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DIACONO DIACONATO
DIACONO DIACONATO

DIACONO

                            I - A DIACONIA DE JESUS CRISTO

  1. Significado do termo.

A palavra diaconia é originaria do vocábulo grego diákonos e significa, etimologicamente, ajudante, servidor. Já que o diácono é um servidor, pode ele ser visto também como um ministro; a essência do ministério cristão, salientamos, é justamente o serviço. Em seu Dicionário do Novo Testamento Grego, oferece-nos W.C. Taylor a seguinte definição de diácono: garçom, servo, administrador e ministro. Na Grécia clássica, diácono era o encarregado de levar as iguarias à mesa, e manter sempre satisfeitos os convivas. Na septuaginta, eram os servos chamados de diáconos, porém não desfrutavam da dignidade de que usufruíram seus homônimos do NT, nem eram incumbidos de exercer a tarefa básica destes: socorrer os pobres e necessitados. Não passavam de meros serviçais. Aos olhos judaicos, era esse um cargo nada honroso. A palavra diácono aparece cerca de trinta vezes no NT. Às vezes, realça o significado de servo; outras, o de ministro. Finalmente, sublime a função que passou a existir na Igreja Primitiva a partir de Atos capítulo seis. Observemos, entretanto, que, nesta passagem de Atos dos apóstolos, não encontramos a palavra diácono. O cargo descrito, e o titulo não é declinado. A obviedade do texto, contudo, não atura duvidas: referiam-se os apóstolos, de fato, ao ministério diaconal.

Valdemir P. Moreira. Manual do Diácono.

Eles devem ser como o próprio Mestre; e é muito apropriado que eles o fossem, pois, enquanto estivessem no mundo, deveriam ser como Ele foi quando estava no mundo. Porque para ambos o estado atual é um estado de humilhação; a coroa e a glória estavam reservadas para ambos no estado futuro. Eles precisavam considerar que “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (v. 28). O nosso Senhor Jesus aqui se coloca diante dos seus discípulos como um padrão de duas qualidades anteriormente recomendadas: a humildade e a utilidade.

[1] Nunca houve um exemplo de humildade e condescendência como houve na vida de Cristo, que não veio para “ser servido, mas para servir”. Quando o Filho de Deus entrou no mundo - o Embaixador de Deus para os filhos dos homens alguém poderia pensar que Ele deveria ser servido, que deveria ter se apresentado em um aparato que estivesse de acordo com a sua pessoa e caráter; mas Ele não fez isso; Ele não agiu como uma celebridade, Ele não teve nenhum séquito pomposo de servos de Estado para servi-lo, nem se vestiu em túnicas de honra, porque tomou sobre si a “forma de servo”. Ele, na verdade, viveu como um homem pobre, e isto fez parte da sua humilhação. Houve pessoas que o serviram com as “suas fazendas” (Lc 8.2,3); mas Ele nunca foi servido como um grande homem. Ele nunca tomou a pompa sobre si, não foi servido em mesas, como um dos grandes deste mundo. Jesus, certa vez, lavou os pés dos seus discípulos, mas nunca lemos que eles tenham lavado os pés dele. Ele veio para ajudar a todos quantos estivessem em aflição. Ele se fez servo para os doentes e debilitados; estava pronto para atender aos seus pedidos como qualquer servo estaria pronto para atender à ordem do seu senhor, e se esforçou muito para servi-los.

O Senhor Jesus serviu continuamente visando este fim, negando a si até mesmo o alimento e o descanso para cumprir essa tarefa.

[2] Nunca houve um exemplo de beneficência e utilidade como houve na morte de Cristo, que “deu a sua vida em resgate de muitos”. Ele viveu como um servo, e fez o bem; mas morreu como um sacrifício, e com isso Ele fez o maior bem de todos. Ele entrou no mundo com o propósito de dar a sua vida em resgate; isto estava primeiro em sua intenção. Os aspirantes a príncipes dos gentios fizeram da vida de muitos um resgate para a sua própria honra, e talvez um sacrifício para a sua própria diversão.

Cristo não age assim; o sangue daqueles que lhe são sujeitos é precioso para Ele, e Ele não é pródigo nisso (SI 72.14); mas, ao contrário, Ele dá a sua honra e a sua vida como resgate pelos seus súditos. Note, em primeiro lugar, que Jesus Cristo sacrificou a sua vida como um resgate. A nossa vida perdeu o direito nas mãos da justiça divina por causa do pecado. Cristo, entregando a sua vida, fez a expiação pelo pecado, e assim nos resgatou. Ele foi feito “pecado” e uma “maldição” por nós, e morreu, não só para o nosso bem, mas “em nosso lugar” (At 20.28; 1 Pe 1.18,19). Em segundo lugar, foi um resgate por muitos. Ele foi suficiente para todos, mas eficaz para muitos; e se foi eficaz para muitos, então diz a pobre alma duvidosa: “Por que não por mim?” Foi por muitos, para que por ele muitos pudessem ser feitos justos. Esses muitos eram a sua semente, pela qual a sua alma sofreu (Is 53.10,11). “De muitos”, assim eles serão quando forem reunidos, embora parecessem então um pequeno rebanho.

Então esse é um bom motivo para não disputarmos a precedência, porque a cruz é a nossa bandeira, e a morte do nosso Senhor é a nossa vida. Esse é um bom motivo para pensarmos em fazer o bem, e, em consideração ao amor de Cristo ao morrer por nós, não hesitarmos em “sacrificar as nossas vidas pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Os ministros devem estar mais ansiosos do que os outros para servir e sofrer pelo bem das almas, como o bendito apóstolo Paulo estava (At 20.24; Fp 2.17). Quanto mais interessados, favorecidos e próximos estivermos da humildade e da humilhação de Cristo, mais prontos e cuidadosos estaremos para imitá-las.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 261-262.

Mt 20.26-28 Em uma frase, Jesus ensinou a essência da verdadeira grandeza: Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal. A grandeza é determinada pelo serviço. O verdadeiro líder coloca as suas necessidades em último lugar, como Jesus exemplificou na sua vida e na sua morte. Ser um “servo” não significa ocupar uma posição servil, mas sim ter uma atitude na vida que atende livremente às necessidades dos outros sem esperar nem exigir nada em troca. Os líderes que são servos apreciam o valor dos outros e percebem que não são superiores a ninguém; eles também entendem que o seu trabalho não é superior a nenhum outro trabalho. Procurar honra, respeito e atenção dos outros vai em direção contrária às exigências de Jesus para os seus servos. Jesus descreveu a liderança a partir de uma nova perspectiva. Ao invés de usar as pessoas, nós devemos servi-las.

A missão de Jesus era servir aos outros e dar a sua vida por eles. Um verdadeiro líder tem o coração de um servo. Os discípulos devem estar dispostos a servir porque o seu Mestre deu o exemplo. Jesus explicou que Ele não veio para ser servido, mas para servir a outros. A missão de Jesus era servir — em última análise, dando a sua vida para salvar a humanidade pecadora. A sua vida não foi “tomada”, Ele a “deu”, oferecendo-a como sacrifício pelos pecados do povo. Um resgate era o preço pago para libertar um escravo da escravidão. Jesus pagou um resgate por nós, e o preço exigido foi a sua vida. Jesus tomou o nosso lugar, Ele morreu a morte que nós mereceríamos.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 1. pag. 124.

Mt 20. 28 Nesse ponto, Jesus apresenta-se — o Filho do homem (veja comentário sobre 8.20) — como o supremo exemplo de serviço para os outros. O versículo é claramente importante para nossa compreensão da percepção de Jesus de sua morte.

Três questões relacionadas pedem discussão.

  1. Autenticidade. Muitos rejeitam a autenticidade do versículo 28 ou, pelo menos, de 28a (e do correspondente Mc 10.45) com base em que ele se ajusta mal ao contexto, uma vez que a morte vicária de Jesus não pode ser imitada por seus discípulos, que em nenhuma outra passagem registra-se ele falando de sua morte dessa maneira e que a linguagem usada reflete a influência da igreja helénica. Ao contrário, a linguagem demonstra ser palestina (Jeremias, Eucharistic Words [Palavras eucarísticas], p. 179-82); e Jesus não fala de sua morte em termos distintos de quando instituiu a ceia do Senhor (26.26-29) e também de Lucas 22.37, presumindo que ela se relaciona a uma ocasião distinta. E bastante comum no Novo Testamento, nas palavras atribuídas a Jesus e a outras existentes em outros trechos começarem com a necessidade dos discípulos matarem o “eu” e terminarem com a morte vicária única de Jesus como um exemplo ético — ou, de forma inversa, começarem com a morte única de Jesus e tê-la aplicada como um exemplo para os discípulos (Jo 12.23-25; Fp 2.5-11; IPe 2.18-25). Não há motivos substanciais para negar a autenticidade desse dito (cf. esp. S. H. T. Page, “The Authenticity of the Ransom Logion [Mark 10.45b]” [“A autenticidade do dito de resgate (Mc 10.45b)”], em France e Wenham, p. 1:137-61); e suas nuanças parecem muito mais em harmonia com a forma progressiva como Jesus se revelou (cf. Carson, “Christological Ambiguities” [“Ambiguidades cristológicas”]) que com a nítida confissão apostólica pós-ressurreição.
  2. Sentido. É natural entender que o “não veio” como pressupondo, pelo menos, um indício da pré-existência de Jesus, embora a linguagem não exija absolutamente isso. Ele não veio para ser servido, como um rei que depende de incontáveis cortesãos e criados, mas para servir os outros. Stonehouse observa com acerto que esse versículo presume que o Filho do homem tem todo direito de esperar ser servido, mas, em vez disso, ele serve. Está implícita a autoconsciência de que o Filho do homem que, por causa de sua origem celestial, possuía autoridade divina era aquele que se humilhou a ponto de se submeter a uma morte vicária. A tripla ruptura das referências do Filho do homem (veja digressão sobre 8.20), até aqui, é artificial. A demonstração da glória divina brilha com mais esplendor quando é separada por causa da morte vergonhosa de um homem redentor. Esse é exatamente o cerne da revelação de si mesmo de Jesus e do evangelho primitivo (ICo 1.23: “Pregamos a Cristo [Messias] crucificado”).

O Filho do homem veio para “dar a sua vida em resgate por muitos”. Deissmann (LAE, p. 331s.) observa que lytron (“resgate”) não era usado muito comumente para o preço de compra da libertação de escravos; e há boa evidência de que, no Novo Testamento, a noção de “preço de compra” está sempre sugerida no uso de lytron.

No entanto, outros, ao examinar a palavra na LXX, concluem que, sobretudo quando o sujeito é Deus, a palavra tem o sentido de “libertação”; e o verbo cognato, de “libertar”, sem referência ao “preço pago” (veja esp. Hill, Greek Words [Palavras gregas], p. 58-80). O assunto pode ser difícil de decidir em uma passagem como Tito 2.14. A perversidade é uma cadeia da qual Jesus por meio de sua morte nos liberta ou um dono de escravos do qual Jesus por meio de sua morte nos resgata?. O paralelo em 1 Pedro 1.18 sugere a última opção, embora (como Turner, Christian Words Palavras cristãs], p. 105-7, insiste) não haja nunca qualquer menção no Novo Testamento daquele a quem o preço é pago; e em Mateus 20.28,

esse sentido é praticamente assegurado pelo uso de an ti (“para”). A força normal dessa preposição denota substituição, equivalência, troca (cf. esp. M. J. Harris, DNTT, 3:1179s.). “A vida de Jesus entregue em morte vicária realiza a libertação de vidas confiscadas. Ele agiu em favor de muitos ao tomar o lugar deles” (ibid.,p. 1180).

O termo “muitos” enfatiza os incomensuráveis efeitos da morte solitária de Jesus: um morre, muitos encontram sua vida “resgatada, curada, restaurada, perdoada”, uma grande multidão que nenhum homem pode contar (cf. J. Jeremias, “Das Lõsegeld für Viele” [“O resgate de muitos”] , Ju d a ica 3 [1948], p. 263). Mas deve-se lembrar que o termo “muitos” pode se referir, nos PMM e na literatura rabínica, à comunidade eleita (cf. Ralph Marcus, “‘Mebaqqer’ and ‘Rabbim’ in the Manual of Discipline vi, 11-13” [“‘Mebaqqer’ e ‘rabbim’ no manual de disciplina 6.11-13”], JBL 75 [1956], p. 298-302). Isso sugere que a morte vicária de Jesus é o pagamento pelo povo escatológico de Deus e que resulta nesse povo. Isso se ajusta bem ao “muitos” de Isaías 52.13—53.12.

  1. Dependência de Isaías 53. argumentam que não há alusão a Isaías em Marcos 10.45 e em Mateus 20.28. Eles argumentam isso com base em dois fundamentos: linguístico e conceituai. Da perspectiva linguística, eles observam que o verbo grego diakonein (“servir”, v. 28) e seus cognatos não são nunca usados na LXX para traduzir ‘eb ed (“servo” dos “cânticos de servo” de Isaías) e seus cognatos. Mas a evidência é frágil, e os paralelos conceituais são próximos — o Servo de Isaías beneficia os homens por meio de seu sofrimento, e Jesus também faz isso. Hooker, com certeza, está errado em restringir diakonein a serviço doméstico (cf. France, “Servant of the Lord” [“Servo do Senhor”], p. 34). France e Moo (Use o f OT [Uso do AT, p. 122ss.) também mostram que “dar a sua vida” tem origem em Isaías 53.10,12 e que lytron (“resgate”) não é uma tradução impossível para ’ãsãm (“oferta de culpa”) como alguns alegam. A palavra hebraica ’ãsãm inclui a noção de substituição ou, pelo menos, de um equivalente. O pecador culpado oferece uma ’ãsãm a fim de remover sua própria culpa, e em Levítico 5, ’ãsãm refere-se a pagamento compensatório.

Assim, embora ’ãsãm tenha mais nuanças sacrificiais que lytron, os dois termos incluem a ideia de pagamento ou compensação. Muitos estudiosos também reconhecem no termo “muitos” uma clara referência a Isaías (cf. esp. Dalman, p. 171-72). A implicação da evidência cumulativa é que Jesus se refere explicitamente a si mesmo como o Servo sofredor de Isaías (veja comentário sobre 26.17-30) e interpretava sua própria morte sob essa luz — interpretação em que Mateus seguiu seu Senhor (veja comentário sobre 3.17; 12.15-21).

  1. A. CARSON. O Comentário De Mateus. Editora Shedd Publicações. pag. 504-506.
  2. Serviço de escravo.

Diaconia significa “ministério, serviço”. Jesus Cristo foi exemplo para a Igreja em todos os aspectos. Em sua Diaconia, Ele foi “apóstolo... da nossa confissão” (Hb 13.1). Foi profeta (Lc 24.19); foi evangelista (Lc 4.18-19); foi Pastor (Jo 10.11) e também foi diácono. Ele demonstrou seu caráter e sua personalidade, dando exemplo de humildade. Para cumprir sua missão sacrificial em favor dos homens, Jesus despojou-se temporariamente de sua glória plena (Jo 17.14). Paulo diz que Ele assumiu a forma de servo, mais que isso, a forma de “escravo”. Jesus, “... sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo- se semelhante aos homens-, e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8 — grifo nosso). A expressão “tomando a forma de servo”, “significa aparecer em uma condição humilde e desprezível”.

Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 140.

Jesus, o Diácono dos diáconos

Foi o Senhor um diácono em tudo perfeito. Na declaração que faz Ele em Marcos 10.45, encontramos a variante da palavra diakonia duas vezes: “O Filho do Hmem também não veio para ser servido [diakonêthênai], mas para servir [diakonêsai] e dar a sua vida em resgate de muitos”. Ele era Senhor, e servia a todos. Era Rei prometido, mas se dizia servo dos servos de Deus. Deveria estar à mesa, mas ei-lo a lavar os pés dos discípulos.

Embora o apocalipse mostre-o na plenitude de sua gloria, vemo-lo em Isaias, como o servo sofredor. A fim de assumir a sua diaconia, despojou-se de suas prerrogativas, assumiu a nossa forma e pôs-se a servir indistintamente a todos.

Este é o nosso Senhor; Diácono dos diáconos!

Valdemir P. Moreira. Manual do Diácono.

A AUTO HUMILHAÇÃO DE JESUS (13.4-20)

Pelo fato de a declaração de abertura do capítulo 13 ser longa e detalhada, o leitor deve considerar que o início da cena da ceia ocorre na primeira oração do versículo 2: E, acabada a ceia (o texto grego diz “durante a ceia”), e então continua com a primeira oração no versículo 4: levantou-se da ceia. Ao fazê-lo, o Senhor tirou as vestes (4, cf. 10.17; Fp 2.5-8); i.e., a túnica externa. Então, tomando uma toalha, cingiu-se, o que “marca a ação de um escravo”. Assim preparado, Ele pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxuga-los com a toalha com que estava cingido (5). João não declara por que algum dos discípulos não executou esta tarefa servil, mas evidentemente havia ocorrido alguma “busca de posição” entre os doze (Lc 22.24). Além disso, Jesus era o único naquela sala que poderia executar até mesmo o simbolismo da purificação — pois só Ele estava limpo no sentido teológico e moral da palavra (cf. 17.19; Hb 13.12). Ele veio para dar ao homem a possibilidade de tornar-se puro, moralmente limpo, santo.

Quando Jesus foi lavar os pés de Pedro, este lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? (6) A resposta de Jesus, não o sabes tu, agora, não só afirmava a ignorância de Pedro em relação às coisas espirituais (e.g., a vinda do Espírito), como também incluía uma promessa: tu o saberás depois (7). O que eu faço era a humilhação do Senhor, simbolizada no ato de levar-lhes os pés; na verdade, porém, Ele estava proporcionando toda a obra redentora de Deus para o homem. Hoskyns comenta que a reação de Pedro não é um contraste entre o orgulho de Pedro e a humildade de Jesus, mas, antes, “entre o conhecimento de Jesus, o qual é a base da ação, e a ignorância de Pedro, que ainda não percebe que a humilhação do Messias é a causa efetiva da salvação cristã” (cf. 2.22; 7.39; 12.16; 14.25-26; 15.26; 16.13; 20.9).9 Mas o entendimento do futuro estava longe demais para Pedro. Ele só via a incongruência imediata da situação — Jesus lavando os seus pés. Impulsivamente, ele declarou: “Nunca em nenhum momento lavarás os meus pés — para sempre” (tradução literal). Pedro esperava colocar um ponto final em tudo aquilo. Mas Jesus conhecia o caminho para o coração de Pedro — a ameaça de ser excluído da presença de Jesus, a quem Pedro amava. Se eu te não lavar, não tens parte comigo (8; cf. Hb 12.14). “Não há lugar na sociedade dos cristãos para aqueles que não forem purificados pelo próprio Senhor Jesus”. Se a comunhão só poderia ser adquirida pela purificação (cf. 1 Jo 1.7), então Pedro queria tudo o que pudesse ter — pés, mãos e cabeça (9).

Jesus fez uma aplicação geral da ideia sobre a qual conversava com Pedro: “Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés. Ele está todo limpo”. “Vós estais limpos, mas não todos” (10). Hoskyns comenta que, no ato da lavagem dos pés, Jesus “simbolicamente declara a completa purificação deles através da humilhação da morte do Messias. O cristão fiel é purificado pelo sangue de Jesus” (1 Jo 1.7; cf. Rm 6.1-3; 1 Co 10.16).14 Se a santidade de coração estiver no coração da Eucaristia (ver o comentário sobre 6.53), a pureza do coração está no coração do Pedilavium (lavagem dos pés). Tudo isto era uma prefiguração simbólica da obra do Espírito que se tornaria possível através da sua vinda (14.15-17,25-26; 15.26; 16.7-15).

Mas, e quanto a Judas? Ele estava limpo? Jesus sabia, e soube (6.70-71), quem o haveria de trair; por isso, disse: Nem todos estais limpos (11). Bernard diz: “No que diz respeito à limpeza do corpo, não há dúvida de que ele estava nas mesmas condições dos outros, mas não no sentido espiritual”.

Tendo lavado os pés dos discípulos e vestido a sua túnica, Jesus, estando à mesa, outra vez perguntou aos discípulos: Entendeis o que vos tenho feito? (12) Macgregor comenta: “Quando ‘veste a sua túnica’, Jesus assume a sua vida novamente (10.17ss.) no poder do Espírito, e assim esclarece todas as coisas” (7).16 Sem esperar por uma resposta, Jesus explicou que isto tinha sido um exemplo (15), ou modelo, “que estimula ou deve estimular alguém a imitá-lo”.17 Da mesma forma que Ele, seu Mestre (literalmente, “Ensinador”) e Senhor, lhes tinha feito, assim deveriam fazer uns aos outros (13-14; cf. 34). Hoskyns diz: “Seu ato de lavar os pés dos discípulos expressa a própria essência da autoridade cristã”.18 Não parece haver qualquer evidência de que Jesus quisesse que a lavagem dos pés fosse instituída como um sacramento. Mas fica claro que Ele estava ensinando, pelo exemplo básico e axiomático, embora paradoxal, que a única maneira de ser “o maior” (Lc 22.24) ou de ser bem-aventurado (17) é tomar a estrada do serviço amoroso (13.34) e do sacrifício (10.15), baseado no conhecimento da vontade de Deus para nós. A palavra traduzida como bem-aventurado no texto das Beatitudes é makarioi (Mt 5.3-12).

Um dos doze, no entanto, está se excluindo da execução do serviço amoroso, e consequentemente das bem-aventuranças implicadas. Sem dúvida alguma pensando em Judas, o Mestre disse: Não falo de todos vós (18). Então, como para enfatizar o fato de que o próprio Judas escolhera desempenhar o papel do traidor como um cumprimento das Escrituras, Ele acrescentou: eu bem sei os que tenho escolhido. Bernard traduz esta frase com exatidão: “Sei o tipo de homem que escolhi”. A expressão traduzida por: para que se cumpra a Escritura é um pouco enganosa. O ensino claro das Escrituras é que as escolhas morais do homem são deixadas dentro de seu próprio campo de decisão. Barclay esclarece bem a questão quando comenta: “Toda esta tragédia que está acontecendo, de alguma maneira, está dentro do propósito de Deus... Foi como as Escrituras disseram que seria”. trecho das Escrituras que Jesus citou é Salmos 41.9: aquele que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar. Compartilhar o pão era uma promessa de amizade. Levantou... o seu calcanhar descreve um ato de violência brutal, como o coice repentino de um cavalo. Como foi profético! Em poucos momentos, Judas sairia, tendo ainda em sua boca o gosto do bocado da escolha que foi partilhado com Jesus. Ele então retornaria com uma turba de assassinos, perpetrando o ato violento e brutal jamais dantes praticado, nem sequer equiparado.

Jesus tinha uma razão especial para expor o problema básico diante dos discípulos. Isto se tornaria para eles mais uma evidência, a fim de que entendessem a sua verdadeira natureza. Ele lhes contou o evento da traição antes que acontecesse, e explicou a razão: para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou (19). O eu sou (ego eimi) é outra das declarações de Jesus de sua divindade (cf. 16.4; 14.29; Ez 24.24; Mt 24.25). Westcott diz a respeito do eu sou: "... em mim está a fonte da vida e luz e força; Eu vos apresento a majestade invisível de Deus; Eu uno a virtude do meu Ser essencial, o que se vê e o que não se vê, o finito e o infinito”.

Embora seja verdade que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou (16), Jesus assegura aos seus discípulos o relacionamento com Ele e com o Pai. Pois se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim recebe aquele que me enviou (20).

Joseph H. Mayfield. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 7. pag. 116-118.

Jo 13.3-5 Jesus, o Filho de Deus, conhecia a sua origem e o seu destino. Ele sabia que em breve iria retomar ao seu Pai. Tendo a certeza de seu próprio destino, Ele concentrou a sua atenção nos discípulos, e mostrou-lhes o que significava para Ele tornar-se o Servo deles - e também mostrou que eles deveriam servir uns aos outros.

Em um momento tão próximo da revelação da verdadeira identidade e glória de Jesus, Ele separou aqueles que por direito eram seus, e expressou o seu caráter através de um ato de humildade. Ele levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se como um avental. Ele então pôs água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos.

Jesus era o exemplo de servo, e Ele mostrou a sua atitude de servo aos seus discípulos. Lavar os pés era um ato comum nos tempos bíblicos. A maioria das pessoas viajava a pé (calçando sandálias) pelas estradas empoeiradas da Judéia. Quando entravam em casa, era costume lavar os pés. Não se oferecer para lavar os pés de um convidado era considerado uma falta de hospitalidade (veja Lucas 7.44). Lavar os pés dos convidados era o trabalho de um dos servos mais simples da casa, e deveria ser realizado quando os convidados chegassem (1 Samuel 25.41). Esta era uma tarefa subserviente. O incomum sobre este ato era que Jesus, o Mestre e Instrutor, estava fazendo isto para os seus discípulos, como o escravo mais inferior faria.

Jo 13.12-16 O ato de Jesus de lavar os pés dos discípulos demonstrava amor em ação. Jesus era o seu Mestre e Senhor, significando que Ele estava em um nível mais elevado do que eles; contudo, o Senhor assumiu uma posição de humildade e serviço porque amava aqueles a quem servia. Jesus ordenou aos seus discípulos que lavassem os pés uns dos outros - que servissem uns aos outros em amor de acordo com o exemplo que Ele estabeleceu. Se recusar a servir aos outros, se recusar a se humilhar, não importa quão elevada seja a sua posição, é se colocar acima de Jesus. Tal orgulho arrogante não é o que Jesus ensinou. Estes discípulos logo seriam enviados como os mensageiros da igreja cristã. Eles seriam líderes em muitos lugares – na verdade, Tiago, João e Pedro se tornaram os líderes da igreja cristã em Jerusalém. Jesus ensinou a estes, que logo seriam líderes, que quando eles trabalhassem para divulgar o Evangelho, deveriam antes de tudo ser servos daqueles a quem ensinassem. Os discípulos devem ter se lembrado desta lição todas as vezes que enfrentaram problemas, lutas, e alegrias junto aos primeiros crentes.

Quantas vezes eles devem ter se lembrado de que foram chamados para servir. E que diferença isto fez! Imagine como teria sido difícil o crescimento (até mesmo a existência) da igreja primitiva, se estes discípulos tivessem continuado a competir por lugares de grandeza e importância! Felizmente para nós, eles mantiveram a lição de Jesus em seus corações.

Jo 13.17 Somos abençoados (felizes, alegres, realizados), não por causa do que sabemos, mas por causa do que fazemos com aquilo que sabemos. A graça de Deus a nós encontra a sua perfeição no serviço que nós, como vasos de sua graça, prestamos aos outros. Encontraremos a nossa maior bênção ao obedecermos a Cristo, servindo aos outros.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 1. pag. 565-566.

Jo 13. 3-5. O conhecimento especial de Jesus acerca da vontade de seu Pai para ele, articulado no versículo 1, é agora repetido, mas com duas adições significativas: ele não só sabia que o tempo tinha chegado para ele deixar esse mundo, mas também que viera de Deus e que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder. Com tal poder e status a sua disposição, poderíamos esperar que ele derrotasse o Diabo em um confronto imediato e flamejante e devastasse Judas com um irresistível golpe de ira divina. Em vez disso, ele lava os pés de seus discípulos, inclusive os pés do traidor.

Sem dúvida, os discípulos ficariam felizes em lavar os pés dele; eles não podiam conceber a ideia de lavar os pés uns dos outros, visto que essa era uma tarefa normalmente reservada para os servos mais inferiores. Pares não lavavam os pés uns dos outros, exceto muito raramente e como sinal de grande amor. Alguns judeus insistiam que não se devia exigir de escravos judeus que lavassem os pés de outros; esse trabalho devia ser reservado para escravos gentios, ou para mulheres, crianças e discípulos (Mekhilta 1 sobre Ex 21.2). Em uma história bem conhecida, quando rabi Ismael voltou para casa vindo da sinagoga e sua mãe quis lavar seus pés, ele recusou por considerar a tarefa muito humilhante. Ela levou a questão à corte rabínica com base no fato de que via essa tarefa como uma honra {cf. SB 1. 707). A relutância dos discípulos de Jesus em se oferecerem para essa tarefa é, para dizer o mínimo, culturalmente compreensível; o choque que sofreram quando ele se ofereceu não é somente resultado da vergonha que sentiram, mas também é uma reação ao esforço de entender a conveniência dessa alteração das coisas.11 Pois, aqui, Jesus inverte as funções normais. Seu ato de humildade é tão desnecessário quanto atordoante e é, ao mesmo tempo, uma demonstração de amor (v. 1), um símbolo de purificação salvadora (w. 6-9), e um modelo de conduta cristã (w. 12-17).

Podemos imaginar os discípulos reclinando-se sobre suas esteiras finas ao redor de uma mesa baixa. Cada um apoiando-se sobre o braço, geralmente o esquerdo; os pés espalhando-se da mesa para fora. Jesus levantou-se de sua esteira. Os detalhes são reveladores: Jesus tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura - adotando, assim, as vestes de um criado doméstico, vestes que eram desprezadas tanto em círculos judaicos quanto gentios (SB 2. 557; Suetônio, Calígula, 26). Assim, ele começou a lavar os pés de seus discípulos, demonstrando, dessa forma, sua declaração: “eu estou entre vocês como quem serve” (Lc 22.27; cf. Mc 10.45 par.). Aquele que “embora sendo Deus [...] esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo” (Fp 2.6,7). De fato, ele “foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2.8). O inigualável auto esvaziamento do Filho eterno, da Palavra eterna, alcança seu ápice na cruz. Isso não significa que a Palavra mude da forma de Deus para a forma de um servo; significa, ao contrário, que ele de tal forma veste nossa carne e vai de olhos bem abertos para a cruz que sua divindade é revelada em nossa carne, supremamente, no momento da maior fraqueza, do maior serviço (cf. notas sobre 1.14).

Jo 13. 12. As notas que servem como prefácio a essa seção, acima, argumentaram que não há motivo para pensar que a nova aplicação do episódio do lava-pés, introduzida logo a seguir no texto (w. 12-17), seja proveniente de outro escritor. Após vestir novamente sua capa e retornar a sua esteira (cf. v. 4), Jesus pergunta: Vocês entendem o que lhes fiz? A natureza exemplar do ato do lava-pés é revelada (w. 13-17). Mas os elos que ligam esses versículos ao tema da purificação, que domina os versículos precedentes, são mais acidentais. Mesmo quando dizem que o evento do lava-pés aponta, de várias formas, para a purificação espiritual baseada na morte de Cristo, ambos, o ato do lava-pés e aquela morte expiatória, são as revelações supremas do amor de Jesus pelos seus (v. lb). O episódio do lava-pés foi atordoante para os discípulos de Jesus, mas nada quando comparada à ideia de um Messias que sofreria a morte odiosa e vergonhosa na cruz, a morte do amaldiçoado. No entanto, os dois eventos - o lava-pés e a crucificação - são, na verdade, da mesma qualidade. O reverenciado e exaltado Messias assume a função do servo desprezado para o bem de outros. Isto, junto com a noção de purificação, explica por que o episódio do lava-pés pode apontar tão efetivamente para a cruz. Mas o serviço prestado a outros não pode se restringir a esse ato único. Se o evento do lava-pés e da cruz são propiciados pelo incrível amor de Jesus (v. 1), a comunidade dos purificados que ele está criando deve ser caracterizada pelo mesmo amor (w. 34,35) e, portanto, pela mesma abnegação no esforço de servir a outros. E isto significa que o ato do lava-pés é quase obrigado a ter um significado exemplar, assim como a morte de Cristo, embora única, tem o sentido de exemplo (e.g. Mc 10.35-45; Jo 12.24-26; IPe 2).

Jo 13. 13. Jesus responde agora à pergunta que ele fez no versículo 12: se seus seguidores tinham ou não entendido, ele vai explicar o que ele fez. Mestre (didaskalos) é o equivalente de ‘rabi’, o termo regularmente usado por discípulos ao se dirigirem a seus professores (como os seguidores de João Batista se dirigiam a ele, 3.26; cf. também 1.38,49; 3.2; 4.31; 6.25; 9.21; 11.8). Sem dúvida, Senhor (kyrios) foi primeiramente aplicado a Jesus como um sinal de respeito por sua função de ensino, equivalente à mar, do aramaico; a expressão é preservada no Novo Testamento em “Maranata!” (ARC) - literalmente “Vem, Senhor!” (lC o 16.22) - o que demonstra claramente a influência dos cristãos de fala aramaica ao projetar um de seus ditos favoritos no mundo de fala grega. Sabe-se que ‘rabi’ e ‘mari’ apareciam juntos nos lábios de discípulos rabínicos dirigindo-se a seus mestres (cf. SB 2. 558). Mas, nos lábios de cristãos após a ressurreição de Jesus Cristo, ‘Senhor’ assumiu um significado mais rico na medida em que as mais profundas reflexões sobre quem é Jesus se firmaram.

‘Senhor’ tornou-se uma das formas mais importantes de os cristãos se referirem a Jesus como alguém que Deus levantou e exaltou com “o nome que está acima de todo nome” (Fp 2.9-11; cf. At 2.36). De fato, leitores da LXX estavam acostumados a se referir ao próprio Deus como o ‘Senhor’. O evangelista entende isso; ninguém que reportou a confissão de 20.28 poderia deixar de entendê-lo. Assim, ele permanece fiel, simultaneamente, aos constrangimentos históricos daquela fatídica noite de Páscoa e à teologia que ele quer inculcar. De fato, leitores posteriores não poderiam deixar de encontrar nas palavras dramáticas de Jesus - e com razão, pois eu o sou - pelo menos um prenúncio de uma declaração que vai muito além do que um rabi poderia dizer. Em seu significado, o versículo faz eco a Lucas 6.46:

Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?

Jo 13. 14,15. Em uma sociedade estratificada, uma das formas que o orgulho humano se manifesta é a recusa de assumir as funções mais baixas. Mas agora que Jesus, o Senhor e Mestre deles, lavou os pés de seus discípulos — um ato impensável! — há motivo de sobra para que eles o façam, pois eles também devem lavar os pés uns dos outros, e nenhum motivo concebível para se recusar a fazer isso. Jesus diz: Eu lhes dei o exemplo (hypodeigma—a palavra sugere tanto ‘exemplo’ quanto ‘padrão’; (f. Hb 4.11; 8.5; 9.25; Tg 5.10; 2Pe 2.6) para que vocês façam como lhes fiz. Pouco convém aos seguidores de Jesus algo além da humildade. O zelo cristão divorciado da humildade transparente soa como vazio e até mesmo patético.

Nós podemos sensatamente perguntar se aquelas comunidades cristãs que praticam o ato do lava-pés como um sacramento cristão, igual ao batismo e a ceia do Senhor, entenderam essa passagem melhor que aqueles que acreditam não poder elevar o ato do lava-pés ao mesmo plano. Podemos perguntar algo semelhante acerca do ato formal do lava-pés na Quinta-feira Santa, quando papas, bispos, abades e outros lavam os pés de clérigos inferiores e algumas vezes de pobres. Dois fatores têm impedido, corretamente, a maioria dos cristãos de institucionalizar dessa maneira o ato do lava-pés. Primeiramente, em nenhuma outra passagem do Novo Testamento, ou mesmo nos mais antigos documentos extra bíblicos da igreja, o episódio do lava-pés é tratado como um rito eclesiástico, uma ordenança, um sacramento. A menção deste episódio em 1 Timóteo 5.10 não é exceção: ele não é apresentado como um rito universal, mas é colocado em uma lista das boas obras de hospitalidade de coração aberto, como a que qualifica uma viúva para ser incluída na lista de auxílio.

Teólogos e expositores sábios são sempre relutantes em elevar ao âmbito de rito universal algo que aparece somente uma vez nas Escrituras. Além disso, e talvez mais importante, a essência do mandamento de Jesus trata da humildade e préstimosidade para com irmãos e irmãs em Cristo, o que pode ser cruelmente parodiado por um mero ‘rito’ de lava-pés e que facilmente esconde um espírito indomado e um coração arrogante.

Jo 13. 16. Jesus reforça o ponto com um aforismo, que provavelmente era repetido frequentemente durante seu ministério e que podia ser facilmente usado para diversas aplicações diferentes (c f Mt 10.24; Lc 6.40; Jo 15.20). Após a forte declaração: Digo-lhes verdadeiramente(cf. notas sobre 1.51), Jesus aprofunda o contraste professor/aluno ao introduzir dois outros pares: senhor/servo (entendido como escravo) e superior (isto é, aquele que envia)/mensageiro. A palavra para ‘mensageiro’ é apóstolos, a única vez que a palavra aparece no quarto evangelho, e desta vez sem qualquer implicação aos ‘doze apóstolos’ oficiais: a palavra tinha um amplo campo de significado durante todo o período do Novo Testamento.

Isto não significa que o evangelista não tinha o conceito de um grupo especial de doze discípulos: em outro momento, ele refere-se repetidamente aos ‘Doze’ (6.67,70; 20.24). O sentido do aforismo neste contexto é, de qualquer forma, bastante claro: nenhum emissário tem o direito de pensar que está isento de tarefas empreendidas alegremente por aquele que o enviou, e nenhum escravo tem o direito de julgar qualquer tarefa indigna abaixo dele após seu senhor já ter realizadoa. Grande Deus, em Cristo tu chamas nosso nome e depois nos recebes como teus, não por algum mérito, direito ou reivindicação, mas por teu gracioso amor somente.

Nós lutamos para vislumbrar teu assento de misericórdia e te encontrar ajoelhado a nossos pés.

Depois pegas a toalha, partes o pão

E nos humilhas. E nos chamas de amigos.

Sofres e serves até que todos estejam saciados,

E mostras quão grandioso amor pretendes

Demonstrar até que toda a criação cante,

Para encher todos os mundos, para coroar todas as coisas.

Brian A. Wren (*1936 -)

Jo 13. 17. As palavras estas coisas provavelmente se referem aos versículos 14,15, e o versículo 16 opera como um tipo de parênteses aforístico. Há uma forma de piedade religiosa que pronuncia um ‘amém’, de coração, às mais fortes exigências do discipulado, mas que raramente faz qualquer coisa com elas. Jesus já havia condenado aqueles que ouvem suas palavras mas deixam de guardá-las (12.47,48; c f 8.31). Agora, ele enfatiza a verdade novamente, conforme uma ênfase repetida nos evangelhos (e.g. Mt 7.21-27; Mc 3-35; Lc 6.47,48) e em outras passagens {e.g. Hb 12.14; Tg 1.22-25).

  1. A. CARSON. O Comentário De João. Editora Shedd Publicações. pag. 462-469.
  2. O discípulo é um serviçal.

Mc 10.35-42. A repreensão que Ele fez a dois de seus discípulos, pelo ambicioso pedido que lhe fizeram. Essa história é muito semelhante à que lemos em Mateus 20.20. Mas ali está escrito que a mãe deles fez o pedido, aqui eles mesmos o fazem. Ela os apresentou e fez o pedido, e então eles a apoiaram, e concordaram com o pedido.

Observe: 1. Assim como, por um lado, existem alguns que não usam os grandes incentivos que Jesus nos deu em oração, por outro lado, também existem alguns que abusam deles. Ele tinha dito: “Pedi, e dar-se-vos-á”. E pedir as grandes coisas que Ele prometeu significa uma fé elogiável, mas era uma presunção condenável a desses discípulos, de fazer uma exigência tão ilimitada ao seu Mestre: “Queremos que nos faças o que pedirmos”.

Seria melhor que o deixássemos fazer por nós o que Ele julgar adequado, pois Ele “é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Ef 3.20).

  1. Nós devemos tomar muito cuidado com a maneira como fazemos promessas genéricas. Jesus não se comprometeu a fazer o que eles pedissem, mas quis saber deles o que desejavam: “Que quereis que vos faça?” Ele os deixaria prosseguir com o seu pedido, para que pudessem se envergonhar de tê-lo feito.
  2. Muitos foram levados a uma armadilha por falsas noções acerca do Reino de Deus, como se ele fosse deste mundo, e como os reinos das potestades deste mundo.

Tiago e João chegam à seguinte conclusão: se Jesus ressuscitar, Ele deverá ser um rei, e se Ele for um rei, os seus apóstolos deverão ser nobres, e um deles, de bom grado, será o Primus par regni - O primeiro dos nobres do reino, e outro estará ao seu lado, como José, na corte de Faraó, ou Daniel, na de Dario.

  1. A honra deste mundo é uma coisa cintilante, com a qual os olhos dos próprios discípulos de Cristo ficaram, muitas vezes, fascinados. Mas ser bons deveria ser a nossa preocupação, mais do que parecer grandiosos, ou ter alguma proeminência.
  2. A nossa fraqueza e falta de perspectiva aparecem tanto nas nossas orações quanto em qualquer outra coisa.

Não podemos dar ordens com as nossas palavras quando falamos com Deus, tanto a respeito dele quanto a nosso respeito. E loucura fazer exigências a Deus, mas nos submetermos a Ele é uma atitude sábia.

  1. É a vontade de Cristo que nós nos preparemos para os sofrimentos, e deixemos que Ele cuide de nos recompensar por eles. Ele não precisa ser lembrado, como precisou Assuero, dos serviços do seu povo, nem consegue esquecer a obra da sua fé e de seu trabalho de caridade.

A nossa preocupação deve ser a de termos sabedoria e graça para sabermos como sofrer com Ele, e então confiarmos que Ele possibilitará a melhor maneira de reinarmos com Ele. O Senhor também definirá quando, e onde, e quais serão os graus da nossa glória.

A repreensão de Jesus aos demais discípulos,

XX pelo desconforto deles com o pedido de Tiago e João. Eles começaram a ficar muito descontentes, a indignarem-se contra Tiago e João (v. 41). Eles ficaram irritados com os dois por pedirem preferência, não porque isto não fosse conveniente aos discípulos de Cristo, mas porque cada um deles esperava tê-la. Quando o cínico pisou sobre o jaez (manto do cavalo) de Alexandre, com a expressão: Calco fastum Alexandri - Agora eu piso sobre o orgulho de Alexandre, foi oportunamente repreendido com: Sed Majorifastu - Mas com um orgulho ainda maior do que o seu próprio. Assim eles descobriram a sua própria ambição, através do seu desagrado pela ambição de Tiago e João; e Jesus aproveitou essa ocasião para adverti-los quanto a isso, e a todos os seus sucessores, no ministério do Evangelho (w. 42-44). Ele os chamou a si de uma maneira familiar, para dar-lhes o exemplo de condescendência, mesmo quando estava reprovando a sua ambição, e para ensiná-los a nunca manter os seus discípulos à distância. Ele lhes mostra:

  1. Que o mundo geralmente abusa ou usa mal o domínio (v. 42): Que eles pareciam dominar os gentios, que têm o nome e o direito de governar; eles exercem soberania sobre outros, e este é o objetivo do seu estudo, não tanto para protegê-los e cuidar do seu bem-estar quanto para exercer autoridade sobre eles. Eles serão obedecidos, desejando ser arbitrários e ter a sua vontade realizada em todos os aspectos. Sic volo, sic jubeo, stat pro ratione voluntas - Assim eu desejo, assim eu ordeno; o meu prazer é a minha lei. A sua preocupação é o que os seus súditos farão para sustentar a sua própria pompa e grandeza, não o que eles farão pelos súditos.
  2. Que, portanto, isso não deve ser aceito na igreja: “Entre vós não será assim”; aqueles que estiverem aos seus cuidados deverão ser como ovelhas sob os cuidados do pastor, que deve guiá-las e alimentá-las, e deve ser um serviçal para elas, não como cavalos sob o comando do cocheiro, que os faz trabalhar e os espanca, e obtém os seus pagamentos com eles. Aquele que pretende ser grande e poderoso, ao invés de se lançar a uma dignidade e a uma dominação secular, deverá ser “servo de todos”.

Ele será humilde e desprezível aos olhos de todos os que são sábios e bons: “o que a si mesmo se exaltar será humilhado”. Ou, em outras palavras, aquele que desejar ser verdadeiramente grande e importante, deverá se entregar integralmente a fazer o bem a todos, deverá se curvar aos serviços mais humildes, e trabalhar nos serviços mais duros. Não somente serão mais honrados no futuro, como também são mais honrados agora, aqueles que são mais úteis. Para convencê-los disso, Jesus apresenta o seu próprio exemplo diante deles (v. 45). “O Filho do Homem se submete primeiro às maiores dificuldades e aos maiores perigos, e depois entra na sua glória, e vocês podem esperar conseguir algo tão elevado de outra maneira, ou tendo mais facilidade ou honra do que Ele?”. (1) Ele assume “a forma de servo”. Ele “não veio para ser servido”, e atendido, “mas para servir”, e conceder a sua graça. (2) Ele se apresenta de modo obediente à morte, e ao seu domínio, pois Ele dá “a sua vida em resgate de muitos”. Pois Ele morreu para o benefício de todas as pessoas que o aceitarem como Senhor e Salvador; e será que nós não deveremos nos esforçar para viver de um modo que beneficie os salvos?

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 463-464.

Mc 10.35,36 Dois dos discípulos de Jesus, Tiago e João (irmãos que juntamente com Pedro formavam o círculo íntimo de discípulos, 9.2) se aproximaram de Jesus. Eles pediram que o Senhor prometesse que lhes faria um favor. Eles podem ter compreendido erroneamente a promessa de Jesus de que os doze discípulos “se sentariam em doze tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Mateus 19.28). Jesus estava pensando no que iria enfrentar em Jerusalém, e na morte que Ele sabia que lhe aguardava ali. Contudo, o Senhor mostrou uma paciência notável com estes dois amados discípulos que apresentaram este pedido. Jesus não fez promessas, mas simplesmente perguntou o que eles queriam que Ele fizesse. Os discípulos, como a maioria dos judeus daquela época, tinham uma ideia errada do Reino do Messias, da maneira que este foi predito pelos profetas do Antigo Testamento. Eles pensavam que Jesus iria estabelecer um reino terreno que libertaria Israel da opressão de Roma. Enquanto os discípulos seguiam Jesus em direção a Jerusalém, eles perceberam que algo estava prestes a acontecer; eles certamente esperavam que Jesus fosse inaugurar o seu Reino. Tiago e João queriam se sentar em lugares de honra ao lado de Cristo em sua glória. Nas antigas cortes reais, as pessoas escolhidas para se sentar à direita e à esquerda do rei eram as pessoas mais poderosas do Reino.

Tiago e João estavam pedindo o equivalente a estas posições na corte de Jesus. Eles entendiam que Jesus teria um Reino; eles entendiam que Jesus seria glorificado (eles tinham visto a Transfiguração); e se dirigiram a Ele como súditos leais ao seu rei. No entanto, eles não entenderam que o Reino de Jesus não é deste mundo; ele não está centralizado em palácios e tronos, mas no coração e na vida de seus seguidores. Nenhum dos discípulos entendeu esta verdade antes da ressurreição de Jesus.

Mc 10.38 Jesus respondeu a Tiago e João que ao fazer tal pedido egocêntrico, eles não sabiam o que estavam pedindo. Pedir posições da mais elevada honra significava também pedir um profundo sofrimento, porque eles não poderiam ter um sem o outro. Portanto, o Senhor perguntou primeiro se eles poderiam beber o cálice amargo de tristeza que Ele iria beber. O “cálice” ao qual Jesus se referiu era o cálice de sofrimento que Ele teria que beber a fim de trazer a salvação aos pecadores. Então Jesus perguntou se eles eram capazes de ser batizados com o batismo de sofrimento que Ele enfrentaria. A referência a “batismo” é uma metáfora do Antigo Testamento em que uma pessoa é esmagada pelo sofrimento.

O “cálice” e o “batismo” se referem àquilo que Jesus iria enfrentar na cruz. Nas duas perguntas, Jesus estava perguntando a Tiago e a João se eles estavam prontos para sofrer por amor ao Reino.

Mc 10.39,40 Tiago e João responderam confiantemente a pergunta de Jesus. A resposta deles pode não ter revelado bravata ou orgulho; ela mostrou a disposição que eles tinham para seguir Jesus, qualquer que fosse o custo desta decisão. Eles disseram que estavam dispostos a enfrentar qualquer tribulação por amor a Cristo. Jesus respondeu que eles certamente seriam chamados a beber do cálice de Jesus, e seriam batizados com o seu batismo de sofrimento: Tiago morreu como um mártir (Atos 12.2); João viveu muitos anos passando por perseguições, antes de ser forçado a viver os últimos anos de sua vida no exílio, na ilha de Patmos (Apocalipse 1.9).

Embora estes dois discípulos fossem enfrentar grande sofrimento, isto ainda não significaria que Jesus iria conceder o pedido de grande honra que haviam feito. Jesus não tomaria esta decisáo; em vez disso, aqueles lugares estavam preparados... para aqueles a quem está reservado. A onisciência de Deus está revelada na declaração de Jesus; Ele já sabia quem receberá aqueles lugares de grande honra.

Mc 10.41,42 Os outros dez discípulos ficaram indignados, provavelmente porque todos os discípulos desejavam honra no Reino. As atitudes dos discípulos se degeneraram em puro ciúme e rivalidade. Jesus lhes explicou a diferença entre os reinos que eles viram no mundo e o Reino de Deus, que eles ainda não haviam experimentado. Os reinos do mundo (um exemplo óbvio era o próprio Império Romano) têm tiranos e altos oficiais que se assenhoreiam do povo, exercendo autoridade e exigindo submissão.

Mc 10.43-45 O Reino de Jesus já havia começado bem ali, em meio àquele grupo de doze discípulos. Mas o Reino não foi estabelecido com alguns que poderiam dominar sobre outros. Em vez disso, o maior seria o servo de todos. Um verdadeiro líder possui o coração de um servo, ajudando os outros com boa vontade, quando necessário. Os líderes servos apreciam o valor dos outros e percebem que não estão acima de nenhuma tarefa. Não são invejosos quanto aos dons de outra pessoa, mas cumprem alegremente as suas obrigações. Os discípulos não poderiam se enganar com a explicação de Jesus de que eles deveriam servir de uma forma sacrificial. Somente com tal atitude os discípulos seriam capazes de desempenhar a missão de compartilhar o Evangelho por todo o mundo.

Jesus era seu exemplo perfeito de um líder servo, porque Ele veio aqui não para ser servido, mas para servir os outros, e para dar a sua vida em resgate de muitos. A missão de Jesus era servir - em última análise dando a sua vida a fim de salvar a humanidade pecadora. Sua vida não foi “tirada”; Ele a “deu”, a ofereceu como um sacrifício pelos pecados do povo. Um resgate era o preço pago para libertar um escravo da escravidão. Jesus pagou um resgate por nós, e o preço exigido foi a sua vida. Jesus tomou o nosso lugar; Ele morreu a morte que merecíamos.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 1. pag. 259- 261.

Ambição de Tiago e João (10.35-45)

Ao ler esses versículos ficamos chocados com a falta de espiritualidade dos discípulos - a memória curta (9.33-35) e o descarado egoísmo deles. Mas também ficamos impressionados com a incrível paciência e sabedoria do nosso Mestre. Jesus mal tinha acabado de lhes dar uma outra detalhada previsão de Sua paixão, que se aproximava, quando Tiago e João (35), evidentemente instigados pela mãe deles (Mt 20.20-21), aproximaram-se e fizeram uma pergunta digna de uma criança: Queremos que nos faças o que pedirmos. Era o mesmo que pedir para assinar um cheque com a quantia em branco! Pacientemente, Jesus perguntou: Que quereis que vos faça? (36).

Crendo que Jesus estava prestes a estabelecer o reino messiânico, os Filhos do Trovão pediram o máximo possível. Concede-nos que, na tua glória, nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda (37). “O grande vizir se colocava à mão direita de seu soberano, e o comandante-em-chefe à sua esquerda.” Eles estavam procurando ocupar as posições de maior autoridade. Que sofrimento isso deve ter causado ao Senhor!

Enquanto Ele estava pensando em uma cruz, eles estavam pensando em coroas. O fardo do Senhor se confrontava com a cegueira deles, e o seu sacrifício com o egoísmo que demonstravam. Ele só queria dar, mas eles só queriam receber. A motivação dele era servir; a deles era a própria satisfação pessoal.

Não sabeis o que pedis (38) foi a triste réplica de Jesus. Em seguida vieram perguntas para investigar a mente desses ambiciosos jovens e levá-los a um melhor entendimento do Reino. Podeis vós beber o cálice de um sofrimento interior e de uma agonia que eu bebo (cf. SI 75.8; Is 51.22; Jo 18.11) e vos submeter ao batismo de uma esmagadora tristeza (cf. Is 43.2; Lc 12.50) - ou de uma visível perseguição e aflição - com que eu sou batizado? Em outras palavras: “Podeis suportar ser atirados às provações que estão prestes a me esmagar?” Como futuros mártires, desde os dias dos Macabeus, Tiago e João disseram: Podemos (39). A impetuosidade deles é admirável e até espantosa. No entanto, eles estavam falando uma parte da verdade. Em seu devido tempo eles iriam realmente beber o cálice da agonia de Jesus e experimentar um pouco do Seu batismo de morte, como está confirmado em Atos 12.2 e Apocalipse 1.9.

Com respeito ao pedido de posições de autoridade, Jesus entendeu que “é o mérito, não o favor... nem a busca egoísta... que assegura a promoção no Reino de Deus”. O assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence, “mas isso é para aqueles a quem está reservado” (40). Lugares de honra - e sua correspondente responsabilidade - não são distribuídos a pedido. Eles ocorrem, na própria natureza do Reino, àqueles que estão preparados para eles por meio das qualidades de caráter e espírito (cf. SI 75.6).

Se os dois filhos de Zebedeu aparecem sob um aspecto pouco favorável, os dez discípulos restantes não eram melhores que eles, pois quando ouviram isso começaram a indignar-se contra Tiago e João (41). A discussão anterior sobre “qual era o maior” (9.34) surgiu novamente. Com incansável persistência, Jesus, chamando-os a si, procurou mostrar-lhes a Sua “escala de valores”.

Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes (literalmente, “aqueles que parecem governar”) delas se assenhoreiam (42). Os discípulos sentiram o aguilhão dessas palavras ao se lembrarem das táticas opressoras dos governadores das províncias. Mas entre vós não será assim (43). O grande entre os seguidores de Jesus será aquele que quiser ser um serviçal (ministro) e servo (escravo) de todos (44).

Os Reinos da terra passam Em púrpura e ouro;

Eles nascem, florescem e morrem,

E é tudo que se sabe da sua história.

Só um Reino é Divino,

E só uma bandeira ainda triunfa,

Aquele cujo Rei é um servo,

E, seu emblema, um patíbulo na colina.

Mas por que teria que ser assim? “Porque o próprio Filho do Homem não tinha vindo para ser servido, mas para servir” (45, Goodspeed). Nisto, Cristo nos deixou o exemplo que devemos imitar, seguindo as Suas pisadas (1 Pe 2.21).

A parte restante do versículo 45 é fundamental para a doutrina da expiação. O Filho do Homem... veio... para servir e dar a sua vida em resgate (lutron, “o dinheiro do resgate pago pela libertação de um escravo”)68 de muitos. A expressão de muitos, que literalmente significa “em lugar de” ou “em vez de” indica o elemento da substituição, essencial para o entendimento bíblico da expiação. Essa grande passagem “mostra claramente como Jesus sabia que havia sido chamado para fundir em Seu próprio destino os dois papéis de Filho do Homem (Dn 7) e de Servo do Senhor (Is 53)”.

Os versículos 32-45 podem ser assim esboçados: 1) Auto sacrifício, 32-34; 2) Busca interesseira, 35-40; 3) Serviço abnegado, 41-45.

Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 288-289.

II - A INSTITUIÇÃO DOS DIÁCONOS

  1. O conceito da função.

DIÁCONO Sua forma verbal (diakonein) significa "servir", particularmente "servir às mesas" (cf. Arndt, p. 183). Tem a conotação de um serviço muito pessoal, intimamente relacionado com servir por amor. Para os gregos, o serviço era raramente dignificado; o desenvolvimento próprio deveria ser a meta de uma pessoa ao invés da humilhação própria. Enquanto a LXX não usa a palavra diakonein ("servir"), o judaísmo conserva uma visão diferente sobre o serviço. Isso está exemplificado no segundo mandamento: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19.18; cf. Mc 12.31). Foi isso que o nosso Senhor ensinou quando lavou os pés de seus discípulos, acrescentando: "Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.15). O uso generalizado da palavra "diácono" no NT foi classificado por H. W. Beyer ("Diakoneo, etc", TDNT, II. 81-93) e foram sugeridas as seguintes formas adaptadas: (1) "o servente em uma refeição" (Jo 2.5,9); (2) "o servo de um mestre" (Mt 22.13; Jo 12.26); (3) "o servo de um poder espiritual", bom (Cl 1.23; 2 Co 3.6; Rm 15.8) ou mau (2 Co 11.14ss; Gl 2.17); (4) "o servo de Deus" (2 Co 6.3ss.) ou de Cristo (2 Co 11.23) como no caso de Paulo, ou como foi aplicado a seus companheiros de trabalho (1 Ts 3.1-3; 1 Timóteo 4.6; Cl 1.7; 4.7); (5) "os [gentios como] servos de Deus" (Rm 13.1-4); (6) "um servo da igreja" (Cl 1.24,25; 1 Co 3.5). Nos escritos gregos esse nome está relacionado muito de perto com o sentido do verbo. Ele descreve um atendente à mesa, um servo, um mensageiro, um garçom e ainda era usado com referência a ocupações específicas, como padeiro ou cozinheiro. O termo aparece poucas vezes na LXX e sempre comum sentido secular. Ele descreve os servos do rei em Ester 1.10; 2.2; 6.3,5. Em Provérbios 10.4 (na LXX) o tolo deve ser "servo" do sábio. Josefo, o historiador da nação judaica, caracterizou Eliseu como "discípulo e servo" de Elias".

Quando a palavra diaconato apareceu pela primeira vez na igreja primitiva? Foi em Atos 6.1-6? Na passagem que trata da escolha e nomeação dos sete, a palavra "diácono" não aparece. E enquanto os termos diakonia ("ministério" ou "serviço") e diakonein ("servir a uma mesa") realmente aparecem (At 6.1,2,4) eles são usados, segundo parece, em um sentido não técnico, isto é, eles se referem a trabalhadores e não aos ocupantes de um posto. Isso está indicado pela expressão "servir às mesas" e pela referência ao ministério da Palavra, onde o mesmo termo aplica-se a ambos os tipos de serviço. Lightfoot (na obra Philippians, pp. 188ss.) considera os sete como os primeiros diáconos, pois (1) seus deveres eram semelhantes àqueles que desde essa época haviam caracterizado o "diaconato"; por exemplo, o cuidado para com as viúvas e os órfãos, e a prática de atos de caridade. (2) Era uma função recém criada sem se igualar ao ministério levítico, nem ao ministro da Sinagoga (o Chazan). E, (3) o ministério de ensinar como, por exemplo, o de Estevão e Felipe, era um incidente do ofício introduzido apenas pela necessidade das circunstâncias. Rackam (na obra Acts, pp. 82-86) conclui que o "ofício" em Atos 6 era "único, isto é, único no mesmo sentido do apostolado". Os sete diáconos correspondem aos 12 discípulos, e a lista completa de seus nomes mostra essa relação. Portanto, nesses dois grupos estão os ancestrais dos presbíteros e dos diáconos. Em Romanos 16.1, Paulo refere-se a Febe como diakonon ("diaconisa" q.v.) da igreja de Cencréia. Seria ela uma ocupante do cargo ou a palavra simplesmente descreve seus serviços na comunidade? E impossível dizer. Por exemplo, no caso da referência às mulheres em 1 Timóteo 3.11 seriam elas esposas dos diáconos ou seriam "diaconisas"? Com referência a uma pessoa que ocupa um cargo específico na igreja, a palavra diakonos ("diácono") ocorre em apenas duas passagens do NT. Filipenses 1.1 e 1 Timóteo 3.8,12. O texto em Filipenses 1.1 contém a saudação de Paulo aos "bispos e diáconos". Embora nenhuma atividade esteja especificada aqui, elas representam duas funções existentes e relacionadas, consideradas como distintas no corpo dos santos em geral. Em 1 Timóteo 3.13, podemos observar a mesma relação: o "bispo" (w. 1-7) e o "diácono" (vv. 8-13). Os diáconos deviam ser homens de caráter disciplinado e de elevada reputação moral (w. 8,9), deviam estar qualificados para o cargo por se mostrarem "irrepreensíveis" (v. 10) e ter o controle de seus próprios

lares (v. 12). O fato de em seus ministérios de caridade e de auxílio entrarem em contato com o povo e com posses materiais, exigia qualidades especiais de caráter. Não deviam ser de "língua dobre" nem "cobiçosos de torpe ganância" (v. 8). Paulo não especifica como os diáconos deveriam ser escolhidos, no entanto eles deviam ser primeiramente "provados" e Timóteo esperava, certamente, estar capacitado a aprová-los. O desenvolvimento histórico do cargo do diácono está ligado ao do bispo. Veja Bispo para a questão da seleção. Em outras passagens do NT, Paulo usa o termo ministro para indicar a presença de seus companheiros no ministério do Evangelho -Timóteo (1 Ts 3.2), Tíquico (Cl 4.7), Epafras (Cl 1.7). O ministério do próprio Paulo (1 Co 3.5; 2 Co 3.6; 6.4; 11.15) assim como o ministério de Cristo (Em 15.8) também são designados dessa maneira. Essas últimas referências indicam que esse termo não era, de forma alguma, aplicado a serviços inferiores. W. M. D. e A. F. J.

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 552-553.

DIÁCONO

diakonos (em português, “diácono”), denota primariamente "criado", quer aquele que faz trabalhos servis, ou o ajudante que presta serviços voluntários, sem referência particular ao seu caráter.

A palavra está provavelmente relacionada com o verbo diõkõ. “apressar-se após, perseguir" (talvez dito originalmente acerca de um corredor). "Ocorre no Novo Testamento em alusão aos criados domésticos (Jo 2.5.9); ao governante civil (Rm 13.4); a Cristo (Rm 15.8; Gl 2.17); aos seguidores de Jesus em sua relação com o Senhor (Jo 12.26: Ef 6.21; Cl 1.7; 4.7); aos seguidores de Jesus em relação uns com os outros (Mt 20.26: 23.11: Mc 9.35; 10.43); aos servos de Cristo no trabalho de orar e ensinar (1 Co 3.5: 2 Co 3.6: 6.4; 11.23: Ef 3.7; Cl 1.23.25: 1 Ts 3.2; I Tm 4.6); àqueles que servem nas igrejas (Rm 16.1 [usado acerca de uma mulher só aqui no Novo Testamento]; Fp 1.1; 1 Tm 3.8.12); aos falsos apóstolos, servos de Satanás (2 Co 11.15).

O termo diakonos é usado uma vez onde. aparentemente, a referência é aos anjos (Mt 22.13); em Mt 22.3. onde a referência é aos homens, o termo doulos é usado** (extraído de Notes on Thessalonians, de Hogg e Vine. p. 91).

O termo diakonos deve. falando de modo geral, ser distinguido do termo doidos, "servo, escravo”: o lernio diakonos encara o servo em relação ao seu trabalho: o termo doidos o vê em relação ao seu mestre.

Veja. por exemplo. Mt 22.2-14; aqueles que chamam os convidados e os trazem (Mt 22.3.4.6.8.10) são os douloi: aqueles que executam a sentença do rei (Mt 22.13) são os diakonoi. Nota: Quanto aos termos sinônimos, leitourgos denota "aquele que executa deveres públicos"; misthios e misthôtos, “servo contratado"; oiketes, “servo doméstico**; huperetes. “funcionário subordinado que serve seu superior" (designava, originalmente. o remador da fileira de baixo numa galera de guerra); therapon, aquele CUJO serviço é O de liberdade e dignidade. Veja MINISTRO. SERVO.

Os denominados “sete diáconos" em At 6 não são mencionados por esse nome. embora o tipo de serviço no qual estavam engajados era do caráter daquele consignado para tal.

  1. E. VINE; Merril F. UNGER; Wllliam WHITE Jr. Dicionário VINE. Editora CPAD. pag. 563.
  2. Origem do diaconato.

O ministério ou serviço dos diáconos surgiu a partir de uma bênção, de um problema e de uma murmuração. A bênção foi o crescimento extraordinário dos que criam em Jesus e o aceitavam como Salvador, deixando o judaísmo e outras religiões e tornavam-se cristãos. O problema foi causado pela situação social de muitos que aceitavam a fé, especialmente envolvendo viúvas dos gregos ou gentios, que aceitavam o evangelho. A murmuração foi a reclamação desses, que se julgavam discriminados pelos líderes da Igreja, em relação ao atendimento de suas necessidades básicas. Diz o texto:

“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.1-7 — grifo nosso).

Mas os líderes da Igreja foram sábios. Não procuraram resolver tamanha questão sozinhos. Reuniram a multidão, em assembleia, a eclésia, e elegeram sete homens com qualidades exemplares sobre aquele “importante negócio”, para que os líderes pudessem perseverar “na oração e no ministério da palavra”. Na maioria das igrejas, os diáconos estão desviados da função para que foram instituídos, que foi cuidar da assistência social dos carentes. Mas sua escolha é de grande valor para o funcionamento ministerial das igrejas cristãs.

Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 141.

A instituição do diaconato

O diácono é o único ministério cristão a originar-se de um fato social; surgiu de uma premente necessidade da Igreja Primitiva: o socorro às viúvas helenistas. Atenhamo-nos no que diz o texto que escreveu Lucas (At 6.1-7). Do texto sagrado, apontemos alguma das razões que levaram os apóstolos a instituírem o diaconato:

  1. a) O crescimento da Igreja

Do Pentecostes à instituição do diaconato, a Igreja Primitiva cresceu de três mil convertidos, a cinco mil; a partir daí, o rebanho do Senhor não mais parou de multiplicar-se (At 2.41; 4.4). De forma que, em atos capítulo seis, o número de discípulos já havia superado a capacidade estrutural da Igreja (At 6.1). Crescendo o número de fiéis, cresceram também os problemas. Tivesse a Igreja se limitado aos cento e vinte, certamente nenhuma dificuldade teriam os primitivos cristãos. Não haveriam de precisar de diáconos, nem de pastores, e até os mesmos apóstolos seriam prescindíveis. Acontece que as grandes igrejas enfrentam grandes desafios, e demandam, por conseguinte, grandes soluções. Com a chegada das ovelhas, vai o aprisco deixando sua rotina, vai o pastoreio desdobrando-se em cuidados e desvelos pelas almas, e o Reino de Deus vai alargando suas fronteiras e descortinando os mais promissores horizontes.

  1. b) O descontentamento social

Relata-nos Lucas que “houve uma murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas daqueles estavam sendo esquecidas na distribuição diária”. Tal contingência não podia esperar; exigia imediata solução. Caso não houvesse uma alternativa urgente e satisfatória, a situação deteriorar-se-ia, agravando a injustiça social, e aprofundando a fissura entre os dois principais segmentos culturais da igreja em Jerusalém: os hebreus e os helenistas.

A situação que se desdenhava deixou os apóstolos mui preocupados. Como israelitas, sabiam eles que a injustiça e a desigualdade social eram intoleráveis aos olhos de Deus (Dt 15.7,11).

  1. c) O comprometimento do ministério apostólico

Continuassem os apóstolos a suprir as necessidades dos órfãos e das viúvas, haveriam de comprometer de forma irremediável as principais funções de seu ministério (At 6.2-4). Por isso deliberaram: “Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At 6.2-4). Como seria maravilhoso se os pastores seguissem o exemplo dos apóstolos! Infelizmente, não são poucos os que se acham de tal forma empenhados com os negócios materiais do rebanho, que já não têm tempo de orar, nem mais ligam importância à exposição da Palavra. Transformaram-se em meros executivos. Vivem mais preocupados com os rendimentos financeiros do redil do que com o bem-estar das ovelhas. Será que ainda não perceberam ter sido o diaconato instituído justamente para que os pastores nos entregassem amorosamente à oração e à proclamação dos conselhos de Deus? Queira o Senhor que, no termino de nosso ministério, possamos dizer como o apostolo Paulo: “Porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.27).

  1. d) A organização ministerial da Igreja

Até a instituição dos diáconos, a Igreja conhecia apenas o ministerial apostólico. Eram os apóstolos responsáveis inclusive pelo socorro cotidiano. E isto, como vimos, por pouco não compromete o desempenho do principal magistério da Igreja. Com a instituição dos diáconos, porém, formou-se a base do ministério eclesiástico. Levemos em conta também os anciãos; estavam eles sempre prontos a secundar os apóstolos. Mais tarde, o termo ancião (ou presbítero) passaria a ser sinônimo de pastor e bispo. Desde então, apesar das várias formas de governo eclesiásticos, a Igreja vem funcionando a contendo, cumprindo suas varias tarefas, tendo como base o modelo de Atos dos Apóstolos.Valdemir P. Moreira. Manual do Diácono.fonte estudaalicao.blogspot.com/mauricioberwald.comunidades.net