da igreja no sentido de dar suporte aos missionários em suas atividades evangelísticas.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 145.

Paulo não poderia levar a cabo tudo o que fez sem o apoio e a ajuda da igreja de Filipos. Essa igreja deu-lhe suporte financeiro e sustentação espiritual. Aqueles que estão na linha de frente precisam ser encorajados pelos que ficam na retaguarda: “... porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais” (ISm 30.24). Deus chama uns para irem ao campo missionário e aos demais para sustentar aqueles que vão.

A obra missionária é um trabalho que exige um esforço conjunto da igreja e dos missionários. Neste texto, vemos claramente como essa parceria funciona.

Em segundo lugar, o missionário precisa estar vinculado a uma igreja, e a igreja precisa estar comprometida com o missionário. A relação de Paulo com a igreja de Filipos era de parceria. Paulo estava ligado à igreja, e a igreja o apoiava.

Havia uma troca abençoadora entre o obreiro no campo e os crentes na base. A igreja não apenas enviava ofertas ao missionário, mas estava efetivamente envolvida com ele.

A falta de vínculo entre o missionário e a igreja local é um dos grandes problemas da missiologia moderna. As agências missionárias precisaram assumir o papel das igrejas.

Os missionários vão para os campos, mas perdem o contato com as igrejas. As igrejas enviam ofertas aos missionários, mas não se envolvem com eles no sentido de dar e receber.

Assim, os missionários ficam solitários nos campos, e as igrejas, alheias aos resultados que acontecem nos campos.

Falta aos missionários o encorajamento das igrejas, e, às igrejas, as informações dos missionários.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 241-242.

II - O CONTENTAMENTO EM CRISTO EM QUALQUER SITUAÇÃO

  1. O contentamento de Paulo.

O Contentamento em toda e qualquer Situação

Seu contentamento era gerado pela suficiência de Cristo

Paulo diz assim: “já aprendi a contentar-me com o que tenho” (v. 11). O foco de sua vida era a pregação do evangelho que pregava. Ele não se prendia a nenhuma circunstância externa. Precisava de donativos para poder manter-se, mas contentava-se com o que tinha. Ele satisfazia-se com a convicção de que Cristo lhe era plenamente suficiente, por isso podia declarar: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (4.13).

A Bíblia nos mostra que o descontentamento gera a avareza, e o autor da Carta aos Hebreus disse: “Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei. E, assim, com confiança, ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei o que me possa fazer o homem” (Hb 13.5,6). Jesus ensinou o risco daqueles que se preocupam com as coisas materiais quando diz: “Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber, nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?” (Mt 6.25). Nosso contentamento não pode ser confundido com comodismo, mas deve ser expresso com atitude de reconhecimento pela suficiência que só Cristo pode nos dar.

Quando o apóstolo dizia que podia “contentar-se como o que tinha” (4.11), estava, de fato, refutando a filosofia dos estóicos, que davam valor à virtude da autossuficiência, ou de independência externa. Essa filosofia sustentava que o homem deve bastar-se a si mesmo e contentar-se interiormente com todas as coisas que lhe sobrevêm. Mas Paulo refuta essa filosofia declarando-se auto dependente da providência divina. Seu contentamento baseava-se no fato de que Deus cuida dos seus servos e os ensina a viver de forma inteligente e confiante nEle. Aos coríntios, Paulo escreveu: “Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Co 3.5). Na tradução da ARA, o texto aclara ainda mais: “pelo contrário a nossa suficiência vem de Deus”.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 146-147.

Contentamento é uma virtude altamente valorizada, mas esquivo.

Embora se trata apenas de ser corretamente relacionados com Deus e confiando na Sua soberana, providência amorosa de propósito, as pessoas, no entanto, buscá-la onde ela não pode ser encontrado em dinheiro, posses, poder, prestígio, relacionamentos, empregos, ou a liberdade das dificuldades.

Mas por essa definição, o contentamento é inatingível, pois é impossível neste mundo caído para ser completamente livre de problemas. Em nítido contraste com a compreensão do mundo de contentamento é a definição simples de contentamento espiritual escrita por Jeremias, o puritano Burroughs: "o contentamento cristão é aquele doce, para dentro, quadro, quieto graça do espírito, que livremente se submete e se deleita em Deus sábio e paternal eliminação de todas as condições "(A Jóia Rara do contentamento cristão [Reprint; Edinburgh: Banner of Truth, 1964], 19).

A Bíblia tem muito a dizer sobre o contentamento. Por exemplo, João Batista disse que alguns soldados que perguntaram a ele como ao arrependimento genuíno manifesto, "Seja feliz com o seu salário" (Lucas 3:14). Para Timóteo, Paulo escreveu: "Se temos comida e cobertura, com estes estaremos contentes" (1 Tim 6:8.), Um pensamento ecoou pelo escritor de Hebreus: "Certifique-se de que seu personagem está livre do amor de dinheiro, estar contente com o que você tem "(Hb 13:5). Paulo era mesmo "conteúdo bem com fraquezas, nas injúrias, nas angústias, nas perseguições,

nas dificuldades, por causa de Cristo" (2 Coríntios. 12:10), porque ele sabia que a "piedade", produzido por esses estudos "na verdade é um meio de grande ganho quando acompanhadas de contentamento "(1 Tim 6:6.). A Bíblia não só identifica o contentamento como uma virtude, mas também prescreve como um comando.

Antes de concluir esta carta à sua congregação de Filipos amado, Paulo quis expressar sua gratidão profunda para eles. Ele tinha uma relação especial com eles desde a fundação da igreja em Filipos. Em um ponto no ministério de Paulo, muitos anos antes, eles eram a única igreja que haviam apoiado financeiramente (4:15-16). Agora eles tinham novamente mandou um presente, e é 4:10-19 Paulo nota de agradecimento a eles por isso.

Filipenses "generosidade foi especialmente significativo para Paulo porque ele chegou a ele durante um tempo muito difícil em sua vida. Ele era um prisioneiro em Roma, confinado a um pequeno apartamento (Atos 28:30) e vigiado o tempo todo por um soldado romano (Atos 28:16). Ele já não podia ministro com a liberdade que outrora desfrutou. Ser incapaz de trabalhar para se sustentar, ele estava em uma condição de dependente, provavelmente existente em um nível de subsistência com a ajuda de amigos generosos. O único contato que teve com as igrejas que estavam a sua preocupação constante (2 Coríntios. 11:28) era através de cartas ou o visitante ocasional que o procuravam. Constantemente paira sobre ele foi a antecipação de seu julgamento perante o imperador Nero o infame (cf. Atos 25:11-12, 21; 26:32; 27:24; 28:19). Comentando sobre este período da vida de Paulo, FB Meyer escreveu que ele foi "privado de todo o conforto, e lançado como um homem solitário, às margens da grande metrópole estranha, com cada movimento da sua mão clanking um grilhão, e nada antes dele, mas boca do leão ou a espada "(Epístola aos Filipenses [Grand Rapids: Baker, 1952], 242).

Sob a superfície de expressão de Paulo de agradecimento aos Filipenses é o retrato de um homem totalmente o conteúdo, apesar de tais circunstâncias graves. Na declaração direta de 4:9, Paulo ofereceu a si mesmo como um exemplo de estabilidade espiritual. Nos versículos 10-19, como ele agradeceu aos Filipenses para seu presente, ele indiretamente ofereceu-se como um exemplo de contentamento. Paulo sabia como alegrar-se em todas as circunstâncias e estar livre de ansiedade e preocupação, porque seu coração era guardado pela paz de Deus e o Deus da paz. Seu exemplo é especialmente relevante para a nossa cultura totalmente descontente.

Cinco princípios de fluxo de contentamento a esta conclusão aparentemente banais para a carta de Paulo. Uma pessoa contente está confiante na providência de Deus, satisfeito com pouco, independente de circunstâncias, fortalecido pelo poder divino, e preocupada com o bem-estar dos outros.

Dez anos se passaram desde que o ministério de Paulo em Filipos tinha resultou na fundação da igreja naquela cidade. Os filipenses haviam apoiado generosamente quando ele deixou de Filipe para ministrar nas cidades macedônio de Tessalônica e Beréia (At 17:1-13). Quando Paul e mudou para o sul em Acaia, Filipenses continuou o seu apoio quando ele ministrou em Atenas e Corinto (Atos 17:14-18:18). Como o passar dos anos que tinham sido consistentemente preocupado com Paul, mas não tinha qualquer possibilidade de fornecer apoio a ele. A razão para esta falta não é dado. Talvez tenha sido devido à sua preocupação com a sua esmagadora pobreza (cf. 2 Coríntios. 8:1-2). Ou eles podem ter tido conhecimento das necessidades do apóstolo, ou incapaz de localizá-lo.

Mas, recentemente, oportunidade surgiu quando Epafrodito chegou a Roma, trazendo consigo uma generosa doação de Filipenses (4:18) para que Paulo se alegrou no Senhor muito. Ele fez isso não porque o dom conheceu sua necessidade, mas porque deu provas de seu amor por ele. Sua alegria transbordava que agora, finalmente, após dez anos, que tinham reavivado a sua preocupação para ele. O verbo grego traduzido revivido é um termo que descreve um horticultura florescimento novamente. Filipenses "afeição generosa para Paul, depois adormecida por quase dez anos, mais uma vez floresceu. A declaração do apóstolo na verdade, você estava preocupada antes, mas você faltou oportunidade foi destinado a dissipar qualquer mal entendido sobre a filipenses parte. Paulo sabia que eles estavam em causa, antes disso, mas ele compreendeu que não tivera oportunidade de apoiá-lo (cf. 2 Cor. 8:12).

Atitude graciosa de Paulo reflete a confiança do paciente na providência soberana de Deus. Ele tinha certeza de que Deus, em devido tempo iria organizar suas circunstâncias, para satisfazer suas necessidades.

Não houve pânico de sua parte, nenhuma tentativa de manipular as pessoas, não importa tomar em suas próprias mãos. Paulo estava contente porque sabia que os tempos, estações, e as oportunidades da vida são controladas pelo Deus soberano ", que faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade" (Ef. 1:11), fazendo com que "todas as coisas a trabalhar juntos para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito "(Rom. 8:28). Aqueles que procuram controlar suas próprias vidas, inevitavelmente, serão frustradas. A confiança confiante na providência de Deus é fundamental para o contentamento.

JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.

Temos aqui uma repetição virtual do trecho de II Cor. 2:16,17, ainda que encrustado o mesmo pensamento em outras palavras. Nenhum homem é «suficiente» por si mesmo (ver II Cor. 2:16). Mas esse pode ser um fato real; em outras palavras, um indivíduo pode ser suficiente, em alto grau, para seu próprio chamamento; mas essa suficiência vem da parte de Deus.

Também podem ser utilizadas capacidades naturais inerentes, porquanto elas também procedem de Deus, porquanto o que possuímos que não tenhamos recebido como um dom qualquer? Nesse caso, entretanto, tais capacidades serão enriquecidas por Deus.

Além desses dotes naturais, quando da conversão, é dado o dom do Espírito (ver Atos 2:4); e então, através dos dons espirituais (ver I Cor. 12-14), o crente, no processo de sua transformação segundo a imagem de Cristo, recebe habilidades que ultrapassam em muito às suas capacidades naturais: Tais dons espirituais se tornam naturais, entretanto, no sentido que passam a fazer parte de seu novo caráter, e não meros instrumentos utilizados pelo crente. Tal como Jesus Cristo era um ser dotado de poderes extremos, assim também nós, à proporção em que vamos sendo transformados segundo a imagem de Cristo, vamos assumindo a sua natureza e os seus poderes. Mas tudo é realmente nosso; faz parte do que somos, do nosso «novo eu».

O fato que tudo procede de Deus era um pensamento fundamental para Paulo (ver II Cor. 5:18). Pela graça de Deus é que somos o. que somos. (Ver I Cor. 15:10). Alguns crentes cedem mais rápida e prontamente ao poder divino; e nisso é que consiste a diferença existente entre os crentes. O alvo final da vida cristã é o recebimento da «perfeição», da parte de Deus, da perfeição absoluta; porquanto é esse o destino natural do homem como ser espiritual que é. Ora, Cristo está sendo formado em nós, os remidos, exatamente para produzir em nós as suas perfeições. Ao longo do caminho, certos crentes, altamente dotados, possuidores de muito daquilo que Cristo é, sobem aos níveis superiores; e esses se tornam os verdadeiros líderes da igreja, colocados em sua devida posição, a fim de ajudarem outros a atingirem terrenos mais elevados, espiritualmente falando.

Vou pressionando para o caminho ascendente,

Novas alturas vou obtendo a cada dia;

Oro ainda, a caminho do alto:

‘Senhor, planta meus pés em terreno mais alto.

(Johnson Oatman).

«.. .suficiência...» No original grego temos o termo «hikanotes», que figura exclusivamente aqui em todo o N.T. Essa palavra significa «aptidão», «capacidade», «qualificação».

«Mediante uma derivação fantasiosa, El Shaddai, como um dos nomes divinos, algumas vezes era interpretado como apelativo que significa Ό Suficiente’. No trecho de Rute 1:20,21, segundo a Septuaginta, ‘o Ikanos’, e em Jó 21:15; 31:2; 39:31 e 40:2, ‘Ikanos' é nome usado como um dos nomes de Deus.

É simplesmente possível que o apóstolo tivesse isso em mente aqui.

‘Nossa suficiência vem do Suficiente’». (Plummer, in loc.).

«O hábito que Paulo tinha de demorar-se em um vocábulo, usando novamente o mesmo por diversas vezes (um artifício que os retóricos latinos chamavam de ‘traductio’), é bem ilustrado nesta passagem. Temos ‘ikanoi’, ‘ikanotes’, ‘ikanosen’, ‘gramma’, ‘eggegrammene’ (segundo versículo); ‘diakontheisa’, ‘diakonos’, ‘diakonia’; e ‘doksa’ por oito vezes, entre os versículos sétimo e décimo primeiro. Quanto ao sentimento que ‘a nossa suficiência vem de Deus’ comparar com os trechos de I Cor. 15:10 e II Cor. 12:9». (Bernard, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 313.

3.5 — Capaz nesse trecho significa adequado, competente. Paulo depositava sua confiança não em si próprio, ou em suas capacidades, mas no Senhor. Essa é a resposta à pergunta feita em 2 Coríntios 2.16: para essas coisas, quem é idóneo?

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 458.

Ele repudia totalmente a ideia de querer qualquer elogio para si mesmo e atribui toda a glória a Deus: “não que sejamos capazes, por nós... (v. 5). Nunca poderíamos ter deixado uma impressão tão boa no coração de vocês e em nosso próprio coração. A nossa fraqueza e inabilidade são tão grandes que não poderíamos ter bons pensamentos por conta própria, e muito menos fomentar qualquer pensamento bom ou afeto em outros. Toda a nossa capacidade vem de Deus. A Ele, portanto, são devidos todo o louvor e a glória pelo bem que é feito, e dele devemos receber graça e força para fazer mais”.

Isso é verdadeiro em relação aos ministros e a todos os cristãos. Os melhores não são mais do que o que a graça de Deus os torna. Nossas mãos não são suficientes para nós, mas a nossa suficiência vem de Deus; e a sua graça é suficiente para nos equipar para toda boa palavra e obra.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora CPAD. pag. 518.

5 “Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus.” O sentido que Paulo confere nessa passagem ao termo logisasthai (“pensar, imaginar, opinar”) é controvertido. O objeto desse pensar ou avaliar é completamente indefinido, “alguma coisa”. Logo, parece que Paulo deseja que essa expressão seja entendida da forma mais geral e abrangente possível. A razão de tudo o que ele “imagina” ou “planeja” como apóstolo, suas “opiniões”, nunca residem nele mesmo. Toda “suficiência” para seu poderoso serviço “vem de Deus”. Isso não é apenas uma palavra humilde, mas ao mesmo tempo também muito audaciosa, pois podia novamente ser mal interpretada em Corinto como incabível “arrogância”. Mas sempre que uma pessoa fala e age por incumbência de Deus isso é inevitável.

Mas Paulo não pode se contentar em falar somente do pleno poder de seu serviço, enraizado em seu total desprendimento pessoal e vínculo com Deus. Ele busca a compreensão completa dos coríntios (2Co 1.13) para seu serviço. Por isso a igreja tem de captar nitidamente o conteúdo de seu serviço quanto à sua singularidade, novidade e glória. O poder peculiar de seu serviço está indissoluvelmente ligado a esse seu conteúdo. Por isso Paulo dedica toda a parte subsequente da carta, sobretudo 2Co 3.4-18; 5.11-21, à explanação exaustiva e aprofundada daquilo que lhe cabe anunciar e efetuar. Justamente agora, quando a aliança entre ele e a igreja foi restabelecida, a consolidação e o aprofundamento por meio de uma compreensão correta de sua mensagem revestem-se de importância para ele.

Paulo esclarece o significado extraordinário de seu serviço dirigindo o olhar dos coríntios para Moisés. A causa disso pode ser que ele, com provocadora audácia, vise medir seu serviço pela maior grandeza que havia até o presente momento na história de Deus com as pessoas. Onde quer que tenha existido fé no Deus vivo, ali Moisés se destacava com magnitude incomparável. Hoje temos dificuldades para aquilatar corretamente como as pessoas daquele tempo devem ter prendido a respiração quando um homem não apenas se colocava ao lado Moisés, mas ousava asseverar: minha incumbência da parte de Deus é infinitamente maior e mais gloriosa que aquela que Moisés teve de cumprir! Mas é justamente isso que Paulo visa afirmar o mais enfaticamente possível.

É possível que Paulo também tenha falado de Moisés porque havia na igreja em Corinto grupos importantes direcionados pelas ideias “judaico-cristãs”. Já em sua primeira carta aparece um grupo de cristãos que se reporta a Pedro (1Co 1.12). De At 15 e da carta aos Gálatas sabemos com qual intensidade uma certa corrente “judaico-cristã” se alastrava pelo novel cristianismo. Ela não contestava a fé em Jesus como o “Cristo”. Mas Jesus era o “Messias de Israel”. Pessoas dentre as “nações” somente podem chegar a Jesus e à salvação quando permitem ser incorporadas ao povo da aliança e cumprem a lei. Também para alguns discípulos de Jesus Moisés continua sendo o personagem destacado e determinante. Situa-se bem acima de alguém como Paulo. A “glória” de Moisés é visível no Sinai e em todo o AT. Em contraposição, onde fica a glória de Paulo, que faz discursos tão grandes sobre si mesmo e, não obstante, se apresenta de forma tão deplorável? Por isto Paulo se vê forçado a destacar com as mais aguçadas antíteses a diferença entre seu serviço e o serviço de Moisés. Ele não polemiza contra o serviço de Moisés nem tenta rebaixá-lo. Reconhece plenamente a glória divina que paira sobre Moisés. Mas justamente desse modo salienta-se com nitidez o quanto o serviço de um apóstolo de Jesus Cristo é infinitamente mais glorioso. Dessa maneira Paulo ajuda o cristianismo de todos os tempos a encontrar as constatações necessárias e decisivas na questão “antiga e nova aliança”, “lei e evangelho”, “Moisés e Paulo”.

Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos Coríntios. II Coríntios Editora Evangélica Esperança.

  1. “Sei estar abatido” (v.12).

O aprendizado que gera o contentamento (4.12)

Ainda no versículo 11, temos a palavra “aprendi”. Esse verbo está no pretérito perfeito, que indica algo experimentado. Paulo aprendeu a arte do contentamento através de uma experiência cotidiana em que dependia totalmente do Senhor para sobreviver e para fazer a obra do evangelho. O contentamento cristão confia na suficiência de Cristo e na sua providência para todas as necessidades. Paulo demonstra esse cuidado de Deus na sua vida em meio às situações mais angustiantes, conforme está registrado em 2 Coríntios 11.24-28. Está escrito naquela Carta aos Coríntios:

Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.

Ora, depois de um testemunho como esse, Paulo tinha maturidade e experiência para apelar às igrejas que o imitassem na vida cristã.

“Sei estar abatido e também ter abundância” (v. 12). A vida cristã se baseia em convicções firmes. Quando o apóstolo Paulo declara “sei”, referia-se à certeza absoluta de que Deus lhe provia todas as necessidades, físicas, materiais, emocionais e espirituais. Paulo experimentou pobreza várias vezes e aceitava esse estado de vida como um privilégio em ser humilhado como Cristo foi humilhado. O ter e o não ter, ter abundância e ter falta de coisas de primeira necessidade, não faziam com que o apóstolo perdesse a paciência e o alvo maior de sua vida, que era o de cumprir o desígnio de Cristo no mundo. Ele não tinha dificuldade alguma para compreender qualquer situação negativa. Sua experiência com Cristo era suficiente para ter fé absoluta no cuidado de Deus. Ser ou estar “humilhado” ou “abatido” implica aceitar a privação material perante o mundo sem se envergonhar. Em 1 Coríntios 4.11-13 e em 2 Coríntios 6.4-10, o apóstolo Paulo ilustra o aprendizado a que se submeteu envolvendo todo tipo de sofrimento físico, material e até espiritual, mas sem perder a confiança de que valia a pena sofrer tudo isso por amor ao Senhor Jesus Cristo. O próprio Senhor Jesus deu exemplo, porque sendo Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu (Hb 5.8).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 147-148.

O desprendimento do ministério apostólico das condições terrenas tem um significado que está reproduzido num texto rítmico, que tentaremos reproduzir:

  1. a) tanto sei estar humilhado
  2. b) como também ser honrado;
  3. c) de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência,
  4. a) tanto de fartura, como de fome;
  5. b) assim de abundância, como de escassez;
  6. c) tudo posso naquele que me fortalece.

Na última linha, o manuscrito TR, e Orígenes, têm “Cristo” em lugar do pronome, mas esta é uma redação secundária.

Esta peça poética de duas estrofes, seis linhas, é um tributo ao apostolado de Paulo. Estar “humilhado” (gr. tapeinousthai lembra 2:8) é mais do que privação econômica, mais do que seu destino como mártir (Loh- meyer); reflete sua visão global, e seu desinteresse pelo conforto pessoal nesta vida. Cf. 1 Coríntios 4:11; 2 Coríntios 6:3-10; 11:23ss. “Abundância” (gr. perisseuein) tem sido interpretada como elação espiritual (cf. 2 Co 12:1 ss.), quando Paulo, cheio do poder do Espírito, exercia autoridade sobre as igrejas (1 Co 4:18-21; 2 Co 13:5-10). O contraste fartura e fome normalmente é usado para suprimento (ou falta de) material (Lc 6:21). O melhor esclarecimento é fornecido pela apologia pro vita sua de Paulo, em 2 Coríntios 11:21ss.

A frase final dá o sentido íntimo do todo. O aprendizado de Paulo do segredo da independência e autocontrole só é igualado pelo seu senso de dependência do Senhor, e total confiança nEle. (Já tenho experiência, gr. memyèmai, uma expressão técnica das religiões misteriosas gregas, para denotar a iniciação e visão dos atos simbólicos praticados nos cultos helenísticos: veja-se AG, “iniciar-se” nos mistérios; há, também, o sentido geral do verbo: “aprender o segredo”.)

Ralph P. Martin, Ph. D.. Filipenses Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 177-178.

12 Paulo, porém, acrescenta a segunda metade: “Sei ter fartura… sei ter abundância.” Ambas as coisas juntas – é isso que constitui a totalidade da liberdade. É verdade que também Paulo “aprendeu” isso e não o “sabia” simplesmente. Essa liberdade não lhe foi dada como mero presente.

É uma palavra útil para nós, e que precisamos levar em conta. Nossos pensamentos equivocados sobre a graça divina e a incapacidade humana para o bem com frequência geram em nós expectativas tolas, impedindo-nos no “aprendizado” e no necessário engajamento de nossa vontade. Agora, porém, Paulo “em tudo e em todas as circunstâncias está iniciado” – evidentemente uma “iniciação” muito diferente da iniciação nas solenes liturgias dos mistérios! Agora ele “é capaz” de “tudo”.

Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.

“Sei estar abatido e sei também ter abundância” (v. 12). Esse é um ato especial da graça: ajustar-nos de acordo com cada condição de vida e ter uma disposição mental e espiritual constante em todas as variedades do nosso estado.

(1) Para ajustar-nos a uma condição angustiante - aceitar ser humilhado, estar com fome, sofrer necessidade, e não ser dominado pelas tentações que vêm com ela, perdendo nosso conforto em Deus ou desconfiando da sua providência, ou encontrando um caminho próprio para suprir as necessidades.

(2) Para uma condição próspera - saber ter em abundância, saber ser cheio sem ser orgulhoso, seguro ou luxurioso. E essa é uma lição tão difícil quanto a outra; porque as tentações em relação à abundância e prosperidade não são menores do que as que temos em relação à aflição e à necessidade.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora CPAD. pag. 620.

  1. O contentamento desfaz os extremismos.

Todo obreiro deve aprender a contentar-se com o que Deus lhe deu na sua obra (Fp 4.11)

O profissionalismo ronda o ministério cristão roubando o espaço dos que são, literalmente, chamados para fazer a obra de Deus. O perigo reside no fato de que o profissional na vida eclesiástica cumpre apenas o seu papel de profissional, sem aquele ardor que domina o coração do vocacionado para o ministério pastoral. O profissional, por mais honesto que seja, preocupa-se com a prebenda a que tem direito. A renda financeira da igreja é o alvo da sua administração tão somente. Entretanto, o chamado por Deus, quando pensa em dinheiro no contexto da igreja, preocupa-se com os meios que podem fazer a igreja crescer.

O sustento (o dinheiro) não deve ser o objeto da vida de um obreiro. Ele não pode deixar-se dominar pela avareza e pela ganância. O apóstolo Paulo nos dá a grande lição quando diz: "... aprendi a contentar-me com o que tenho” (v. 11). O ideal que dominava o coração do apóstolo era pregar o evangelho em toda parte. Nada era mais importante que isso. Nenhuma circunstância negativa, nenhuma dificuldade financeira, nada, absolutamente nada roubaria a visão missionária do apóstolo. Paulo não se angustiava pela privação material e social que estava vivendo. Pelo contrário, a alegria do Senhor era a sua força de superação. Ele vivia contente com a própria suficiência em Cristo. Ele sabia que o descontentamento é como uma planta má que faz brotar a avareza (Hb 13.5,6), o roubo (Lc 3.14) e a preocupação com as coisas materiais (Mt 6.25-34). A atitude de Paulo contraria a falsa teologia da prosperidade, que não admite pobreza ou privação na vida do crente.

....tanto a ter fartura como a ter fome” (v. 12). A filosofia cristã capacita o crente a manter a sua fé quando tem fartura e quando passa fome. Quantos homens e mulheres de Deus saíram sem salário, sem casa, e enfrentaram a nudez, a fome, a fadiga, a perseguição e a desonra para pregar o evangelho.

Minha experiência pessoal quando menino, filho de pastor, em tempos de pobreza quando as igrejas estavam iniciando apenas: Lembro-me quando em Chapecó (Santa Catarina), em 1954, faltaram os alimentos de primeira necessidade em nossa casa. Meu pai saiu em busca de algum trabalho que lhe desse dinheiro para comprar comida. Viajou para outra cidade de carona e só veio no seguinte. Entretanto, no dia em que viajou, chorando, antes fez uma oração com minha mãe para que Deus não permitisse a família passar fome. Naquela noite, fomos surpreendidos por alguém que viajou mais de 100 quilômetros porque foi acordado de madrugada pelo Senhor que lhe disse que a família de um servo de Deus estava passando fome. Ele deveria juntar tanto quanto pudesse de alimentos e levá-los para esse servo de Deus. Aquele homem não conhecia meu pai, nem sabia o endereço, mas obedeceu a Deus. Preparou sua carroça e a encheu de mantimentos, pondo-se a viajar para Chapecó. Chegou naquele dia à noite. Bateu à porta, depois da meia-noite, e minha mãe, assustada, foi atender a pessoa que havia chegado. O homem perguntou à minha mãe: “E aqui que um servo de Deus está passando necessidades?” Minha mãe respondeu-lhe que sim. O homem, então, disse: “Deus meu acordou há três dias em minha cama e me enviou a trazer alimentos para vocês”. Descarregou a carroça, tirou os arreios dos cavalos, e entrou em nossa casa para agradecer a Deus. Meu pai não tinha salário, nem igreja para levantar ofertas. A igreja tinha duas ou três famílias de convertidos. Dependia totalmente do milagre de Deus. O ideal do evangelho estava acima de qualquer adversidade.

A igreja de hoje tem recursos suficientes para enviar missionários e sustentá-los sem problema algum. A lição que aprendemos é que o ideal do evangelho precisa estar acima das adversidades no meio do caminho.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 145-146, 149.

Fp 4.11 Por longo tempo, porém, Paulo não havia recebido mais nada da igreja. Por isso alegrou-se “imensamente” – ele recorre a uma palavra que é mais forte que nosso desgastadíssimo “muito” – que Epafrodito trouxe consigo uma doação considerável. Os filipenses permitiram que o “pensar nele” “florescesse” e “brotasse” – trata-se do termo “pensar”, “ter em mente” que ocorre muitas vezes na presente carta e designa agora o “cuidado por ele”. A metáfora empregada é a da planta que torna a “brotar” ou “florescer” depois do inverno. Obviamente Paulo está ciente de que se dedicavam sempre a “pensar nele”. Contudo falta-lhes o kairós, o tempo apropriado, a oportunidade para ajudar. Já na questão da coleta em 2Co 8.2 Paulo lembrara aos negligentes coríntios a pobreza dos macedônios e as graves tribulações da igreja. Por isso não estavam em condições de auxiliar o apóstolo. Agora Paulo volta a receber uma rica dádiva de Filipos, trazida por Epafrodito (cf. acima, p. 264). Nada é dito acerca de seu montante real. Paulo atesta “ter recebido tudo”, asseverando “ter agora em abundância” e estar “repleto”. Obviamente isso são expressões bastante relativas! Aquele que estava acostumado com carências e privações considera “profusão” e “abundância” o que aos mimados poderia parecer bastante modesto. O amor de alguém como Paulo com certeza aferiu a “magnitude” da doação mais pela pobreza dos doadores que pelo montante de suas próprias necessidades.

Contudo ele não se importa em absoluto com o “donativo” em si, ainda que seja capaz de se alegrar “imensamente” com ele. Para ele importa o “fruto” [v. 17]. Por natureza o ser humano é ganancioso ou pelo menos se agarra receosamente aos bens. O fato de ser capaz de doar, ainda mais em uma situação pessoal difícil (a igreja ainda continuava em luta, Fp 1.27-30), evidencia o efeito da palavra que o levou a confiar no Deus vivo e libertou o coração para o amor. É esse “fruto” que Paulo almeja. Vimos diversas vezes na presente carta que ele não apenas está ciente de uma graça que paira como arco-íris promissor sobre uma vida invariavelmente cinzenta, mas de uma graça que transforma a vida real, tornando-a de fato frutífera para Deus. Ele tinha acabado de empregar a figura do comércio. Por isso ele logo o utiliza mais uma vez, dizendo: esse fruto crescente é creditado “na conta de vocês”. Ele aumenta o saldo de vocês. De maneira delicada Paulo combina a gratidão pelo grande presente com a independência total frente aos filipenses: ao produzir o fruto que se pode esperar do plantio do evangelho, eles estão tão-somente elevando o saldo de sua própria conta. O verdadeiro motivo da alegria do apóstolo não reside na ajuda que ele mesmo experimenta, mas no progresso da igreja que se expressa nessas doações.

Porque para sua pessoa Paulo aprendeu “a se manter pessoalmente na situação em que está”. Na sequência ele descreve uma atitude de vida que novamente parece próxima de vários ideais “gregos” ou “filosóficos”, mas que na verdade deixa esses “ideais” muito para trás e deixa de ser um “ideal” para ser simples realidade. Quando o ser humano descobre sua “condição humana”, seus impulsos se tornam para ele uma aflição que o rotulam como mero ser natural e o amarram duramente às circunstâncias. Será que só se tornarão verdadeiramente “seres humanos” depois de mortificarem os impulsos na medida do possível e se libertarem da escravidão das circunstâncias? O ser humano só será “livre” depois que possuir a “autarquia”, a capacidade de se bastar a si mesmo, “manter-se pessoalmente.” Contudo unicamente o “satisfeito” possui essa liberdade! Por isso o filósofo estóico e cínico chega ao “ascetismo”, à configuração mais pobre e primitiva possível. Dessa maneira ele espera salvar a liberdade e dignidade humanas. Quanto mais desenfreadas e sofisticadas se tornavam as formas de desfrutar da vida e a avidez por vida no ocaso da Antiguidade, tanto mais pessoas se sentiam empurradas para esse caminho. O que aqui foi pensado e experimentado mais tarde repetidamente desenvolveu seu poder interior sobre os corações humanos no seio do cristianismo por meio do movimento monástico. Necessidades acorrentam, desprendimento liberta. “Ascetismo” significa o caminho para essa liberdade. Apesar disso, a liberdade adquirida desse modo é apenas meia liberdade. O asceta declara, agradecido e orgulhoso: “Sei jejuar, sei sofrer fome, sei suportar carestia”. Obviamente isso é “liberdade” diante daqueles que não são capazes disso e que permanecem amarrados a suas muitas necessidades. Por isso o “monge” continua representando um sério questionamento também para nós!

Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.

Ele cuida para que não seja mal interpretado o fato de ele ressaltar tanto aquilo que foi enviado a ele. Isso não foi decorrência de descontentamento e desconfiança (v. 11) ou da cobiça e amor pelo mundo (v. 12). 1. Não foi decorrência de descontentamento ou desconfiança da Providência: “Não digo isto como por necessidade” (v. 11); não em relação a qualquer necessidade que sentisse, nem de alguma necessidade de que tivesse medo. Ele estava contente com o pouco que tinha e isso o satisfazia; ele dependia da providência de Deus para prover por ele dia após dia, e isso o satisfazia, “...porque já aprendi a contentar-me com o que tenho”. Temos aqui um relato do aprendizado de Paulo, não daquilo que recebeu aos pés de Gamaliel, mas daquilo que recebeu aos pés de Cristo. Ele aprendeu a estar contente. Essa lição ele tinha tanta necessidade de aprender quanto a maioria das pessoas, levando em conta as privações e sofrimentos pelas quais foi exercitado. Ele esteve frequentemente em cadeias, em prisões e necessidades; mas em todas essas situações ele aprendeu a estar contente, isto é, no seu interior ele aceitava essa condição e procurava tirar o máximo de proveito dela.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora CPAD. pag. 629.

  1. 11 - 0 significado literal da palavra contentar- me é autossuficiente. Na filosofia estóica, esse termo grego descrevia uma pessoa que, de modo imparcial, aceitava toda e qualquer circunstância.

Para os gregos, tal contentamento derivava da suficiência pessoal. Mas, para Paulo, a verdadeira suficiência é encontrada na força de Cristo (v. 13).

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 536.

III - A PRINCIPAL FONTE DO CONTENTAMENTO (4.13)

  1. Cristo é quem fortalece.

A Principal Fonte do Contentamento (4.13)

Depois de abrir o coração e expor à igreja os sofrimentos que ele e outros apóstolos haviam passado, e ainda padeciam privações e sofrimentos físicos, conclui de modo triunfal a principal fonte do seu contentamento: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Paulo nos ensina com a declaração desse versículo que Cristo é toda a suficiência que fortalece a vida dos que servem a Deus. Ele não está ensinando que os servos de Cristo precisam sofrer e suportar as vicissitudes da vida. Ele está, de fato, dizendo que essas dificuldades são inevitáveis, mas que o segredo da vitória está na autodisciplina e no autocontrole do cristão e do obreiro na batalha da vida cristã. Paulo fortalece a ideia de que sua força para superar todas essas coisas estava na confiança daquEle que tudo pode.

A vitória do apóstolo sobre a ansiedade que rondava o seu ministério não foi obtida pela força do pensamento positivo como alguns líderes cristãos ensinaram, tais como Norman Vincent Peale, Robert Schuller e outros. Sua vitória interior foi conquistada e vivida por um aprendizado com o exemplo de Jesus que sofreu tudo, mas foi vencedor. A força motora do seu ministério era o Senhor e ainda é para aqueles que confiam plenamente nEle.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 150.

Fp 4.13 Mas, apesar de todo o aprendizado e da iniciação a “capacidade” não deixa de ser algo fundamentalmente diferente da mera disciplina da vontade por parte de um asceta. “Tudo posso por meio daquele que me fortalece (Cristo)”. Independentemente de ser necessário incluir o nome “Cristo” de forma expressa ou não, de qualquer modo vem de Cristo a “habilitação” para a liberdade plena que Paulo possui. Como “a vida” para ele é “Cristo” (Fp 1.21), ele já não se apega ao que as pessoas chamam de “vida”. Por essa razão pode tranquilamente, nessas circunstâncias, ter em abundância, viver bem e se saciar, sem que torne um perigo para ele. Por isso, no entanto, também pode alegremente abrir mão e passar fome sem temor e sem irritação. Logo não precisa do donativo dos filipenses. Possui “autarquia”. Também o relacionamento com essa igreja, à qual permitiu que lhe fizesse doações pessoais, não é distorcido pelo desejo secreto daquilo que ela lhe concede. Está regiamente livre. E de fato “regiamente”, e não “asceticamente”, livre. Por isso ele tampouco precisa rejeitar, constrangida ou receosamente, a rica dádiva que Epafrodito trouxe consigo, mas pode alegrar-se sobremaneira com ela e ter novamente “abundância”. Esse é o efeito visível de Jesus! É verdade que a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus” virá somente em plenitude quando Jesus consumar sua obra por ocasião de sua parusia. Mas o cristianismo seguramente é mais que mero “consolo para o futuro ou o além”. Jesus já é hoje aquele que habilita os humanos para essa gloriosa liberdade, aqui constatada em Paulo.

Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.

Tudo posso naquele que me fortalece. (4:13)

Não importa quão difícil a sua luta pode ter sido, Paulo teve uma undergirding espiritual, um meio invisível de apoio. Sua adequação e suficiência veio de sua união com o Cristo adequada e suficiente: "Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim, e a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim "(Gl 2:20).

Quando Paulo escreveu que eu possa fazer todas as coisas que ele tinha em mente físicas, as coisas não espirituais. Ischuō (eu posso fazer) significa "ser forte", "ter poder", ou "ter recursos". É comumente traduzida como "dominado" (Atos 19:16), "predominante" (Atos 19:20), e "eficaz" (Tiago 5:16). O texto grego enfatiza a palavra traduzida como todas as coisas (uma referência às necessidades físicas;. Cf. Vv 11-12), colocando-o em primeiro lugar na frase. Paul era forte o suficiente para suportar qualquer coisa por ele que fortalecer [ed]-lo (cf. 1 Tm 1:12;.. 2 Tm 4:17). O apóstolo não, é claro, significa que ele poderia sobreviver fisicamente indefinidamente sem comida, água, sono, ou abrigo. O que ele está dizendo é que quando ele atingiu o limite de seus recursos e força, até o momento da morte, ele foi infundida com a força de Cristo. Ele conseguiu superar as dificuldades mais terríveis físicas por causa da força interior, espiritual, Deus havia lhe dado.

Nas palavras de Isaías, Ele dá força ao cansado, e para ele que não tem nenhum aumenta a potência. Apesar de os jovens se cansam e cansado, e vigorosos jovens tropeçam mal, mas aqueles que esperam no Senhor vai ganhar nova força, pois eles vão sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se cansam. (Isaías 40:29-31)

Talvez a mais clara ilustração dessa verdade na vida de Paulo vem de 2 Coríntios 12:7-10:

Por causa da superando grandeza das revelações, por isso, para me impedir de me exaltar, foi-me dado um espinho na carne, mensageiro de Satanás para me atormentar, para me impedir de me exaltar! Quanto a esta implorei o Senhor três vezes que ele pode me deixar. E Ele me disse: "Minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza." Muito contente, então, eu me gloriarei nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo habite em mim. Portanto, eu estou muito contente com fraquezas, nas injúrias, nas angústias, nas perseguições, nas dificuldades, por causa de Cristo, pois quando sou fraco, então sou forte. Paulo era atormentado por um "espinho na carne", provavelmente um demônio que estava por trás dos falsos mestres que rasgam a sua amada igreja em Corinto. Este foi o pior de todos os ensaios para ele, por causa de sua "solicitude por todas as Igrejas" (2 Coríntios. 11:28). Ele repetidamente pediu ao Senhor para livrá-lo do tormento de que o ataque demoníaco na igreja.

Mas em vez de entregá-lo, o Senhor apontou Paul para a suficiência de Sua graça. O contentamento vem aos crentes que dependem da graça sustentadora de Cristo infundida em crentes quando eles não têm força própria. Nesse sentido, o contentamento é um subproduto da angústia. Para que qualquer dúvida a suficiência do poder de fortalecimento de Cristo, é o mesmo poder que Paulo descreveu em sua oração em Efésios 3:

Por esta razão dobro os meus joelhos diante do Pai, de quem toda família no céu e na terra toma o nome, que Ele vos conceda, de acordo com as riquezas da sua glória, para ser corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior .... Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que funciona dentro de nós. (Ef 3:14-16, 20)

Poder de Deus que habita os crentes é muito mais do que suficiente para reforçar e sustentá-los em qualquer julgamento. Contentamento pertence àqueles que confiança confiar em que o poder em vez de seus próprios recursos. Jeremiah Burroughs observa, Um cristão encontra satisfação em todas as circunstâncias, obtendo força de outro, saindo de si para Jesus Cristo, pela sua fé agindo sobre Cristo, e trazendo a força de Jesus Cristo em sua própria alma, ele fica habilitado a suportar tudo o que Deus estabelece sobre ele, pela força que ele acha de Jesus Cristo .... Há uma força em Cristo, não só para santificar e salvar-nos, mas a força para nos apoiar em todos os nossos fardos e aflições, e Cristo espera que quando estamos sob qualquer encargo, devemos agir a nossa fé nele para desenhar a virtude ea força dele. (A Jóia Rara do contentamento cristão, 63)

É importante notar que apenas aqueles que vivem uma vida de obediência à vontade de Deus pode contar com o Seu poder para sustentá-los.

Aqueles cujo contínuo pecado os levou para a cova de desespero não pode esperar que Deus para trazê-los contentamento de suas circunstâncias. Na verdade, Ele pode até mesmo adicionar às suas dificuldades humilha-los e trazê-los ao arrependimento.

  1. Martyn Lloyd-Jones compara o fluxo do poder de Deus na vida do crente para a questão da saúde física:

Agora eu sugiro que que é análogo a este assunto de todo o poder em sua vida como cristão. Saúde é algo que resulta de estar certo. Saúde não pode ser obtida diretamente ou imediatamente ou em si mesmo. Há um sentido no qual eu estou preparado para dizer que um homem não deve pensar em sua saúde, como tal, em tudo. Saúde é o resultado de uma vida direita, e eu digo exatamente a mesma coisa sobre esta questão do poder em nossa vida cristã.

Ou deixe-me usar outra ilustração. Tome essa questão da pregação.

Nenhum assunto é discutido com mais frequência do que o poder da pregação. "Oh, que eu poderia ter poder na pregação", diz o pregador, e ele vai de joelhos e reza pelo poder. Eu acho que isso pode ser muito errado.

Certamente é se ele é a única coisa que o pregador faz. A maneira de ter poder é preparar cuidadosamente a sua mensagem. Estude a Palavra de Deus, acho que para fora, analisá-lo, colocá-lo em ordem, fazer a sua máxima. Isso é que Deus mensagem é mais provável para abençoar-a abordagem indireta em vez do direta. É exatamente o mesmo em matéria de poder e capacidade de viver a vida cristã. Além disso a nossa oração de poder e capacidade devemos obedecer certas regras primárias e as leis.

Por isso, posso resumir o ensinamento como este. O segredo do poder é para descobrir e aprender com o Novo Testamento que é possível para  nós em Cristo. O que tenho a fazer é ir a Cristo. Devo gastar meu tempo com ele.

Eu preciso meditar sobre ele, devo chegar a conhecê-Lo. Isso era ambição de Paulo "para que eu possa conhecê-Lo." Devo manter o meu contato e comunhão com Cristo e devo concentrar-se em conhecê-Lo.

O que mais? Eu tenho que fazer exatamente o que Ele me diz. Devo evitar as coisas que iriam prejudicar. Se no meio da perseguição queremos nos sentir como Paulo sentiu, devemos viver como Paulo viveu. Devo fazer o que Ele me diz, tanto para fazer e não fazer. Devo ler a Bíblia, devo exercer, devo praticar a vida cristã, devo viver a vida cristã em toda sua plenitude.

(Depressão Espiritual: Suas Causas e Cura [Grand Rapids: Eerdmans, 1965], 298-99)

O poder de Deus vai trazer contentamento para aqueles que não têm força própria, mas somente se eles têm vivido em retidão. Não há nenhuma solução rápida, nenhum atalho para contentamento. Ele vem apenas para aqueles reforçada pelo poder divino, e que o poder divino não vem de conselheiros, terapia ou de auto-ajuda fórmulas, mas apenas de uma vida piedosa consistente.

JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.

Comenta Scott (in loc.) a respeito dessas palavras: «Até este ponto Paulo se utilizara da linguagem do estoicismo, e isso não foi por acidente. Até mesmo nos tempos antigos a semelhança entre o pensamento estóico e o pensamento paulino foi notada; e essas semelhanças têm surgido em número cada vez mais numeroso, à medida que a pesquisa moderna vai avançando. A cidade nativa de Paulo, Tarso, era um a das principais sedes da filosofia estóica e é óbvio que ele fora atraído por muitos aspectos de seu ensinamento. Seu discurso em Atenas, conforme o registro do décimo sétimo capítulo do livro de Atos, foi inteiram ente estóico, semelhante quanto ao pensamento e à linguagem. Todavia, por debaixo dessa semelhança superficial há uma profunda diferença entre Paulo e os estóicos, e a natureza dessa diferença transparece brilhantemente no presente versículo. Os estóicos mantinham que no homem, como fragmento que ele é da alma universal, existe um a força intrínseca que pode resistir e vencer todas as pressões externas. Já o apóstolo Paulo estava convicto que o homem, por si mesmo, nada pode fazer, mas antes, está em servidão desesperadora às maldades deste mundo. Por essa razão é que Deus enviara um Libertador; e todo o esforço humano deve ser fútil para sempre, a menos que contem os com o poder de Cristo que nos ajude. Por conseguinte, quando Paulo diz-nos aqui como já havia aprendido a contentar-se sob todas as condições de vida, sentindo-se auto-suficiente, ao mesmo tempo teve o cuidado de adicionar que não dependia inteiramente de si mesmo.

Antes, tinha consciência da presença íntima de Cristo, o qual, a todo o tempo lhe supria as forças necessárias».

«...fortalece...» No original grego encontramos o vocábulo «enduamoo», o qual significa « infundir forças», como sua ideia básica. É palavra empregada para indicar a força da fé (ver Rom. 4:20); também indica a força espiritual em geral que possuímos no «Senhor» (ver Efé. 6:10). Esse fortalecimento que nos vem da parte de Cristo, não apenas nos confere forças, mas também transforma nossos próprios seres para que compartilhem de sua natureza, o que permite que nos tornemos mais fortes em nós mesmos, embora isso se deva inteiramente à sua graça; não obstante, isso é um a verdade. É também desse modo que crescemos na «estatura» de Jesus Cristo. (Ver Éfé. 4:13).

«Ele (o apóstolo Paulo) declara aqui o seu poder universal, tão triunfalmente, e, no entanto, com quanta humildade!» (Meyer, in loc.).

Mediante tal ênfase, Paulo não somente nos conta um a grande verdade sobre a fonte do poder nessa inquirição espiritual, mas também resguarda-se contra a possível inferência de que ele se ufanava em si mesmo, como se não precisasse de coisa alguma e de ninguém mais.

«...tudo...» Certamente essa palavra inclui todas as questões relativas às coisas físicas, ainda que a declaração seja universal, envolvendo toda a inquirição espiritual da vida.

«...naquele...» Algumas versões suprem a palavra «Cristo», para maior clareza, porquanto é óbvio que Paulo encontrava toda a força espiritual em Cristo. A respeito disso, consideremos os três pontos seguintes: 1. A ideia pode ser «instrumental», indicando que havia no caso de Paulo a instilação ativa do poder de Cristo. 2. O u podia esse poder vir através da comunhão e da união com ele, mediante o contato místico. 3. E é mediante a associação com Cristo que essa força nos é dada.

A força do apóstolo dos gentios residia em sua «união viva e identificação com Cristo», o qual era o seu poder (Faucett, in loc., referindo-se a Gál. 2:20). (Quanto a outros versículos que subentendem que toda a força espiritual pode ser encontrada exclusivamente em Cristo, ou em Deus Pai, ver Efé. 6:10; II Cor- 12:9; Atos 9:22; Rom. 4:20; I Tim. 1:12; II Tim. 2:1 e 4:17).

«Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...» (M at. 28:18,19). Se um crente tiver fé bastante, isto é, se entregar-se de alma aos cuidados de Cristo, com profundeza suficiente, também poderá fazer as obras que Cristo fez, e maiores ainda, conforme a promessa que nos fez o próprio Senhor Jesus, em João 14:12.

Soldados de Cristo, levantai-vos

E ponde a vossa armadura,

Fortes na força que Deus supre

Por meio de seu Filho eterno;

Fortes no Senhor dos exércitos,

E em seu grandioso poder,

Pois quem confia na força de Jesus

Ê mais do que vencedor.

(Charles Wesley)

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 67.

I Tm 6.5 — Privados da verdade descreve a futilidade das discussões religiosas especulativas. Além disso, os falsos mestres estavam usando a religião em seu próprio benefício e ganho financeiro. É provável que esperassem que suas discussões lhes rendessem lucros. Sã doutrina e exortação são a base de uma igreja saudável — não o falso e atrativo brilho e a ganância desses pseudomestres.

6.6 — O verdadeiro ganho está na piedade com contentamento (gr. autarkeia), ou seja, na suficiência das necessidades da vida.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 600.

I Tm 6. 5 Por pessoas cuja mente é pervertida e privadas da verdade: Ter perdido a verdade, ter-se desviado da fé.

Pensam que a beatitude é fonte de lucro: parece que a busca de ganhos materiais representou desde o começo uma tentação para a igreja. Pelo fato de que a nova liberdade, o direito do trabalhador ao pagamento (1Tm 5.18!) se tornou para muitos uma tentação para o abuso, Paulo abriu mão desse direito e trabalhava para seu próprio sustento.

O próspero comércio que os representantes da igreja católica romana promoviam com as indulgências do pecado tornou-se um dos impulsos decisivos que desencadearam a Reforma. Na época as contribuições milionárias de verbas dos impostos que o Estado recolhia para a igreja, até mesmo de pessoas incrédulas e totalmente alienadas dela, tornou-se um motivo semelhante de escândalo.

6 A forma irônica é típica para Paulo: os hereges têm toda a razão. A devoção realmente constitui um grande lucro, ela é útil para muitas coisas, mas evidentemente não da forma como eles imaginam (QI

15d). Nesse trecho a fundamentação não tem cunho pedagógico-moral, mas é marcada pelo pensamento bíblico. Paulo conhece o conceito do contentamento como clara decorrência da abundância da graça divina, que se constitui através da generosidade material dos cristãos em favor de outros. Autarquia não significa o auto provedor independente, assim definido na filosofia clássica, mas aquela auto suficiência que torna rico (extremamente rico) para doar, que capacita para cuidar das pessoas carentes. Em contexto idêntico Paulo emprega a mesma palavra como adjetivo. Sabe contentar-se, não porque tenha se tornado rico em bens e consequentemente independente de pessoas, mas porque pelo poder de Cristo é capaz de ambas as coisas: ser pobre e dependente, assim como ser rico e generoso para outros (não independente!). O contentamento não é resultado de sabedoria e auto provimento humanos, mas inteiramente fruto da graça: “Contenta-te com a minha graça.” A mesma questão é formulada assim nas past: contentamento é fruto da beatitude. A devoção de fato constitui um grande lucro, porque vive a partir do grande mistério do Deus que se doa. O lucro é grande pelo fato de que traz consigo a promessa da vida atual e futura (1Tm 4.8).

Hans Bürki. Comentário Esperança Cartas a Timóteo. I TimóteoEditora Evangélica Esperança.

«...altercações...»No grego é «diaparatribe», ou seja, «irritação mútua» ou «irritação constante». O termo «paratribo» significa «esfregar contra»; e a preposição «dia» dá a essa palavra o sentido de «continuação». Por conseguinte, temos aqui a ideia de «brigas continuas», alimentando a má vontade devido à fricção constante. Alguns dos pais da igreja ilustravam essa palavra com os carneiros sarnentos, que espalhavam sua enfermidade esfregando-se nos outros. Conforme comenta Field (in loc.), trata-se das «...irritações mútuas...» Esse vocábulo é encontrado exclusivamente aqui, em todo ο N.T., sendo uma das cento e setenta e cinco palavras exclusivas das «epístolas pastorais».

«...mente... pervertida...» No grego é «diaphetheiro», que significa «estragar», «destruir», «arruinar», «corromper», tanto em sentido moral como em sentido físico. Sua forma nominal, «diaphthora», significa «destruição», «corrupção». O processo inteiro do raciocínio daqueles homens estava tão depravado e estragado que não mais podiam raciocinar com bom senso, nem podiam ter pensamentos saudáveis. Suas mentes haviam sido vencidas pela decadência. E isso tudo porque tinham rejeitado as «sãs palavras», as palavras de Cristo. (Ver o terceiro versículo).

« ... o coração corrompido está sendo focalizado aqui, pois é esse o abismo do qual procedem as trevas, que obscurecem a visão espiritual». (Oosterzee, in loc.).

« ...privados... »No grego é «apostrepho», que significa «afastar-se de», ou seja, «ser privado» de algo, perder contato com alguma coisa, ficar destituído de certos benefícios . Nas páginas do N.T., essa palavra é comumente usada com o sentido de «defraudar». (Ver Marc. 10:19; I Cor. (7,8 e 7:5). Aqueles homens se tinham privado da verdade que antes possuíam, ou que poderiam ter possuído. Haviam preferido permanecer destituídos dessa verdade, a fim de edifica rem um satânico sistema doutrinário.

«...verdade...» Nestas epistolas, essa palavra significa a «verdade cristã», ou seja, o «cristianismo ortodoxo», as «doutrinas do cristianismo bíblico», e não somente o «evangelho», conforme tal palavra é empregada no resto do N.T. Naturalmente, o evangelho é que criou esse sistema, mas nestas epístolas, encontramos uma ideia mais formal a respeito. (Ver I Tim. 2:4,7; 3:15; 4:3; II Tim. 2:15,18;25; 3:7,8; 4:4 e Tito 1:1,14).

«...supondo que a piedade é fonte de lucro...» Aquela gente ficara tão arruinada, devido às suas crenças próprias, tão envolvidas em controvérsias fúteis e estéreis que, finalmente, ocorreu-lhes que o único uso prático da religião é que esta é uma maneira de ganhar dinheiro. Notemos como toda esta passagem se assemelha às descrições de Platão acerca dos «sofistas», os quais também «vendiam o seu conhecimento», cobrando altos estipêndios por suas «aulas», cujo principal intuito era ajudar os homens a argumentar com astúcia. Os sofistas foram os pragmáticos da antiguidade, que não acreditavam haver algo como a «verdade objetiva». A verdade, para eles, seria tudo quanto é vantajoso para o indivíduo, tudo quanto «funciona bem», tudo quanto Obtém os resultados desejados; e isso significa que a verdade de hoje pode ser o erro de amanhã.

«...piedade...» Temos aqui a familiar palavra «eusebeia», por tantas vezes usada nas «epístolas pastorais»: por dez vezes na forma nominal e por duas vezes como advérbio. (Ver I Tim. 2:2 quanto a notas expositivas a respeito).

A «santidade» fingida por eles servia apenas para impressionar a outros, a fim de obterem maiores ofertas e salários. Eles encaravam a piedade como «fonte de produzir dinheiro». Para eles a religião era apenas um «negócio» que produzia dividendos. Sua atitude se parecia com a dos sofistas, que não tinham consideração para com a verdade, porquanto faziam da retórica um meio de ganhar dinheiro. Alguns sofistas cobravam somas absurdas por suas lições. É interessante observarmos que a profissão dos advogados começou entre eles, o que também se dá no caso dos professores universitários. Esses se olvidam da dimensão superior da vida, no que tudo quanto fazemos e somos determina o bem-estar de outros neste mundo, produzindo julgamento até mesmo na existência após a morte física. Esses se esqueceram da «dimensão eterna» da existência, reduzindo tudo a meras riquezas materiais. Eram «materialistas práticos», ainda que, teoricamente, aceitassem a existência do espírito. Sabemos que os gnósticos aceitavam o mundo espiritual, mas negavam sua realidade na prática, pois não viviam tendo em vista aquele mundo superior. E quantos são os cristãos que cabem dentro desse quadro! Esses não são realmente diferentes, e nem agem diferentemente de qualquer materialista ou ateu confesso, ainda que, «em teoria», aceitem as realidades espirituais.

Todos nós, algumas vezes, tornamo-nos culpados dessa atitude.

Preocupamo-nos com o futuro; procuramos obter segurança através de pensões e propriedades, e assim nos tornamos escravos do dinheiro.

Quantos indivíduos têm perdido de vista aquele chamamento, por lhes faltar a fé no poder que Deus tem de lhes «prover o necessário», ao mesmo tempo que sua alta vocação é cumprida. Preferem antes uma ocupação inferior, que ofereça segurança terrena.

Algumas traduções dizem aqui «...supondo que o lucro é piedade...», como se a própria riqueza material fosse sinal de aprovação divina na vida, assinalando-a como santa; mas isso não é boa tradução. Também não devemos imaginar qualquer movimento de «emancipação» de escravos, encabeçado pelos gnósticos, como se eles estivessem pregando que, no cristianismo, o indivíduo deveria ser liberado, tornando-se livre para viver a mais plena vida material. Essa é uma interpretação inteiramente fantástica.

É bem possível que os gnósticos, seguindo o exemplo dos sofistas, dessem lições especiais ou efetuassem campanhas evangelísticas, como pregadores viajantes, cobrando largas somas em dinheiro por seu trabalho; e assim recebiam mais dinheiro do que usualmente receberiam como ministros do evangelho. (Ver outras referências a isso, nas páginas do N.T., onde fica indicado que muitos indivíduos fazem da religião um mero comércio, em II Cor. 11:12; 12:17,18; Tito 1:11 e II Ped. 2:3. Ver também as descrições de Platão acerca dos sofistas, com paralelos nesta passagem, em Górgias, capítulo 7 e Protag. capítulo 3).

Sobre o dinheiro (6:6-10).

Esta pequena secção é uma homilia sobre o assunto do dinheiro, no que se relaciona a uma vida séria e santa. Recomenda-nos a moderação no desejo pelo dinheiro. Ê melhor abafar tal desejo do que tentar satisfazê-lo, conforme Epícuro dizia. As riquezas materiais, por si mesmas, não constituem vantagem real; antes, elas constituem um perigo, pois, ao invés de serem um privilégio e oportunidade, podem tomar-se ameaças espirituais. Dão maior conforto ao corpo, mas servem de empecilho para a alma, pois levam os homens a se deixarem arrastar por suas vantagens, olvidando-se do valor e das necessidades da alma eterna. Essa atitude foi denunciada pelo Senhor Jesus (ver Mat. 6:19 e ss.), sendo atitude comum no estoicismo e tradicional nas religiões, tendo invadido até mesmo o cristianismo. A denúncia de Cristo, entretanto, não tem impedido que muitas pessoas religiosas, que figuram nas fileiras do cristianismo, tomem essa atitude; mas fazem-no somente para seu próprio detrimento.

O intuito da presente secção é afastar os ministros do evangelho, mas igualmente todos os crentes, da atitude dos falsos ministros, que transformam a fé religiosa em um comércio. Um homem verdadeiramente piedoso não se preocupará demasiadamente com o lucro material; mas haverá de buscar as riquezas materiais somente até ao ponto em que isso é mister para sustentar a si mesmo e aos seus familiares, mas não com um valor primário. Pois sabe que as verdadeiras riquezas se encontram nas realidades espirituais, e que o mundo verdadeiramente rico e aquele do porvir, no qual ele se interessa devido à sua genuína lealdade a Cristo. O interesse da presente secção, pois, ultrapassa o que é meramente polêmico (na argumentação contra os gnósticos), procurando estabelecer um principio ético relativo às riquezas, em relação à fé religiosa. Esta secção inclui vários epigramas, que mui provavelmente eram bem conhecidos rio mundo grego, em sistemas éticos como o estoicismo, o que, em sua forma tipicamente romana, recomendava a moderação em todas as ações.

A tradução inglesa de Williams diz aqui: «Ora, o fato é que a religião, com o contentamento, é um meio de grande lucro». A tradução inglesa RSV diz: «Há um grande lucro na piedade com contentamento». O original grego não tem nada que equivalha às palavras «...de fato...» Essas palavras foram supridas como uma interpretação.

« ...lucro... » No grego é «porámos», «meio de ganho», «capacidade de

prover», «abundância de recursos». A raiz é «poros», que significa «meio de atravessar um rio», «travessia», «vereda», ou então algum «recurso», «jeito».

Nos escritos clássicos, quando esse vocábulo estava vinculado à ideia do dinheiro, indicava «meio de levantar fundos». A forma verbal, «perao», significa «atravessar». A piedade, que é a fé religiosa sincera, é vista aqui como meio de autêntico benefício e vantagem. Naturalmente, esse «...lucro...» não é nem material e nem financeiro. Não obstante, é real, porquanto beneficia às almas eternas, tanto nesta esfera terrena como no mundo futuro. Isso pode ser confrontado com I Tim. 4:8, onde a mesma ideia está contida: «Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser». A tradução inglesa de Williams diz: « .. .a religiosidade é de utilidade em tudo, pois contém uma promessa para a vida presente, como também para a futura». (Ver as notas expositivas nesses citados trechos, quanto à expansão da ideia básica do presente versículo).

«.. .piedade...» No grego é «eusebeia», tal como no versículo anterior. (Ver as notas expositivas a respeito em I Tim. 2:2). Esse termo aponta para autêntica fé religiosa, com seu acompanhamento de santidade prática.

Focaliza a santidade prática da fé cristã, mediante o que o crente é moralmente transformado segundo a imagem de Cristo. Quando alguém realmente está sendo transformado conforme a imagem de Cristo, adquirindo assim a sua natureza moral, desse modo virá a compartilhar de todas as suas perfeições e atributos (ver Gál. 5:22,23 e Efé. 1:23).

«....contentamento...» No grego temos «autarkeia», que significa «suficiência», «competência», de onde lhe veio a ideia de «contentamento», de «auto-suficiência», de «possuir o bastante». Essa era uma das virtudes favoritas dos estóicos. (Ver Epict., Stob. III, pág. 101,16; Diog. L. 10,130; Sextus 98). Envolve o sentimento que tudo está correndo bem no mundo, pelo menos até onde o próprio indivíduo está envolvido, a alma está contente e em descanso, com o que possui; o conflito cessou, reinam a paz e a harmonia no íntimo. «Bem-aventurado é o homem de quem Deus se lembra com uma suficiência que lhe é conveniente» (Salmos de Salomão 5:18).

A autêntica fé religiosa ou piedade cria no indivíduo certa riqueza de autodomínio,· mediante o que ele vive no contentamento. Esse é um benefício muito maior que aquele conferido pelas riquezas materiais, que seryem somente para gerar a contenda, o temor e até mesmo a violência. As riquezas materiais criam apenas uma «carga», imposta aos piedosos. Pois estes já são verdadeiramente ricos . Além disso, o crente piedoso é «independente» do buliço louco do mundo, que corre atrás dos bens materiais, visto que já encontrou o seu grande tesouro, na fé religiosa e na dedicação a princípios espirituais elevados. O apóstolo dos gentios aprendera a achar-se contente em qualquer circunstância em que se achasse. (Ver Fil. 4:11, que usa uma palavra correlata à deste texto).

Conforme diz Sir H. Wotton: «Senhor de si mesmo, embora não dono de terras».

«Basta bem pouco dos bens deste mundo para satisfazer ao indivíduo que se sente cidadão de outra pátria, e que sabe que nesta não está o seu descanso». (Adam Clarke, in loc.). (Ver o trecho de Rom. 8:17 quanto ao fato que o verdadeiro crente compartilha da mesma herança celestial de Cristo, conforme se aprende em R om. 8 :29, 30, posto que também compartilhará da glorificação de Jesus). Ora, esse é o maior de todos os «lucros» que se possa imaginar. A verdadeira «piedade» nos confere tal atitude, pois a salvação mesma é medida através da «santificação» (ver II Tes. 2:13).

«Os leõezinhos sofrem necessidade e p assam fome, porém, aos que buscam o Senhor bem nenhum lhes faltará» (Sal. 34:10).

«Quem é rico? Aquele que se contenta com a sua sorte». (Talmude, Pirke Aboth jv.3).

«O treinamento de um rabino judeu pode ser ainda mais exigente. Essa é a vereda da lei. Um pouco de pão comerás com sal, e também beberás água por medida e dormirás no chão, e viverás em tribulação, enquanto labutas na lei. Se assim fizeres, feliz serás, e tudo te será bem no mundo vindouro».

(Pirke Aboth, vi.4).

«...Considera como as riquezas acrescentam lenha às concupiscências, fornecendo nutrição ao seu orgulho; como elas removem para longe os meios da esperança de salvação, e quão frequentemente servem elas de passaporte para os portais da morte. As riquezas são um privilégio quando desfrutadas e usadas como é preciso ser. Mas eu temeria orar, pedindo riquezas, ou para mim mesmo ou para os meus filhos. ... a observação mostra-nos que grandes possessões materiais servem muito mais para prejudicar-nos e destruir-nos, do que nós mesmos gostamos de devotá-las a Deus». (Gardner Spring).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 347-348.

  1. Cristo é a razão do contentamento.

A razão do contentamento que nos torna capazes de superar todos os problemas da vida é a pessoa de Jesus. Matthew Henry escreveu em seu comentário: “Temos a necessidade de obter forças de Cristo, para sermos capacitados a realizar não somente as obrigações puramente cristãs. Mas mesmo aquelas que são fruto da virtude moral. Precisamos da força dele para nos ensinar a como ficar contente em cada condição”.

Aprendemos neste capítulo que devemos submeter nossa mente a Cristo e ter nossos pensamentos controlados pelo Espírito Santo. Nosso fortalecimento espiritual resulta da nossa relação de comunhão com o Senhor Jesus. Nunca seremos autossuficientes, mas dependeremos dEle sempre.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 150.

CONTENTAMENTO

Há uma palavra hebraica e três palavras gregas diretamente envolvidas, a saber:

  1. Yaal, «estar satisfeito... Palavra hebraica que aparece E.0r onze vezes com esse sentido. Por exemplo: Exo. 2:21;.10s. 7:7; Jui. 17:11; 19:6; 11 Reis 5:23; 6:3; J6 6:28.
  2. Arkéo, «considerar suficiente... Palavra grega que ocorre por oito vezes: Mat. 25:9; Luc. 3:14; João 6:7; 14:8; 11 Cor. 12:9; I Tim, 6:8; Heb. 13:5 e 111 João 10.
  3. Autârkes, «auto-suficiente». Palavra grega que figura apenas por uma vez, em Fil, 4:11.
  4. Poiéo tô ikan6n, «fazer o suficiente». Expressão grega que aparece somente em Mar. 15:15.
  5. contentamento consiste naquela perfeita fé ou confiança que toma o crente independente das circunstâncias externas (Fil. 4:11; I Tim. 6:7,8). Assim sendo, o crente tem confiança no seu destino final, sabendo que tudo foi adredemente preparado pela providência misericordiosa de Deus. O homem destituído de fé, porém, não tem a certeza de que Deus fez provisão acerca do que ele precisa realizar.

Na verdade, nem tem certeza se tem uma missão na terra, pelo que olha para este mundo como se o mesmo fosse governado pelo puro acaso e pelo caos. O contentamento também está alicerçado sobre o espírito de humildade. Algumas pessoas são por demais orgulhosas e egoístas para se contentarem com pouca coisa, dilapidando seus poderes físicos e mentais na tentativa de acumular coisas que lhes confiram segurança. O crente contente, porém, não se deixa perturbar pela inveja, pela competição e pela ansiedade (Tia. 3:16; Mat. 6:25,26). As Escrituras consideram o contentamento uma virtude, recomendando-o por diversas vezes (Luc. 3:14; Heb. 13:5). O contentamento está associado à piedade, pelo que também faz parte do desenvolvimento espiritual (I Tim, 6:6). A espiritualidade de Paulo exibia grande dose de contentamento (Fil, 4:11; I Tim, 6:8).

Convém distigarmos o contentamento da inércia. Paulo conseguia estar contente e trabalha arduamente, ao mesmo tempo. Parte .do seu segredo consistia no fato de que ele não cobiçava as coisas materiais que excitam a maioria das pessoas. Os filósofos epicúreos (que vide), reputavam o contentamento como uma das principais virtudes, pois se o prazer, para eles, era o alvo da existência humana, esse prazer precisava ser apreciado em meio ao espirito contente, salientando os prazeres mentais, e não os prazeres carnais. Eles empregavam a. palavra grega ataraxia, «tranquilidade», <calma>, para indicar uma espécie de estado mental sereno e imperturbável, o que, para eles, representava um grande prazer.

Uma antiga canção popular falava sobre o homem dotado de mente contente. Os filósofos que promoveram esse ideal foram: Demócrito, Epicuro, Pírro e Lucrécio. Cada um deles merece um artigo separado, nesta enciclopédia. A apatia dos estoicos ia além dos requisitos próprios a ataraxia, porquanto envolvia uma total liberdade de toda forma de emoção positiva ou negativa, visto que, segundo a doutrina estoica, das emoções é que procedem todos os nossos sofrimentos.

O contentamento cristão envolve mais do que alguma emoção humana. Não depende da pessoa ajustar-se ao status quo. Antes, trata-se de uma convicção intima de que nenhum mal pode sobrevir ao homem piedoso, porquanto Deus proveu para ele tudo quanto é necessário, em todas as ocorrências de sua vida, durante todos os seus. dias. Trata-se também de uma influência do Espirito Santo, sobre a maneira do crente olhar para as coisas. B o contrário da petulância, do egoísmo e da ansiedade. Exclui a inveja (Tia. 3:16), a avareza (Heb. 3:5) e o espírito queixoso (I Cor. 10:10). Um crente contente não entra em pânico quando seus recursos materiais escasseiam, porquanto ele sabe que a Fonte de todos os recursos jamais perde o seu poder. Mais do que isso Deus nunca perde o interesse por qualquer de seus filhos. O contentamento consiste em uma feliz dependência de Deus, mostrando-se humilde, isento de lutas insanas em prol das coisas materiais. Os cuidados do Pai celeste por seus filhos toma a ansiedade tanto desnecessária quanto pecaminosa (Mat. 6:25-34). Alguns indivíduos chegam a tentar obter vantagens materiais por serem religiosos (I Tim, 6:5). Mas a piedade é o maior de todos os lucros e vantagens.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 884-885.

A natureza toda depende de recursos ocultos.

Árvores de grande porte lançam raízes profundas no solo para retirar dele a água e os minerais. Rios nascem em montes cobertos de neve. A parte mais importante de uma árvore é a que não podemos ver: seu sistema de raízes; e a parte mais importante da vida do cristão é a que só Deus pode ver. A menos que lancemos mão dos recursos profundos de Deus pela fé, não seremos capazes de suportar as pressões da vida. Paulo dependia do poder de Cristo operando em sua vida (ver Fp 1:6, 21; 2:12, 13; 3:10). "Tudo posso - em Cristo!"

Esse era o lema de Paulo e também pode ser o nosso.

A tradução de J. B. Phillips de Filipenses 4:13 diz: "Estou pronto para qualquer coisa por meio da força Daquele que vive dentro de mim". E a Bíblia Viva assim traduz esse versículo: "porque eu posso fazer todas as coisas que Deus me pede com a ajuda de Cristo, que me dá a força e o poder". Qualquer que seja a tradução de nossa preferência, todas dizem a mesma coisa: o cristão tem dentro de si todo o poder de que precisa para lidar com as exigências da vida. Só temos de liberar esse poder pela fé.

Uma leitura essencial para todo cristão é O segredo espiritual de Hudson Taylor [Editora Mundo Cristão, esgotado], escrito por Howard Taylor e esposa, pois essa obra ilustra o princípio do poder interior na vida do grande missionário aos chineses. Durante muitos anos, Hudson Taylor trabalhou com afinco, achando que confiava em Cristo para suprir suas necessidades, mas, de alguma forma, não sentia liberdade nem alegria alguma em seu ministério. Então, um amigo lhe escreveu uma carta que lhe abriu os olhos para a suficiência de Cristo. "Não temos poder quando confiamos na própria fidelidade, mas sim quando olhamos fixamente para Aquele que é fiel!", escreveu o amigo.

A partir de então, a vida de Taylor não for mais a mesma. A cada momento, lançava mão do poder de Cristo para lidar com todas as suas responsabilidades ao longo do dia, e o poder de Cristo o fortaleceu.

Jesus ensina essa mesma lição no sermão sobre a videira e os ramos em João 15.

Ele é a Videira e nós somos os ramos. O único propósito do ramo é dar frutos; de outro modo, só serve para ser queimado. O ramo não produz frutos com as próprias forças, mas sim usando da vida que flui na Videira. "Porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5). Quando o cristão permanece em comunhão com Cristo, o poder de Deus o fortalece. "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4:13).

A providência soberana de Deus e o amor imutável de Deus são dois recursos espirituais dos quais podemos nos valer, a fim de ter suficiência para viver corretamente.

Existe, porém, um terceiro recurso.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 129.

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (v. 13). Temos a necessidade de obter forças de Cristo, para sermos capacitados a realizar não somente as obrigações puramente cristãs, mas mesmo aquelas que são frutos da virtude moral. Precisamos da força dele para nos ensinar a como ficar contente em cada condição. Parecia que o apóstolo tinha se vangloriado quanto à sua própria força: “Sei estar abatido” (v. 12); mas aqui ele transfere todo o louvor a Cristo.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora CPAD. pag. 629.

  1. O cumprimento da missão como fonte de contentamento.

Fp 4.12,13 - Paulo podia viver com alegria porque compreendia a vida sob o ponto de vista de Deus. O apóstolo se concentrava naquilo que era sua obrigação fazer, e não naquilo que pensava que deveria ter. Ele estabelecia corretamente suas prioridades e era grato por tudo que Deus lhe havia concedido. Paulo se afastava daquilo que não era essencial para poder se concentrar naquilo que é eterno. Muitas vezes, o desejo de ter mais ou melhores posses é, na verdade, o desejo de preencher uma lacuna existente na vida da pessoa.

A que você se dedica quando sente um vazio interior? Como pode encontrar o verdadeiro contentamento? A reposta está em sua perspectiva, em suas prioridades e na fonte de seu poder.

Fp 4.13 - Será que podemos realmente fazer tudo? O poder que recebemos em nossa união com Cristo será suficiente para fazermos a sua vontade e enfrentarmos os desafios que surgirem devido ao nosso compromisso. Ele não nos outorga uma capacidade sobre-humana para realizarmos tudo que pudermos imaginar, sem nos preocupar com os interesses divinos. Ao lutar pela fé, enfrentaremos dificuldades, pressões e provações. Quando estas chegarem, peça a Cristo para fortalecê-lo.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1669.

A certeza de Paulo

O segredo supremo de Paulo era sua profunda confiança em Jesus Cristo. Depois de explicar sua filosofia, ele escreveu: "Tudo posso naquele que me fortalece" (4:13).

A palavra "tudo" não quer dizer que Paulo cria ser algum super-homem, um operador de milagres que podia "saltar edifícios com um único pulo". Ele queria dizer que podia encarar qualquer situação que envolvesse necessidades materiais e ainda manter uma atitude positiva e vitoriosa para com as circunstâncias da vida.

O apóstolo não disse que Deus sempre supria suas necessidades materiais. De maneira alguma! Antes, Paulo estava certo de que não importavam as circunstâncias—"tanto de fartura, como de fome; assim de abundância, como de escassez" —em toda situação Cristo ajudá-lo-ia a manter uma atitude de confiança e contentamento. Era desta necessidade que ele falava.

GETZ. Gene A. A Estatura de um Cristão, Estudos em Filipenses. Editora Vida. pag. 99.

«...sem avareza...» A raiz da atitude de avareza é a falta de confiança em Deus. É uma atitude egoísta, oposta do amor. Assim, enquanto o amor edifica e torna saudável, a avareza derruba por terra e enferma. O termo grego aqui usado é «aphilarguros», forma privativa de «philarguros», que significa «amor ao dinheiro», «parcimônia». A forma primitiva se acha somente aqui e em I Tim. 3:3, onde aparece uma lista de vícios e a avareza é um deles. (Quanto à forma positiva, ver os trechos de Luc. 16:14 e II Tim. 3:2).

Avareza: Podemos fazer diversas considerações acerca desse vicio, a saber:

  1. A avareza parte do coração (ver Marc. 7:22,23). 2. Apaixona o coração (ver Eze. 33:31 e II Ped. 2:14). 3. Ê idolatria (ver Efé. 5:5 e Col. 3:5). 4. Ê raiz de todos os males (ver I Tim. 6:10). 5. Nunca se satisfaz (ver Ecl. 5:10 e Hab. 2:5). 6. Ê vaidade (ver Sal. 39:6). 7. Não é conveniente aos santos, mas lhes é deletéria (ver Efé. 5:3 e Heb. 13:5). 8. Ê especialmente condenável nos ministros da Palavra (ver I Tim. 3:3). 9. Conduz à injustiça e à opressão (ver Pro. 28:20 e Miq. 2:2); àinsensatez e a concupiscências prejudiciais (ver I Tim. 6:9); ao desvio da fe (ver I Tim. 6:10); à mentira (ver II Reis 5:22-25); ao assassínio (ver Pro. 1:18,19); ao furto (ver Jos. 7:21); à pobreza (ver Pro. 28:22); à miséria (ver I Tim. 6:10); aos conflitos e aflições domésticos (ver Pro. 15:27). 10. É atitude abominável para Deus (ver Sal. 10:3). 11: È contra os dez mandamentos básicos (ver Êxo. 20:17).

«...contentai-vos com as cousas que tendes...» Comparar isso com Fil. 4:11, onde são dadas notas expositivas completas sobre a ideia. Ver também I Tim. 6:6, que diz: « ...grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento»; e ver Mat. 6:19 e ss., que é o manifesto de Jesus contra o materialismo e a chamada ao contentamento. O vigésimo quinto versículo começa especificamente esse último aspecto. A falta de contentamento, de alguma maneira, é uma perversão de valores. Esquecemo-nos que as verdadeiras riquezas são as do espírito, na busca pelo mundo eterno. No entanto, nem sempre agimos assim, mas buscamos satisfação nas coisas materiais.

«...de maneira alguma te deixarei...» Não há aqui qualquer citação direta, embora os trechos de Gên. 28:15; Jos. 1:5 e Deut. 31:6 expressem sentimentos similares. O autor sagrado parece combinar diferentes passagens na memória. Entretanto, há um paralelo bem próximo em Filo, «Confus. Lign.» §32, e é perfeitamente possível que o autor o tenha citado. Ou a declaração pode ser uma ditado judaico popular, adaptado ao texto presente pelo autor, e que também foi usado por Filo. Essas palavras afirmam a fidelidade e os cuidados de nosso Criador. A melhor passagem neotestamentária que temos sobre esse princípio é a de Mat. 6:25 e ss., onde se vê que até os animais irracionais são objetos dos cuidados do Pai. (Ver também Mat. 10:29,31 quanto ao mesmo ensino do grande interesse de Deus pelos homens).

«...nunca jamais te abandonarei...» Os leitores originais da epístola sofriam perseguição. Estavam familiarizados com os sofrimentos causados pela pervertida vontade humana. Todavia, tinham á certeza da vitória final mediante a presença e as bênçãos divinas. Suas propriedades tinham sido confiscadas; haviam sido reduzidos à pobreza, por ações injustas e ilegais; contudo, possuíam a riqueza de espírito, que nos é dada mediante a fé em Cristo, e também a promessa da recompensa e terna. Tinham sido fisicamente assaltados; mas o seu espírito não fora atingido, e nem mesmo poderia sê-lo. Portanto, poderiam sentir-se contentes com toda a razão.

Não sobre reis ou sacerdotes somente

Se faz sentir o poder daquela cara Palavra;

Ela entoa a todos, em tons mui suaves,

A lição humilde do contentamento.

(Keble)

«Uma nobre promessa em períodos de depressão» (Robertson, in loc.). Mais de um intérprete observa o fato que a impureza e a avareza com frequência se combinam nos ensinamentos morais. (Ver também Efé. 5:5).

Ambas as atitudes são apetites pervertidos da carne, e com frequência acompanham uma à outra, nas mesmas pessoas. «A concupiscência e o lucro aparecem como qualidades afins, ambas seduzindo o coração, desviando-o do Criador para a criatura». (Faucett, in loc.).

«...raramente sucede um homem avarento ser satisfeito com alguma coisa; pelo contrário, aqueles que não se contentam com uma partilha moderada, sempre buscam, até mesmo mais do que quando desfrutam de maior abundância». (Calvino, in loc.). A ganância nos leva a desconfiar de Deus, buscando, desordenadamente, as vantagens temporais. Quando assim fazemos, certamente nossa barganha é péssima.

Este versículo é mui enfático, sobrecarregado de negativas: «Não, nunca te deixarei; não eu; eu nunca, nunca te desampararei». (Adam Clarke, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 659.

Hb 13.5,6 — A avareza é tratada no último dos Dez Mandamentos (Êx 19.17). Essa atitude destrói a herança de uma pessoa no Reino (1 Co 6.9-10).

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag.666.

A Segurança do Crente (Hebreus 13:5-6)

Outra admoestação contra o amor do dinheiro induz o autor a uma declaração mais genérica acerca da segurança do crente. Tal declaração deve ter tido significado especial aos leitores da carta, por causa do que enfrentavam ou estavam prestes a enfrentar.

13:5 / A avareza (NIV diz “amor do dinheiro”) é um perigo a ser evitado por todos os que querem viver pela fé. A avareza traz outros males consigo (1 Tm 6:9s.), e reflete um apego impróprio a este mundo transitório. No passado, os leitores haviam demonstrado uma atitude adequada, ao suportar com alegria a perda de propriedades, porque sabiam "‘que tendes possessão superior e permanente” (10:34). Portanto, os leitores deverão estar contentes (contentando-vos) com o que têm. Este tema também é muito popular no Novo Testamento (cf. 1 Tm 6:6ss., onde os cristãos são exortados a permanecer satisfeitos com o atendimento de suas necessidades básicas da vida). Esta ênfase também deriva dos ensinos de Jesus (cf. Mt 6:24-34; Lc 12:15), como acontece em relação a tantos ensinos éticos do Mestre. No entanto, os leitores deverão ir além de simplesmente estarem satisfeitos com o que têm. Devem depositar fé total na segurança que Deus provê. A citação que se inicia com as palavras pois ele mesmo disse foi tirada de Deuteronômio 31:6 (e de novo no v. 8). O autor de Hebreus, no entanto, alterou a terceira pessoa do original (“ele não te deixará,” preferindo a primeira pessoa, mais vivida (“não te deixarei, nem te desampararei”). Essa mesma promessa, grafada com palavras ligeiramente diferentes, encontra-se na primeira pessoa em Josué 1:5 (cf. também Gn 28:15; 1 Cr 28:20). Ainda que as possessões materiais, pela sua própria natureza, estejam sujeitas a perdas e são, por isso mesmo, indignas de nossa fidelidade última, Deus e seu propósito salvifico são imutáveis.

13:6 A citação foi tirada literalmente da LXX, Salmos 118:6.0 nitor afirma a fidelidade do Senhor em todas as circunstâncias e, desse modo, argumenta que não existe lugar para o medo quanto ao que o homem possj fazer contra o cristão. Está bem clara a adequação deste lembrete para os

leitores. Se estes forem convocados não só para sofrer perdas pessoais, como no passado, mas até mesmo a perda da própria vida (cf. 12:4), recebem a certeza de que Deus está com eles, e de que participam de um reino que não pode ser abalado (12:28). Tendo o Senhor como seu auxílio os leitores podem enfrentar qualquer eventualidade que possa ameaçá-los.

DONALD A. HAGNER. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo Hebreus. Editora Vida. pag. 269-270.

3.10-14 — Mestre, o que devemos fazer? Em resposta a esta pergunta das pessoas, João mostrou que uma mudança genuína de pensamento e comportamento, valorizando relacionamentos éticos e morais de umas com as outras, expressaria o real sentido do arrependimento e mudaria a ação da multidão, dos publicanos e dos soldados.

O arrependimento era estipulado a fim de haver doação para os necessitados, de fugir da ganância e desonestidade, de alcançar a integridade no desempenho do trabalho, de conseguir a contenção do abuso do poder e de obter a satisfação com o salário básico.

3.12-14 — Os publicanos eram agentes judeus empregados por aqueles que adquiriram o direito de coletarem impostos para o estado romano. Os coletores de impostos frequentemente cobravam a mais para cobrir suas despesas pessoais e aumentar o seu rendimento. Eles eram malvistos tanto por suas práticas abusivas como por apoiarem o estado dominante.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 153-154.

3.11-14 A mensagem de João exigia pelo menos três atitudes específicas: (1) partilhe o que você tem com aqueles que estão em necessidades; (2) qualquer que seja o seu trabalho, faça-o bem e com justiça; (3) esteja satisfeito com o que tem.

João Batista não foi designado para levar mensagens confortantes àqueles que viviam no pecado; ele conclamou o povo a uma vida justa e santa. Que mudanças você precisa fazer para compartilhar o que tem. fazer o seu trabalho bem feito e de forma honesta e ficar satisfeito?

3.12 Os cobradores de impostos eram conhecidos por sua desonestidade. Os romanos angariavam fundos para seu governo, nomeando coletores judeus. Estes enriqueciam, ao acrescentar uma cota extra considerável aos impostos, o máximo que conseguissem extorquir; depois guardavam esta cota para eles. A menos que as pessoas revoltadas com esta injustiça se arriscassem a uma retaliação romana, eram obrigadas a pagar a quantia exigida. Obviamente, os judeus odiavam os publicanos, que geralmente eram desonestos, gananciosos e estavam prontos para trair seus compatriotas por dinheiro. Contudo, João disse que Deus aceitaria até estes homens caso se arrependessem. Deus deseja derramar sua misericórdia sobre aqueles que confessam e deixam seus pecados: Ele lhes dá poder para uma vida transformada.

3.12-14 - A mensagem de João Batista germinou em ‘'solos” improváveis - no coração de pobres, de pessoas desonestas e odiadas pelos judeus, como os publicanos e os soldados romanos. Estas pessoas estavam dolorosamente cientes de suas necessidades. Com frequência, confundimos respeitabilidade com vida correta; mas não são a mesma coisa. A respeitabilidade pode até atrapalhar uma vida correta se ela nos impedir de enxergar a necessidade que temos de Deus. Se você tivesse de escolher, protegeria seu caráter ou sua reputação?

3.14 Esses soldados pertenciam às tropas romanas, enviadas para manter a paz nessa província distante. Muitos oprimiam os pobres e usavam seu poder para aproveitarem-se do povo.

João os conclamou a converterem-se de seus pecados e a mudarem de vida.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1350-

 

 

 

 

 

 

 

 

COMENTARIO BIBLICO DE FILIPENSES CAP. 4 (2)

 

 

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

A palavra oblação, na cultura religiosa judaica, faz parte dos vários tipos de ofertas que existiam em alguns atos rituais e litúrgicos na relação do povo de Israel com o próprio Deus. Cada oferta tinha sua finalidade e a sua importância na liturgia judaica. Havia dois tipos de ofertas: as ofertas expiatórias e as ofertas de consagração. As ofertas expiatórias eram identificadas como a oferta pelo pecado (Lv 4.1-35; 6.24-30) e a oferta pela culpa (Lv 5.14-16; 7.1-7). As ofertas de consagração eram identificadas como holocaustos — “aquilo que sobe” — (Lv 1.3-17; 6.8-13) e as ofertas de manjares (oblação), feitas com cereais, animais e elementos que podiam ser comidos, especialmente, pelos sacerdotes e levitas (Gn 4.3-5; Jz 6.18; 1 Sm 2.17).

Esta Carta contém assuntos doutrinários e assuntos de caráter pessoal da parte de Paulo, além do preito de gratidão e da alegria do Senhor que enchia o seu coração. No texto de 4.10-13 temos uma das mais bonitas expressões de confiança e contentamento que se acha em toda a Bíblia. Paulo revela, neste final de carta, sua vida de confiança em Cristo lhe dando força interior para continuar a cumprir o seu ministério. No versículo 13 ele declara que Cristo é a razão de sua fortaleza moral e espiritual. Não é a sua idade, o seu conhecimento, a sua influência, nem os seus talentos, mas Cristo. Neste final de carta, em especial, Paulo fala da oferta dos filipenses como uma oblação, como um sacrifício agradável a Deus.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 152.

A vertente final da tapeçaria tecida de contentamento por Paulo é preocupação para os outros. Aqueles que vivem só para si nunca vai estar contente, porque contentamento para eles só pode vir quando as circunstâncias são exatamente como eles querem ser. E isso nunca vai acontecer. Somente aqueles que, desinteressadamente, colocar os outros "bem-estar acima de sua própria encontrará contentamento. Paulo orou para que os filipenses "amor cresça ainda mais e mais" (1:9), uma das qualidades do verdadeiro amor bíblico é a generosidade (1 Coríntios 13:5.). Ele também exortou, "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas com a humildade de respeito mente um do outro como mais importante do que vós; não se limitam a olhar para seus próprios interesses pessoais, mas também para os interesses dos outros" (2: 3-4). Essa é a atitude "que houve também em Cristo Jesus" (2:5); Se ele tivesse olhado para fora apenas para seus próprios interesses, ele nunca teria deixado o céu a sacrificar-se para os pecadores, pessoas caídas.

No entanto introduz uma importante transição no pensamento de Paulo. O que ele tinha escrito em versos 10-13 poderia facilmente ter enviado a mensagem errada aos Filipenses. Apesar da sua pobreza (cf. 2 Coríntios. 8:1-2), que tinha enviado um presente de sacrifício para Paulo através de Epafrodito (4:18). Depois de ficar em Roma por um tempo e ministrando ao apóstolo, Epafrodito voltou para Filipos, trazendo essa carta de Paulo com ele. Em que a igreja dizia: "Não digo isto por falta, porque já aprendi a viver contente em qualquer circunstância eu sou"; "Aprendi o segredo de ser preenchido e passando fome, tanto de ter abundância e sofrer necessidade" e "Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (4:11-13). Se a letra tinha terminado naquele momento, Filipenses teria concluído que Paulo não precisava nem apreciado seu presente sacrificial para ele. Para ter certeza de que os filipenses não entenda mal a ele, Paulo apressou-se a assegurar-lhes que eles tinham feito bem (kalos, algo nobre ou bela personagem) para compartilhar com ele em sua aflição. Mas então ele precisava explicar para eles como o presente poderia ter sido um ato nobre, se não precisar dele.

Paul começou por tirar os leitores de volta dez anos de sua primeira pregação do Evangelho em Filipos. Durante esse tempo, e mesmo depois que ele deixou Macedónia para as cidades Achaian de Atenas e Corinto, nenhuma outra igreja compartilhou com ele na questão de dar e receber. Essa frase reflete terminologia de negócios. A matéria palavra traduzida às vezes é traduzida "Contas" (Mateus 18:23; 25:19) ou "contabilidade" (Lucas 16:2) e os termos dar e receber pode significar "crédito" e, evidentemente, Paul foi "débito". um gestor cuidadoso de seus recursos e manteve um relato de suas receitas e despesas. Mesmo antes de deixar Macedónia Filipenses apoiou, durante o seu ministério em Tessalônica, eles mandaram um presente mais de uma vez para as suas necessidades. A sua generosidade, junto com o trabalho do próprio Paulo rígido, permitiu-lhe ministro gratuitamente em Tessalônica (1 Tessalonicenses 2:9;.. 2 Tessalonicenses 3:8) e Corinto (Atos 18:5; 2 Coríntios. 11:8).

Paulo pôde alegrar-se em seu dom ainda assim ser o conteúdo da provisão soberana de Deus para ele porque ele era altruísta. Esse desprendimento levou a escrever, não que eu procurar o presente em si, mas procuro o lucro que aumenta a sua conta (cf. Mt 6:19-20;. 1. Tim 6:17-19). Seu dom trouxe Paulo alegria não por causa de seu benefício material pessoal para ele, mas por causa de seu benefício espiritual para eles. O princípio de que aqueles que dão generosamente será abençoado é ensinada repetidamente nas Escrituras.

Salomão escreveu: "Não é aquele que espalha, e ainda aumenta ainda mais, e há um que retém o que é justamente devido, e ainda resulta apenas na miséria.

O homem generoso será próspero, e quem águas vão-se ser regado "(Prov. 11:24-25). Mais tarde, em Provérbios, ele acrescentou: "Aquele que é a graça de um homem pobre empresta ao Senhor, e Ele irá recompensá-lo por sua boa ação" (Prov. 19:17), "Quem é generoso será abençoado" (Prov. 22:9), e "Quem dá aos pobres nunca mais vai querer" (Provérbios 28:27). Em Lucas 6:38 Jesus disse: "Dai, e será dado a você. Eles vão deitar em seu colo uma boa medida, recalcada, sacudida, e atropelamento. Pelo seu padrão de medida que será usada para medir vocês em troca. "Aos Coríntios, Paulo escreveu:" E agora digo isto, aquele que semeia pouco, pouco também ceifará, e aquele que semeia em abundância também ceifará "(2 Cor . 9:6). O próprio Paulo foi um exemplo de alguém que generosamente aos pobres, como ele lembrou os anciãos de Éfeso: "Em tudo o que eu mostrei que, trabalhando duro desta maneira você deve ajudar os fracos e lembrar as palavras do Senhor Jesus, que Ele mesmo disse: 'Há mais felicidade em dar que em receber "(Atos 20:35).

Três declarações resumir a alegria de Paulo e gratidão. O verbo grego na frase que recebi tudo em plena era comumente usado em um sentido comercial extra-bíblica grega para designar o pagamento integral. Esta afirmação é no recebimento efeito de Paulo aos Filipenses para seu presente.

Já possui uma abundância traduz um verbo grego que significa "a transbordar", "ter um excesso", ou "ter mais do que suficiente." O verbo grego na declaração final de Paulo Estou amplamente suprido fala de ser cheio completamente. Em conjunto essas três frases mostram que Paulo, tendo recebido de Epafrodito o que tinha enviado para ele, foi esmagada pela Filipenses 'generosidade.

Usando uma linguagem sacrificial do Antigo Testamento, Paulo descreveu a filipenses presente como um aroma perfumado (cf. Gn 8:20-21;. Ex 29:18; Lev 1:9, 13, 17,.. Num 15:03 ), um sacrifício aceitável (cf. Lv 19:5;. 22:29;. Isa 56:7), bem agradável a Deus (cf. Sl 51:19).. Paul viu o filipenses presente como um ato de sacrifício de adoração a Deus. Tais sacrifícios espirituais são necessários de crentes da Nova Aliança, em vez dos sacrifícios de animais da Antiga Aliança. Em Romanos 12:1 comandos crentes Paulo: "Apresentei os vossos corpos em sacrifício vivo e santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual de adoração." O autor de Hebreus exorta: "Por Ele, então, vamos continuar a oferecer um sacrifício de louvor a Deus, isto é, o fruto dos lábios que dão graças ao Seu nome. E não se esqueçam de fazer o bem e de partilha, porque com tais sacrifícios Deus se agrada "(Hebreus 13:15-16). Pedro lembra aos crentes que eles são um "sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (1 Pedro 2:5). A alegria de Paulo aos filipenses que faria tal sacrifício aceitável a Deus ultrapassou em muito a sua alegria ao receber seu presente.

Paulo sabia que os filipenses não só receber as bênçãos espirituais nos céus pela sua generosidade, mas também que Deus iria suprir todas as suas necessidades físicas nesta vida. Os filipenses tinham sacrificialmente (cf. 2 Coríntios. 8:1-3) dada de suas posses terrenas para apoiar o servo de Deus, Paul. Em troca, Deus seria amplamente suprir suas necessidades, Ele não estaria em sua dívida. Tendo semeado em abundância, eles ceifará (2 Cor 9:6.); Ter "honra [va] o Senhor a partir de [sua] riqueza e do primeiro de todos os [seus] produzir ... celeiros [sua] será preenchido com bastante e cubas de [sua] transbordarão de vinho novo "(Provérbios 3:9-10). Eles descobrem que é impossível dar mais do que Deus.

A frase de acordo com Suas riquezas na glória em Cristo Jesus revela na medida em que Deus iria suprir as necessidades dos filipenses. Ele iria fazê-lo segundo as suas riquezas, e não fora deles; Seu dando a eles seria em relação à imensidão de sua riqueza eterna, isto é, tão generosamente quanto é consistente com suas riquezas na glória em Cristo Jesus. O Novo Testamento repetidamente apresenta Cristo Jesus como a fonte de todas as riquezas de Deus. Nele "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento" (Cl 2:3), para o Paul Colossenses escreveu: "Pois foi bom prazer do Pai por toda a plenitude a habitar nele .... Porque nele todos os plenitude da divindade habita em forma corpórea "(Col. 1:19; 2:9). "O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo ... nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo" (Ef 1:3). Em Efésios 1:23 o apóstolo descreveu Jesus como "Aquele que preenche tudo em todos", e lembrou o Corinthians de "a graça de Deus que foi dada [eles] em Cristo Jesus, que em tudo [que] foram enriquecidos nEle "(1 Cor. 1:4-5). Repetindo esse pensamento, Pedro escreveu: "Seu divino poder concedido a tudo nos diz respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por Sua própria glória e virtude" (2 Pedro 1:3).

As lições cruciais na contentamento ilustrados aqui na vida de Paulo pode ser resumida em cinco palavras: fé, humildade, submissão, dependência, altruísmo e. Essas virtudes caracterizam todos os que já aprendi a contentar.

JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.

I - A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA NAS TRIBULAÇÕES DE PAULO (4.14)

  1. Os filipenses tomam parte nas aflições do apóstolo.

No versículo 13, Paulo diz que podia fazer, ou suportar todas as coisas com a força de Cristo Jesus. Com esta declaração ele não estava depreciando as ofertas recebidas dos filipenses. Ele estava, na realidade, removendo toda e qualquer possibilidade de má interpretação de suas palavras, uma vez que preferia sustentar-se com o seu trabalho manual. Mas ele assegura aos filipenses que estava agradecido pelas ofertas dos irmãos que demonstravam uma atitude de oblação a Deus.

  1. O amor dos filipenses era um consolo nas tribulações de Paulo

Paulo disse aos filipenses: “fizestes bem” (v. 14). Ele estava não só elogiando, mas interpretando o gesto amoroso dos filipenses como participação nas aflições do apóstolo. No texto grego, a expressão é kalos poiein, que significa “vós agistes bem”. A participação dos filipenses nas suas tribulações, segundo o sentimento do coração de Paulo, era um dos modos de Deus agir em seu favor para torná-lo forte. Era, também, uma demonstração da obra regeneradora do Espírito na vida desses irmãos.

O que Paulo queria passar para a igreja em Filipos era que, em sua penúria material, ele não se sentia pobre, e na abundância, ele usufruía daquilo que Deus dava, de consciência tranquila. Paulo não apenas aprendeu a não levar em conta as circunstâncias adversas, os apetites e desejos naturais, porque podia dizer: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (4.13).

No versículo 15, Paulo declara que, provavelmente, doze anos atrás, no início da obra em Filipos e em toda a Ásia Menor, nenhuma igreja da Macedônia o ajudou com qualquer donativo para sustentá-lo. Somente a igreja de Filipos teve a iniciativa de ajudá-lo e, por isso, ele era agradecido a Deus e aos filipenses.

  1. “Tomar parte na minha aflição (tribulação)” (v. 14)

A comunhão fraternal vivida entre Paulo e a igreja de Filipos o fez alegrar-se. Essa comunhão era demonstrada na participação das suas aflições. A expressão “tomar parte” sugere a ideia de “compartilhar com, ou coparticipar de”, e Paulo se sente abençoado pelo Senhor pelo fato de a igreja de Filipos coparticipar da sua aflição (material e física) com aquele gesto de amor enviando o donativo.

O compartilhamento da igreja no sustento de seus obreiros implica contribuir para a causa de Cristo. Era uma demonstração de maturidade espiritual da igreja, e não uma imposição para que as pessoas o sustentassem. Paulo sabia que havia entre os irmãos os recalcitrantes e fracos na fé que sempre interpretavam e julgavam seu ministério de forma maldosa. Entretanto, ele não levava em conta essas oposições, uma vez que tantos outros eram fiéis, leais e entendiam seu ministério. Os filipenses viam o ministério de Paulo como uma santa oblação para suas vidas; por isso, cooperavam em tudo que podiam. Era, de fato, uma prática demonstrada desde os dias da igreja pós-Pentecostes e, agora, a igreja de Filipos fazia o mesmo com muito amor e consideração ao apóstolo.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 152-154.

Tudo quanto Paulo dissera acerca de sua «auto-suficiência» (ver o décimo primeiro versículo) e de sua atitude indiferente para com as coisas materiais (ver o décimo segundo versículo), e também de sua «iniciação» na vida de contentamento e de poder (ver novamente esses dois versículos), não foi dito para deixar entendida qualquer atitude de indiferença para com o ato de bondade dos crentes filipenses; antes, Paulo assegurou-lhes que a doação que tinham feito aliviaria parte de sua miséria presente. Em bora ele estivesse livre das contingências terrenas e das inquirições terrenas comuns, não haveria ele de deixar de reconhecer a bondade deles, e nem haveria de ignorar qualquer expressão de amor, de onde quer que ela partisse.

«...fizestes bem ...», palavras que também podem ser traduzidas por «agistes com nobreza». Paulo mostrou-se generoso aqui em seu louvor, não se contentando apenas em mencionar de passagem o que tinham feito, como se isso nada representasse. Antes, reconheceu ter sido um a ação bela e nobre, de acordo com as exigências do evangelho, como demonstração do amor cristão. (Quanto à expressão «fazer bem», ver também os trechos de M arc. 7:37; Luc. 6:27 e I Cor. 7:37).

«...associando-vos na minha tribulação...» Conforme diz Lightfoot (in loc.)·. «Compartilhastes com a minha aflição». E Vincent (in loc.) diz: «Fizestes causa comum com as minhas aflições». Sim, os crentes filipenses sentiam «comunhão» com Paulo, em um a aflição comum. Sentiam a tensão da situação do apóstolo e fizeram o que estava ao alcance deles, como se eles mesmos estivessem afligidos. Essa é a indicação do verbo aqui usado, «sunkoinoneo», que quer dizer «associar-se com», «compartilhar», «ser sócio em». Na forma nominal, essa palavra era usada para indicar os «colegas obreiros» nas lides do evangelho. Aqueles crentes filipenses haviam demonstrado a regra da preocupação fraternal, a lei do amor, o princípio normativo da família de Deus.

Não há nenhum a apologia nessas palavras, conforme alguns estudiosos pensam erradamente, porquanto o apóstolo não havia repreendido àqueles crentes. Tão-somente havia posto em sua perspectiva apropriada a questão das riquezas materiais, ao mesmo tempo que se mostrara agradecido por tudo quanto Deus dá, o que é um a atitude cristã típica. Ao mesmo tempo, Paulo reconhecia que Deus usa instrumentos em suas bênçãos, e esses instrumentos merecem o crédito que lhes cabe.

«Essa simpatia, por parte dos crentes filipenses com os sofrimentos representativos de Cristo e de sua causa, é a própria característica de caráter que o Juiz seleciona para ser elogiada no último dia. (Ver Mat. 25:25 e ss.)». (Hackett, no Comentário de Lange).

A importância de nossas doações não pode ser superestimada. Esse é o sinal da verdadeira religiosidade, porquanto se origina em um coração amoroso, que foi tornado tal por operação do Espírito Santo (ver Gál. 5:22), e, por isso mesmo, é sinal de crescimento e maturidade espirituais. (Ver o trecho de Atos 3:2 e as notas expositivas ali existentes, a cerca da «importância das esmolas», pois apesar desse não ser o tema diretamente aqui abordado, contudo, juntam ente com outras dádivas gentis, ilustra a disposição do amor cristão, que realmente consiste da participação no amor cristão e no desenvolvimento espiritual).

As ofertas às missões deveriam ser encaradas sob esse prisma; e é um a afirmativa geral verdadeira que quando Deus toma conta de nossos corações, também conquista nosso bolso. Aqueles que assim contribuem «fazem bem»; e nenhum a dádiva dessa natureza deixará de ser reconhecida e recompensada por Deus, porquanto até mesmo um copo de água fria, dado em seu nome, não deixará de receber galardão, segundo se aprende em Mat. 10:42. Paulo muito se alegrou ao receber aquela dádiva dos filipenses, porque isso servia de prova do amor Cristão deles. E isso lhe era mais importante do que a própria dádiva.

«...tribulação...» No original grego temos o vocábulo «thlipsis», palavra que usualmente significava «sofrimento», «aflição», «perseguição» de qualquer forma; derivava-se de «thlibo», que quer dizer «pressionar», «restringir», «oprimir». Mui provavelmente Paulo sofreu pressões tanto financeiras quanto mentais, o que servia tão-somente para aumentar ainda mais suas aflições; e por essa razão, aquela demonstração de simpatia da parte dos crentes filipenses muito o ajudou naquele momento, em mais de um sentido.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 67.

V 14. Paulo é cuidadoso para não deixar a impressão de que o donativo tinha sido supérfluo e que não tinha sido apreciado. Ao contrário, ele declara que ele [o donativo] lhe foi sobejamente agradável. Porquanto, ele diz: Não obstante, fizeram bem partilhando de minhas aflições. Isso foi, no dizer de Paulo, uma bela e nobre ação, como a de Maria de Betânia (Mc 14.6). Se os filipenses não sentissem verdadeira simpatia por Paulo, de forma que fizessem suas as aflições dele, jamais teriam levado a bom termo tão generosa ação. O donativo era sinal de que haviam feito causa comum com as tribulações do apóstolo, participando realmente delas. Que bela manifestação de verdadeira comunhão (Ver sobre Fp 1.5)!

HENDRIKSENWilliam. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag. 595-596.

4.14 - Os filipenses cooperaram financeiramente com Paulo enquanto ele estava na prisão.

Nota do Tradutor: Naquela época, as prisões não eram como as de nossos dias. Os presos eram responsáveis por seu próprio sustento dentro das prisões. Aqueles que não tivessem o apoio de familiares ou amigos estavam sujeitos a morrer de fome ou por enfermidades, pois os cuidados médicos também não eram fornecidos.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1669.

O VALOR DO DONATIVO

Filipenses 4:14-20

A generosidade para com Paulo da Igreja filipense tinha já uma longa trajetória. Em Atos 16 e 17 lemos como Paulo pregou o Evangelho em Filipos e partiu dali a Tessalônica e Beréia. Desde essa época a Igreja filipense demonstrou virtualmente seu grande amor ao apóstolo. A relação de Paulo com os filipenses era única. De nenhuma outra Igreja tinha aceito jamais algum donativo ou ajuda. Esta era precisamente a circunstância que irritava e zangava aos coríntios (2 Coríntios 11:7-12). O laço entre Paulo e os filipenses não se dava com nenhuma outra Igreja.

Paulo diz logo algo muito delicado. Diz: "Não é que deseje um donativo ou um presente de sua parte por mim, ainda que seus dons toquem meu coração e me deem muita alegria. Não necessito nada porque tenho mais que suficiente. Mas me alegro por vocês mesmos por seu donativo porque sua bondade, solicitude e generosidade pesarão enormemente a seu favor na presença de Deus". A generosidade dos filipenses alegra a Paulo não por razão de si mesmo, mas por motivo deles. Logo o apóstolo usa palavras que fazem do dom dos filipenses não um presente para Paulo, mas sim um sacrifício para Deus. Chama-o "aroma fragrante". Esta frase era comum no Antigo Testamento para um sacrifício aceito e bem visto por Deus. É como se o aroma do sacrifício fosse agradável ao olfato de Deus (Gênesis 8:21; Levítico 1:9,13,17). A alegria de Paulo no dom não está no que este significava para ele, mas no que significava para eles. Não é que não apreciasse o valor do dom a seu favor, nem desprezasse o que eles tinham feito por ele; citava sua maior alegria em que o dom da Igreja dos filipenses e o amor que o tinha inspirado eram agradáveis a Deus.

Na última sentença Paulo diz que nenhuma dádiva faz mais pobre ao doador. A riqueza divina está aberta para os que amam a Deus e ao próximo. O doador não se faz mais pobre, mas sim mais rico, porque seu próprio dom o abre aos dons e às riquezas de Deus.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 100.

  1. O exemplo da igreja após o Pentecostes.

O melhor exemplo foi relatado por Lucas em Atos 2.42-47:

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade. E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.42-47).

O ato de “tomar parte” ou “associar-se” na tribulação de Paulo implicava uma reciprocidade entre ele e os irmãos na fé.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 154.

A ICREJA CAMINHANDO NO ESPÍRITO (AT 2:42-47)

Os cristãos continuaram a usar o templo como lugar de reunião e de ministério, mas também passaram a encontrar-se nos lares de várias pessoas. Os três mil novos convertidos precisavam ser instruídos na Palavra e ter comunhão com o povo de Deus, a fim de crescer e de se tornar testemunhas eficazes.

A Igreja primitiva não se ateve a converter pessoas, também as discípulou (Mt 28:19, 20).

Convém explicar duas frases de Atos 2:42. "Partir do pão", provavelmente, é uma referência às refeições regulares, mas, no final de cada refeição, é bem possível que fizessem uma pausa para se lembrar do Senhor celebrando o que chamamos de "Ceia do Senhor" ou "Santa Ceia". O pão e o vinho eram elementos comuns sempre presentes na mesa dos judeus. O termo comunhão não significa apenas "estar juntos". Quer dizer "ter em comum", podendo ser uma referência ao compartilhamento de bens materiais praticado na Igreja primitiva.

Por certo, não se tratava de uma forma de comunismo, pois foi um programa inteiramente voluntário, temporário (At 11 :27-30) e motivado pelo amor.

A igreja foi unificada (At 2:44), exaltada (At 2:47a) e multiplicada (At 2:47b). Seu testemunho entre os judeus era poderoso, não apenas em função dos milagres realizados pelos apóstolos (At 2:43), mas também pelo amor que os membros da comunidade tinham uns pelos outros e por seu serviço ao Senhor. O Senhor ressurreto continuou a operar por meio deles (Mc 16:20), e o povo continuou a ser salvo. Uma igreja e tanto. Os cristãos que vemos no Livro de Atos não se contentavam em se encontrar uma vez por semana para "o culto habitual". Encontravam-se diariamente (At 2:46), cuidavam uns dos outros diariamente (At 6:1), ganhavam almas diariamente (At 2:47), examinavam as Escrituras diariamente (At 17:11) e cresciam em número diariamente (At 16:5). A fé cristã era uma realidade diária, não uma rotina semanal. Isso porque o Cristo ressurreto era uma verdade viva para eles, e seu poder de ressurreição operava na vida deles por meio do Espírito.

A promessa ainda vale para nós hoje: "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (At 2:21; Rm 10:13). Você já invocou o nome do Senhor? Já creu em Jesus Cristo como seu Salvador?

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 531.

Vv. 42-47. Nestes versículos encontramos a história da Igreja verdadeiramente primitiva, de seus primeiros tempos; seu estado de verdadeira infância, e, como tal, o seu estado de maior inocência.

Mantiveram-se próximos às santas ordenanças e abundaram em piedade e devoção; o cristianismo, uma vez que admite alguém em seu poder, dispõe a alma à comunhão com Deus em todas estas formas estabelecidas, para que nos encontremos com Ele, e em que Ele tem prometido reunir-se conosco.

A grandeza deste acontecimento os colocou em uma posição mais elevada que o mundo, e o Espírito Santo os encheu com tal amor, que cada um era para o outro como para si mesmo. E deste modo, fez com que todas as coisas fossem comuns, sem destruir a propriedade, mas suprimindo o egoísmo e incentivando o amor. Deus, que moveu-os a isto, sabia que eles seriam rapidamente expulsos de suas propriedades na Judéia. O Senhor, dia após dia, inclinava mais os corações a abraçarem o Evangelho; não os simples professos, mas os que eram realmente levados a um estado de aceitação diante de Deus, sendo participantes da graça regeneradora. Aqueles que Deus tem designado para a salvação eterna serão eficazmente levados a Cristo até que a terra seja cheia do conhecimento de sua glória.

HENRY. Matthew. Comentário Bíblico Matthehw Henry. Editora CPAD. Atos. pag. 6-7.

Agora Lucas traça um quadro da primeira congregação cristão de Jerusalém, tendo como núcleo os apóstolos e os cento e vinte discípulos, e como corpo os três mil convertidos de pentecostes. O crescimento da igreja não foi só em número, mas também na fé e na caridade. Os membros da congregação continuaram, perseveraram, com grande fidelidade e devoção, nos ensinos, na doutrina dos apóstolos. Estes homens, por Cristo estabelecidos e ordenados como os mestres de toda a cristandade, foram naquela ocasião os mestres da congregação de Jerusalém. E a doutrina deles foi a doutrina de Cristo; eles ensinaram o que havia ouvido de Cristo; a palavra deles foi a palavra de Deus. Os discípulos, permanecendo firmemente nesta palavra, também conservaram a comunhão. Estiveram unidos na mesma fé e no mesmo amor ao seu Senhor e Mestre; estiveram em comunhão um com o outro, e em união com Cristo e o Pai, que foi uma intimidade maravilhosa e abençoada, pela qual estiveram mais unidos entre si do que irmãos e irmãs de sangue. Cada um sentia o interesse mais solícito pelas alegrias e tristezas do outro. Sua comunhão estreita era expressa no partir do pão. Caso esta expressão não se referir só à celebração da Santa Comunhão, ela certamente não exclui o sacramento. Cf. 1. Co. 10. 16. Ela, claramente, não se refere a uma refeição regular, e provavelmente foi usada por Lucas para descrever resumidamente a refeição em comum que os cristãos, nos primeiros tempos da igreja, ligaram à celebração da Ceia do Senhor. E da mesma maneira como os cristãos ouviram a palavra, da mesma forma como observaram a Eucaristia, assim também foram diligentes, assíduos, na oração pública. Os discípulos de Jerusalém manifestaram, por meio de oração, louvor e agradecimento comum, sua comunhão fraterna e sua unidade de espírito. Todos estes fatos, com certeza, não podiam ficar sem o conhecimento do povo da cidade, nem mesmo se os membros da congregação assim o tivessem desejado. O modo cristão no viver foi uma confissão constante e uma admoestação a todos os habitantes da  idade. O resultado foi, que muitos dos judeus, tantos quantos entraram em contato com os cristãos, foram tomados de grande temor; o espanto solene que os milagres e sinais operados pelos apóstolos inspiraram, aumentou pela veneração requerida pelo seu viver sem dolo. A presença de Deus e do Cisto exaltado, por meio da manifesta operação do Espírito, em meio à congregação, precisou ser admitida por todos os que entraram em contato com eles. E este temor também serviu para a difusão do evangelho; serviu como freio sobre o ódio dos judeus, impedindo-os de qualquer manifestação pública de sua inimizade. Foi intenção de Deus, que a plantinha jovem de sua igreja devia gozar por algum tempo dum crescimento em paz.

Enquanto isto o amor fraterno dos discípulos mostrou seu poder na vida e nos atos deles. Estiveram juntos; seus corações e suas mentes estiveram direcionados a sua causa comum, o fato que naturalmente os levou a se reunirem tantas vezes quantas possíveis, fosse no tempo ou em casas particulares, e isto não só para os cultos públicos, mas também para o trato social no verdadeiro espírito cristão. E eles tiveram tudo em comum; não praticaram o comunismo e não ab-rogaram o direito da propriedade particular. Não a posse, mas o uso e o benefício dos bens foi comum. Cf. cap. 4. 32. Cada membro da congregação considerava sua propriedade como um talento do Senhor, com o qual devia servir seu próximo. Este amor fraterno em muitos casos realizou ainda mais. Venderam suas posses e bens, toda sua propriedade, e dividiram o produto entre os irmãos, tal como as necessidades o exigiam. Esta não foi uma lei proposta ou reforçada pelos apóstolos, mas foi uma livre manifestação de verdadeira caridade. Os cristãos abastados estiveram dispostos e desejosos para realizar estes sacrifícios, sempre que era evidente que esta era a única maneira pela qual as necessidades dos irmãos podiam ser supridas. Não qualquer sinal da arrogante indiferença que agora caracteriza o intercurso dos ricos com os pobres. Expressões de amor como esse poucas vezes, ou jamais, haviam sido vistas anteriormente na terra. E tudo isto foi feito sem qualquer tentativa de ostentação. Como era de se esperar, os cristãos, de comum acordo e em plena unidade de espírito, tinham suas reuniões públicas no templo, onde tinham oportunidade para testificar aos outros de sua nação a respeito da esperança que os animava. E não somente no templo eram feitas reuniões diárias, mas também se encontravam de casa em casa, principalmente para a celebração da Santa Comunhão e da ceia comum conhecida como ágape, onde juntos tomavam a refeição com grande alegria e exultação e também com toda a simplicidade de coração. Os membros mais ricos não se indignavam sobre o fato que os irmãos mais pobres compartilhavam do alimento que de sua abastança haviam provido, nem julgavam ser-lhes algo indigno sentar-se à mesma mesa. E os membros pobres nada possuíam da ridícula vaidade da pobreza de serem obrigados a aceitar a generosidade de outros. Todos estavam unidos nesta uma obra sublime, de dar louvor a Deus por todos os dons que ele derramara sobre eles. Não é de admirar que acharam as boas graças de todo povo. Cada judeu honesto e sincero naturalmente estimava os cristãos pela simplicidade, pureza e caridade de suas vidas. E, sendo a confissão da boca apoiada e confirmada pela evidência das obras, o resultado foi que diariamente se registravam adesões ao número dos cristãos. Mas Lucas afirma expressamente que o Senhor juntava à congregação aqueles que deviam ser salvos. A conversão de cada pessoa é somente um ato do Senhor, e é o resultado de sua vontade graciosa e boa pela salvação dos pecadores. Notemos: A congregação de Jerusalém é em tudo um exemplo luzente para as congregações cristãs e para os cristãos de todos os tempos. Se o mesmo amor à palavra de Deus, ao uso do sacramento, se esta mesma caridade desinteressada aos irmãos fosse evidente em nossos dias, então cada congregação também se sobressairia da mesma forma. E esta é a vontade de Cristo, o Cabeça da igreja.

KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento Volume 1. Editora Concordia Publishing House.

  1. O padrão de amor para a Igreja.

O crente tem a efetuar sacrifícios de adoração e certo serviço a prestar; mas isso transcende ao que é meramente terreno, simbólico, típico. O versículo anterior mostra que os sacrifícios de ações de graças e de vida diária devem ser continuamente prestados pelo crente. E esses sacrifícios devem visar a pessoa de Deus, como expressão da alma, e não apenas como parte de uma adoração formal, em momentos determinados. Os sacrifícios de serviço do crente também devem beneficiar ao próximo, por meio de provas de amor e generosidade, na prática do bem, na comunhão com os outros, em suas necessidades físicas e espirituais. Com tais sacrifícios é que Deus se agrada, ao passo que nos antigos sacrifícios de animais o Senhor não tinha qualquer prazer. (Ver Osé. 6:6; I Sam. 15:22 e Sal. 40:6). Até os judeus tinham um ditado que dizia: «Maior é aquele que dá esmolas do que aquele que oferece todos os sacrifícios». (Talmude Bab. Succa., foi. 49:2).

(Ver João 14:21 e 15:10 quanto ao «amor» como princípio normativo da vida, na família cristã).

O amor é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo, sendo o alicerce básico de todas as virtudes. Surge devido à comunhão com o Espírito, como resultante do desenvolvimento e do aperfeiçoamento espirituais. Todo o amor se baseia sobre o amor divino. (Ver acerca do «amor de Deus», nas notas expositivas sobre João 3:16; e ver acerca de «Deus é amor», em I João 4:8). Quando entramos na natureza moral de Deus, amando como ele ama, começamos a ser transformados segundo a imagem de Cristo, através do que chegamos a participar de sua própria natureza; e assim nos tornamos filhos de Deus, semelhantes ao Filho de Deus. O autor agora nos conclama a perceber a importância da vida diária que expresse continuamente o amor de Deus, em que a natureza moral de Cristo vá sendo realmente formada em nós, mediante a atividade do Espírito. Esse é um tipo de sacrifício que nunca pode tornar-se obsoleto, e nem nunca poderá perder seu valor diante de Deus.

«O indivíduo sem compaixão, que reputa a vida como um cacho de uvas que devem ser espremidas em sua própria taça e sorvidas para seu próprio prazer, nega a Deus. Se nossa fé cristã é autêntica, então somos apenas mordomos, e não proprietários dos bons dotes de Deus. Para expressar a fé, precisamos ‘transmiti-la’. ‘Ora, aquele que possuir recursos deste mundo e vera seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?’ (I João 3:17)». (Cotton, in loc.).

«...prática do bem...» Isso significa todas as formas de boas obras, em público ou particularmente, em vinculação com a igreja local ou individualmente. Jesus é descrito como homem que saiu fazendo o bem» (ver Atos 110:38). Ele ensinava, encorajava, curava, repreendia—tudo em benefício daqueles que o ouviam e o seguiam.

«...mútua cooperação...» No grego temos a palavra «koinonia», que significa «associação», «comunhão», «companheirismo», «generosidade», «altruísmo», «participação». É o último desses sentidos que se aplica ao presente texto. A mesma verdade é destacada em I João 3:17; generosidade para com os outros, suprindo suas necessidades físicas. Um bom crente estará disposto a compartilhar de suas possessões e de seus recursos financeiros, a fim de ajudar a outros. O judaísmo antigo salientava grandemente a importância das esmolas, e o cristianismo primitivo compartilhava dessa virtude moral. (Quanto a notas expositivas completas sobre essa questão, que ajudam a ilustrar o presente texto, ver Heb. 3:2). É levando as cargas uns dos outros que cumprimos a lei de Cristo (ver Gál. 6:2), eminentemente caracterizada pelo amor. Uma das poucas declarações de Jesus, que não aparecem nos evangelhos, é a que figura em Atos 20:35: «Mais bem-aventurado é dar que receber». Essas palavras foram ditas pelo

Apóstolo Paulo este último, em seu ministério, jamais cobiçou as riquezas alheias. aos trabalhava para ganhar a própria vida, e até chegava a sustentar aos que viajavam em sua companhia (ver Atos 20:34), embora pudesse com toda a razão ter exigido dinheiro das igrejas. Mas os crentes filipenses, que o ajudaram financeiramente por várias vezes, foram altamente elogiados peto apóstolo dos gentios. (Ver Fil. 4:14.17,18). Paulo chamou os donativos de «sacrifício aceitável e agradável a Deus»; e assim via esses donativos como uma espécie de sacrifício de «aroma suave» (conforme algumas ofertas do A .T. eram classificadas), o que também é o conceito dos versículos quinze e dezesseis do presente capítulo. Tais «sacrifícios» jamais poderão ser reputados obsoletos e sem importância; nunca poderão ser abandonados, conforme foram descontinuados os ritos levíticos. Alguns compreende as palavras sobre a «partilha» em sentido mais lato, isto é, como se fosse qualquer atividade mutuamente benéfica, para quem pratica e para quem a recebe. Porém, está em foco, principalmente, a questão da generosidade, embora a outra ideia também possa estar implícita.

«...Deus se compraz...» A apreciação divina por aqueles crentes perduraria para sempre, porquanto tinham expressado seu amor para com outros seres humanos- Era contraste com isso, os sacrifícios vetotestamentários, até mesmo nos dias do A.T., eram reconhecidos como tipos de coisas que, na realidade, não podem agradar ao Senhor. (Ver Osé. 6:6; I Sam. 15:22 e Sal. 40:6).

Com tais vidas Deus se agrada—com aqueles que o louvam e vivem na atmosfera da gratidão, e com aqueles que são bondosos e generosos. São esses que prosseguem até ao fim com uma oração de ações de graça, cujas vidas são uma bênção e um sucesso. John Inskip, cuja vida foi assim uma bênção para outros, ao falecer, proferiu as suas últimas palavras: Vitória!

Triunfo! Triunfo! E diz-se acerca de Susana Wesley, mãe de João e Carlos Wesley, que seu último pedido foi: «Filhos, asam que eu for liberta, entoai um salmo de louvor a Deus».

«As três grandes definições de adoração ou de culto religioso no N.T., se acham em Heb. 13:15,16; Rom. 12:1,2 e Tia. 1:27». (Moffatt, in loc.). Sucesso. «Obteve sucesso quem viveu bem, riu com frequência e amou muito; quem obteve o respeito de homens inteligentes e o amor das criancinhas; quem preencheu o seu lugar e cumpriu a sua tarefa, sem importar se foi uma papoula melhorada, um poema perfeito ou uma alma salva; a quem nunca faltou apreciação pelas belezas terrenas e nem deixou de expressá-las; quem buscou o melhor nos outros, e deu do melhor-que tinha; cuja vida foi uma inspiração, e cuja memória é uma bênção». (Robert Louis Stevenson).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 664-665.

Hb 13. 10-17. Não temos nenhum sacrifício a fazer; em Cristo já foi feito um sacrifício por nós; por isso possuímos um altar. As ordenanças do V.T, conforme aqui descritas já não têm mais valor. Quando Cristo sofreu a morte fora do arraial sobre a cruz, uma das coisas realizadas foi o descartar-se dos costumes levíticos. Agora eles são supérfluos. A identificação do crente é com Cristo fora do arraial. Isto significa rejeição do Judaísmo de um lado e rejeição pelos judeus do outro. Para esses cristãos hebreus, esse era o vitupério que tinham de levar.

Tendo Cristo morrido como oferta pelos pecados, os crentes deviam demonstrar, por meio de Jesus, uma conduta adequada aos redimidos (vs. 14-17). 1) Deviam fixar sua esperança não nas ordenanças do V.T., mas na cidade celestial e na perspectiva celestial; 2) deviam louvar e agradecer a Deus, uma vez que o fruto dos lábios devia ser o transbordamento de um coração cheio; 3) deviam mostrar benevolência de todo o tipo, pois Deus não se esquece disto; e 4) deviam ser obedientes e submissos. Agradar a Deus poderia finalmente ser reduzido a três práticas ou atitudes fundamentais, todas mencionadas nesta passagem – louvor, obediência e submissão. Isto, pouco comentário exige à luz da verdade neotestamentária. A benevolência é o que se segue naturalmente. No versículo 17 a submissão se relaciona praticamente à atitude dos crentes para com os seus próprios líderes. Com estas palavras de responsabilidade colocada sobre ambos, discípulos e líderes, o escritor encerra a composição prática e exortatória que começou com 10:19. O restante é pessoal.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular  Filipenses. pag. 61-62.

O SACRIFÍCIO FALSO E O VERDADEIRO

Hebreus 13:9-16

Pode ser que ninguém chegue a descobrir jamais o significado preciso desta passagem. Certamente existia alguma doutrina falsa que se estava difundindo na Igreja e a que se refere esta Carta. O autor não precisa descrevê-la para o povo ao qual se dirige, porque era bem conhecida, até alguns tinham caído em suas redes e todos estavam sob sua ameaça. Quanto a no que consistia, só possuímos algumas indicações e podemos fazer deduções e conjeturas.

Começaremos com um fato básico. O autor está convencido de que a verdadeira fortaleza do homem só provém da graça divina e que o que o povo come e bebe não tem nada a ver com sua força espiritual. Assim, pois, na Igreja a qual se dirige a Carta havia alguns que davam muita importância às leis alimentares. Eis aqui algumas observações.

(1) Os judeus tinham suas leis rígidas sobre mantimentos, estabelecidas por extenso em Levítico 11. Todo mundo sabe que nenhum judeu come carne de porco. O judeu cria que podia servir e agradar a Deus comendo ou não comendo certos mantimentos. Possivelmente haveria nesta Igreja cristãos dispostos a abandonar a liberdade cristã para voltar de novo ao jugo das leis e prescrições judias sobre mantimentos, pensando que agindo dessa maneira adicionariam vigor à sua vida espiritual e às suas almas.

(2) Havia alguns gregos que tinham ideias muito definidas sobre os mantimentos. Já Pitágoras pensava algo pelo estilo; cria na reencarnação; em que a alma do homem passava de corpo em corpo até merecer finalmente a libertação. Essa libertação podia apressar-se pela oração, a meditação, a disciplina e o ascetismo. Por esta razão os pitagóricos eram vegetarianos e se abstinham de carne. Os chamados gnósticos formavam

um grupo com as mesmas características. Pensavam que a matéria era completamente má e que o homem devia concentrar-se no espírito, que era inteiramente bom. Portanto criam que o corpo era inteiramente mau e que o homem devia castigá-lo e tratá-lo com o maior rigor e austeridade. Reduziam a alimentação ao mínimo possível e se abstinham também da carne. Eram muitos os gregos que pensavam que pelo que comiam ou deixavam de comer se fortaleciam espiritualmente e libertavam suas almas.

(3) Mas nada de tudo isto parece ter tido a ver no caso. Aqui o comer e o beber têm algo que ver com o corpo de Cristo. O autor de Hebreus se remonta às prescrições do Dia da Expiação. Agora, segundo essas prescrições, os corpos do bezerro devotado pelos pecados do sumo sacerdote e do bode emissário devotado pelos pecados do povo, deviam ser consumidos inteiramente pelo fogo num lugar fora do acampamento (Levítico 16:27). Eram ofertas pelo pecado e ainda que os que rendiam o culto tivessem desejado comer essa carne não podiam fazê-lo.

O autor considera Jesus como o sacrifício perfeito. O paralelismo é completo porque, além disso, Jesus foi sacrificado fora da porta; efetivamente, o Calvário estava fora dos muros de Jerusalém. As crucificações sempre se levavam a cabo fora de uma população. Jesus também foi a oferta pelo pecado em favor dos homens. Em consequência, assim como ninguém podia comer a carne da oferta do pecado no Dia da Expiação tampouco ninguém pode comer a carne de Cristo. Pode ser que aqui tenhamos a chave; é possível que existisse nessa Igreja um pequeno grupo que, seja no sacramento, seja em alguma comida comum, consagrassem seus mantimentos a Jesus e pretendessem de fato e verdadeiramente comer o corpo de Cristo. Poderiam ter-se convencido a si mesmos de que pelo fato de consagrar seus mantimentos a Cristo, o corpo dEle entrava neles. Isto era efetivamente o que as religiões gregas pensavam de seus próprios deuses.

Quando um grego sacrificava recebia parte da carne. Com frequência fazia uma festa para si mesmo e seus amigos dentro do

templo, onde teve lugar o sacrifício, crendo que quando ingeria a carne do sacrifício, o deus que estava na carne sacrificada entrava em sua pessoa. Com a carne a vida do deus entrava em seu corpo e em seu coração. Bem pode ser que alguns gregos tivessem introduzido no cristianismo suas próprias ideias e falassem de comer o corpo de Cristo.

O autor cria com toda a força de seu ser que nenhuma comida podia introduzir a Jesus Cristo no interior do homem; que Cristo jamais pode entrar num homem a não ser pela graça. É muito provável que tenhamos aqui uma reação contra a demasiada ênfase nos sacramentos. É notável que o autor jamais menciona os sacramentos, que não parecem entrar absolutamente dentro de sua colocação. É provável que até naquela época tão primitiva existissem os que tinham uma concepção muito mecânica dos sacramentos e esqueciam que nenhum sacramento do mundo é útil por si mesmo; o único proveito está na graça de Deus acolhida pela fé do homem. Não é a carne, mas sim a fé e a graça o que importa.

Mas esta colocação estranha dava o que pensar a nosso autor. Cristo tinha sido crucificado fora da porta como proscrito e expulso pelos homens; foi acusado de ser um criminoso; foi contado entre os transgressores. Aqui o autor descobre uma imagem: também nós devemos nos separar da vida do mundo, nos submeter a sair fora das portas do mundo, carregar sobre nós a mesma recriminação que Cristo carregou. A separação, o isolamento e a humilhação podem sobrevir sobre o cristão como sobrevieram sobre Cristo. Os cristãos devem estar preparados para suportar o mesmo tratamento do mundo que suportou seu Mestre.

Mas o autor vai mais além. Se no sacramento o cristão não pode oferecer de novo o sacrifício de Cristo, qual é o sacrifício que pode oferecer? O autor diz que várias coisas.

(1) Pode oferecer a Deus seu contínuo louvor e ação de graças. Os povos antigos sustentavam às vezes que uma oferta de gratidão era mais aceita a Deus que uma oferta pelo pecado, porque quando um homem a oferecia, buscava obter algo de Deus, o perdão de seus pecados, enquanto que uma oferta de gratidão era uma oferta incondicional de seu coração agradecido. O sacrifício de ação de graças é aquele que todos podem oferecer e ao qual devem sentir-se obrigados.

(2) Pode oferecer uma profissão pública e prazerosa de sua fé em Cristo. Esta é uma oferenda de lealdade. O cristão sempre pode oferecer a Deus uma vida que não se envergonha de mostrar de quem é e a quem serve. Não envergonhar-se jamais do Evangelho de Jesus Cristo é também uma oferta.

(3) O cristão pode oferecer a Deus como sacrifício obras de amor e o compartilhar com seu próximo. De fato isto era algo que o judeu sabia muito bem. Depois do ano 70 de nossa era os sacrifícios do templo chegaram a seu fim. Já não eram possíveis, porque nesse ano o templo tinha sido destruído. O que ficou? Os rabinos ensinavam que nesses dias tardios em que o ritual do templo tinha concluído, a teologia, a oração, a penitência, o estudo da Lei e a caridade eram ainda sacrifícios equivalentes aos do antigo ritual.

O rabino Jônatas Ben Zakkai se consolava nesses tristes dias crendo que "com a prática da caridade ainda possuía um sacrifício válido pelo pecado".

Um escritor cristão antigo diz: "Espero que seu coração renda frutos: que dê culto ao Deus Criador de tudo, e que lhe ofereça continuamente suas orações por meio da compaixão porque a compaixão que os homens mostram pelos homens é um sacrifício incruento e santo a Deus."

Finalmente, Jesus mesmo disse: “Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40). E o melhor sacrifício de todos é ajudar a um dos filhos de Deus que padece necessidade.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 205-208.

II - REMINISCÊNCIA: O ATO DE DAR E RECEBER (4,15-17)

  1. Paulo relembra o apoio dos filipenses.

O verbo «...sabeis...» exibe um apelo do apóstolo ao conhecimento que os crentes de Filipos tinham do fato que somente eles vinham contribuindo com o apóstolo dos gentios, financeiramente falando. Mas isso não visou deixar as demais comunidades cristã sem posição desfavorável, mas simplesmente serviu para enfatizar a posição ímpar dos crentes filipenses sobre aquela questão, a qual fazia parte do louvor que Paulo lhes faz, sem com isso querer diminuir a qualquer outra igreja local cristã. Essa questão de conhecimento, no que tange à ajuda financeira, tem por intuito incluir outras ações passa das de benevolência, e não apenas a ação presente daqueles crentes. As palavras «...também vós...» significam que, além do apóstolo dos gentios, os próprios crentes filipenses tinham «conhecimento» desse fato.

«...ó filipenses...» Usualmente o apóstolo dos gentios não se dirigia a seus leitores originais, chamando-os pelo nome. Mas outros exemplos dessa prática que aqui vemos aparecem em II Cor. 6:11 e Gál. 3:1. Isso acrescenta certo toque pessoal às palavras de Paulo, expressando sua afeição profunda e intensa. Sabe-se bem que o uso do nome de alguém é agradável para a pessoa assim chamada, e isso muito aumenta o interesse pessoal no diálogo.

«...no início do evangelho...» Os versículos que se seguem mostram-nos que Paulo indicava «a primeira vez em que o evangelho fora pregado na Macedônia», isto é, o «início do ministério do evangelho» naquela região.

Paulo faz aqui alusão ao dinheiro que eles lhe tinham enviado mais ou menos ao tempo de sua partida da Macedônia. (Ver Atos 17:14). Contudo, alguns estudiosos supõem que essa expressão não indica algum ponto do tempo, mas de «importância», como se para Paulo o evangelho então tivesse começado realmente a prosperar, na missão europeia, embora ele ainda estivesse em meio à sua carreira, no tocante ao tempo. Assim pensa também Lightfoot (in loc.): «A fé de Cristo, por assim dizer, tivera um novo começo». Mas isso é ornar desnecessariamente e complicar demais o sentido simples das palavras de Paulo. O décimo sexto versículo menciona uma dádiva anterior àquela que é aqui mencionada, quando Paulo ainda se encontrava em Tessalônica. É perfeitamente possível que tenha havido outras ofertas semelhantes, que não são aqui aludidas. No presente versículo, pois, Paulo se refere a uma ocasião cerca de dez anos antes de haver ele escrito estas palavras.

«...Macedônia...» (Quanto a notas expositivas completas sobre essa província, ver Atos 16:9. Quanto a «Filipos», cidade pertencente àquela província, ver Atos 16:12). Paulo costumava referir-se, em suas cartas, a distritos ou províncias por onde passara em suas viagens, ao invés de mencionar cidades. (Com parar isso com os trechos de Rom. 16:5; I Cor. 16:15; II Cor. 2:13; 7:5; 8:1 9:2).

«...se associou comigo...» No original grego temos o verbo «koinoneo», que significa «compartilhar», «fazer parte», «participar», «contribuir com uma porção». Nenhuma outra comunidade cristã, exceto a de Filipos, se associara a Paulo no tocante a participar de sua conta de débito e crédito.

Nenhuma outra igreja cristã local entrara em «sociedade» com ele nesse particular. Somente os crentes filipenses se tinham tornado seus sócios no evangelho, enquanto ele se encontrava distante deles, compartilhando de seu trabalho; e isso através de meios financeiros.

«...dar e receber...» Paulo emprega aqui a terminologia das finanças, talvez de modo brincalhão, ou seja, «crédito» e «débito». No décimo sétimo versículo ele usa a expressão «...vosso crédito...», dando assim prosseguimento à metáfora mercantil. Conforme comenta Robertson (in loc.): «Paulo não precisava manter conta corrente com nenhum a outra igreja local, embora, mais tarde, Tessalônica e Beréia se tenham unido àquele em apoio ao trabalho de Paulo em Corinto (ver II Cor. 11:8 e ss.)».

Depois disso, várias outras igrejas locais gentílicas contribuíram para a oferta que foi enviada aos santos pobres de Jerusalém; mas isso não foi uma dádiva pessoal a Paulo. (Ver Rom. 15:25 sobre essa questão, bem como notas expositivas adicionais em II Cor. 9:2, acerca das áreas específicas que participaram dessa citada coleta).

Os intérpretes têm elaborado sobre a metáfora mercantil, vendo nela os significados possíveis seguintes:

  1. Talvez Paulo se estivesse referindo a uma conta de «dois lados»: Paulo lhes dera realidades espirituais e recebera coisas materiais; os crentesfilipenses tinham recebido realidades espirituais e haviam dado coisas materiais.
  2. Ou o lado devedor talvez esteja em branco nessa conta corrente, do lado dos crentes filipenses, ao passo que o lado «credor» estivesse vago do lado do apóstolo, embora tudo ainda fosse um a questão de «dar e receber».

No dizer de Vincent (in loc.). «A dádiva dos filipenses e o recebimento por parte de Paulo formam os' dois lados da conta corrente».

  1. Naturalmente, não há aqui qualquer indicação de «dádiva mútua», como se Paulo houvesse enviado dádivas em dinheiro para o trabalho evangelístico em Filipos.
  2. Mui provavelmente, nada de especial e particular está em foco, com o uso dessa expressão, quanto a quem teria dado e quem teria recebido, ou quanto ao que teria sido dado; mas está em pauta apenas a ideia bem geral de alguma forma de transação financeira entre Paulo e os filipenses, o que provocou o uso de um a terminologia financeira.

«...igreja...» (Quanto a notas expositivas completas sobre a «igreja», em seu aspecto universal e local, ver o trecho de Efé. 3:10).

«...unicamente vós outros...» Neste ponto Paulo se refere a doações voluntárias, que podem ser incluídas ou separadas da remuneração que os ministros do evangelho merecem. Sobre essa questão, ver os trechos de I Cor. 9:6-18; II Cor. 11:7-10 e I Tes. 2:9. D ar «ofertas», em adição ao que era requerido (o dízimo), é algo firmemente baseado nos preceitos do antigo pacto. Naturalmente, Paulo em parte alguma ensina que se pague o dízimo; mas a experiência mostra-nos que essa é um a quantia prática, nada havendo, em todo o N.T., contrário a essa prática, embora não existam ali ensinamentos específicos que o recomendem. Não há que duvidar que os crentes filipenses sustentavam seus ministros locais. Mas, além disso, davam ofertas a Paulo, para a sua missão no estrangeiro, que para eles importava em autêntico sacrifício. Isso serve de bom exemplo para a igreja cristã de qualquer época. Um crente sincero contribuirá com pelo menos a décima parte do que ele ganha, para o trabalho do evangelho; e talvez mais ainda. Nossa preocupação não deve ser quão pouco podemos dar, a fim de cumprir um a «obrigação», mas antes, quanto podemos dar, ainda que isso envolva em sacrifício, para garantir a abundância do sucesso no trabalho.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 67-68.

Paulo reconhece com gratidão o fato de que o presente donativo era o segmento de uma série de donativos. Ele menciona algo que tanto os filipenses quanto ele mesmo sabiam muito bem, a saber, que quando a igreja filipense estava em seus primórdios, recém-fundada – isso aconteceu há uma década pelo menos –, então já naqueles primeiros dias da proclamação do evangelho naquela região, eles, e somente eles, partilharam com ele no tocante (e seguem alguns termos comerciais) a despesas e receitas, isto é, uma conta em que os filipenses eram os doadores e Paulo o recipiente. Determinando a ocasião mais precisamente quanto ao tempo, o apóstolo diz que essa generosidade foi demonstrada em conexão com sua partida da Macedônia (onde se localizavam Filipos e a vizinha Tessalônica), partida um tanto precipitada, como temos indicado em Atos 17.14. Os amigos filipenses ouviram das tribulações de Paulo em Tessalônica, e imediatamente correram em seu auxílio em termos materiais, permitindo-lhe continuar seu trabalho em outros lugares (em Acaia, Atenas e Corinto; cf. 2Co 11.8,9).

HENDRIKSENWilliam. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag. 596.

4.15 - Dar e receber. Paulo considerava a relação entre ele e os filipenses como uma via de mão dupla, com ambas as partes ativamente envolvidas no sentido de partilhar tanto dádivas materiais como espirituais.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 536.

  1. No início do evangelho. Quando o Evangelho foi proclamado pela primeira vez na Macedônia. Quando parti provavelmente se refere à oferta feita por ocasião da partida (cons. Atos 17:14), e não posteriormente (cons. lI Co. 11:9). A dar e receber. A primeira das diversas alusões feitas a transações financeiras. Talvez fosse um gentil lembrete de que o pagamento em troca de bens espirituais não era de todo descabido (cons. I Co. 9:11).

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular  Filipenses. pag. 29-30.

4.15 no início do evangelho. Quando Paulo pregou o evangelho em Filipos pela. primeira vez (At 16.13). quando parti. Quando Paulo deixou Filipos pela primeira vez, aproximadamente dez anos antes (Al 16.40). Macedônia. Além de Filipos, Paulo também ministrou em duas outras cidades na Macedônia: Tessalônica e Bereia (Al 17.1-14). no tocante a dar e receber. Paulo utilizou três termos empresariais. "No tocante" pode ser traduzido por "compulando".

"Dar e receber" diz respeito a despesas e receitas. Paulo era um fiel mordomo dos recursos de Deus e registrava cuidadosamente tudo o que recebia e gastava, senão unicamente vós. Somente os filipenses enviaram provisões para Paulo a fim de suprir suas necessidades.

MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 1624.

  1. O necessário para viver.

Agora Paulo se lembra de duas outras ocasiões, anteriores, em que recebera dinheiro da parte dos crentes filipenses. Após a sua primeira visita a Filipos, Paulo se dirigiu diretamente a Tessalônica, um porto de mar da Macedônia, evidentemente tendo ficado em dificuldades financeiras de alguma sorte, sobre o que o livro de Atos nada nos informa. Mas os crentes filipenses o ajudaram naquele momento de crise; e assim o seu trabalho pôde continuar. Paulo lhes devia grande gratidão, portanto; e aqui tece apreciações sobre o espírito fraternal que haviam demonstrado, até mesmo mais que sobre a própria ajuda financeira, porquanto aquela atitude amorosa era evidência de que Cristo operava neles, tornando-os segundo a sua própria imagem.

Em Tessalônica, Paulo viveu principalmente através do seu próprio labor manual (ver I Tes. 2:9 e II Tes. 3:8). Mas talvez tenha havido alguma suavização dessa situação, ou talvez ele não ganhasse o bastante para viver decentemente. Porém, os crentes filipenses se prontificaram a ajudá-lo naquela questão, a fim de que ele pudesse continuar devotado ao seu trabalho de evangelismo; e isso, afinal de contas, é o motivo mesmo pelo qual contribuímos para os obreiros cristãos. Essas contribuições liberam-nos para o trabalho do evangelho.

Em confronto com a cronologia do livro de Atos, Paulo se refere aqui a eventos registrados no décimo sétimo capítulo desse citado livro. Mais tarde, quando estava ele a caminho de Corinto (ver o décimo oitavo capítulo do livro de Atos), Paulo recebeu novamente dádivas, trazidas por Timóteo e Silas (aquelas mencionadas no décimo quinto versículo deste capítulo). Ambas as instâncias representam estágios de sua «partida da Macedônia», em que a primeira dessas instâncias ocorreu antes de haver ele realmente abandonado esse território.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 68.

A gora Paulo se lembra de duas outras ocasiões, anteriores, em que recebera dinheiro da parte dos crentes filipenses. Após a sua primeira visita a Filipos, Paulo se dirigiu diretamente a Tessalônica, um porto de mar da Macedônia, evidentemente tendo ficado em dificuldades financeiras de alguma sorte, sobre o que o livro de Atos nada nos informa. Mas os crentes filipenses o ajudaram naquele momento de crise; e assim o seu trabalho pôde continuar. Paulo lhes devia grande gratidão, portanto; e aqui tece apreciações sobre o espírito fraternal que haviam demonstrado, até mesmo mais que sobre a própria ajuda financeira, porquanto aquela atitude amorosa era evidência de que Cristo operava neles, tornando-os segundo a sua própria imagem.

Em Tessalônica, Paulo viveu principalmente através do seu próprio labor manual (ver I Tes. 2:9 e II Tes. 3:8). Mas talvez tenha havido alguma suavização dessa situação, ou talvez ele não ganhasse o bastante para viver decentemente. Porém, os crentes filipenses se prontificaram a ajudá-lo naquela questão, a fim de que ele pudesse continuar devotado ao seu trabalho de evangelismo; e isso, afinal de contas, é o motivo mesmo pelo qual contribuímos para os obreiros cristãos. Essas contribuições liberam-nos para o trabalho do evangelho.

Em confronto com a cronologia do livro de Atos, Paulo se refere aqui a eventos registrados no décimo sétimo capítulo desse citado livro. Mais tarde, quando estava ele a caminho de Corinto (ver o décimo oitavo capítulo do livro de Atos), Paulo recebeu novamente dádivas, trazidas por Timóteo e Silas (aquelas mencionadas no décimo quinto versículo deste capítulo). Ambas as instâncias representam estágios de sua «partida da Macedônia», em que a primeira dessas instâncias ocorreu antes de haver ele realmente abandonado esse território.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 68.

  1. De Filipos, os missionários apostólicos vieram a Tessalônica (At 17:19). Até lá os filipenses enviaram ajuda. As melhores tradições textuais (Sinaítica, Vaticanus, etc.) acrescentam “para as minhas necessidades”, como na ARA. Há várias questões levantadas por esta referência à ajuda recebida durante o ministério de Paulo em Tessalônica; porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades.

Paulo se refere a seu “labor e fadiga” (1 Ts 2:9; 2 Ts 3:8), durante este período, e pode-se presumir que, numa época de crise econômica, aliviada parcialmente pelo seu trabalho manual, as dádivas de Filipos chegaram em boa hora. Que tais donativos se repetiram, se deduz de não somente uma vez, mas duas (veja-se L. Morris quanto a esta frase, NovT

I (1956), pp. 203-8; B. Rigaux, Les építres aux Thessaloniciens, Paris, 1956, p. 461). Se a primeira palavra da sentença kai hapax kai dis não fizer parte da expressão, mas, serve apenas de conetivo, então o sentido será: “tanto quando eu estava em Tessalônica, e mais de uma vez quando eu estava em outros lugares” (de acordo com Morris, loc. cit., p. 208). Esta frase implica em que houve frequente remessa de donativos a Paulo, provavelmente enquanto estava em Tessalônica, durante um período mais longo do que Atos 17 dá a entender. (Veja-se E. Haenchen, The Acts of the Apostles, pp. 51 ls.Assim pensam Gnilka, Michaelis e Collange).

Ralph P. Martin, Ph. D.. Filipenses Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 181.

1 Tm 6.10 — O dinheiro em si não é um problema, mas o amor do dinheiro é. O amor ao dinheiro é a raiz dos males. O amor ao dinheiro pode levar uma pessoa a todo tipo de males. A cobiça pode levar um cristão até a desviar-se da fé. A ganância e o materialismo podem cegar o cristão a ponto de ele se distanciar de sua fé. Muitas dores. Uma vida centrada em coisas materiais produz somente dor.

1 Tm 6.11 — Paulo faz uma séria advertência contra o materialismo. Foge é uma ordem firme. Segue é determinação para perseguir ou ir atrás de algo ou alguém. A justiça, a piedade e a fé são qualidades de caráter. A caridade, a paciência e a mansidão são frutos da vida controlada pelo Espírito (Gl 5.22). Homens e mulheres de Deus devem, com todo o seu ser, seguir a piedade, não objetivos puramente materiais.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 601.

O apóstolo afirma que o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males (v. 10). Tendo o amor do dinheiro, por quais pecados o homem não será atraído? Particularmente, isto estava na base da apostasia de muitos da fé cristã; enquanto cobiçavam dinheiro, eles se desviavam da fé, abandonavam o cristianismo e traspassavam a si mesmos com muitas dores. Observe: [1] Qual é a raiz de toda espécie de males? O amor ao dinheiro. As pessoas podem ter dinheiro, e mesmo assim não amá-lo. Mas, se o amarem imoderadamente, ele as levará para toda espécie de males. [2] Pessoas cobiçosas renunciarão a sua fé, se isso as levar a ganhar dinheiro: Nessa cobiça alguns se desviaram da fé. D emas me desamparou, amando o presente século (2 Tm 4.10). O mundo era mais precioso para ele do que o cristianismo.

Observe: Aqueles que se afastam da fé, se traspassam com muitas dores. Aqueles que se afastam de Deus, apenas acumulam dores para si mesmos.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora CPAD. pag. 702.

O motivo de seus ensinamentos (w. 5b-10). Esses falsos mestres imaginavam que a "piedade é fonte de lucro". Aqui (1 Tm 6:5), o termo "piedade" refere-se à "profissão da fé cristã" e não à vida autêntica de santidade pelo poder do Espírito. Usavam sua profissão religiosa como um meio de ganhar dinheiro. O que faziam não era um ministério real, mas apenas um negócio religioso.

Paulo sempre tinha o cuidado de não usar seu chamado e ministério como um meio de ganhar dinheiro. Chegou até a recusar o sustento da igreja de Corinto para que ninguém o acusasse de ganância (1 Co 9:15-19). Em momento algum usou sua pregação com "intuitos gananciosos" (1 Ts 2:5). Como é triste ver os charlatães religiosos de hoje se aproveitarem de pessoas ingênuas, prometendo-lhes ajuda enquanto tomam seu dinheiro.

A fim de advertir Timóteo - e de nos advertir - sobre os perigos da ganância, Paulo apresenta quatro fatos: A riqueza não traz contentamento (v. 6). O termo "contentamento" significa "uma suficiência interior que nos mantém em paz apesar das circunstâncias exteriores". Paulo usa a mesma palavra quando diz: "Porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4:11). O verdadeiro contentamento vem da piedade no coração, não do dinheiro na mão. A pessoa que depende de bens materiais para ter paz e segurança nunca ficará satisfeita, pois as coisas sempre acabam perdendo seu atrativo. São os ricos, não os pobres, que consultam os psiquiatras e que se mostram mais propensos a cometer suicídio.

A riqueza não é duradoura (v. 7). Gosto de traduzir esse versículo com as palavras de Jó: "Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele" (ver Jó 1:21). Quando uma pessoa morre e o espírito deixa o corpo, não pode levar coisa alguma consigo, pois ao vir ao mundo não trouxe coisa alguma. Todos os seus bens vão para o governo, para seus herdeiros ou, talvez, para organizações filantrópicas e para a igreja. A resposta à pergunta:

"quanto ele deixou?" é de conhecimento geral: tudo!

Nossas necessidades físicas podem ser supridas com facilidade (v. 8). O alimento e a "cobertura" (roupas e abrigo) são necessidades básicas; se as perdemos, ficamos desprovidos da capacidade de obter outras coisas. Um avarento sem comida pode morrer de fome contando seu dinheiro. Isso me lembra a história de um quacre que levava uma vida muito simples observando seu vizinho novo se mudar com todos os apetrechos e "brinquedos" que as "pessoas de sucesso" acumulam. Por fim, o quacre foi até a casa do vizinho e disse: - Senhor, se precisares de alguma coisa, avisa-me, e eu te direi como poderás viver sem ela.

Henry David Thoreau, naturalista do século XIX, dizia que a riqueza de um homem é diretamente proporcional ao número de coisas sem as quais ele é capaz de viver.

As crises que o mundo enfrenta na economia e energia provavelmente serão usadas por Deus para estimular as pessoas a simplificar seu modo de viver. Muita gente "sabe o preço de tudo, mas não sabe o valor de coisa alguma". Estamos tão saturados de luxos que nos esquecemos de como desfrutar as coisas mais essenciais.

O desejo de riqueza conduz ao pecado (w. 9, 10). A tradução exata é: "os que ficarão ricos" e descreve pessoas que precisam de cada vez mais coisas para ser felizes e se sentirem bem-sucedidas. Mas as riquezas são uma armadilha; conduzem à escravidão, não à liberdade. Em vez de saciar, as riquezas criam outras concupiscências (desejos) a serem satisfeitas. Paulo dá uma descrição vívida dos resultados: "muitas concupiscências insensatas e perniciosas [...] afogam os homens na ruína e perdição" (1 Tm 6:9). Vemos aqui a imagem de um homem se afogando! Ele confiava em suas riquezas e navegava tranquilamente pela vida, quando veio a tempestade e o afundou.

É perigoso usar a religião como fachada para obter riquezas. Por certo, o obreiro de Deus é digno de seu salário (1 Tm 5:1 7, 18), mas sua motivação para trabalhar não é o dinheiro. Se fosse, ele seria apenas um "mercenário", não um verdadeiro pastor (Jo 10:11-14). Não devemos perguntar: "Quanto vou ganhar com isso?", mas sim: "Quanto posso dar?"

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 305-306.

Atitudes Corretas dos Verdadeiros Mestres. 6:6-10.

  1. Grande fonte de lucro. Esta palavra parece ter o significado uniforme de "causa de ganho", "meio de vida", o que lhe dá um sentido melhor aqui. Paulo quer dizer: "A fé cristã com suficiência nesta vida é um grandioso meio de vida". Ele já disse (em 4:8, que é paralela e um bom comentário) que a piedade é proveitosa sob todos os aspectos, dando a promessa não apenas para esta vida mas também para a vida futura. É esta ênfase escatológica que Paulo pretende destacar no restante da epístola. Nos versículos 7, 8 o apóstolo mostra a loucura de se colocar as esperanças e os desejos neste mundo, que é temporário. É preciso contentar-se com o alimento e abrigo.

9,10. Nestes versículos ele desenvolve a ideia da loucura de se concentrar na acumulação de riqueza como um fim em si mesmo. A tradução de Hendriksen (op. cit.) parece a preferível: Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Nessa cobiça (referindo-se ao dinheiro) alguns se desviaram da fé. Amor ao dinheiro é idolatria (Cl. 3:5; Ef. 5:5; I Jo. 2:15) e afasta da verdadeira esperança o cristão.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular  Filipenses. pag. 31-32.

  1. “Não procuro dádivas”.

Paulo reitera aqui o seu desinteresse pelas coisas materiais, conforme se vê nos versículos onze a treze deste capítulo, pela primeira vez. Porém, apesar de declarar-se assim desinteressado, reconheceu que o que os crentes filipenses tinham feito era um a coisa boa, em favor de um seu irmão na fé; e ele pôde apreciar como tal a ação. E aqui declara que isso seria lançado no «crédito» deles, ou seja, receberiam a recompensa da parte do Senhor.

Haveriam de ganhar uma bênção por terem dado, sendo isso um resultado natural da lei da colheita de conformidade com a semeadura, conforme se aprende no trecho de Gál. 6:7,8, onde o leitor pode examinar as respectivas notas expositivas.

«...que eu procure...» No tempo presente, no original grego, a fim de assinalar um a ação habitual do apóstolo. Paulo não cobiçava o dinheiro de quem quer que fosse (ver Atos 20:33), mas labutava com as suas próprias mãos a fim de suprir as suas necessidades pessoais.

«...donativo...» No grego temos o vocábulo «doma», usado somente aqui e em Efé. 4:8, em todo o N.T. Paulo não procurava tal ·donativo, e nem qualquer outra forma de dádiva, mas estava antes interessado no «fruto espiritual», produzido pelas vidas de seus convertidos. Paulo reitera aqui o verbo «procurar», para dar maior força à sua asseveração. Ele não procurava uma coisa, mas procurava a outra (embora nossa versão, na segunda ocorrência desse verbo, traduza-o por «...o que realmente me interessa...»).

« ...fruto...» Essa palavra era frequentemente usada para indicar o «incremento» produzido pelo dinheiro aplicado. Portanto, Paulo continuava empregando a metáfora mercantil, iniciada no versículo décimo quinto deste capítulo. Os crentes filipenses poderiam estar certos de que tinham feito um excelente investimento, porquanto o Senhor da ceifa, que mantém o registro de todas as contas correntes, providenciaria para que não somente outras almas fossem trazidas aos pés de Cristo, através daquele donativo, mas também que os próprios doadores seriam enriquecidos, depois de terem tido suas almas salvas do julgamento, assim aumentando a glória de Cristo, que é o Salvador. O galardão da parte do Senhor está aqui em foco. (Ver o trecho de II Cor. 5:10 quanto a notas expositivas sobre o «tribunal de Cristo»; e ver I Cor. 3:8,14, onde também são discutidos os «galardões» que serão conferidos aos crentes). Os crentes filipenses seriam enriquecidos eternam ente em troca de um serviço temporal que haviam emprestado, feito mediante o impulso do Espírito Santo.

« ...aumente ...» No grego, «pleonadzo», que quer dizer «abundar», «tornar-se mais», «estar presente em abundância». O investimento dos filipenses produziria ·dividendos abundantes, enriquecendo-os espiritualmente.

A ênfase recai sobre a ideia de abundância. É como se Paulo estivesse dizendo: «Não quero o capital, e, sim, os juros; e isso para ser lançado em vossa conta, e não na minha». (Scott, in loc.). Por essa mesma razão é que o Senhor Jesus disse: «Mais bem-aventurado é dar que receber» (Atos 20:35). E essa é a maior das razões por que assim são as coisas, embora não se trate da única razão. Nenhuma dádiva, conferida com sinceridade de coração, poderá jamais perder-se. Deve trazer com isso suas recompensas. Ora, tudo isso serve de grande motivo para contribuirmos financeiramente para o trabalho do evangelho, particularmente para as missões no estrangeiro.

«...vosso crédito...» Tem continuação, com essas palavras, a metáfora mercantil. Os crentes filipenses são pintados como quem tem uma conta corrente com o Senhor; mas, tendo feito um donativo a Paulo, o Senhor assinalou o aumento correspondente ao crédito deles, nos livros de contabilidade dos céus. A recompensa ainda será futura, eterna; mas não há que duvidar que também alguma coisa lhes seria dada até mesmo nesta vida terrena, por haverem sido generosos para com alguém. Isso se dá com todos quantos se mostram generosos, sobre tudo com os ministros e missionários do evangelho. Os que assim agirem estarão aumentando o seu crédito, o seu investimento. Poderão fazer retiradas agora, desse crédito, mas, no «dia de Cristo», todas as contas serão acertadas. Paulo promete a Cristo um a grande vantagem nessa questão, por causa do serviço fiel que lhe tinham prestado; e isso é que realmente o interessava, por ser ele um bom pastor, interessado no bem-estar eterno de suas ovelhas.

O sentimento deste versículo pode ser comparado com o trecho de Pro. 19:17, que diz: «Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta, e este lhe paga o seu benefício».

Paulo ansiava por livrar-se da possibilidade de ser acusado de desejar receber sempre donativos, ao mesmo tempo que situava na sua respectiva apropriada a questão inteira das doações cristãs. Conforme comenta Adam Clarke (in loc.) ׳. «Não vos falo assim para incitar-vos a enviar-me mais donativos; mas falo acerca do tema em geral, porque quero que produzais tal fruto que seja lançado em vossa conta no dia do Senhor».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 68-69.

...maior interesse no bem espiritual dos crentes do que no dinheiro deles (4.17). A maior alegria de Paulo não era receber o donativo enviado pela igreja, mas saber que os dividendos espirituais da igreja aumentaram por conta da sua generosidade. Paulo manteve a tônica dessa carta: os interesses do outro vêm antes dos interesses do eu.

  1. F. Bruce corretamente afirma que o apóstolo enfatiza que sente gratidão não apenas porque eles lhe enviaram uma oferta, mas, também, porque esse enviar serviu de sinal da graça celestial na vida deles. Usando uma figura de linguagem, seria um depósito que efetuaram no banco celeste, que se multiplicaria a juros compostos, para benefício deles mesmos. O objetivo dos filipenses fora que sua generosidade tivesse Paulo como alvo, e isso, de fato, aconteceu; todavia, no âmbito espiritual, o lucro permanente pertence aos filipenses. Ralph Martin, na mesma linha de raciocínio, diz que esse versículo está cheio de termos comerciais, “...procure o donativo” talvez seja um termo técnico para a exigência de pagamento de juros. Já a palavra “fruto” é lucro ou juros. A expressão grega pleonazein, “que aumente”, é um termo bancário regular para crescimento financeiro; “vosso crédito” significa conta. Assim, a sentença toda é um jogo de palavras que procura exprimir a esperança de Paulo, num jargão comercial: “aguardo os juros que serão creditados em vossa conta”, de tal forma que Paulo, no último dia, estará satisfeito com os seus investimentos em Filipos.

Quando ofertamos, nos beneficiamos a nós mesmos na mesma medida em que socorremos os necessitados (2Co 9.10-15). Quem dá ao pobre, a Deus empresta. Quem semeia com abundância, com abundância também ceifará (2Co 9.7). O texto bíblico de Hebreus 6.10 diz: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos”. O doador enriquece as duas pessoas: a que recebe e a si próprio. Nessa mesma trilha de pensamento, William Hendriksen diz que o donativo era realmente um investimento que entrava como crédito na conta dos filipenses, um investimento que lhes acresce paulatinamente ricos dividendos.457 A Palavra de Deus é enfática em afirmar que um donativo feito de modo correto sempre enriquece o doador. “A alma generosa prosperará” (Pv 11.25). “Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta” (Pv 19.17). “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35). Hoje, muitos obreiros, pastores e missionários estão atrás do dinheiro do povo, e não interessados na alma do povo (2Co 12.14-18). São obreiros fraudulentos e ganancioso.

que usam toda sorte de esperteza para explorar o povo, em vez de apascentar o povo. São pastores de si mesmos, e não do rebanho de Deus. São exploradores das ovelhas, e não pastores das ovelhas. São mercenários, e não missionários.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 250-252.

4.17 fruto. A palavra grega pode ser traduzida por "lucro". aumente o vosso crédito. Os filipenses estavam, de fato, armazenando para si mesmos tesouros no céu (Mt 6.20). As ofertas que eles deram para Paulo estavam acumulando dividendos para crédito espiritual deles (Pv 11.24-25; 19.17; Lc 6.38; 2Co 9.6).

MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 1624.

13.15,16 — Embora os sacrifícios do Antigo Testamento houvessem se tornado, com Cristo, obsoletos (Hb 8.13), os crentes poderiam e deveriam oferecer a Deus sacrifícios espirituais, entre os quais seu louvor, seus bens, sua vida (Rm 12.1,2).

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 667. 

III - A OBLAÇÃO DE AMOR E SAUDAÇÕES FINAIS (4.18-23)

  1. A oblação no Antigo Testamento.
  2. O sentido da palavra oblação (w. 17,18)

Explicando a palavra “oblação” de modo mais explícito, já sabemos que se trata de uma palavra típica da linguagem litúrgica da vida religiosa dos judeus. Vários tipos de ofertas faziam parte do sistema sacrificial do Antigo Testamento. Essa palavra está contida No contexto da expressão “cheiro de suavidade e sacrifício agradável” (v. 18). O sentido da palavra é “dádiva, oferta” que se oferecia nos atos de entrega a Deus, conforme dissemos acima, “ofertas de consagração”. Portanto, entre todos os tipos de ofertas do sistema sacrifical, a “oblação” é a oferta de algo comestível (“de cereais ou de animais”), fruto da gratidão pelas provisões materiais da parte de Deus ao seu povo. Essas ofertas não eram queimadas, mas podiam ser comidas.

  1. A oblação dos filipenses na mente de Paulo (v. 18)

Paulo usa expressões do culto a Deus e diz que a oferta dos filipenses era “cheiro suave, como sacrifício agradável a Deus”. A frase “cheiro suave” encontramos repetidamente no Antigo Testamento, a começar pelo sacrifício de Noé depois que a arca pousou num dos montes Ararat (Gn 8.20,21). O texto de Gênesis diz que “o Senhor cheirou o suave cheiro” do sacrifício que Noé lhe ofereceu. Na mente de Paulo, a dádiva dos filipenses exalava um aroma suave, como um sacrifício aceitável e aprazível a Deus (Ex 29.18; Gn 4.4). Ele entendia, como uma prática de justiça e misericórdia, como sendo um sacrifício agradável ao Senhor. No Novo Testamento, Cristo é sacrifício pelos pecados do mundo e é “oblação de cheiro suave” como oferta a Deus (Ef 5.2). A atitude dos filipenses era vista por Paulo como se fosse uma oferta de manjares oferecida a Deus que exalava um “cheiro suave” diante do Senhor.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 155-156.

OBLAÇÃO Uma oferta voluntária a Deus. A palavra é frequentemente encontrada na versão KJV em inglês, tanto em Levítico quanto nos profetas maiores. Ela é usada para traduzir três palavras hebraicas: minha, a palavra geral para oferta; Fruma, que é frequentemente traduzida como "ofertas movidas"; e qorban, usada em relação a uma oferta de manjares. Os termos hebraicos incluem ofertas de todos os tipos, desde a oferta pacífica até utensílios de ouro e prata ou mesmo uma terra dedicada ao Senhor (Ez 48.12). Em Números 31.50, existe uma nota distinta de propiciação, mas sua ênfase usual é um reconhecimento geral da elevada honra e bondade de Deus. As vezes, a oblação pode expressar uma consciência no ofertante de que ele pertence a Deus. Desde que o Senhor Jesus Cristo fez sua oferta única e suficiente, o crente passou a ter a obrigação de ofertar seu próprio corpo (um "sacrifício vivo", Rm 12.1), como um "sacrifício de louvor" (Hb 13.15). Cada crente tem o dever de oferecer o melhor de si, seus dons, para a obra do Senhor (Fp 4.18).

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1384.

SACRIFÍCIOS

Termos e Procedimentos

Os termos hebraicos básicos do AT para a oferta sacrificial são: (1) minha, "presentes" (2 Cr 32.23; Jz 6.18), "oferta" (Gn 4.3-5; Nm 5.15-26), "oblação ou oferta de manjares" (1 Rs 18.29,36), presente oferecido à divindade; (2) qorban, "oferta" (Lv 1.2 etc), aquilo que é trazido para perto (cf. Mc 7.11; veja Corbã); (3) zebah, "sacrifício" (Gn 31.54; Êx 10.25; 12.27; 23.18 etc), animal morto (de zabah, "matar para o sacrifício"), cujos restos podiam ser ingeridos pelo ofertante como um ato de comunhão com seu deus (Dt 12;27), chamado de sacrifício como oferta pacífica (Lv 3); (4) 'ola, "holocausto" ou "oferta queimada" (Gn 8.20; 22.2-13) que se eleva como agradável aroma, oferta queimada ao Senhor (veja Êx 29.25), que é reduzida a cinzas (Lv 6.10) a fim de torná-la uma oferta irrevogável e lhe dar uma forma espiritual ao elevar-se do altar como fumaça em direção a Deus; (5) 'asham "oferta pela culpa ou expiação" (Lv 5.6), "oferta pelo pecado", sacrifício de sangue realizado para a expiação dos pecados, que são infrações da fé contra Deus e o homem, e resultam em uma culpa tão grande que exige a pena de morte, usada como uma referência ao sacrifício vicário de Cristo (Is 53.10); (6) hatta't, "sacrifício pelo pecado" (Êx 29.14,36; Lv 4), um sacrifício de sangue feito para expiar pecados involuntários. Em hebraico, os dois primeiros termos estão combinados (qorban minha) para dar a ideia de uma oblação ou oferta de manjares (cereais; Lv 2). Essa oferta geralmente assumia a forma de bolos asmos perfurados (hallot) feitos de fina farinha misturada com azeite e temperada com sal (Veja Alimentos: Bolo), ou de panquecas delgadas (fqiqim) cobertas com azeite. Também podia consistir de grãos recentemente colhidos, torrados e cobertos com azeite e incenso, e queimados no altar. A oferta de manjares era sempre acompanhada por uma oferta líquida ou libação de vinho (Êx 29.40,41; Lv 23.13,18; Nm 15.4-10; 28.1-31). Um termo mais geral é 'isheh, "oferta no fogo", uma oferta consumida pelo fogo que incluía o sacrifício de animais (Êx 29.18) e de bolos assados (Lv 2.11; 24.7). A n'daba, "oferta voluntária", era oferecida como expressão de devoção, além de ser completamente voluntária, como seu próprio nome determina (Lv 22.18-23); como tal, o animal podia ser grande ou pequeno (v. 23). A oferta votiva (neder) era uma espécie de oferta pacífica (Lv 7.15,16) apresentada por quem estava fazendo o voto, ou quando o voto era feito (Nm 15.3; Jo 1.16). O termo zebah hattoda era o "sacrifício de louvores" ou a "oferta de ação de graças" (Lv 7.12,13; SI 50.14,23; 107.22; 116.17; Jr 17.26; Am 4.5), e uma outra forma de oferta de paz que muitas vezes tornava-se parte de uma refeição de comunhão ingerida pelo adorador. Veja também Primícias; Dízimos. No NT, a palavra grega mais comum para "sacrifício" é thysia (Mt 9.13; Rm 12.1; Ef 5.2; Hb 7.27 etc), e vem de thyo, "sacrificar" (At 14.13,18; 1 Co 5.7), "abater" (Mt 22.4; cf. Lc

15.23,27,30), "matar" (Jo 10.10). Com referência ao sacrifício de Cristo como o Cordeiro de Deus, sphage foi a palavra usada para "assassinato" (matadouro; Atos 8.32, citando Is 53.7). Um termo mais genérico para "oferta" é prosphora (At 21.26; Rm 15.16; Ef 5.2; Hb 10.5,8,10,14,18) significando aquele que é levado à frente. O termo doron, "dons" é usado na epístola aos Hebreus como um termo paralelo a "sacrifícios" (Hb 5.1; 8.3,4; 9.9). De acordo com Levítico 1 e 3, o ofertante, em primeiro lugar, "oferecia" ou "trazia" (hiqrib, 1.3) seu animal no sentido de fazer com que ele se aproximasse (1.2, o mesmo verbo hebraico) trazendo-o para o lado norte (1.11) do átrio do Tabernáculo ou Templo. Em seguida, ele estendia (samak) sua mão sobre a cabeça do animal, evidentemente para identificar-se com a oferta que iria substituí-lo. Não se pode afirmar com certeza que esse ato também significava uma transferência de pecado ou culpa. A vítima era "morta" ou assassinada {shahat) pelo próprio adorador, exceto no caso dos sacrifícios nacionais (Lv 16.15; 2 Cr 29.24). O sacerdote recolhia o sangue em uma bacia e o espargia (zaraq), isto é, borrifava ou o lançava com as mãos (cf. o uso desse verbo em Ex 9.8) contra o altar. A parte que sobrava do sangue era derramada (shapak) na base do altar. Em seguida, o ofertante esfolava ou descarnava (hiphshit) o animal e o cortava (natah) em pedaços, isto é, dividia-o pelas juntas (Lv 1.6,12). Em todas as ocorrências, os rins, juntamente com sua gordura, o fígado, as entranhas e toda a cauda de um novilho/bezerro (Lv 1.8; 3.3,4,9,10; 4.8-10; cf. Gn 4.4; 1 Sm 2.16) eram apresentados ao Senhor (em toda oferta queimada não era necessário fazer distinções). O sacerdote "queimava" (hiqtir) e "oferecia em fumaça" tudo isso no altar. Na oferta queimada, todas as partes do animal, exceto a pele, eram igualmente queimadas no altar. Na oferta pelo pecado, depois que a gordura e os rins eram removidos, toda a carcaça, incluindo o couro, eram levados para fora do acampamento e queimados (sarap, 4.11,12). No caso das ofertas pacíficas, as partes restantes do animal abatido eram ingeridas pelos sacerdotes e pelos adoradores na refeição do sacrifício; essa refeição era considerada uma forma de comunhão com o Senhor (Dt 12.6,7; Êx 18.12; 24.5,11). Em Levítico 7.28-34, porções do sacrifício das ofertas pacíficas eram especialmente reservadas para o sacerdote e sua família, e eram chamadas de ofertas alçadas (tenupa) e ofertas movidas (teruma). Essa última correspondia ao peito do animal e era assim chamada porque era "movida", isto é, movia-se para frente e para trás em direção ao altar como símbolo da apresentação da oferta a Deus e a devolução, feita por Deus, ao sacerdote. Essa oferta foi reconhecida no termo ugarítico snpt que ocorre no texto de um ritual que obedece a uma relação de sacrifícios de paz - selem (BASOR #198 [1970], p. 42). A oferta alçada correspondia ao ombro ou coxa direitos (shoq), alguma coisa que era levantada ou que se elevava (do hebraico rum; veja o substantivo e o verbo em Números 15.20; 18.30,32) para o Senhor, e que era separada como uma "contribuição" para Ele (Lv 7.14,32,34) para uso dos sacerdotes (Nm 18.8-19). J. R.

A Origem dos Sacrifícios

Em relação à origem dos sacrifícios, existem duas opiniões: (1) que eles têm sua origem nos homens, e que Israel apenas reorganizou e adaptou os costumes de outras religiões, quando inaugurou seu sistema sacrificial; e (2) que os sacrifícios foram instituídos por Adão e seus descendentes em resposta a uma revelação de Deus. E possível que o primeiro ato sacrificial em Génesis tenha ocorrido quando Deus vestiu Adão e Eva com peles para cobrir sua nudez (Gn 3.21). O segundo sacrifício mencionado foi o de Caim, que veio com uma oferta do "fruto da terra", isto é, daquilo que havia produzido, expressando sua satisfação e orgulho. Entretanto, seu irmão Abel "trouxe dos primogénitos das suas ovelhas e da sua gordura" como forma de expressar a contrição de seu coração, o arrependimento e a necessidade da expiação de seus pecados (Gn 4.3,4). [Também é possível que a razão do sacrifício de Abel ter sido agradável a Deus, em contraste com sua rejeição ao sacrifício de Caim, tenha sido o fato de Abel ter trazido o que tinha de melhor ("primogénitos" e "sua gordura") enquanto Caim simplesmente obedeceu aos procedimentos estabelecidos - Ed.]

Em Romanos 1.21, Paulo refere-se à revelação e ao conhecimento inicial que os patriarcas tinham a respeito de Deus, e explica a apostasia e o pecado dos homens do seguinte modo: "Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças". Depois do Dilúvio, "edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa e ofereceu holocaustos sobre o altar" (Gn 8.20). Muito tempo antes de Moisés, os patriarcas Abrão (Gn 12.8; 13.18; 15.9-17; 22.2ss.), Isaque (Gn 26.25), e Jacó (Gn 33.20; 35.3) também ofereceram verdadeiros sacrifícios.

Um grande avanço na organização e na diferenciação dos sacrifícios ocorreu com a entrega da lei no Monte Sinai. Um estudo dos diferentes sacrifícios indicados revela seu desenvolvimento final, visando atender às necessidades do indivíduo e da comunidade.

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1722- 1723.

Sacrifícios do Mundo Antigo

É inútil isolar os sacrifícios hebraicos e suas formas de outros sistemas do mundo antigo, pois havia um tipo de semelhança e mesmice, sugerindo que ocorreram empréstimos e adaptações no sistema hebraico. Em outras palavras, nem toda a legislação do Antigo Testamento era exclusiva. No mundo mesopotâmico, as ideias dominantes eram a expiação e a provisão de alimentos para os deuses.

O deus, feliz com os sacrifícios oferecidos, consideraria "seus adoradores" com maior gentileza e acumularia benefícios para eles. Diziam-se que Marduque, o deus chefe dos babilônicos, criou os homens (chamados de "aqueles de cabeças negras") com o propósito específico de que o servissem com seus sacrifícios e rituais religiosos.

Seus templos o agradariam, pois ele estaria recebendo bastante atenção daqueles que os haviam construído. Os deuses ficavam felizes com a provisão de alimentos, que, de alguma forma misteriosa os agradava, especialmente os cheiros deliciosos produzidos que se propagavam pelo ar, chegando às narinas dos deuses. Cf. Gên, 8.21; Exo. 29.25; Lev, 1.9, 13, 17; Núm. 15.3.

Os deuses do antigo Sumer tinham seus próprios santuários e cidades dedicadas a seus cultos. Orações e ritos eram realizados e incenso era queimado. O sacrifício era sempre central. Como na cultura hebreia, ofertas de animais e vegetais faziam parte do sistema. Gêneros alimentícios eram colocados diante dos deuses e então retirados para serem comidos pelo rei e pela família real.

De alguma forma misteriosa, os deuses conseguiam saciar-se com esses rituais e então retribuíam aos homens, ajudando-os e livrando-os de perigos.

Os vizinhos de Israel não tinham regras sobre o uso apenas de certos animais domésticos "aprovados" para sacrifício. Sabemos que, no norte da Síria e na Anatólia, burros eram usados em ritos sacrificiais, Um livro hitita de rituais fala do sacrifícios de cães. Soldados no campo de batalha, na esperança de apaziguar os deuses e conseguir sua ajuda, não hesitavam em sacrificar animais silvestres, algo que um hebreu jamais faria.

Tabuletas ugaríticas e fenícias informam sobre sacrifícios que nos fazem lembrar do Antigo Testamento, no tocante tanto a sacrifícios animais como vegetais, e EI (o poder), um nome semita comum (também usado pelos hebreus) para representar Deus, figura com destaque no ritual. Os sacerdotes de Baal tinham terminologia e práticas similares às dos israelitas (ver I Reis capo 18; II Reis 10.18-27).

Os gregos eram um povo muito religioso desde os dias de Homero, até a época do Novo Testamento. Sacrifícios aparecem com destaque em toda a sua história (ver llíada, 1.11.446-476). Os sacrifícios envolviam animais, vegetais e a refeição sagrada da qual compartilhavam homens e deuses. Os sacrifícios eram oferecidos tanto às deidades do submundo como àquelas do augusto Olimpo. Além do uso do boi e do cordeiro, os gregos empregavam cães e outros animais "sujos", da perspectiva hebraica.

Sacrifícios no Antigo Testamento

Os sacrifícios específicos do sistema hebraico eram os que seguem:

  1. Oferta por pecados (Lev. capo 4). Do hebraico hattath , "ofensa". Os pecados de ignorância eram reparados através de sacrifício animal (Lev. 4.2). Pecados premeditados não tinham reparação (Lev. 15.30). O reparo adequado resultava no perdão do pecado cometido (Lev. 4.20,26, 31, 35; 5.10). O sangue e a gordura eram a porção de Yahweh. Os sacerdotes ficavam com os cortes de escolha, e o povo, com o que sobrava. Uma refeição sagrada, comunal, encerrava o rito. A gordura era queimada no altar e o sangue era espalhado pelos lados, na direção do altar, ou derramado na sua base. Pensava-se que a "vida" do animal estava em seu sangue (Lev. 17.11, 14). Portanto, Yahweh recebia a "vida" do animal, o que Lhe agradava, e por isso Ele perdoava o "dono" que havia trazido o animal para sacrifício: em outras palavras, era realizado um rito vicário. Os materiais usados para este tipo de sacrifício eram bois jovens, cabritos e cabras, ovelhas, rolas e pombas (para os pobres que não possuíam animais grandes, e para os ritos de purificação de mulheres). Ver Lev. capsa, 5, 6, 14,15 para descrições.

Ver ainda Núm. caps. 6, 8, 28.

  1. Ofertas por transgressões, para infrações específicas da Lei, do hebraico asham (falha). A reparação era o objeto desta oferta. Fornecia-se uma recompensa para um tipo específico de erro. A oferta pelo pecado era geral, enquanto a oferta por transgressões era específica, mas os objetivos eram os mesmos. Um cordeiro era o animal comum neste ritual (Lev. 4.14, 15; 6.6; 19.21). O animal usado para os leprosos e para os nazireus era o cordeiro.
  2. Ofertas queimadas, do hebraico olah, que se refere a "fumaça ascendente". Neste holocausto (ver), o animal inteiro era queimado até sobrar quase nada. Apenas a pele era guardada e dada ao sacerdote que estava realizando o ritual. A oferta era tanto reparatória como restauradora de uma comunhão e simbolizava o compromisso de um homem com Deus. Foi uma oferta de pacto especial que vinculou Israel a Yahweh, e essa era realizada todas as manhãs e nos finais de tarde, em todos os sábados e em certos dias festivos.

Ofertas queimadas especiais também estavam na ordem para a purificação de mulheres, para a limpeza de leprosos, para a promessa dos nazireus e para ofertas voluntárias. Os animais usados para este tipo de oferta eram bois jovens, cordeiros, cabritos, carneiros e, no caso dos pobres, rolas ou pombas, independentemente do sexo (Lev. 1.3, lO, 14).

  1. A oferta de paz, do hebraico skelamim, "sacrifício de paz". Havia três classificações para este tipo de oferta: a. a oferta de graças por alguma bênção recebida (ver Lev, 7.12, 22,29); b. uma oferta que correspondia a uma promessa específica (ver Núm. 6.14; 15.3; 17.16);c. uma oferta de boa vontade (ver Lev. 17.16; 22.18, 21). Gado (bois e vacas) podia ser usado para esses tipos de ofertas; até mesmo um animal defeituoso podia ser usado no caso de ofertas voluntárias (Lev. 22.23), pois esses sacrifícios iam além das exigências da Lei e, assim, poderiam representar um gasto menor para o adorador. Os sacrifícios eram sempre acompanhados por ofertas de cereais e derramamento de líquidos (Lev 7. 11) Aparentemente não eram utilizadas aves nesses rituais.
  2. Ofertas de cereais e de líquidos derramados. Do hebraico minhah, ou "oferta". Essas ofertas eram feitas em conjunção com os rituais de ofertas queimadas e de paz. Os bolos de cereais eram assados, num total de dez, exceto no caso em que os bolos preparados representavam todo o Israel, e então eram usados doze. Os bolos significavam alimento para Yahweh e para os sacerdotes e pessoas. Aplicações especiais das ofertas de cereais: a. a oferta diária do Sumo Sacerdote (Lcv. 6.14 ss.); b. parte do ritual da consagração dos sacerdotes (Lev. 6.20); C. substituição para uma oferta de pecado no caso de pobreza (Lev. 5.11, 12). O derramamento de vinho sempre acompanhava as ofertas de paz.
  3. As ofertas de levantamento e de acenos: levantamento (do hebraico terumah, "levantar"), referentes a como os sacerdotes levantavam e abaixavam o material das ofertas, isto é, as porções dos animais sacrificiais ou material vegetal (Êxo. 25.2 ss.; 35.24; 36.3; Lev. 7.14; Núm. 15.19 ss.; 18.19). Nessas ofertas, acenavam-se os materiais, do hebraico tenuphah, "ondear" (Lev. 2.2,9; 7.32; 10.15). Elas indicavam: "Veja, Yahweh, levanto ou aceno ante o Senhor tudo o que tenho c sou, entregando tudo ao Ti". Presentes eram oferecidos ao templo e ao seu ministério. Essas eram ofertas verdadeiras, em contraste com os sacrifícios. Ofertas de graças envolviam este tipo de ritual (Lev. 14.12; Núm. 6.20). Os sacerdotes eram consagrados por tais tipos de ofertas, numa demonstração de entrega completa a Yahweh.
  4. A oferta de cinzas da novilha vermelha. Este animal era reduzido a cinzas, que depois eram usadas em purificações (Núm. 19.1) e ofertas de pecados (Núm. 19.9, 17). O pecado causa a morte; as cinzas removem a causa e limpam o adorador. As pessoas purificavam-se de qualquer tipo de impureza através deste ritual. Os "impuros" ficavam, assim, "limpos", de acordo com a lei de Moisés. Ver Limpo e Imundo para detalhes sobre as coisas que deixavam o homem impuro.

Ocasiões (Momentos) para Ofertas

  1. Diariamente (Núm. 28.3-8), pela manhã e à tarde: dois cordeiros sacrificados em uma oferta queimada, acompanhados de uma oferta de cereal e do derramamento de líquidos.
  2. Aos sábados (Núm. 28.9, 10; Lev. 24.8): as ofertas diárias regulares mais dois cordeiros para uma oferta queimada; uma oferta de cereal com derramamento de líquidos e doze pães novos da proposição colocados nos lugares apropriados.
  3. Na lua nova (Núm. 28. 11-15): a oferta diária mais dois bois jovens, um carneiro, sete ovelhas para ofertas queimadas; uma oferta de cercai e o derramamento de líquidos.
  4. Na Festa das Trombetas (Núm. 29.1-6): os sacrifícios diários mais as ofertas de lua nova; sacrifícios de um boi jovem, um carneiro e sete cordeiros para uma oferta queimada; ofertas de cereais, mais derramamentos de líquidos.
  5. Na Páscoa (Êxo. 12.1 ss.): as oferta diárias, mais outra oferta de um cordeiro jovem cujo sangue era esparramado nos batentes e nos arcos das portas.
  6. Na Festa dos Pães Asmas (Núm. 28.17-24): as ofertas diárias mais o sacrifício de um cabrito (oferta por pecados); dois bois jovens, um carneiro e sete ovelhas jovens (oferta queimada), acompanhados por ofertas de cereal e de líquidos derramados. O programa todo era repetido por sete dias, com variações a cada dia.
  7. No Pentecoste (Núm. 28.27-31; Lev. 23.16-20): os sacrifícios diários mais a oferta de um cabrito para uma oferta de pecado; dois bois jovens, um carneiro, sete cordeiros para uma oferta queimada, acompanhados com ofertas de cereais e líquidos derramados, além de ofertas de aceno e de paz, com diversas variações durante o dia.
  8. No Dia da Expiação (Lev, 16.3; Núm. 29.7-11): as ofertas diárias mais um boi jovem para uma oferta de pecado; um cordeiro para uma oferta queimada, especialmente para os sacerdotes, dois cabritos para uma oferta de pecado, um carneiro para uma oferta queimada, especialmente para o povo, um boi jovem, um carneiro, sete cordeiros para uma oferta queimada, acompanhados por ofertas de cereais e líquidos derramados. 9. Na Festa dos Tabernáculos (Núm. 29. 13 ss.): ocasião campeã da complexidade, durava oito dias. Além dos sacrifícios diários regulares, incluía: primeiro dia – 13 bois jovens, dois carneiros, 14 cordeiros e 1 cabrito sacrificados; segundo dia - 12 bois, dois carneiros, 14 cordeiros e I cabrito; terceiro dia - Ii bois, 2 carneiros, 14 cordeiros e 1 cabrito; quarto dia - 10 bois, 2 carneiros, 14 carneiros e I cabrito; quinto dia - 9 bois, 2 carneiros, 14 cordeiros e I cabrito; sexto dia - 8 bois, 2 carneiros, 14 cordeiros e I cabrito; sétimo dia - 7 bois, dois cordeiros, 14 carneiros e I cabrito; oitavo dia - I boi, 1 carneiro, 7 cordeiros e I cabrito. Esse emaranhado de sacrifícios ainda era acompanhado por ofertas de cereais e derramamento de líquidos.

O sistema sacrificial dominou toda a história da fé religiosa hebraica, mas alguns dos profetas posteriores começaram a sentir que o sistema não satisfazia as necessidades mais profundas da espiritualidade humana.

A "rejeição" do sistema estava no ar. Ver Amós 5.21-27; Isa. 1.10-20; Sal. 51.16-17. Uma mudança total veio com o Messias, Jesus Cristo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 27-29.

Um sacrifício (v. 18). Para o apóstolo, a oferta também é um sacrifício espiritual colocado sobre o altar para a glória de Deus.

A vida cristã tem certos "sacrifícios espirituais" (ver 1 Pe 2:5). Devemos entregar o nosso corpo como sacrifício espiritual (Rm 12:1, 2) e também o louvor de nossos lábios (Hb 13:1 5). As boas obras são um sacrifício para o Senhor (Hb 13:16), como também o são as almas perdidas que temos o privilégio de ganhar para Cristo (Rm 15:16). Aqui, Paulo vê os cristãos filipenses como sacerdotes, entregando suas ofertas como sacrifícios ao Senhor. Lembrando das palavras de Malaquias 1:6-14, devemos apresentar ao Senhor o que temos de melhor.

No entanto, Paulo não considera essa oferta uma dádiva apenas dos filipenses. Para ele, é o suprimento divino de suas necessidades.

O apóstolo depositava sua confiança no Senhor. Há um contraste interessante entre Filipenses 4:18 e 19, e podemos parafrasear a declaração do apóstolo da seguinte maneira: "Vocês supriram a minha necessidade, e Deus suprirá a sua necessidade.

Vocês supriram uma das minhas necessidades, mas meu Deus proverá todas as suas necessidades. Vocês contribuíram apesar da sua pobreza, mas Deus suprirá suas necessidades usando das riquezas da glória dele!" Deus não prometeu suprir nossa ganância.

O filho de Deus que vive de acordo com a vontade de Deus, servindo para a glória de Deus, tem todas as necessidades supridas.

Hudson Taylor costumava dizer: "Quando a obra de Deus é realizada à maneira de Deus e para a glória de Deus, nunca falta a provisão de Deus".

Um jovem pastor assumiu o ministério em uma igreja acostumada a levantar os fundos necessários para as despesas anuais por meio de jantares, bazares e outros eventos do gênero. Deixou claro para o conselho da igreja que ele não concordava com esse procedimento.

- Vamos orar e pedir que Deus supra todas as necessidades - sugeriu. - No final do mês, paguem todas as contas e deixem meu salário por último. Se não houver dinheiro suficiente para me pagar, ficarei sem salário, mas a igreja não será prejudicada.

Creio, porém, que haverá o suficiente e que ninguém passará necessidade.

O conselho imaginou que seria o fim daquele pastor e da igreja. No entanto, todas as contas foram pagas todos os meses e, no final do ano, pela primeira vez em muito tempo, ainda havia dinheiro no caixa.

O contentamento é resultante de recursos adequados. Nossos recursos são a providência de Deus, o poder de Deus e as promessas de Deus. Esses recursos capacitaram Paulo para lidar com tudo o que a vida exigiu dele e podem fazer o mesmo por nós.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 129-130.

  1. A oblação e a generosidade dos filipenses.

A recompensa da generosidade dos filipenses (v. 19)

A igreja em Filipos não tinha muitos recursos financeiros. Por isso, a sua contribuição envolvia sacrifício e muito amor. Era uma igreja que dava, não do que sobrava, mas fazia além do que tinha e o fazia com um sentimento de amor ao Senhor Jesus. O apóstolo Paulo estava feliz pela generosidade dos filipenses e declara que aquela atitude de amor da parte deles lhes seria uma porta aberta para as suas vidas com todas as bênçãos e riquezas materiais e espirituais. Paulo lembra os filipenses de que a sua atitude magnânima para com ele era o fruto do verdadeiro doador de todas as coisas, que é o Senhor por quem somos abençoados e a quem fazemos todas as coisas por gratidão. “Ele suprirá todas as vossas necessidades” (v. 19). Sem dúvida, eles seriam amplamente recompensados pelo Senhor. Ao falar das “riquezas” de Deus, Paulo fortalecia a fé dos filipenses em um Deus que haveria de suprir todas as suas necessidades. De modo muito pessoal, o apóstolo usa a expressão “o meu Deus”, dando um sentido particular de quem tinha essa intimidade para garantir que Ele supriria todas as necessidades dos filipenses. Quando diz ”em glória”, subentende-se que Deus haveria de suprir as necessidades dos filipenses de maneira gloriosa. A palavra “suprir” significa “fazer transbordar”. Os filipenses deveriam continuar a ajudar a obra de Deus com desprendimento. As igrejas que investem na obra missionária são abundantemente abençoadas.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 156-157.

Epafrodito fora fiel em sua missão, evidentemente tendo adoecido ao longo do caminho, ou depois de sua chegada; mas mesmo assim conseguira cumpri-la. (Ver Fil. 2:25-30). No vigésimo quinto versículo do segundo capítulo desta epístola há notas expositivas a respeito de «Epafrodito».

«...Recebi tudo...» O grego original, «apecho», aqui usado, tem sido encontrado em vários papiros encontrados no Egito, em recibos, para indicar «pagamento total». Portanto, parece que aqui Paulo dá prosseguimento à sua metáfora mercantil. E como se ele houvesse escrito: «Vós me pagastes tudo quanto me devíeis». A substância real do donativo deles era a simpatia e o amor fraternal; e isso servia de oferta especialmente fragrante a Deus; porquanto aquele que dessa maneira serve a seus irmãos na fé, serve a Deus. Amamos a Deus por meio de outros homens, sendo essa a maneira pela qual todos os homens possam demonstrar amor a Deus.

Dessa forma, pois, Paulo assegurou-lhes que não buscava donativos da parte dos crentes filipenses, mas antes, a vantagem espiritual deles nessas dádivas; e reforçou essa ideia dizendo que eles tinham «pago tudo», não necessitando enviar mais qualquer donativo.

«...tenho abundância...» Novamente é usado o termo «perisseo», que quer dizer «ter em excesso», «extravasar», assinalando o fato que os crentes filipenses lhe tinham enviado uma oferta generosa, e não suficiente apenas para satisfazer algumas de suas necessidades. Aquele que sem eia em abundância, também colherá em abundância; e aquele que semeia com parcimônia, também colherá com parcimônia. (Ver II Cor. 9:6).

«...estou suprido...» No original grego é «pleroo», que significa «tornar cheio», na voz passiva, ou «ficar cheio». Não havia mais necessidade de lhe serem enviados donativos. Isso salienta, uma vez mais a abundância da oferta, servindo-nos de lição sobre como devemos contribuir p ara a causa cristã. Paulo também indicava, com essa palavra, a sua «satisfação íntima»; mas parece bem certo que ele se referia ao donativo dos crentes filipenses como abundante. Essa segunda palavra, pois, reitera e intensifica aquela anterior: «Recebi tudo, e tenho abundância...» «...aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus...» Trata-se de um á expressão comum no A .T., referindo-se aos sacrifícios aceitáveis aos olhos do Senhor Deus. O aroma das ofertas queimadas é aqui pintado como algo que ascende até aos céus, onde Deus se encontra; o Senhor sente tal aroma, fica agradado pelo que tem sido feito em sua honra. O incenso de aroma suave também era oferecido naquelas ocasiões, aumentando o odor agradável. Naturalmente, as culturas pagãs se utilizavam de práticas similares, pensando que os deuses sentiam, literalmente, o odor de seus sacrifícios, e ficavam satisfeitos. (Ver o uso dessa expressão nos trechos de Gên. 8:21; Lev. 1:9,13,17. Quanto a trechos do N.T. que falam sobre isso, ver II Cor. 2:15,16 e Efé. 5:2).

O donativo que os filipenses deram a Paulo fora um «sacrifício» para eles, porquanto tinham dado de sua pobreza, em um ato de autonegação, pois os seus corações haviam sido tangidos a isso pelo amor de Cristo. Dois incidentes bíblicos podem ser relembrados como ilustração desse tipo de sacrifício. Com perigo de perderem a própria vida, alguns dos homens de Davi foram-lhe buscar um pouco de água, quando ele se sentiu sedento; e essa água tornou-se tão preciosa para que fosse apenas bebida, que ele a derramou como libação a Deus. Essa água fora tirada dos mananciais de Belém, lugar onde o Salvador nasceria mil anos mais tarde. (Ver lI Sam. 23:16). Também temos a ilustração do oferecimento feito por Maria de Betânia, o caríssimo unguento, um a fragrância que encheu a casa inteira. (Ver João 12:3).

«....aceitável e aprazível...» Estas palavras podem ser comparadas com a linguagem de Rom. 12:2, que também falam de nosso sacrifício do próprio «eu» a Jesus Cristo, como algo «aceitável», «bom» e «perfeito». O primeiro dos adjetivos aqui empregado é «dektos», que significa «aceitável», «bem acolhido», «recebido favoravelmente». Trata-se da única ocorrência desse termo nos escritos paulinos, excetuando o trecho de II Cor. 6:2. No restante do N.T. é encontrado apenas em Luc. 4:24, onde se lê que um profeta não é «aceito» em sua própria terra; em Atos 10:35, onde se aprende que Deus acolhe homens de todas as nações, contanto que o temam e façam o que é justo a seus olhos. Em II Cor. 6:2 se lê sobre o «tempo aceitável» de se buscar a Deus.

O outro adjetivo que aqui aparece é «euarestos», palavra comum que significava «agradável», de uso frequente nas epístolas aos Romanos e aos Hebreus. (Ver Rom. 12:1, acerca de nossa dedicação a Cristo; ver Rom. 14:18, acerca daqueles que são «aprovados», por terem o cuidado de não ofender a algum irmão, os quais servem ao reino de Deus com retidão e paz, com alegria no Espírito Santo. Ver igualmente II Cor. 5:9. Nosso labor em prol de Cristo visa sermos «aceitos» por Cristo, tanto agora como quando do nosso julgamento. (Ver Efé. 5:10 e Heb. 13:21).

«...a Deus...», como um a oferenda apresentada ao Senhor, recebida e

aprovada por ele. Na passagem de I Ped. 2:5, os crentes são apresentados como «sacerdócio santo», que oferecem «...sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo». No dizer de Braune (in loc.)’. «Cada dádiva e ação de amor deveriam ser reputa dos como uma oferta de agradecimento a Deus; pois por isso é que se tornam aceitáveis e agradáveis a ele.»

«Ai da nossa indolência!—a qual transparece nisto, que enquanto Deus nos convida com tanta bondade, para a honra do sacerdócio, e até mesmo deposita sacrifícios em nossas mãos, não obstante, nós mesmos não nos sacrificamos a ele; e aquelas coisas que foram separadas como oblações sagradas, não apenas desviam os para usos profanos, mas também as desperdiçamos iniquam ente nas contaminações mais poluídas. Pois os altares, onde os sacrifícios dos nossos recursos deveriam ser apresentados, são deficientes e pobres servos de Cristo. Negligenciando essas coisas importantes, alguns de nós dilapidam os seus recursos em toda a forma de luxo, ao passo que outros nos prazeres dá mesa, outros ainda em vestes sem modéstia, e ainda outros em mansões suntuosas». (Calvino, in loc.).

« ...fazer o bem e compartilhar do que tem os com os outros, (são) sacrifícios com os quais Deus se agrada». (Ver Heb. 13:16).

« ...o meu Deus... » O próprio Deus é aquele que recompensará aos dadivosos; e bastaria isso para assegurar-nos um galardão abundante e justo, porquanto a recompensa devida jamais poderá ser olvidada ou negligenciada pelo Senhor. Paulo não podia recompensar pessoalmente aos crentes filipenses, mas o seu Senhor podia, pois Cristo é quem se torna o fiador de todas essas dívidas.

«...segundo a sua riqueza em glória...» Visto que o suprimento consiste das «riquezas divinas», certamente procedem de um tesouro «infinito». Os crentes filipenses deram de sua pobreza, como um sacrifício, e estavam limitados acerca de quando e quanto poderiam dar. Com Deus, entretanto, não há tais limitações. Se o apóstolo Paulo ficou repleto de bens materiais, através do donativo dos filipenses (ver o décimo oitavo versículo), então os filipenses poderiam esperar com um a esperança bem fundada, de que haveriam de prosperar extraordinariamente, por terem sido tão generosos com o seu dinheiro para a causa do evangelho.

«...em glória...» Essas palavras têm sido compreendidas de diversas maneiras:

  1. Alguns pensam que estaria em foco o mundo de cumprimento, ou seja, o Senhor supriria todas as necessidades dos crentes filipenses de maneira «gloriosa»; e assim a glória de Deus séria revelada mediante o suprimento abundante, porquanto, nesta explicação de Paulo, a glória é vinculada ao «suprimento».
  2. Outros compreendem a palavra «en» como instrumental, traduzindo a frase na forma «com glória». Em outras palavras, Deus daria glória aos crentes filipenses. E alguns intérpretes compreendem isso como um a alusão velada à «parousia» ou segundo advento de Cristo. Quando da vinda de Cristo, os doadores fiéis seriam galardoados com glória, recebendo glória, bênção e louvor da parte do Senhor. Conforme esta e as interpretações que se seguem, a palavra «glória» está vinculada a «riquezas». Por isso é que Lightfoot(in loc.) comentou: «(Isso Deus fará) pondo-vos na glória», isto é, naquele estado de glória que haverá quando da segunda vinda de Cristo.

Em bora Paulo visse esse retorno como bem próximo, a sua alusão, no presente versículo, ainda que vise especificamente a «parousia», deve incluir todo o período de tempo que se passe até chegar aquele evento. Assim, pois, até mesmo agora os doadores fiéis têm suas necessidades abundantemente supridas.

  1. Ainda outros compreendem que devemos pensar aqui em «riquezas na glória», como se o termo «glória» se referisse às glórias celestes, às glórias da habitação de Deus. Em consonância com o vasto tesouro dos céus é que Deus supriria todas as nossas necessidades. Os céus são aqui pintados como um vastíssimo depósito, de onde nossas pequenas necessidades, comparativamente falando, recebem o seu suprimento.
  2. Também há intérpretes que pensam estar em pauta a própria natureza gloriosa de Deus; mas, nesse caso, o suprimento não seria apenas financeiro, mas até mesmo a participação na natureza divina (ver II Ped. 1:4), o que serve de riquíssimo suprimento para a alma. Em outras palavras, o galardão divino estaria ligado à própria natureza gloriosa de Deus e à participação e manifestação dessa natureza, ficando assim supridas tanto as necessidades materiais como as necessidades espirituais.

É difícil sabermos qual dessas quatro possibilidades era a que estava na mente do apóstolo, pois nenhum a boa razão gramatical pode ser aduzida em favor desta ou daquela posição. Talvez, de alguma maneira geral, possamos ter aqui a combinação de todos esses significados. O suprimento de Deus é abundantemente rico e glorioso; mas tudo também procede de seu próprio ser glorioso, bem como dos tesouros celestes. Seja como for, essa é a verdade da questão, sem importar o que está especificamente em pauta, nesta passagem. Podemos comparar esta expressão com o que se lê em Rom. 8:21 e Efé. 1:18, isto é, «as riquezas da glória» (onde, no grego original, se vê o genitivo, e não o dativo). E nisso se deve ver um a alusão à «parousia» e ao reino messiânico, embora também esteja em m ira um suprimento p ara as necessidades presentes. (Ver igualmente a expressão «riquezas de sua graça», em Efé. 1:7).

«...em Cristo Jesus...» Se no original grego tivermos o locativo, então «Cristo» é a esfera da comunhão aqui aludida; mas, se tivermos ali o instrumental—no qual caso deveríamos traduzir «por Cristo Jesus»—, então se deveria pensar que essas bênçãos nos são dadas por intermédio dele, porquanto o temos como nosso Senhor. Alguns estudiosos veem nisso o fortalecimento do sentido escatológico da expressão anterior. Cristo é aqui assinalado como a base de todas as bênçãos celestiais, tal como temos em Efé. 1:3, além de várias outras referências do mesmo primeiro capítulo da epístola aos Efésios. Por estarem «em Cristo» (ou seja), em «comunhão mística» com ele, ver I Cor. 1:4,. é que os crentes recebem o suprimento abundante de todas as bênçãos, por intermédio dele.

Naturalmente, o presente versículo é motivo de profundo consolo para todos nós, mais ou menos semelhante àquele em que Davi declara: «Fui moço, e agora já sou velho, porém, jamais vi o justo desamparado, nem sua descendência a mendigar o pão» (Sal. 37:25). Porém, se por um lado é verdade que Deus cuida daqueles que pertencem a Cristo, notemos que o abundante suprimento prometido aqui é oferecido aos que contribuem generosamente para a causa das missões evangelizadoras. Como aplicação prática, podemos ter a certeza que essa promessa envolve igualmente aqueles que contribuem financeiramente para sustento do ministério cristão em qualquer lugar.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 69-70.

  1. Com toda probabilidade, a fraseologia comercial continua nas palavras: Mas tenho recebido pagamento pleno e estou amplamente suprido. Segundo a evidência fornecida pelos papiros, o termo apecho (avpe,cw) aqui empregado significa “Tenho recebido”. O sentido técnico é: “Este é meu recibo.” A. Deismann (Light from the Ancient East, quarta edição, pp. 111, 112, 331) também nos informa que em recibos apecho é freqüentemente (como também aqui em Fp 4.18) combinado com panta (pa,nta), significando tudo que era devido, pagamento total. De uma maneira mais ou menos bem-humorada, pois, o apóstolo está dizendo aqui: “Tenho recebido pagamento completo, e ainda mais” (ou, “e estou rico”, assim Erdman). Ele continua: Estou amplamente suprido, tendo recebido de Epafrodito as ofertas que (vieram) de vocês. Não temos nenhuma informação sobre o conteúdo daqueles donativos. Eis algumas possibilidades: dinheiro para cobrir despesas, material de leitura, roupas (cf. 2Tm 4.13 para os últimos dois itens, objetos que Paulo pediria em outra ocasião). Sobre Epafrodito, ver sobre Filipenses 2.25-30. O melhor que se pode dizer sobre esses donativos é o seguinte: São descritos como um aroma suave, como sacrifício aceitável e mui agradável a Deus.

Paulo não poderia ter tributado melhor louvor aos doadores. Os donativos são “aroma de suave perfume”, uma oferenda apresentada a Deus, grata e muito agradável a ele. São comparáveis à oferta de gratidão de Abel (Gn 4.4), de Noé (Gn 8.21), dos israelitas quando no estado de ânimo correto apresentavam seus holocaustos (Lv 1.9,13,17) e dos crentes em geral ao dedicar suas vidas a Deus (2Co 2.15,16), como fez Cristo, ainda que de uma maneira única (Ef 5.2). Se uma oferta é ou não realmente aceitável e agradável a Deus (cf. Rm 12.1), depende do motivo que move o ofertante ao trazê-la (Gn 4.1-15; Hb 11.4).

“Não o que damos, mas a intenção do coração; Pois a dádiva sem doador é vã ilusão.” (Lowel)

O apóstolo atribui aos doadores o mérito de um espírito reto, isto é, a atitude de fé, de amor, de gratidão. Ele reconhece que suas ações não eram meros atos de simpatia demonstrados a um amigo em necessidade, mas uma genuína oferenda apresentada a Deus para promover sua Causa, e assim a Paulo como representante de Deus. Esta é a razão por que a ação era tão grande e tão bela!

HENDRIKSENWilliam. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag. 597-598.

4.18 - Cheiro de suavidade. Paulo apreciou as dádivas que os filipenses lhe enviaram porque as vê mais como uma oferta a Deus do que um presente para ele. Ao doarem a Paulo, os cristãos de Filipos se ofereceram como sacrifício agradável ao Senhor (Rm 12.1,2).

4.19 - No versículo 18, Paulo disse que está cheio porque os filipenses lhe enviaram ofertas. Neste versículo, ele escreveu que Deus supriria todas as necessidades deles. Os filipenses, por sua vez, estariam cheios por causa das dádivas que o Senhor lhes daria. Segundo as suas riquezas, Deus cuidará dos filipenses de maneira extraordinária.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 536-537.

O apóstolo assegura que Deus aceitou a bondade feita a ele e que a recompensará. 1. Ele a aceitou “...como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus”. Não um sacrifício de expiação, porque ninguém faz expiação pelo pecado, senão Cristo; mas um sacrifício de reconhecimento e aprazível a Deus. Esse sacrifício foi mais agradável a Deus por ser o fruto da graça deles do que o foi a Paulo por ser o suprimento das suas necessidades, “...com tais sacrifícios, Deus se agrada” (Hb 13.16). 2. Ele a recompensará: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (v. 19). Ele saca um título do tesouro do céu e deixa que Deus retribua a bondade que tinham mostrado a ele. “Ele o fará, não somente como seu Deus, mas como meu Deus, que toma aquilo que foi feito a mim como se fosse feito a Ele mesmo. Vocês supriram minhas necessidades, de acordo com sua pobreza; e Ele suprirá a de vocês, de acordo com riquezas dele”. Mas esse ato ocorre por meio de Cristo Jesus; por meio dele temos a graça de fazer aquilo que é bom, e por meio dele devemos esperar a recompensa disso. Não como dívida, mas como graça; porque quanto mais fazemos para Deus mais estamos em dívida com Ele, porque tanto mais recebemos dele.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora CPAD. pag. 629-630.

  1. Doxologia.

Nos versículos 20 ao 23 temos uma doxologia que Paulo faz a Deus em gratidão por tudo quanto havia recebido em sua vida. Ele saúda a todos os santos em Cristo e encerra sua carta com a tradicional saudação: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos” (v. 23). A palavra “nosso” ganha um sentido especial, porque nesse contexto não se trata de um pronome possessivo, mas significa um pronome fraternal de relacionamento. Deus é “nosso Pai”, e por Jesus Cristo, seu Filho amado, somos filhos de Deus; por isso, a palavra “nosso” está em nossos corações. A Ele prestamos nosso louvor e glória que é eterna pelos “séculos dos séculos”.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 157.

DOXOLOGIA (do grego, doxologia, de doxa, "glória", e logia, "palavra"). Usada no grego eclesiástico para descrever fórmulas de expressão de louvor e glória à Trindade. Embora a palavra em si não ocorra na Bíblia, as expressões de louvor são frequentemente encontradas. Na adoração judaica, expressões como "para a tua glória, para sempre", acompanham orações hebraicas. Fórmulas semelhantes são encontradas no Novo Testamento e caracterizavam a adoração na igreja primitiva (cf. 1 Co 14.16). Mesmo exibindo uma considerável variedade de expressões, elas demonstram uma estrutura básica. Westcott (na obra Epistle to the Hebrews, pp. 466-467) menciona dezesseis doxologias no Novo Testamento (Rm 11.36; 16.27; Gl 1.5; Ef 3.21; Fp 4.20; 1 Tm 1.17; 6.16; 2 Tm 4.18; Hb 13.21; 1 Pe 4.11; 5.11; 2 Pe 3.18; Jd 25; Ap 1.6; 5.13; 7.12). Estas doxologias sao classificadas como os três grupos principais: aquelas que atribuem a glória somente a Deus, quer esta seja diretamente direcionada a Ele, ou lhe seja dada através do Senhor Jesus Cristo (Rm 16.27; Jd 25); e aquelas que atribuem a glória ao Senhor Jesus Cristo (2 Tm 4.18; 2 Pe 3.18; Ap 1.6). Somente três doxologias são encontradas no encerramento das epístolas (Rm 16.27; 2 Pe 3.18; Jd 25). Todas as doxologias, com apenas uma exceção (2 Pe 3.18, de acordo com os melhores manuscritos), terminam com o Amém característico. Alguns estudiosos incluem entre as doxologias os textos que começam com a expressão "Bem-aventurado". Na história posterior da igreja, o texto em Lucas 2.14, juntamente com outros, era chamado de "a grande doxologia" enquanto que o "Gloria Patri" (totalmente extrabíblico) era chamado de "a doxologia menor".

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 586.

DOXOLOGIA

Vem dos termos gregos dou, «louvor», «honra», «glória», e logos, «palavra», ou seja, algo dito que expressa louvor, atribuindo glória e honra a alguém, a alguma circunstância ou a algum estado.

  1. Algumas Doxologias Bíblica. Todos os cinco livros que compõem os Salmos. terminam em doxologias. O último salmo de cada série é uma doxologia. Ali o termo aparece por cinco vezes. Ver Sal. 41:13; 72:18 ss; 89:52; 106:48; 150:1-6. EmLucas 2:14 há o registro de uma doxologia entoadapelos anjos, em celebração ao nascimento de Jesus. O Domingo de Ramos incluía uma doxol9Kia por parte da multidão (Luc. 19:37). A oração do Pai Nosso termina com uma linda doxologia: c... pois teu é o reino, o poder e a gl6ria para sempre. Amém». No entanto, essas palavras não aparecem nos manuscritos gregos mais antigos. Era, contudo, uma doxologia comum nos tempos pré-cristãos, tendo aparecido pela primeira vez em I Cro. 29:11, e então foi usada tanto pelos judeus quanto pelos cristãos. Nos escritos de Paulo há várias doxologias. Ver Rom. 11:36; 16:27; Efê. 3:21; I Tim. 1:17. Judas tem a mais longa e abrangente de todas as doxologias do Novo Testamento, os versículos 24 e 25 de sua epistola: «Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém».

Uma outra notável doxologia é a de Hebreus 13:20,21, onde se lê: -Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém».

No Apocalipse também encontramos doxologias celestiais. Ver Apo. 5:13 e 19:1.

  1. Usos das Doxologias, Uma doxologia, antes de tudo, é uma entusiástica e emocional declaração de agradecimentos a Deus, com base em certo senso de admiração, em face de sua pessoa e de suas obras. Quando lemos as doxologias, também aprendemos que as mesmas contêm matéria). didático. Na liturgia cristã (ver o terceiro ponto, abaixo), as doxologias são usadas como porções do culto em ocasiões especiais a fim de enfatizar a necessidade de exaltarmos a Deus, ou como porções divis6rias da liturgia, pondo fim a um pensamento para introduzir algum outro. As doxologias também são usadas por indivíduos particulares.
  2. Na Liturgia Cristã. a. A Doxologia Menor. Essa pode envolver uma única sentença, como: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espirito Santo, para todo o sempre. Amém». Mais tarde, foram acrescentadas as palavras:

Como no principio, agora e para sempre». O quarto concilio de Toledo adicionou a palavra «honras», pelo que a doxologia passou a ser : «Glória e honra ao Pai... » Isso foi tomado por empréstimo do salmo de ação de graças de Davi, em I Crê, 16:27. Não há certeza, porém, acerca de quando isso foi inserido.

Alguns supõem que a inserção data de antes do concilio de Nicéia. Seja como for, tornou-se comum, e apareceu no segundo concilio de Vaison (529 D.C.).

b, A Doxologia Maior ou hino angelical, o Gloria in Excelsis, utilizando-se das palavras da doxologia que houve por ocasião do nascimento de Jesus (ver Luc. 2:14): c, Glória a Deus nas maiores alturas», etc. Essa doxologia era usada principalmente no culto de comunhão, mas também nas devoções particulares climas. Na liturgia moçarâbica, essa doxologia é citada antes das lições sobre o dia de Natal.

Crisóstomo informa-nos de que os ascetas que se retiravam da sociedade humana reuniam-se diariamente para entoar esse hino. Alguns supõem que essa doxologia surgiu na época de Luciano (começo do século 11 D.C.), mas não há certeza quanto à questão.

  1. O Trisagion era usado no século 11 D.C. Começava com as palavras: «Portanto, com os anjos e os arcanjos, e com toda a hoste celestial, louvamos e magnificamos o Teu glorioso nome».
  2. Uma doxologia comum protestante, entoada todos os domingos em muitas igrejas, é o hino do bispo Thomas Ken (anglicano), e que termina com as seguintes palavras:

«Louvado seja Deus, de quem fluem todas as bênçãos;

Louvai-O. todas as criaturas cá debaixo;

Louvai-O nas alturas, v6s, exércitos celestiais;

Louvai ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo».

Todas as doxologias acima são utilizadas por alguns segmentos da Igreja cristã atual, em várias adaptações e circunstâncias. Nas igrejas protestantes, tornou-se comum ouvir o uso de doxologias bíblicas como encerramento do culto de adoração.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag.229-230.

.....reconhece que o fim último da vida é a glória de Deus (4.20). Para Paulo, a doutrina nunca é uma matéria árida. Sempre que ocupa a sua mente, também enche o seu coração de louvor. Paulo é um homem  da vida uma doxologia constante. A sua teologia governa as suas atitudes. Ele prega o que vive e vive o que prega. A sua vida está centrada em Deus, e não nele mesmo. Não busca glória pessoal. Não constrói monumentos a si mesmo.

Não busca as luzes da ribalta nem procura os holofotes do sucesso. Vive com os pés na terra, mas com o coração no céu. Fecha as cortinas da sua vida proclamando a verdade central das Escrituras: a glória de Deus é o grande vetor da vida humana.

Paulo conclui essa carta magna da alegria, esse monumento formoso da providência divina, como um pastor que se lembra de cada uma das suas ovelhas (4.21) e invoca sobre elas a graça do Senhor Jesus (4.23). E, também, como um evangelista que dá relatórios dos milagres da pregação do evangelho, cujos frutos são vistos até mesmo na casa de César (4.22). Essa expressão não se refere necessariamente aos familiares ou parentes do imperador, mas a todas as pessoas que estavam a seu serviço nos departamentos domésticos e administrativos da casa imperial. Esses membros da casa de César eram pessoas convertidas, possivelmente, por intermédio do apóstolo durante a sua prisão em Roma.

Assim, Paulo transformou a sua prisão em um campo missionário, e os frutos apareceram mesmo entre algemas. Esse fato nos ensina que não é o lugar que faz a pessoa, mas é a pessoa que faz o lugar. Ensina-nos, outrossim, que no Reino de Deus não existe lata de lixo, ou seja, não há vida irrecuperável.

Há santos até mesmo na casa de César. Esse era um lugar de traições, opressão e violência. Muitos poderiam pensar que o evangelho jamais entraria nessa casa. Todavia, Paulo teve o privilégio de ganhar pessoas para Cristo ali, mesmo estando preso e algemado. Finalmente, nos ensina que as oportunidades estão ao nosso redor. Paulo poderia esperar a sua liberdade para depois continuar seu trabalho missionário. Entretanto, ele entendeu que a prisão também era um campo missionário. Ele aproveitou as oportunidades, e os frutos surgiram mesmo na cadeia.

William Hendriksen apresenta esta bendita verdade assim:

Ainda mais importante é o fato de que o cristianismo penetrara até mesmo nos círculos desses servidores palacianos. Sua posição no ambiente completamente pagão, onde muitos adoravam o imperador como se fosse deus, não os impedia de permanecer fiéis a seu único Senhor e Salvador, de anunciar as boas-novas a outros e de reanimar a igreja de Filipos com suas saudações. A eternidade revelará quão grandes bênçãos devem ter emanado das vidas daqueles que se dedicaram a Cristo no seio de ambientes tão mundanos!

Deus abre as portas, mas nós devemos entrar por elas.

Deus aponta o caminho, mas nós devemos seguir por ele.

Deus põe diante de nós oportunidades, mas nós devemos aproveitá-las.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 253-255.

4.20 - A prática judaica de terminar orações com a palavra amém foi adotada pela Igreja cristã.

Quando encontrado no final de uma frase, como acontece neste versículo, o termo pode ser traduzido como que assim seja ou que isso se cumpra. No início de uma sentença, significa sem dúvida, verdadeiramente ou em verdade.

4.21 - Irmãos. Paulo fez com que eles se lembrassem de que faziam parte da família do Senhor Jesus Cristo.

4.22 - Os que são da casa de César. E possível que estes cristãos tenham sido oficiais no governo romano (como membros da guarda pretoriana; Fp 1.13) ou servos que viveram e serviram no palácio do imperador.

4.23 - Assim como começou, a carta também termina com uma bênção graciosa. E uma prática própria da vida cristã.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 537.

Saudações finais (4.20-23)

A glória por todas as coisas, em última análise, pertence a Deus “pelos séculos dos séculos”. Finalizando, Paulo envia saudações pessoais a todos os santos em Filipos. Também seus companheiros e missionários, seus colegas, bem como os santos em Roma, alguns dos quais pertencendo ao círculo íntimo do próprio imperador, igualmente os saudavam - não os conheciam de vista, mas pertenciam à mesma família de Deus (vv. 21,22).sso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos. Amém” (v. 23).(FONTE ESTUDAALICAO.BLOGSPOT.COM

FONTE WWW.MAURICIOBERWALD.COMUNIDADES.NET