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PROPÓSITO DOS DONS DO ESPIRITO SANTO (3)
PROPÓSITO DOS DONS DO ESPIRITO SANTO (3)

 

           PROPÓSITO DOS DONS DO ESPIRITO SANTO (3)

 

Falar em línguas pode não ajudar os incrédulos (14.23-25). Agora Paulo apresenta um caso hipotético para os coríntios. O que acontecerá se toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem línguas estranhas (23). Como esse dom era desejável, conforme indicavam os coríntios, toda a igreja tinha o direito, e até a obrigação, de buscá-lo. Mas o que aconteceria se os incrédulos viessem a essa igreja, onde todos estivessem falando em línguas de forma desordenada? Não dirão, porventura, que estais loucos? Paulo não estava preocupado com as pesquisas de popularidade eclesiástica. Nem estava ajustando a mensagem do evangelho para conformá-la ao molde da opinião pública. O apóstolo entendia que a tarefa da igreja era atrair os incrédulos e conquistá-los para Cristo. Ele estava alarmado com o fato de que, ao invés de ajudar a converter os pecadores, o ato de falar em línguas de forma desordenada poderia despertar somente o escárnio e o desprezo dos descrentes.

Donald S. Metz. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 8. pag. 352.

Agora Paulo introduz uma passagem da Escritura, para dar aos coríntios a correta compreensão do dom de línguas: Está escrito na lei, no livro das Escrituras do Antigo Testamento: Falarei a este povo por meio de homens que falam uma língua estranha e em lábios de estrangeiros, e mesmo assim não hão de escutar-me, não me darão ouvidos atentos, diz o Senhor, Is. 28. 11, 12. Na passagem original “os israelitas embriagados estão debochando em seus cálices o ensino do Senhor por meio de Seus profetas, como se isto se prestasse só a uma escola de crianças; por isso, em ira os ameaça afirmando dar-lhes Suas admoestações por meio dos lábios de conquistadores estrangeiros.” Paulo cita a passagem para mostrar que o falar em línguas pode operar prejuízo na igreja: Por isso as línguas estranhas são um sinal, ou servem de sinal, não aos que creem, mas aos que não creem; por este dom Deus manifestou Sua presença, não tanto por causa dos membros da congregação como por causa daqueles que ainda eram descrentes. Quando Deus fala numa maneira não inteligível, então Ele se manifesta “não como aquele que revela Seus pensamentos aos fiéis, mas como aquele que se oculta diante daqueles que não querem crer.” Assim, por meio deste fenômeno, os obstinados descrentes, tendo rejeitado a pregação clara e inconfundível da cruz, conforme sua própria opinião, se acham confirmados, e mesmo justificados. Poro outro, o dom da profecia não é papa os descrentes, mas para os cristãos. Não somente acontece que a correta exposição do evangelho da salvação opera a fé e a fortalece, mas também que serve como um sinal da misericórdia de Deus e transforma descrentes em cristãos. Desta forma Paulo desacredita o dom de línguas e desaprova seu uso nos cultos públicos, porque por meio de seu exercício não é alcançado o objetivo da edificação.

Agora o apóstolo mostra a impressão desastrosa que o exercício do dom de línguas necessariamente faz sobre as pessoas que de não possuem quaisquer conecção com a congregação: Sendo este o caso, se a congregação inteira está reunida num mesmo lugar e se todos estiverem falando em línguas, e entrarem pessoas não versadas e não familiarizadas com o que acontece, ou seja, que são gentias, acaso elas não dirão que sois loucos, que todos vos tendes afastado de vossos sentidos? Este quadro não é em nada exagero, mas muito bem pode ser imaginado nas circunstâncias que reinavam em Corinto, ou como aqueles que por esta possa ansiavam as poderiam ter tornado, a saber: Um culto regular, com ensino, louvor e oração, e todos os cristãos ativamente envolvidos em línguas estranhas na oração e no louvor, então entram gentios, ou descrentes, que ainda não estavam versados com a situação, - o que, nesta situação, foi mais natural do que a suposição de que estas pessoas todas estavam falando sob os efeitos da demência? Pois aos visitantes era algo próprio esperar uma exposição clara de alguma doutrina cristã, e não tagarelar infindo, incoerente e heterogêneo. Nota: Este pensamento podia ser aplicado a muitas congregações de hoje, em que o culto da pregação se tornou um tagarelar infrutífero sobre tópicos mal amadurecidos, que só remotamente, caso o forem, estão ligados à doutrina das Escrituras.

Mas o efeito do dom da profecia é totalmente diferente: Mas se todos profetizam, e entra alguma pessoa descrente ou ignorante, esta por todos será persuadida, por todos julgada. O dom da profecia incluía uma explanação e exposição clara e inequívoca da Palavra de Deus na língua comum, seguida pela aplicação apropriada às circunstâncias reinantes. Por isso um visitante casual do culto, ou alguém que estava preso em incredulidade, podia ser persuadido pelo testemunho da Escritura Sagrada quando aplicadas ao seu caso, acontecendo que podia ser tornado cônscio de seu pecado e de sua incredulidade. E, incidentalmente, podia ser examinado pelas palavras de saber onisciente, sendo reveladas as coisas secretas, ou os pecados ocultos, de seu coração. E o resultado, evidentemente, podia ser que uma pessoa assim iria prostrar-se sobre seu rosto e adorar a Deus, admitindo publicamente que Deus estava em meio á congregação cristã. Nada é mais poderoso do que a viva Palavra de Deus, pela qual Ele examina os corações e as mentes, Hb. 4. 12, e discerne os pensamentos e as intenções do coração. Desta forma o dom da profecia resultaria não só no ganho de almas para Cristo, mas também no dar glória ao Senhor.

KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.

IIl - EDIFICAR TODO O CORPO DE CRISTO

  1. Os dons na igreja.

«...de quem...» Paulo emprega aqui uma metáfora fisiológica, tal como o faz em Col. 2:19. Na epístola aos Colossenses a metáfora por ele empregada salienta o fato que a criação inteira depende de Cristo como cabeça, unificador, restaurador e governador de tudo. Aqui, embora idêntica linguagem seja usada, a porção enfatizada é Cristo, como cabeça da igreja, a qual é o seu corpo. 6 do Cabeça que o corpo recebe suas energias e poderes vitais, como também a sua coesão. Entretanto, no corpo há também aquela coesão mútua e aquela participação nas energias vitais de uma união perfeita, a despeito do que essa participação vital de energias mútuas depende do Cabeça, já que ele é a origem da mesma e o seu unificador. Por conseguinte, há uma certa «interdependência»' no corpo, nenhum membro fica isolado, e nenhum membro possui a vida espiritual vital que se encontra no próprio corpo. E também há uma dependência mútua do corpo inteiro ao Cabeça, para que receba essa mesma energia de vida divina.

«...bem ajustado e consolidado...» Um corpo se caracteriza pela maravilhosa cooperação de muitos elementos, que são perfeitamente unidos um ao outro. É a essa admirável unidade de muitas porções que Paulo se refere, fazendo disso uma ilustração de como tal condição deveria prevalecer na igreja. São usados verbos no particípio presente a fim de salientar como essa unidade, tão intricada e perfeita em sua natureza e atuação, deve existir na forma de uma operação contínua. As ideias de «harmonia», de «adaptação», de< «solidariedade» e de «unidade na diversidade», são assim expressas. (Comparar com Col. 2:2,19).

Nomes, seitas e partidos caem:

Tu, ó Cristo, és tudo em todos!

Esses dois verbos têm sido variegadamente compreendidos, a saber:

  1. Alguns pensam que o primeiro indica «harmonia» e que o segundo indica «solidez».
  2. Outros pensam que o primeiro verbo indica «agregação», e que o segundo quer dizer «interadaptação».
  3. Mas essas duas expressões não precisam expressar qualquer coisa distintiva, ainda que ambos os verbos, na forma de expressões acumuladas, simplesmente falam da perfeita unidade e da harmonia do corpo, em todas as suas conexões e funções. Se Paulo tivesse realmente querido dar a entender a existência de alguma diferença sutil entre essas duas palavras, como se se estivesse referindo à unidade do corpo, ser-nos-ia impossível descobrir exatamente do que consiste tal diferença. Portanto, parece-nos melhor reputar esses dois verbos como maneiras diferentes de expressar a mesma unidade e de que se compartilha das mesmas energias vitais.

«...toda junta...» Quanto a estas palavras também têm havido diferenças de opinião, ou seja:

  1. A maioria dos intérpretes e das traduções pensa que o termo grego «aphe» significa «junta». Tal vocábulo era usado para significar «junta», «ligamento», «conexão».
  2. Mas alguns intérpretes pensam estar em foco o sentido geral de «conexão», de «contato»; e isso quer dizer que poderíamos traduzir por «mediante cada contato do suprimento». E isso sugeriria o modo como as forças vitais se dispersam por todo o corpo, como variedade interminável de «contatos». O «suprimento» se refere à vida que Cristo nos outorga, a nutrição do corpo, a formação da vida divina no homem. (Ver João 5:25,26 e 6:57).

O segundo desses sentidos concorda mais com aquilo que se sabe sobre a função do corpo, porquanto as juntas realmente não suprem e nem propagam a vitalidade do corpo. Mas não sabemos o quanto Paulo sabia acerca da função do corpo humano, e nem como exatamente ele se expressa aqui, mesmo que soubesse muito da fisiologia do corpo humano; portanto, é bem possível que ele tivesse feito alusão às «juntas». Uma vez mais é impossível determinarmos com qualquer exatidão a natureza dessa alusão; mas o sentido geral é perfeitamente claro. Existe uma vida, uma energia vital, que vem primeiramente do Cabeça, e que então se difunde por todo o corpo. Por essa razão, o corpo ê vivificado pela vida divina; pois a participação na mesma vida, que vem da mesma fonte originária, é motivo de uma união perfeita. Cada porção, pois, tanto é beneficiada como serve de canal mediante o qual a vida é passada para outras porções.

  • «... segundo ajusta cooperação de cada parte...» De acordo com a tradução inglesa RSV (aqui vertida para o português), isso quer dizer «...quando cada porção está operando apropriadamente...» Neste caso, «apropriadamente» é tradução do original grego «en metro», literalmente, «por medida»; e é bem provável que isso aluda às palavras «...segundo a proporção do dom de Cristo...», do sétimo versículo deste capítulo. Por conseguinte, cada «...parte...» (ou membro) tem um dom, ou seja, serve de entidade que dispersa a vida de Cristo no corpo, como agente de desenvolvimento espiritual. Portanto, cada crente, «de acordo com sua medida e capacidade» no corpo, torna-se um «contato» mediante o que a vitalidade do Espírito de Deus é dispersa por todo o corpo.

«...edificação de si mesmo em amor...» (Quanto a notas expositivas completas sobre a «edificação», ver Efé. 4:12). Cumpre-nos observar que todo esse processo de crescimento e nutrição, que produz a maturidade espiritual, se alicerça sobre o «amor», pois Paulo reiterava a ideia que mencionara no versículo anterior. (Ver as notas expositivas ali existentes, onde são dadas outras referências acerca da «importância do amor cristão»). Isso concorda com o que se lê em I Cor. 12-14. Os dons espirituais devem ser buscados, pois são necessários; mas só são úteis esses dons quando são administrados em «amor» (ver o décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios), pois essa virtude ê maior que todos os dons espirituais. Assim é que um dom espiritual administrado na igreja sem o concurso do amor, não será de grande utilidade na igreja. Boas obras, feitas sem o condimento do amor, não valem coisa alguma aos olhos de Deus. O amor é o elemento onde funcionam a unidade verdadeira e o benefício mútuo no corpo de Cristo. Sem amor, essa realização é simplesmente impossível. «...0 amor edifica...» (I Cor. 8:1). O amor «...é o vínculo da perfeição...» (Col. 3:14). Isso mostra-nos a suprema importância do amor, porque é mediante o amor que Cristo «habita em nossos corações»; e é nesse amor que chegamos a conhecer a pessoa de Cristo, mediante a iluminação do Espírito Santo. (Ver Efé. 3:17-19). O próprio vocábulo «amor» fala sobre «mutualidade», fala sobre «harmonia», «participação», «cuidado pelo próximo», sendo contrário às ideias do «egoísmo», da «cobiça», da «facção» e do «ódio».

Ao mencionar a harmonia e a participação na vida mútua que o amor cristão propicia, Paulo chega ao final da presente secção, reiterando a ideia de unidade, que inspirou esta passagem, a começar por Efé. 4:1, como é necessário nos suportarmos uns aos outros em amor, tendo em vista a preservação da unidade do Espírito no vínculo da paz. (Ver Efé. 4:3).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 605.

Para crescermos “...em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. Crescer em tudo em Cristo quer dizer estar mais arraigado nele. Em todas as coisas - no conhecimento, no amor, na fé e em todos os aspectos do novo homem. Devemos crescer rumo à maturidade, que é o oposto de continuar sendo meninos. Aqueles que crescem em Cristo são cristãos saudáveis. Quanto mais crescermos no conhecimento de Cristo, na fé nele, no amor a Ele e na dependência dele, tanto mais prosperaremos em graça. Ele é a cabeça, e nós devemos crescer de tal forma que estejamos em condições de honrar essa cabeça.

0 crescimento cristão sempre será para a glória de Cristo. (4) Devemos auxiliar uns aos outros, como membros do mesmo corpo (v. 16). Aqui o apóstolo faz uma comparação entre o corpo natural e o corpo místico de Cristo, esse corpo do qual Cristo é a cabeça. Paulo observa que do mesmo modo que há comunhão e comunicação mútua dos membros do corpo entre si, para o seu crescimento e melhoramento, assim deve haver amor e unidade mútua, junto com o fruto apropriado, entre os cristãos, para que ocorra o melhoramento e crescimento espiritual na graça, “...do qual, diz ele (isto é, de Cristo, seu cabeça, que transmite influência e alimento para cada membro específico), todo o corpo, bem ajustado e ligado (estando unidos firme e ordenadamente, cada um em seu devido lugar), pelo auxílio de todas as juntas (pelo auxílio que cada uma das partes, assim unidas, dá ao todo, ou pelo Espírito, fé, amor, sacramentos etc., que, semelhantemente às veias e artérias no corpo, servem para unir os cristãos a Cristo, seu cabeça, e uns aos outros como membros desse corpo), segundo a justa operação de cada parte (isto é, dizem alguns, de acordo com o poder que o Espírito Santo exerce para tornar os meios designados por Deus eficazes para esse grande fim, em relação à medida que Cristo julga ser suficiente e apropriada para cada membro, de acordo com seu respectivo lugar e ministério no corpo; ou, como outros pensam, segundo o poder de Cristo, que, como cabeça, influencia e aviva cada membro; ou, de acordo com o trabalho eficaz de cada membro em comunicar aos outros o que recebeu; assim o alimento é levado a todos na devida proporção e segundo o estado e exigência de cada parte) faz o aumento do corpo”, em conformidade com a necessidade do corpo. Observe: Cada cristão recebe seus dons e graças de Cristo para o benefício de todo o corpo. “...para sua edificação em amor”. Podemos entender isso de duas maneiras: uma maneira é que todos os membros da igreja podem alcançar uma medida de amor maior para com Cristo e uns para com os outros; a outra maneira é que eles são movidos a agir na forma mencionada do amor a Cristo e uns aos outros. Observe: O amor mútuo entre os cristãos é um grande aliado do crescimento espiritual; ao passo que “...um reino dividido contra si mesmo não pode subsistir” (veja Mc 3.24).

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 593.

Ef 4.16. É somente de Cristo, como Cabeça, que o corpo recebe toda sua capacidade para crescer e para desenvolver sua atividade, recebendo assim uma direção única para funcionar como entidade coordenada. Colossenses 2:19 é um texto paralelo bem próximo deste versículo, e ambos deveriam ser estudados em conjunto, embora não se encontre ali a palavra que é traduzida por bem ajustado. Essa palavra só aparece outra vez no Novo Testamento em Ef. 2:21. Deriva de uma palavra (harmos) que designa um tipo de junta ou amarração usada na construção de edifícios, ou para as juntas de articulação do corpo. O segundo particípio (sunbibazomenon) é empregado para a ação de reunir, ligar coisas ou pessoas, para reconciliar aqueles que tenham brigado e também para relacionar fatos ou argumentos num plano de aula ou programa de ensino. Assim, ambos os particípios têm o sentido daquela unidade funcional que se torna possível entre os membros, quando orientados pelo Cabeça. Mas depois desses particípios o grego já se torna difícil. A palavra traduzida junta (haphê) possui inúmeros significados. Denota basicamente “toque”, de sorte que pode significar “contato”, “ponto de contato” ou “pegas”, e estes sentidos levaram os comentadores a uma variedade de interpretações. O uso da palavra tanto no contexto quanto no âmbito restrito da medicina justifica a sua tradução por “junta”, e assim, afirma que é pelo auxilio de toda junta, com que o corpo é equipado, é que o crescimento e funcionamento verdadeiros se tornam possíveis. Em outras palavras, o corpo depende para seu crescimento e atividade: da direção do Senhor, de Sua provisão para tudo o que necessita (compare versículos 11, 12), e também do bom relacionamento entre os membros.

E agora estamos de volta com uma palavra que se tornou familiar nesta epístola (1,19 e 3:7), pois o apóstolo deixa de considerar os membros e a conexão entre eles para tratar da justa cooperação de todo o corpo. A “energização” de Deus no corpo todo torna possível este funcionamento de cada parte, em sua medida e de acordo com sua necessidade. Então menciona-se mais uma vez o propósito do crescimento, e está claro que cada membro não procura o seu próprio crescimento, mas o do corpo como um todo: não sua própria edificação, mas a edificação do todo. Basicamente, a edificação não é o aumento numérico da Igreja, mas o crescimento espiritual. E este crescimento é acima de tudo em amor. Esta pequena frase aparece novamente (1:4; 3:17; 4:2; 5:2), pois o amor determina que cada membro procurará a edificação de todos. Então, sem dúvida, se houver a comunhão da convivência em amor e a demonstração da verdade em amor, o aumento numérico virá como consequência natural.

Francis Foulkes. Efésios Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 103-104.

Ef 4.16 A partir do cabeça resulta, no encerramento dessas considerações sobre a unidade e o crescimento do corpo que Cristo presenteia com dons, o ensejo de ilustrar resumidamente a concomitância e o entrelaçamento desse organismo singular.

Viabilizado por esse cabeça e emanando dele “o corpo todo efetua… o crescimento do corpo para a edificação de si próprio no amor”. O corpo “todo”, até as menores ramificações, recebe de Cristo impulso e vigor para o crescimento, para a edificação. Como em Ef 2.20ss, aparecem também aqui lado a lado as figuras do corpo e da construção. Com o crescimento do corpo em direção do cabeça amplia-se também a construção, favorecendo a sua conclusão. A ligação vital com o cabeça, a única coisa que torna viável esse “efetuar”, exclui a possibilidade de que essa “edificação de si próprio” possa tratar-se de um agir autocrático da igreja. A igreja somente pode ser reconhecida a partir de seu cabeça, Cristo. Toda vez que ela perde isso de vista, o presente trecho visa estimular a retornar para o cabeça.

Todo o corpo é “bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta de apoio”. De maneira muito semelhante, Paulo diz, em Cl 2.19: “… o cabeça, a partir do qual o corpo todo é apoiado por articulações e tendões e mantido coeso e cresce pelo agir de Deus.”

Quando se entende o v. 16 como síntese de Ef 4.7-15, as “juntas de apoio”, que possuem uma função central para a coesão do corpo, serão relacionadas com as pessoas incumbidas das tarefas citadas no v. 11.

Também aqui é preciso chamar novamente atenção para o fato de que a tarefa de apoio daqueles especificamente incumbidos apenas é possível a partir de sua ligação vital com o cabeça, uma vez que não representam apenas “dons” para o corpo, mas que também receberam os “dons” pessoalmente de Cristo, de acordo com a vontade dele (Ef 4.7s).

Essa coesão é fomentada “segundo a força atribuída a cada parte”. A formulação “a cada” retoma o v. 7, motivo pelo qual igualmente não deve ser restrito aos que são especificamente encarregados, mas à totalidade dos que creem: a cada um foi concedida, de acordo com a medida do dom de Cristo, a graça com os dons dela decorrentes. De forma análoga o corpo é favorecido por todos os membros. Isso ocorre conforme a força medida para cada parte (cf. Ef 3.7 com vistas ao próprio Paulo).

Assim este versículo sintiza de fato todo o trecho precedente: partindo da unidade de Deus e de seu agir no corpo de Cristo, o olhar se estende para a multiplicidade dos dons distribuídos aos crentes. Na sequência, Paulo destaca as tarefas específicas dos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres no preparo dos santos, para que a igreja de Cristo possa alcançar a idade adulta e resistir a doutrinas ardilosas e enganosas. Por fim o apóstolo enfoca novamente a cooperação de todos na edificação do corpo. A característica marcante de toda a incumbência é que a edificação acontece “no amor” (v. 13). Isso sucede quando o conhecimento do amor de Cristo (Ef 3.19) cresce mais e mais e por isso também se fala a verdade em amor (Ef 4.15).

Eberhard Hahn. Comentário Esperança Efésios. Editora Evangélica Esperança.

  1. Os sábios arquitetos do Corpo de Cristo.

I Cor 13.9. Nosso conhecimento é parcial, até mesmo com a ajuda dos mais elevados dons da sabedoria e do conhecimento. Essa admissão é declaração, feitas pelo apóstolo, deveria ensinar-nos a sermos cautelosos quando cercamos a Deus com os nossos dogmas, como se, já sabendo tudo quanto tem importância, não precisássemos mais de fazer qualquer pesquisa honesta pela verdade. A tendência da religião «ortodoxa» é olvidar-se desse grande fato, apodando de heterodoxa qualquer opinião que não se adapte facilmente dentro dos limites dos dogmas já aceitos.

Da covardia que teme novas verdades,

Da preguiça que aceita meias-verdades,

Da arrogância que conhece toda a verdade,

Oh, Senhor, livra-nos. (Arthur Ford).

Os intelectuais de Corinto faziam uma ideia exagerada da grandiosidade de seu conhecimento. Foi mister que Paulo lhes lembrasse que, quando muito, o que sabiam era parcial; e ele nem ao menos aborda aqui o problema dos «erros» incorporados no sistema deles. Mui provavelmente isso é verdade porque ele via o conhecimento mais especificamente como aquilo que nos é dado mediante os dons da sabedoria e do conhecimento, ou seja, aquilo que seria ensinado como correto até onde vai, mas sem qualquer pronunciamento da verdade de Deus. De fato, tal pronunciamento é impossível para nós, no presente estado de mortalidade. Para nós o conhecimento se acha em estado de constante expansão, nunca chegando a um ponto final. Todos os campos do conhecimento, das ciências à teologia, estão sempre franqueados à modificação e revisão, à medida que nossos conceitos são expandidos e aprofundados. A doutrina do fluxo, postulada por Heráclito: «Não se pode pisar no mesmo rio por duas vezes», encerra uma verdade que se aplica à situação humana. E isso porque se o conhecimento de Deus é perfeito, o homem, contudo, devido ao seu estado mortal, nunca pode compartilhar plenamente desse conhecimento; e, assim, a sua participação está sempre em estado de fluxo.

O conhecimento e a profecia, pois, conforme os conhecemos e podemos conhecer, serão sempre indiretos, parciais e fragmentários; e disso participam os tipos exatos de descrição que a moderna epistemologia atribui a todo o conhecimento, incluindo o conhecimento científico. Existe uma realidade permanente e perfeita; porém, agora nos dirigimos nessa direção, e finalmente chegará o tempo quando o que é «perfeito» virá substituir o que é imperfeito, quando o incompleto cederá lugar ao que é completo. (Ver o décimo versículo deste capítulo).

Nessa conexão, podemo-nos lembrar da alegoria de Platão acerca da caverna. Platão imaginou homens no interior de uma caverna, sentados de costas para uma fogueira. Entre eles e a fogueira tinham sido postos vários objetos que havia na superfície da terra. Mas aqueles homens jamais tinham visto a superfície, e nem as imitações das coisas que aqui existam.

Tudo quanto conheciam era as sombras das imitações projetadas pela luz da fogueira, na outra extremidade da caverna. Naquela lamentável condição, eles imaginavam que aquelas sombras, as sombras projetadas pelas imagens, eram as próprias realidades da vida. O que aconteceria, indagou Platão, se um daqueles homens da caverna pudesse subir à superfície e contemplar a realidade; e em seguida voltasse a seus companheiros, contando-lhes o que vira? Os outros poderiam até matá-lo, porquanto ele se tornaria uma afronta para o «conhecimento» aceito entre eles. E assim também é e deve continuar sendo no caso de nosso atual conhecimento sobre as coisas divinas e mais elevadas. Esquecendo-nos disso, ficamos inchados em face de nosso conhecimento, criticando e perseguindo àqueles que têm idéias que não se adaptam bem ao nosso sistema. Alguns «crentes» têm chegado mesmo a matar a outros, por causa de diferenças de opinião, e muitos outros «assassinam» o caráter daqueles que deles diferem em suas ideias, ou excluem-nos, de alguma maneira, da comunhão da igreja.

Quando muito, no presente, vemos através de um espelho baço (ver o décimo segundo versículo deste capítulo), onde os reflexos (isto é, o conhecimento) são imperfeitos, e, algumas vezes, até mesmo ilusórios. «Muitos dos chamados hereges teriam sido salvos de perseguições impróprias do cristianismo, se essa imperfeição e caráter indireto do conhecimento cristão houvesse sido mais geralmente percebido e reconhecido. Com grande frequência os hereges têm sido apenas pioneiros quanto a grandes verdades. O próprio Jesus foi um herege aos olhos dos judeus ortodoxos de seu dia. Não havia qualquer necessidade de fazer assertivas dogmáticas sobre qualquer ponto de vista pessoal, na igreja de Corinto; mas havia toda a necessidade de um espírito de tolerância e fraternidade, capaz de perceber que a luz branca do conhecimento e da profecia se compõe de muitas cores, tornando-se ainda mais rica em face disso. E essa verdade continua de pé até hoje: ela convida aqueles que se chamam pelo nome de Cristo a praticarem tudo de mente aberta, percebendo que ainda há mais e mais luz que provém da Palavra de Deus».

(John Short, in loc.).

«O bispo Butler tem demonstrado que, neste mundo, o conhecimento completo ao menos de uma parte, é algo impossível; pois não podemos dispor disso enquanto não conhecermos sua plena relação para com o todo; e, a fim de fazer isso, precisamos ter conhecimento completo do todo, o que é impossível». (Robertson e Plummer, in loc.).

«Conhecimento e pregação são ambos incompletos; portanto, quando esta dispensação terminar, e a dispensação completa for inaugurada, então esses dons imperfeitos cessarão. Os dons espirituais são apenas os implementos da lavoura divina; as graças são as próprias sementes. Quando chegar o tempo da grande colheita, os instrumentos, ainda que úteis, serão inteiramente postos de lado; e as sementes, em face do próprio processo da morte, serão transformadas en. inflorescências e frutos, e, nessa forma aperfeiçoada, permanecerão para sempre». (Shore, in loc.).

Quando Newton surpreendeu o mundo científico, com novas e admiráveis descobertas, um poeta qualquer continuou salientando a parcialidade do nosso conhecimento, como segue:

Seres superiores, quando viram ultimamente,

Um homem mortal explicar as leis da natureza,

Admiraram-lhe a sabedoria em forma 'terrena'.

E mostraram a Newton como se mostra um macaco.

Contudo esse poeta, mesmo sem ter reconhecido a sua dívida, na realidade tomou de Platão essa ideia, por empréstimo, pois este outro escreveu: «O mais sábio dos mortais se assemelha apenas a um macaco segundo a estimativa de Deus».

O argumento usado por Paulo é que aquilo que é «parcial» e «imperfeito», em face dessas mesmas características, não pode ser permanente. O amor, por outro lado, sendo perfeito, é permanente. Um conhecimento mais elevado, um conhecimento perfeito, é possível; mas isso somente quando da inauguração do estado eterno.

I Cor 13.10. A imperfeição é temporária. A perfeição é permanente. Um conhecimento novo continuamente toma obsoleto o conhecimento anterior.

A profecia, similarmente, jamais poderá atingir qualquer alto pináculo de perfeição. Mesmo assim ela é útil em sua forma imperfeita, a despeito de sujeita à eliminação. O conhecimento e a profecia, embora imperfeitos e temporais, não podem ser desconsiderados; mas nossa esperança se eleva acima disso. A perfeição nos será conferida na forma da parousia ou segundo advento de Cristo, acontecimento ao qual Paulo faz alusão aqui; ou, pelo menos, isso representará para nós um notável salto para a frente, pois, ficando então libertos do corpo mortal, nossos espíritos se elevarão mais rapidamente na direção de sua origem—o Senhor Deus. Nessa elevação para Deus, no estado eterno que haverá nos lugares celestiais, é que os dons espirituais que conhecemos agora na terra, serão eliminados; mas isso somente para nos tornarmos capazes de contemplar diretamente as grandes realidades celestiais. Finalmente a perfeição nos envolverá completamente, visto que compartilharemos, de modo perfeito, tudo aquilo que Cristo é e tem, em sua natureza moral, em sua natureza metafísica (e, portanto, em sua herança perfeita), e também em sua herança. (Ver Rom. 8:17,29,30; Efé. 1:23; II Cor. 3:18 e II Ped. 1:4).

O que é «imperfeito» não desaparecerá enquanto não vier o que é perfeito.

E isso é um poderoso argumento em favor da possibilidade da continuação dos dons miraculosos (e não miraculosos), continuação essa que prosseguirá até à «parousia» ou segunda vinda de Jesus Cristo. Isso vai de encontro aos argumentos distorcidos de alguns, que pretendem eliminar os dons miraculosos, como se os mesmos .houvessem desaparecido quase imediatamente depois da era apostólica, os quais supõem encontrar base bíblica para essa opinião no fato que o oitavo versículo deste capít. diz que esses dons eventualmente «cessarão». Ê verdade que os dons espirituais cessarão; mas o tempo é definidamente determinado no presente versículo, isto é, no fim da presente era da graça, quando da segunda vinda de Cristo. Porém, enquanto não vier o que é perfeito, teremos necessidade dos dons espirituais «imperfeitos» visto que eles são muito, muito superiores a qualquer coisa meramente humana.

Não existe aqui, obviamente, nenhuma referência ao «cânon» das Escrituras do Novo Testamento, como a «perfeição» que esperamos. Esta interpretação é uma invenção do século XX para obter um texto de prova para ensinar que os dons, necessariamente, deveriam ter acabado ao fim da era apostólica. A «perfeição» do texto é adequadamente descrita: Nesta perfeição, «conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido», (vs. 12). Vs.8 mostra que não é só as línguas que cessarão. O nosso «conhecimento» (como agora existe, i.e. bastante parcial) também cessará. O «cânon» das Escrituras, claramente, não trouxe estas condições.

Paulo está antecipando a perfeição que a segunda vinda de Cristo trará. Os dons podem existir, então, até lá, mas isto não quer dizer que realmente existem. O movimento carismático dos nossos tempos não tem se recomendado como do Espírito Santo. Homens espirituais dos nossos dias possuem os dons de maneiras diferentes do que aquela do tempo do N.T.

Haverá uma grande transição de uma dispensação para outra, da era presente para o estado eterno, em razão do segundo advento de Cristo. Essa transição é pintada pelo apóstolo Paulo mediante aquilo que tem lugar entre a meninice e a idade adulta. A «meninice», neste caso, representa a era inteira da imperfeição, a nossa era presente. Não importa quão grandemente os dons sejam desenvolvidos, não importa quão elevada se torne a nossa sabedoria e o nosso conhecimento, e não importa quão eloqüentes se tornem a profecia e as línguas—em comparação com o que haverá eventualmente, tudo quanto obtivermos agora é apenas brinquedo de crianças, sentimentos infantis, pensamentos infantis, coisas próprias de meninos. Isso serve de poderosa ilustração instrutiva, sobre a estatura de nosso presente conhecimento. Portanto, aqueles que temem qualquer teologia especulativa, esquecem-se de que toda a teologia presente na realidade não se afasta muito dessa teologia especulativa, embora com bases em verdades divinas fixas e permanentes.

Paulo fez voluntariamente a admissão de imaturidade, algo que os altivos intelectuais da igreja de Corinto teriam grande dificuldade em fazer, e algo a que se negam a fazer muitos dos crentes de hoje em dia, os quais, bem pelo contrário, preferindo seguir o exemplo dos antigos coríntios, exaltam o seu próprio conhecimento e tratam-no como se fora algo completo e perfeito.

Esta vida, portanto, consiste em uma «infância espiritual», e a era vindoura, ou melhor, a eternidade, será a «idade adulta espiritual». Isso é muito encorajador, pelo progresso dos séculos, o que, para nós, indica um progresso de natureza espiritual, o abandono de todas as imperfeições, o aprendizado da perfeição.

«...falava como menino...» A expressão verbal de uma criança, aqui aludida, tem por finalidade apresentar o uso das «línguas», da «profecia» e do «ensino», porquanto são modos pelos quais expressamos o nosso conhecimento. Quão humilhante deve ter sido para os coríntios essa ilustração, visto que muito se ufanavam de sua eloquência, especialmente de suas declarações místicas, proferidas em estado de êxtase arrebatado, em línguas, e até mesmo nas línguas dos anjos, conforme pensavam (ver o primeiro versículo deste capítulo): No entanto, assim faziam porque eram infantes.

«...sentia como menino...» O original grego não se refere aqui às «emoções», conforme poderíamos compreender pela tradução. A palavra grega «phroneo» se refere antes à «maneira de pensar». Significa «formar opinião». Assim sendo, o que é indicado é «...pensava como menino...»

Também poderíamos traduzir a frase por «tinha atitudes de menino». É possível que Paulo agora esteja se referindo aos dons espirituais da sabedoria e do conhecimento. Nosso «entendimento», até mesmo em tais dons, é apenas parte integrante de nossa presente meninice; por conseguinte, não pode servir de desculpas para criar facções, adoração a «heróis» e a degradação dos irmãos menos dotados.

«...pensava como menino...» No grego temos o vocábulo «logidzomai», que significa «raciocinar», «considerar», «calcular». Estão aqui em foco os «poderes do raciocínio desenvolvido», graduação acima do simples processo do pensamento. Porém, até mesmo nesse estágio mais alto do pensamento, enquanto estivermos nesta era, seremos simples crianças. Paulo atacava a suposta «sabedoria» daqueles crentes de Corinto. Nem mesmo suas capacidades intelectuais mais bem desenvolvidas faziam deles mais do que crianças espirituais; pois nem mesmo o recebimento de dons espirituais, como o da sabedoria e do conhecimento, podem alterar isso.

«.. .quando cheguei a ser homem...» Paulo não quis dizer com isso que ele mesmo chegara à posição de «maturidade espiritual». Isso destruiria a analogia inteira. Somente quando a parousia tiver lugar (a segunda vinda de Cristo) é que um crente atingirá o estado de maturidade espiritual (que é exatamente o que é dito no versículo anterior, e que ilustra este versículo).

No sentido físico, porém, Paulo já chegara à idade adulta; e esse estado ele compara com a inauguração da perfeição, quando então será eliminado aquilo que é «imperfeito», isto é, os dons espirituais segundo eles são conhecidos por nós, levando-os a serem ultrapassados por uma elevada expressão espiritual de conhecimento e poder, nos lugares celestiais. (Ver Efé. 2:6).

Há certo desenvolvimento infantil, da criança, indicado aqui.

Primeiramente a criança balbucia, então pensa, então começa a raciocinar; no entanto, continua sendo uma criança o tempo todo. Outro tanto sucede no caso do exercício dos dons espirituais, conforme os conhecemos agora.

Um deles pode ser melhor um pouco do que o outro, mas todos fazem parte de nossa infância espiritual.

«Quantos pontos de vista estreitos, quantas noções indistintas das coisas, têm as crianças, em comparação com os adultos! E quão naturalmente os homens, quando a razão se lhes amadurece, desprezam e dispensam os seus pensamentos infantis, pondo-os de lado, rejeitando-os, considerando-os como nada! Assim é que pensaremos sobre nossos dons mais valiosos e aquisições neste mundo, quando chegarmos ao céu». (Matthew Henry, in loc.).

«...desisti...» No grego encontramos o termo «katargeo» (que aqui figurano aoristo, a fim de indicar uma ação ocorrida de uma vez para sempre).

Essa palavra significa abolir, enxugar, pôr de lado, dar fim, remover, fazer cessar. Está em foco o abandono completo de tudo quanto é «infantil», sua eliminação, ainda que, na qualidade de sementes, tudo isso venha a florescer no estado eterno, em formas fantasticamente mais elevadas do que aquelas que agora conhecemos e usamos; e isso significará a eliminação real das formas de dons espirituais conforme agora os conhecemos. A «infância», nas Escrituras, é sempre usada para falar sobre a imaturidade espiritual nesta vida, ao passo que a «idade adulta» indica a maturidade espiritual. (Ver Efé. 4:14; Rom. 2:20; I Cor. 3:1). Mas não é esse o sentido dessas palavras, no presente capítulo.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 210-211.

O amor é perfeito e completo (13.9-12). Na consumação final da história redentora, todas as imperfeições serão substituídas pelo perfeito - Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado (10). Nesse dia, todas as imperfeições desaparecerão e tudo que aqui parece obscuro e incompreensível se tomará claro.

1) A imperfeição do entendimento parcial (13.11). O atual conhecimento do homem, comparado ao que ele terá no céu, é igual ao conhecimento de uma criança em relação ao de um homem maduro. A palavra menino (nepios) quer dizer criança pequena, ou infante, embora sem nenhum limite específico de idade. Ela se refere ao primeiro período da existência antes da meninice ou da puberdade.

O verbo sentia (ephronoun) se refere aqui “ao primeiro e pouco desenvolvido exercício da mente infantil: a um pensamento que ainda não está ligado ao raciocínio”.74 O pensamento (logizomai) denota uma progressão para o entendimento, e de logizomai vem o significado de inferir as coisas ou relacionar conceitos. A ideia aqui é que quando Paulo amadureceu no amor cristão, ele abandonou as coisas infantis com deliberada decisão e finalidade.

2) A imperfeição da visão parcial (13.12). Paulo escreve: Porque, agora, vemos por espelho em enigma. Por causa da natureza dos espelhos da época de Paulo, seu reflexo era vago ou obscuro. O espelho dos gregos e romanos era um disco delgado de metal polido de um lado, sendo que o outro lado era liso ou continha algum desenho. Nessa época também eram feitos espelhos de vidro, mas não eram amplamente utilizados.

A palavra enigma (ainigmati) significa na verdade uma “adivinhação” e sugere um enigma ou uma obscura intimação. Portanto, da maneira como foi usada pelo apóstolo, a palavra significa de forma obscura, vaga, ou imperfeita. A expressão então, veremos face a face indica uma brilhante antecipação. Quando o homem estiver na presença de Deus sua visão será perfeita, e nada se colocará entre eles para obscurecer a presença de Deus.

O mesmo que acontece com a visão, acontecerá com o conhecimento. Paulo já havia afirmado que nosso conhecimento terreno é parcial (9), mesmo quando resulta de um dom especial. Contra esse conhecimento parcial o apóstolo coloca o perfeito conhecimento do redimido na presença de Deus. Os termos da versão TEV transmitem a seguinte ideia: “Agora, conheço em parte; mas, então, conhecerei de forma completa, assim como sou conhecido por Deus”.

3) A perfeição do amor (13.13). Fazendo um contraste com os dons temporários que tanto haviam ocupado a atenção dos coríntios, fica confirmada a permanência das três principais graças cristãs: Permanecem a fé, a esperança e a caridade. De acordo com Paulo a fé é essencial à salvação (Rm 3.28; G1 2.20). E impossível viver sem esperança. Quando a esperança morre o espírito morre. Mas, dessas três graças cristãs básicas - a maior é o amor.

Faris D. Whitesell intitula esta exposição do capítulo 13 como: “A Excelência do Amor Demonstra a Sua Excelência”.

1) O amor torna os dons da vida aproveitáveis, 1-3;

2) O amor transforma os relacionamentos da vida em algo maravilhoso, 4-7;

3) O amor faz com que as contribuições da vida se tornem eternas, 8-13 (da obra Sermon Outlines on Favorite Bible Chapters).

Donald S. Metz. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 8. pag. 347-348.

A primeira sentença é o tópico da última secção deste capítulo: O amor jamais acaba, ele dura mais que todos os dons, nunca se esgota sua existência; tal como o Deus eterno, ao qual deve sua existência, dura para sempre. O dom de profetizar, de inspiração da parte do Senhor, de predizer os acontecimentos futuros e de explicar a Palavra de Deus ligado a isto, chegarão à ruína, serão tornados sem sentido e nulos, serão abolidos. Eles prescreveram e acabaram quando seu objetivo foi atingido, quando o conteúdo de toda profecia será revelada em sua plenitude, quando tudo o que esteve oculto será claramente revelado, então não haverá mais necessidade de profecia. O dom de línguas, de pronunciamentos extáticos em línguas estranhas e desconhecidas, cessará, acabará, visto que só teve um significado temporário. O dom do conhecimento, da compreensão das coisas reveladas, será removido. Virá um tempo quando este, como o resto, terá servido ao seu propósito e por isso será abolido para sempre.

Visto que a asserção que os dons de conhecimento e de profecia cessarão podia parecer estranho, Paulo explica sua afirmação: Pois em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o imperfeito será abolido. Nosso conhecimento é imperfeito neste mundo, inadequado para um entendimento completo de Deus, de Sua essência, de Sua vontade. Entendemos somente partes pequenas da verdade eterna e celeste, mesmo tendo nós uma razão cristã iluminada. Não temos uma visão compreensiva do total, da ligação dos pensamentos e conselhos divinos. A plenitude da magnitude e majestade de Deus ainda nos é desconhecida.

Sabemos unicamente tanto da essência e da vontade de Deus quanto é necessário para a nossa salvação. E os comentaristas mais iluminados e inspirados da Bíblia são capazes de conseguir lampejos dos mistérios do mundo espiritual, das glórias celestes, por meio da revelação que nos foi dada pelo evangelho. Todavia esta condição de imperfeição cessará, o conhecimento e a profecia terão seu fim, tão logo que o que é perfeito aparecer, do mesmo modo como o rubro do amanhecer desaparece quando o sol surge em pleno esplendor no horizonte. Quando Cristo há de retornar em glória, quando nós havemos de ser glorificados com ele no céu, então todas as imperfeições deste conhecimento atual serão deixadas para trás.

A grande diferença entre a condição presente e a futura é ilustrada no texto pela diferença entre a condição da criança e a condição do homem: Quando fui criança, falei como uma criança pensei como uma criança, raciocinei como uma criança; minha fala, meus objetivos, e minha atividade mental eram as duma criancinha, sendo imaturos e imperfeitos. No tempo atual nossas ideias das coisas celestes e divinas não alcançam a glória e a dignidade do assunto. Agora que cheguei a ser homem, aboli as coisas da criança, sendo que o adulto não se apega mais às opiniões e ideias imperfeitas e imaturas da criança. Do mesmo modo o conhecimento pleno, madura e completo de Deus está reservado ao mundo do além. Marquemos, contudo, que teremos exatamente as mesmas coisas divinas, belas e espirituais para nos alegrarem no céu que agora temos no mundo: aquilo que agora só compreendemos e conhecemos em parte então nos será revelado em sua inteireza, na glória total de sua substância. Assim como a flor perde suas pétalas, mas retém seu centro, que eventualmente amadurecerá numa fruta perfeita, assim nós despiremos as opiniões imperfeitas de nossa compreensão, enquanto reteremos o núcleo em sua condição totalmente desenvolvida e veremos sua fruição no céu.

O contraste entre o presente imperfeito e o conhecimento futuro perfeito é ilustrado por meio de outro quadro: pois agora enxergamos por meio dum espelho, num enigma; contudo, então, face a face. No tempo antigo os espelhos eram feitos de metal polido, que refletia só indistintamente a imagem, sem contornos fortes e distintos. Assim é a nossa contemplação das glórias de Deus, tal como nos é apresentada em Sua Palavra, e isto, não porque a Palavra seja obscura, mas porque nosso entendimento não é suficiente para captar as maravilhas de Sua substância e de suas qualidades. Nós enxergamos num enigma, ou seja, o que muitas vezes consideramos uma charada. Por causa de nosso entendimento obscurecido, mesmo em nosso estado regenerado, a fraseologia do Senhor em Sua Palavra apresente muitas vezes dificuldades, muitas vezes só conseguimos uma ideia obscura e incerta de Seu significado. É isto que são Paulo afirma com franqueza, fazendo de sua própria pessoa um exemplo da cristandade em geral: Agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Porque o Senhor precisou adaptar os mistérios celestes à fala imperfeita dos seres humanos, porque precisou vestir seus pensamentos eternos e divinos em palavras, expressões, figuras e parábolas buscadas deste mundo perecível, por isso a perfeição da glória divina precisa estar oculta aos nossos olhos. No céu, porém, cada cristão verá, conhecerá e compreenderá a plenitude da essência, dos atributos, planos e conselhos divinos numa compreensão perfeita e bendita, de modo tão completo como ele mesmo foi conhecido por Deus, quando o Senhor mudou na conversão seu coração. É um conhecimento perfeito e bendito de Deus. Então Deus não mais verá algo esquisito, estranho e hostil entre ele e nós. Todos os nossos pecados terão sido plenamente removidos de Sua visão. Como escreve Lutero: “Então O conhecerei de maneira mais clara possível, sem qualquer cobertura; pois a cobertura não foi tirada Dele, mas de mim, pois Ele não alguma sobre Si.” No céu, finalmente, conheceremos em amor a Deus por meio de contato direto, e todo o conhecer mediato e imperfeito que agora nos é possível será deixado bem longe atrás e totalmente esquecido na ventura da perfeita salvação. Cf. Sl. 17. 15.

O prospecto desta dentição maravilhosa leva o apóstolo a concluir seu salmo de amor numa maravilhosa irrupção de alegria triunfante: Mas, como acontece, permanecem fé, esperança e amor, esses três. Todos os demais dons, as demais virtudes, passam, mas estes três permanecem sempre.

Fé, esperança e amor permanecem na eternidade, porque o que o cristão crê, espera e ama permanece para sempre, visto que Deus é eterno, com quem estamos unidos na fé, na esperança e no amor. Esta conclusão é praticamente exigida pela afirmação que todas as coisas imperfeitas serão abolidas. Pois o apóstolo não diz destes três que são imperfeitos, ou seja, que cremos em parte, que esperamos em parte, que amamos em parte. A fé, mesmo a fé fraca, ainda que conhece a Deus só em parte, aceita, porém, como fé salvadora, o Deus inteiro, o Cristo inteiro, a redenção inteira em Cristo, e o pleno perdão dos pecados. Também a esperança, mesmo vendo e conhecendo somente alguns raios da glória vindoura, tem, ainda assim, o futuro total como seu alvo. E o amor se concentra sobre o inteiro Deus trino de nossa salvação, e não sobre algum restinho miserável.

Mas o amor não é mais duradouro, mas maior entre eles, sendo o maior dos três. Fé e amor também permanecem para sempre, visto que aquilo em que cremos e aquilo que esperamos dura para sempre. Mas a natureza da fé e da esperança cessará; pois o que aqui cremos e esperamos (pretérito) lá possuiremos e gozaremos. Nossa fé alcançará a perfeição de sua condição no enxergar. Nossa esperança será aperfeiçoada no usufruir. Mas nosso amor a Deus e Cristo, e por isso também a todos os nossos irmãos, permanecerá absolutamente imutável, sendo tão somente purificado, visto que todos os obstáculos que aqui entravam a atividade do amor lá serão removidos. No céu o amor será completamente livre e destravado em sua capacidade de sem evidenciar, e encontrará em todos os lugares amor em retorno e assim será bendito na companhia de Deus, dos santos anjos, e de todos os santos. Nota: O fato que aqui o amor é chamado a maior das virtudes de modo nenhum está em desacordo com o fato que a fé é o único meio de obter a salvação. “Objetam, porém, que o amor é posto acima da fé e da esperança. Pois Paulo diz: ‘O maior destes é o amor.’ Ora, é razoável que a virtude máxima e principal justifique, ... Todavia, concedemos inteiramente aos adversários que o amor a Deus e ao próximo é a virtude máxima, pois que o preceito supremo é este: ‘Amarás o Senhor Deus’, (Mt.22. 37). Mas como inferirão daí que o amor justifica? A virtude máxima, dizem, justifica. Pelo contrário: assim como nem a maior ou primeira lei justifica, assim também não justifica a virtude máxima da lei. O que justifica é aquela virtude que apreende a Cristo, que nos comunica os méritos de Cristo, virtude pela qual recebemos graça e paz de Deus. Mas esta virtude é a fé. Pois, como muitas vezes se disse, fé não é apenas notícia, senão, muito mais, querer receber ou apreender aquilo que se oferece na promessa referente a Cristo.”24)

Resumo: O apóstolo louva o alto valor do amor, dá uma descrição de seus aspectos essenciais, e descreve sua duração eterna.

KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.

Ele sugere que esses dons são apenas adaptados a um estado de perfeição: “...porque, em parte conhecemos e, em parte, profetizamos” (v. 9). Nosso melhor conhecimento e nossas maiores habilidades são no presente semelhantes à nossa condição, estreitos e temporais.

Até o conhecimento que eles tinham por inspiração era parcial. Quão pequena porção de Deus, e do mundo invisível, era ouvida até pelos apóstolos e pelos homens inspirados! Como é grande a desvantagem de outros em relação a eles! Mas esses dons eram adequados ao presente estado imperfeito da igreja, valiosos em si mesmos, mas não para serem comparados com a caridade, porque eles desapareceriam com as imperfeições da igreja, e, além disso, em breve, enquanto a caridade duraria para sempre.

mEle aproveita a ocasião para mostrar quanto melhor será para a igreja no futuro do que pode ser aqui. Um estado de perfeição está em vista (v. 10): “Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado”. Quando o fim é uma vez alcançado, os recursos, claro, serão abolidos. Não haverá nenhuma necessidade de línguas, profecia e conhecimento inspirado em uma vida futura, porque então a igreja estará em um estado de perfeição, completa em conhecimento e santidade. Então Deus será conhecido claramente e, de certa forma, por intuição, e tão perfeitamente quanto a capacidade de mentes glorificadas permitirão; não através de tais vislumbres transitórios, e pequenas porções, como aqui. A diferença entre esses dois estados é aqui apontada com dois detalhes: 1.0 presente estado é um estado de infância, o futuro da humanidade:

“Quando eu era menino, falava como menino (isto é, como pensam alguns, falava em línguas), sentia como menino, ephronoun - sapiebam (isto é, “eu profetizava, eu era instruído nos mistérios do Reino dos céus, de tal modo extraordinário quanto é manifesto que eu não deixei meu estado infantil”), discorria, ou raciocinava, elogizomen, como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”. Tal é a diferença entre terra e céu. Que visões estreitas, que noções indistintas e confusas das coisas as crianças têm em comparação com os homens crescidos! E como é natural que os homens, quando a razão é desenvolvida e amadurecida, desprezem e abandonem seus pensamentos infantis, coloquem-nos de lado, rejeitem-nos, não os estimem mais! Assim nós pensaremos acerca de nossos mais valiosos dons e aquisições neste mundo, quando formos para o céu. Nós desprezaremos nossa tolice infantil em nos orgulharmos com tais coisas, quando crescermos e nos tornarmos homens em Cristo. 2. As coisas são todas escuras e confusas agora, em comparação com o que serão depois: “Porque, agora, vemos por espelho em enigma (en ainigmati, em mistério); mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido”. Agora nós apenas podemos discernir as coisas a uma grande distância, como através de um telescópio, e envolvidas em nuvens e obscuridade; mas depois as coisas a serem conhecidas estarão mais próximas e óbvias, abertas aos nossos olhos; e o nosso conhecimento estará livre de toda obscuridade e erro. Deus será visto face a face; e nós o conheceremos como também somos conhecidos por ele; de fato, não perfeitamente, mas, de certa forma, no mesmo modo. Nós somos conhecidos por Ele por mera inspeção; Ele volta seus olhos em nossa direção, vê e nos busca integralmente. Nós então fixaremos nossos olhos nele, e “...assim como é o veremos” (1 Jo 3.2). Nós conheceremos como somos conhecidos, entraremos em todos os mistérios do amor e da graça divinos. Oh! Mudança gloriosa! Passar da escuridão para a luz, das nuvens para a clara luz do sol da face de nosso Salvador, e ver a luz na própria luz de Deus! (SI 36.9). Note que é apenas a luz do céu que removerá todas as nuvens e escuridão da face de Deus. Há no máximo só uma penumbra enquanto ainda estamos neste mundo; lá haverá um dia perfeito e eterno.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.  ESTUDALICAOEBD.BOGSPOT.COM / WWW.MAURIICOBERWALD.COMUNIDADES.NET