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Lição jovens o sermão do monte 2 trimestre 2017
Lição jovens o sermão do monte 2 trimestre 2017

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD


JOVENS 2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 1: As bem-aventuranças
Data: 02 de Abril de 2017


TEXTO DO DIA

“Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5.12).

SÍNTESE

As bem-aventuranças resumem perfeitamente o estilo de vida, bem como a visão de mundo, de todos os que, nascidos de novo, tornaram-se súditos do Reino e, por isso, veem as coisas sob a perspectiva de Cristo.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Sl 15.1-5
O perfil do salvo


TERÇA — Lc 6.20
A alegria do pobre


QUARTA — Lc 6.21
A alegria do faminto e do triste


QUINTA — Lc 6.22
A alegria dos desprezados


SEXTA — Lc 6.23
A alegria da identificação


SÁBADO — Lc 6.24-26
A tristeza da alegria mundana

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
DESTACAR a bênção da humildade, do choro e da mansidão;
EVIDENCIAR a felicidade dos sedentos e famintos por justiça, por misericórdia e por pureza;
RESSALTAR a bem-aventurança de ser pacificador, perseguido, caluniado e insultado.

INTERAÇÃO

Prezado professor, estamos iniciando mais um trimestre com a graça de Deus. Nesta oportunidade, nosso tema é o conhecido “Sermão do Monte” ou “Sermão da Montanha”, proferido pelo Senhor Jesus Cristo em Mateus 5 a 7. A despeito de esta passagem ser muito popular, seu ensino nunca foi tão necessário quanto hoje, pois há uma crise ética generalizada em diversas áreas da vida. Neste caso, o padrão de justiça do Reino de Deus é uma inspiração não apenas para os discípulos daquele tempo, mas também para os de hoje, e para toda a humanidade. É bom, contudo, lembrar que o referido Sermão não consiste de uma lista de “pode” e “não pode”, estando muito além desses aspectos.
O comentário foi escrito pelo pastor César Moisés, que além de exercer a chefia do Setor de Educação Cristã da Casa Publicadora das Assembleias de Deus e lecionar na Faecad, atua como palestrante nos eventos de Educação Cristã da Casa (Capeds, congressos e conferências) é pedagogo, pós-graduado em Teologia pela PUC-Rio, articulista, e possui várias obras lançadas pela CPAD.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Todos, indistintamente, procuramos a felicidade. De uma forma ou de outra, todos buscamos ser felizes. Sabe-se, porém, que a maneira como se dá tal busca, bem como a sua fonte, são as mais diversas possíveis, e dependem de cada cultura, sociedade, grupo, família e indivíduo. Nesta primeira aula, após apresentar o tema O Sermão do Monte de forma panorâmica e distinguir a justiça do Reino, das justiças dos escribas e fariseus, realize uma dinâmica de, no máximo oito minutos, com o propósito de contrastar a felicidade na perspectiva do Reino em relação à felicidade na ótica mundana. Divida o quadro em dois e escreva de um lado “Felicidade” e, do outro, “Infelicidade”. Questione os alunos a respeito do que seria felicidade e o inverso. Procure dirigir as respostas para que surjam as seguintes palavras-chaves: humilhação, choro, injustiça, perseguição, calúnia e insulto. Por exemplo: “Quando vocês são injustiçados, ficam felizes ou tristes?”. Conforme as respostas forem surgindo você deve anotá-las à parte. No entanto, depois de uns quatro minutos, separe as expressões acima do lado do quadro onde estiver escrito “Felicidade”. Leia com eles a leitura bíblica em classe e explique que ser feliz, isto é, “abençoado”, na perspectiva do Reino é justamente o contrário da visão mundana e materialista.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 5.1-12.

1 — Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
2 — e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo:
3 — Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus;
4 — bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
5 — bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
6 — bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
7 — bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
8 — bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
9 — bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
10 — bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus;
11 — bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa.
12 — Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

É impossível a qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, não se surpreender com o texto conhecido como “As bem-aventuranças”. São nove versículos que destacam condições, sentimentos e valores que o mundo de então, tal como o de hoje, rejeita. Isso porque na cultura “ensimesmada”, ou “autocentrada”, a simples demonstração do que significa viver sob a perspectiva de Jesus Cristo e do seu Reino, é algo inconcebível. Durante este trimestre teremos a oportunidade maravilhosa de estudar o “Sermão do Monte”. Uma passagem muito conhecida do Evangelho de Mateus que precisa, urgentemente, ser estudada. A justificativa para essa necessidade é que o ímpeto da juventude a predispõe a estar sempre em busca de uma causa ou motivo pelo qual lutar. Tal disposição e interesse não possuem em si nada de ruim, pois como seres humanos precisamos de um sentido para viver. O problema é quando uma ideologia, por exemplo, torna-se a orientação fundamental da existência de uma pessoa. Por mais justa que seja a referida ideologia, ela será boa para alguns, mas nunca para todos. Já o Evangelho, conforme iremos aprender com o estudo dos capítulos cinco, seis e sete de Mateus, é a Boa Notícia global que Deus nos trouxe através de Jesus Cristo: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17).

I. A FELICIDADE DOS HUMILDES, DOS AFLITOS E DOS CALMOS

1. A bem-aventurança dos pobres de espírito. Antes de pronunciar a primeira bem-aventurança, observa o evangelista Mateus, que Jesus “vê” a multidão (v.1). O “ver” aqui não é simplesmente enxergar ou contemplar, mas um olhar que contém compaixão e que se importa com o outro. Uma importante observação que aparece na versão bíblica Corrigida é que Ele, “abrindo a boca, os ensinava” (v.2). Não se trata de uma redundância, mas um registro que evidencia uma das formas, ou métodos, de Jesus ensinar, pois em outras ocasiões Ele o fez em silêncio (Jo 8.6,7; 13.3-17).
Em seu ensino, o Mestre destaca, em primeiro lugar, que é bem-aventurado ou feliz, os “pobres de espírito”, isto é, os humildes, pois “deles é o Reino dos céus” (v.3). Os pobres de espírito são aqueles que, por reconhecerem sua dependência de Deus, não se apoiam em méritos próprios e muito menos em alguma coisa que possuam. Justamente por isso, eles são felizes, pois confiam integralmente em Deus e vivem para Ele. Deles então é o Reino dos céus, uma vez que vivem, já aqui, àquilo que muitos só experimentarão no futuro: A alegria da plena comunhão com o Senhor Deus (Jo 15.11).
2. A bem-aventurança dos que choram. Há vários tipos de choro e também de motivações para chorar; contudo, o Mestre refere-se a quem chora de aflição. Tal aflição não é de ordem puramente material, mas uma angústia por ter de enfrentar as vicissitudes de um mundo caído sem, contudo, tornar-se perverso tanto quanto os maldosos (Mt 10.16). Longe de ser um sinal de fraqueza, o choro do aflito traz a oportunidade de consolo: Um consolo que, promete-nos a Palavra de Deus, será de um privilégio sem precedentes, pois o próprio “Deus limpará de seus olhos toda lágrima” (Ap 21.4).
3. A bem-aventurança dos mansos. Em tempos de disputa e de fervilhamento de grupos que se levantavam entre os judeus para reconquistar a soberania política, afirmar que felizes são os mansos, ou não-violentos, é um desafio. Exaltar a calma, a mansidão e a serenidade em um contexto belicoso representava uma afronta e até mesmo uma espécie de conformismo com a situação perante grupos radicais, como os zelotes, por exemplo (At 5.36,37). O Mestre, porém, não se importa com tal pensamento e reverbera o Salmo 37.11: “Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz”. A tão sonhada promessa de “posse da terra” não é uma conquista do braço, ou da força humana, mas uma posição reverente e calma por parte dos que creem que do “Senhor é a terra e toda a sua plenitude”, sabendo que “fiel é o que prometeu” e Ele a dará aos que nEle confiam (Sl 24.1; Hb 10.23).


Pense!

Diante de uma realidade como a nossa, em que se valoriza a ostentação, o pedantismo e tantas outras posturas altivas, como ser humilde, prezar o choro e demonstrar a serenidade e a calma?


Ponto Importante

Enxergar o mundo, e também enxergar-se, pela perspectiva do Reino, requer uma transformação da mente e do coração, destronando o nosso “eu” e concedendo o controle e o governo de nossa vida ao Rei dos reis e Senhor dos senhores.


II. A FELICIDADE DOS FAMINTOS E SEDENTOS DE JUSTIÇA, DOS MISERICORDIOSOS E DOS PUROS

1. A bem-aventurança dos famintos e sedentos de justiça. Das necessidades básicas, fome e sede são duas das principais. A ingestão de alimento é algo obrigatório e dela depende a sobrevivência. Ao dizer que “os que têm fome e sede de justiça” serão fartos ou saciados, Jesus não destaca qualquer espécie de “justiçamento”, ou seja, “punir aplicando uma forma de suplício corporal, em especial condenar à morte”, e muito menos o ajuntamento amotinado (Lc 9.51-56). O Mestre refere-se a um perfil de pessoa cujo desejo, vontade e aspiração pela justiça, tornaram-se parte de sua natureza. Essas pessoas não se comportam assim por querer “fazer tipo”. Não se trata disso. Elas sentem a dor do próximo e não somente as suas, e tal percepção as levam a sentir “fome e sede de justiça”, não como regras impostas, mas como sentimentos conscientes que fazem parte de sua natureza (Jr 31.33). Apesar de a satisfação plena dessas necessidades se dar apenas no futuro, na completude do Reino de Deus, é exequível, e recomendável, que se busque, tanto quanto possível, sua prática aqui e agora.
A bem-aventurança dos misericordiosos. O tema da misericórdia sucede o da justiça com um propósito muito claro: Para que ninguém pense que ter “fome e sede de justiça” é algo que se confunde com tornar-se “justiceiro”. Assim, exercer ou ter misericórdia é uma atitude benevolente (Mt 18.21-35; Ef 2.1-10). Vivendo em meio à opressão do Império Romano, era “comum” que os judeus tivessem ressentimentos. Tais sentimentos algumas vezes, encontravam-se entre eles mesmos. Um exemplo que ilustra o ponto é a antipatia dos judeus por seus pares que se tornavam publicanos (Mt 9.9-13). Enfim, em uma sociedade que cultua o revide, Jesus ensinou justamente o contrário, dizendo que felizes são os misericordiosos, pois eles serão tratados por Deus com a mesma benevolência com que trataram as pessoas que lhes ofenderam (Mt 18.35).
3. A bem-aventurança dos puros. A sexta bem-aventurança atinge o âmago do ser humano e é um tema caro ao judeu, tanto do mundo do Antigo Testamento quanto do Novo. Cria-se que o coração era a sede dos desejos humanos, por isso, ao contrário da religiosidade que valoriza meramente o exterior e a aparência, Jesus chama a atenção para o fato inegável de que os limpos, ou puros, de coração verão a Deus. É consenso entre os estudiosos que, neste trecho, o Mestre alude o Salmo 24,3,4. A pergunta do Salmo procura responder a um questionamento que ultrapassa o cumprimento do ritual exigido pela Lei para que o sacerdote pudesse oficiar o culto no Templo (Lv 16.1-14). Para estar no “lugar santo”, ou na “casa santa”, não bastava cumprir a pureza ritualística que poderia ser feita de forma mecânica e exterior; antes era necessário ter as mãos puras e um coração limpo, qualidades que apenas o Senhor verdadeiramente contempla e conhece. Os limpos de coração, ainda que não estivessem conforme os padrões da religiosidade oficial, veriam a Deus. Portanto, mesmo sendo esquecidos pelas pessoas, eles são felizes.


Pense!

É possível ter “fome e sede de justiça” e não se tornar um justiceiro?


Ponto Importante

Devido aos perigos que cercam as grandes virtudes, o Senhor Jesus fala da importância e da felicidade dos que almejam a justiça, ao mesmo tempo em que destaca o valor da misericórdia e da pureza de coração.


III. A FELICIDADE DOS PACIFICADORES, DOS PERSEGUIDOS E DOS CALUNIADOS

1. A bem-aventurança dos pacificadores. Em um contexto conflitante e de golpes de Estado, exaltar a paz e dizer que os que a promovem são felizes, visto que serão chamados “filhos de Deus”, é um desafio. Sobretudo, quando se estuda a passagem e se descobre que “paz” aqui não é, na acepção comum, unicamente “ausência de guerra”, isto é, algo passivo. Paz significa muito mais que isso no conceito bíblico, pois fala de algo concreto, ativo, prático e que deve ser promovido. Os pacificadores promovem a igualdade, a inteireza e a unidade (Is 52.7 cf. Pv 6.16-19). Essa atividade recebe essa linda promessa devido à importância da paz para toda a sociedade. Em um ambiente que vive cheio de intrigas e “pequenas guerras”, um pacificador tem um papel importante: Restabelecer a ordem e o equilíbrio entre as pessoas, gerando outro tipo de lugar, transformando radicalmente o meio (Hb 12.14; Pv 26.20).
2. A bem-aventurança dos perseguidos. Uma vez mais o Senhor Jesus surpreende ao sublimar uma situação que, em condições “normais”, todos rejeitam. É importante perceber que o sofrimento se dá em decorrência de a pessoa buscar fazer a vontade de Deus que é nada mais nada menos que a justiça. Ansiar por justiça, como já dissemos, sem, contudo, tornar-se justiceiro, sendo antes misericordioso, limpo de coração e promotor da paz, não pode resultar em outra coisa. A perseguição vem quase que automaticamente, pois o perseguido oferece ao mundo a oportunidade deste experimentar a paz, sem usar as ferramentas dos que oprimem em nome dela (Jr 6.13,14; 1Ts 5.3). Ser perseguido por causa da justiça significa viver, ainda que parcialmente, a glória do Reino, pois em um mundo onde reina a justiça segundo Deus, sem dúvida alguma, mesmo com perseguição, é infinitamente melhor que o mundo da falsa paz. A estes, ou seja, aos perseguidos, o Senhor pronuncia-lhes o mesmo que pronunciou aos pobres de espírito: Deles é o Reino dos céus.
3. A bem-aventurança dos insultados e caluniados. O Mestre chega ao ápice das bem-aventuranças com uma exaltação paradoxal: Felizes são os discípulos quando forem injuriados, perseguidos e caluniados por causa dEle (vv.11,12). Jesus diz que tal sofrimento é um privilégio, pois gerará uma grande recompensa ao mesmo tempo em que fará com que os discípulos se equiparem, e não apenas se identifiquem, com os profetas do Antigo Testamento (Jr 37.1—38.28). Uma vez que todos tinham os profetas em alta conta, dizer que tal situação os colocava no mesmo patamar era também uma forma de afirmar sua autoridade divina, pois os profetas no Antigo Testamento estavam a serviço de Deus e, justamente por isso, foram perseguidos. Se os discípulos sofrem por causa de Jesus e isso os equipara aos profetas, logo quer dizer também que eles sofrem por Deus.

 


Pense!

Em tempos de disputa, intriga e desconfiança, como ser um pacificador e promotor da igualdade?


Ponto Importante

O sofrimento que produz recompensa e gera equiparação, não pode ser motivado por erros e intransigências dos discípulos do Senhor. Tal ensinamento foi tão bem apreendido, que é reverberado pelo apóstolo Pedro (1Pe 4.12-16).


CONCLUSÃO

O início do Sermão do Monte, resumido nas bem-aventuranças, evidencia a diferença da atividade magisterial de Jesus em relação aos escribas, bem como denota a grande disparidade do conteúdo da mensagem do Evangelho em comparação com a exigência de memorização e o cumprimento de regras provenientes da religiosidade.

ESTANTE DO PROFESSOR

Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Volume I. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2009.

HORA DA REVISÃO

1. Qual a diferença entre a ideologia e o Evangelho em termos de benefício?
Por mais justa que seja a ideologia, ela é boa para alguns, mas nunca para todos. Já o Evangelho, conforme iremos aprender com o estudo dos capítulos cinco, seis e sete de Mateus, é a Boa Notícia global que Deus nos trouxe através de Jesus Cristo.

2. Explique o que Mateus quis dizer com os atos de Jesus ver a multidão e abrir a boca para ensinar.
O “ver” não é simplesmente enxergar ou contemplar, mas um olhar que contém compaixão e que se importa com o outro. De igual maneira, o “abria a boca” não se trata de uma redundância, mas um registro que evidencia uma das formas, ou métodos, de Jesus ensinar, pois em outras ocasiões Ele o fez em silêncio (Jo 8.6,7; 13.3-17).

3. O que significa ter “fome e sede de justiça”?
Não se trata de “justiçamento”, ou seja, “punir aplicando uma forma de suplício corporal, em especial condenar à morte”, e muito menos o ajuntamento amotinado (Lc 9.51-56). O Mestre refere-se a um desejo, vontade e aspiração pela justiça, que torna-se parte da natureza da pessoa, fazendo com que esta sinta a dor do próximo e não somente as suas, e tal percepção a leva a sentir “fome e sede de justiça”, não como regras impostas, mas como sentimentos conscientes que fazem parte de sua natureza (Jr 31.33).

4. Há algum propósito especial para Jesus ter ensinado sobre misericórdia logo após ter falado de justiça? Explique.
Para que ninguém pense que ter “fome e sede de justiça” é algo que se confunde com tornar-se “justiceiro”.

5. Equiparar o sofrimento dos discípulos ao que sucedeu aos profetas no Antigo Testamento acabou por revelar algo da natureza de Jesus. O que é?
Uma vez que todos tinham os profetas em alta conta, dizer que tal situação os colocava no mesmo patamar, era também uma forma de afirmar sua deidade, pois os profetas no Antigo Testamento estavam a serviço de Deus e, justamente por isso, foram perseguidos.

SUBSÍDIO

“As Bem-Aventuranças (5.1-12)
O que significa makarios? É difícil expressar em nosso idioma a força desta palavra grega e seu conceito hebraico subjacente. A tradução em português sagrou o termo ‘bem-aventurados’. Além de ser uma bênção ou pronunciamento de bênção que o falante estende aos ouvintes que se qualificam, é também uma declaração da realidade ou essência daqueles que mostram a virtude mencionada no pronunciamento. “As bem-aventuranças esboçam as atitudes do verdadeiro discípulo, aquele que aceitou as demandas do Reino de Deus em contraste com as atitudes do ‘homem do mundo’, e as apresentam como o melhor meio de vida não apenas na sua bondade intrínseca, mas também nos resultados’ (France, 1985, p.108). Nenhuma palavra em nossa língua expressa adequadamente as nuanças do grego ou do hebraico.
‘Estas beatitudes estabelecem o sentido e a substância do restante do sermão. As questões da pobreza de espírito, choro, mansidão, justiça, misericórdia, limpeza do coração, paz e perseguição são desenvolvidas nos demais ensinos. Portanto temos de explorar cuidadosamente o significado de cada bem-aventurança para Jesus, a cosmovisão hebraica e a Igreja. Devemos tomar cuidado para distinguir estes conceitos das noções modernas que levam o mesmo nome‘” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.34-35).

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 2: Sal da terra e luz do mundo
Data: 9 de Abril de 2017


TEXTO DO DIA

“Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto” (Lc 6.43).

SÍNTESE

O que realmente somos acaba sendo revelado pelas nossas atitudes, por isso, é importante que nos comportemos de modo a glorificar a Deus.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — 1Tm 4.12
Sendo exemplo na juventude


TERÇA — Gn 41.38
Um jovem exemplar


QUARTA — Tt 2.7
Ser exemplo em tudo


QUINTA — 1Pe 5.3
A liderança deve dar o exemplo


SEXTA — 1Ts 1.6,7
Uma igreja exemplar


SÁBADO — Jo 13.13-15
O maior exemplo

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
RELACIONAR a salinidade do cloreto de sódio com a influência do crente;
EXPLICAR com a ajuda da figura da luz, como é possível ser notado e ao mesmo tempo ser discreto;
RESSALTAR a importância do exemplo como forma eficaz de pregar o evangelho.

INTERAÇÃO

Grande parte do tema do Sermão do Monte pertence claramente ao campo da teologia prática. O assunto principal não tem conotação transcendental, por assim dizer, mas trata de questões referentes ao caráter e ao comportamento de todo aquele que é discípulo de Cristo. Um novo estilo de vida é delineado pelo Mestre no seu célebre Sermão. Uma forma de viver que colide com os interesses materialistas, políticos, religiosos e egoístas que nos são ensinados desde a mais tenra idade. O choque gerado pela proposta de tal estilo de vida, não ficou no passado, pois nos dias atuais ele é ainda maior, visto que não somos ensinados a ver os valores do Reino de Deus como algo a ser acolhido, mas evitado. Em tempos de superexposição, sobretudo através das redes sociais, a mania é passar uma imagem irreal de si visando impressionar estranhos e conhecidos. Um discurso que prega a discrição e a influência através do exemplo sincero, não é apenas desafiador como, na ótica mundana, retrógrado e fora do seu tempo. Não obstante, vamos aprender que é dessa forma que o Mestre viveu e ensinou-nos a viver.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Inicie a aula de hoje falando a respeito do conceito de “essencial”. Essencial refere-se a tudo aquilo que é necessário, imprescindível, indispensável e que, portanto, não pode ser ignorado. Fale acerca da alimentação, destacando a questão do sabor. A fim de exemplificar, mencione o principal elemento que proporciona sabor aos alimentos das refeições principais. Poucos alimentos, sejam de origem vegetal ou animal, possuem um sabor que dispensa o uso do sal. É, porém, curioso o fato de que o sal só é bom quando sua presença não é “notada”, isto é, quando o alimento não está salgado acima do tolerável e nem sem sal algum. Portanto, na medida certa, o sal deve estar presente em quantidade apropriada, pois no saleiro ele não faz efeito algum e em demasia torna-se motivo de rejeição da comida e causa até mesmo doenças. De igual forma, fale brevemente sobre a essencialidade da luz. Assim como o sal, ela não serve para que a contemplemos diretamente, mas para iluminar o ambiente, fazendo com que vejamos tudo à nossa volta facilitando a execução das tarefas. Nem precisa dizer o quanto sua falta é altamente danosa. Encerre esse período inicial de “quebra-gelo” dizendo que Jesus comparou os filhos do Reino, seus discípulos, ao sal da Terra e à luz do mundo.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 5.13-16.

13 — Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.
14 — Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
15 — nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16 — Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Após afirmar aos seus discípulos que eles, por terem aceitado o seu chamado, eram felizes por estar em situações (e/ou condições) indesejáveis e de fraqueza perante a lógica mundana, Jesus passa agora a incentivá-los a assumir suas vocações. Ele o faz utilizando dois elementos imprescindíveis à vida e conhecidíssimos por todos: o sal e a luz. Tal como os discípulos, por timidez ou por qualquer outra razão, muitas vezes somos impelidos a fugir da nossa tarefa. Contudo, o Mestre nos exorta a assumir nossa verdadeira natureza levando as pessoas sem Deus a glorificá-lo por causa da nossa ação transformadora no mundo.

I. INSIPIDEZ E SALINIDADE

1. O sal da Terra. Na condição de seguidores de Jesus, os discípulos perderam o “prestígio” da sociedade religiosa de sua época (Jo 12.42,43), visto que aderiram ao “movimento de um homem só”, que não pretendia nada a não ser a salvação das pessoas (Mt 18.11). Por isso mesmo, na condição de “pobres de espírito”, aflitos, mansos, injustiçados, misericordiosos, puros, pacificadores, perseguidos e, como foi previsto, futuramente caluniados e, consequentemente, presos, era preciso que eles entendessem não apenas a felicidade verdadeira que tal situação proporcionava, mas também o que agora lhes cabia (Mt 5.3-12). Nesse momento o Mestre não diz para os discípulos “serem”, mas afirma que eles “são” o sal da Terra, ou seja, do planeta inteiro, o “sal de toda a Terra” (v.13).
2. A insipidez da salinidade. Sabe-se que o sal é uma substância extraída do mar e precisa passar por um processo de “beneficiamento” para, só então, ser utilizado domesticamente. Diz-se que em função de uma má conservação ou manipulação, o cloreto de sódio pode tornar-se imprestável. Não obstante, este não era o caso aludido pelo Mestre. Tratava-se de uma pergunta praticamente retórica e inimaginável (Mc 9.50). Como a salinidade pode tornar-se insipidez ou insossa? (v.13) Como deixar de assumir o que se é, tornando-se algo que contraria a sua natureza?
3. O desprezo público. Caso isso viesse acontecer, o resultado não poderia ser outro. Um sal que não salgasse certamente não serviria para mais nada, pois deixaria de ser o que ele é. Lamentavelmente, ele teria de ser lançado fora, jogado no lixo (Lc 14.34,35).


Pense!

Hoje, o sal é até mesmo colorido e serve para se fazer algumas decorações. Porém, a sua função primária é salgar, dar sabor aos alimentos. O que seria da humanidade se caso o cloreto de sódio não viesse mais a salgar?


Ponto Importante

A razão de ser de todas as coisas consiste em cumprir sua função. Quando tal função, ou objetivo, não é cumprida, o que pode ocorrer é o desprezo e a substituição.


II. DISCRIÇÃO E NOTORIEDADE

1. A luz do mundo. Em seu ensino, Jesus utiliza outro elemento imprescindível ao ser humano — a luz (v.14). Novamente Ele é afirmativo: “Vós sois”. Se o são, não há como fugir, é preciso cumprir a função que cabe ao que se é. Luz serve para iluminar, e deve cumprir essa função (Fp 2.15).
2. Discrição e notoriedade. Se uma cidade foi construída sobre um monte, torna-se impossível escondê-la, pois no período noturno, os seus habitantes acenderão as luzes e todos contemplarão, ao longe, a cidade (v.14). É impossível querer esconder-se ou ser “discreta” se foi erigida sobre um lugar alto.
3. Fora de lugar. Jesus especifica ainda mais seu exemplo e diz que ninguém, obviamente que em sã consciência, acende uma lâmpada e a coloca debaixo da mesa ou sob um balde. Antes, a lâmpada é colocada em um local apropriado, geralmente no teto, para que sua iluminação seja distribuída em todo o ambiente (v.15).


Pense!

A discrição é sempre bem-vinda. No entanto, a omissão é terminantemente desaconselhada, pois traz incontáveis problemas a quem depende de uma atitude por parte do omisso.


Ponto Importante

Adorar a Deus é uma das maiores oportunidades que o ser humano tem de reconhecer o senhorio do seu Criador e Senhor.


III. EXEMPLO E CLARIDADE

1. O exemplo como luz. O Mestre encerra o seu ensino acerca desse aspecto dizendo que assim como a luz produz claridade e proporciona visibilidade aos da casa, os discípulos devem mostrar-se à sociedade a fim de que as pessoas contemplem suas ações e “vejam”, ou seja, enxerguem a realidade através deles (v.16).
2. Boas obras. Da mesma forma que a luz gera luminosidade, dos discípulos se espera boas obras, bons exemplos, pois este é o resultado natural de quem agora eles são (Ef 2.10). Conforme ensinou o Mestre, “não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto” (Lc 6.43).
3. Glorificação de Deus. Sendo luz, ou seja, produzindo claridade e mostrando-se às pessoas através de suas boas obras os discípulos, aqui na Terra, proporcionariam a oportunidade de, até mesmo aqueles que não criam, glorificar a Deus, o Pai que está no céu de onde vem a capacidade de os discípulos brilharem (v.16; Jo 12.35,36 cf. Tg 1.17).


Pense!

Uma luz que não ilumina é uma contradição de termos. O que uma lâmpada precisa para funcionar? Há toda uma estrutura para ela produzir luz. E nós, podemos brilhar sozinhos?


Ponto Importante

A luz não é um fim em si mesmo. Seu valor está em fazer com que se enxergue por causa dela. Não somos o centro das atenções, mas os que proporcionam às pessoas ver ao Pai em nossas ações e, assim, glorificá-lo.

 

 


CONCLUSÃO

Boas obras não são ações para a salvação; elas são o resultado normal desta. Como discípulos de Cristo, o produto final de nosso discipulado é a glória de Deus entre os que não conhecem a Ele, a fim de despertá-los para que creiam no Pai.

ESTANTE DO PROFESSOR

GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Templos Bíblicos. 2ª Edição. ed. RJ: 2012.

HORA DA REVISÃO

1. Após a afirmação dos discípulos com as bem-aventuranças, o que o Mestre lhes diz?
Jesus passa agora a incentivá-los a assumir suas vocações.

2. O que o Senhor quis dizer ao revelar que os discípulos eram o “sal da Terra”?
Eles precisavam entender não apenas a felicidade verdadeira que tal situação proporcionava, mas também o que agora lhes cabia (Mt 5.3-12).

3. É possível esconder-se estando em uma posição que “brilha”? Por quê?
Resposta pessoal.

4. O que se espera de quem é discípulo de Cristo? Explique.
Dos discípulos se espera boas obras, bons exemplos, pois este é o resultado natural de quem agora eles são.

5. O que as boas obras produzem para Deus?
A oportunidade de, até mesmo os que não creem glorificar a Deus, o Pai que está no céu.

SUBSÍDIO

“O Sal e a Luz (5.13-16)
O ‘sal’ é valorizado por dois atributos principais: gosto e conservação. Não perde sua salinidade se é cloreto de sódio puro. Isto nos leva à sugestão do que Jesus quis dizer quando disse [que] os discípulos deixariam de ser discípulos se eles perdessem o caráter de sal. O sal não refinado extraído do mar Morto continha mistura de outros minerais. Deste sal em estado natural o cloreto de sódio poderia sofrer livixiação em consequência da umidade, tornando-o imprestável (Jeremias, 1972, p.169). O ensino rabínico associava a metáfora do sal com sabedoria. Esta era a intenção de Jesus, visto que a palavra grega traduzida por ‘nada mais presta’ tem ‘tolo’ ou ‘louco’ como seu significado radicular. É tolice ou loucura os discípulos perderem o caráter, já que assim eles são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e colhem o desprezo de ambos.
No Antigo Testamento ‘luz’ está associada com Deus (Sl 18.28; 27.1), e o Servo do Senhor e Jerusalém estão revestidos com a luz de Deus. O Servo será luz para os gentios, e todas as nações virão à luz de Jerusalém (Is 42.6; 49.6; 60.1-3). É neste sentido de ser luz para as nações que Jesus identifica os discípulos como luz. Esta ideia antecipa a conclusão do Evangelho de Mateus: ‘Portanto, ide, ensinai todas as nações [ou fazei discípulos]’ (Mt 28.19). No capítulo anterior, Mateus identificou Jesus como a ‘grande luz’ de Isaías na Galileia gentia (Mt 4.15,16). Agora os discípulos são chamados para serem portadores da luz” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.43-44).

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 3: A Lei e a Justiça no Reino
Data: 16 de Abril de 2017


TEXTO DO DIA

“Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).

SÍNTESE

A postura de Jesus em relação à Lei ensina-nos como deve ser o comportamento de todo aquele que se tornou seu discípulo.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Lc 16.17
A Lei cumprida integralmente


TERÇA — Mt 11.13; Lc 16.16
A duração da Lei


QUARTA — Rm 13.10
O cumprimento da Lei


QUINTA — Rm 13.8
Quem ama, cumpriu a Lei


SEXTA — Rm 14.17
O que o Reino de Deus não é


SÁBADO — Rm 13.5
Obedecer pela consciência

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
ESCLARECER a validade atribuída por Jesus à Lei e a consideração que Ele tinha por ela;
SUBLINHAR a perspectiva de Cristo acerca da Lei e do exercício do ensino;
DISTINGUIR as três justiças que são abordadas pelo Mestre no Sermão do Monte.

INTERAÇÃO

Com propriedade já foi dito que saímos de uma época em que “tudo era pecado” e adentramos outra, bem pior, onde “nada é pecado”. Não obstante, tais extremismos serem exemplificados pelo binômio “Lei X Graça”, tal divisão não procede da Bíblia, e sim de uma banalização de ambos os conceitos. Somos habituados aos extremos, por isso, acabamos não entendendo que a Lei não servia para proporcionar salvação, mas para proteger a própria pessoa, de si e dos outros, normatizando a vida em sociedade, pois isto também agrada a Deus. De igual forma, com o primeiro advento de Cristo, não houve uma abertura permissiva como se vê agora, pelo fato de a salvação não ser mérito pessoal de ninguém, pudéssemos fazer o que bem entendemos. Quem foi alcançado pela graça de Deus sente-se constrangido a fazer as coisas certas, não para alcançar a salvação, mas justamente por ser salvo. No que se refere à postura de Jesus a respeito da Lei, não há nenhuma contradição, pois a legislação mosaica, por não ter sido integralmente cumprida por nenhum ser humano, receberia do Filho de Deus sua completude e acabamento, daí porque Ele afirmar que não veio para aboli-la, e sim cumpri-la.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Na aula de hoje você terá oportunidade de abordar, no Tópico III, a importante questão dos três tipos de justiça ensinados no Sermão do Monte. A audiência de Jesus é composta por, no mínimo, três públicos distintos. É interessante que tal distinção seja feita, pois muita confusão ocorre por causa da falta de entendimento desta realidade. Uma vez que a “justiça do Reino” vai além das outras duas, é importante perguntar: A diferença é quantitativa ou qualitativa? Após esta inquirição inicial, apresente o quadro abaixo (de acordo com as suas possibilidades) e deixe bem claro as diferenças de abordagem do texto bíblico, dizendo que nas lições seguintes serão realizados os devidos desdobramentos.


TEXTO BÍBLICO

Mateus 5.17-20.

17 — Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 — Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19 — Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.
20 — Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Muitos comentaristas e estudiosos da Bíblia afirmam que os quatro versículos do texto bíblico acima são os principais do Sermão do Monte, pois revelam a finalidade do ensinamento do Mestre. É importante observar que Jesus não desconsidera a Lei, mas afirma que veio completá-la. Ele ainda adverte para os perigos de se violar os mandamentos e ensiná-los de forma deturpada, mas também fala da honra de cumpri-los e ensiná-los corretamente. Ao final resta-nos, como discípulos dEle, o desafio de viver instruídos sob outra perspectiva, distinta da legalista e burocrática da religião. Na verdade, o desafio é assumir a perspectiva do Mestre que, disse Ele claramente, não veio fazer a sua vontade, mas a do Pai que o enviou (Jo 5.30).

I. JESUS E SUA RELAÇÃO COM A LEI

1. Abolição ou completude da Lei. À crítica infundada dos mestres de Israel de que Jesus desfazia da Lei, o Filho de Deus respondeu que não veio abolir a Lei ou os Profetas, ou seja, desfazer esses textos e seus ensinamentos, antes, uma parte de sua missão era justamente completá-la (v.17 cf. Rm 10.4). “Completar” aqui nada tem com reparar, antes significa dar-lhe pleno cumprimento.
2. A validade da Lei. A afirmação do versículo 18 deve ser lida tendo em mente que o Mestre utilizava figuras de linguagem, entre elas a hipérbole, que consistia em exagerar na expressão de uma ideia para demonstrar o seu valor (Mt 19.24-26). Assim, o Mestre refere-se à passagem do céu e da Terra, bem como ao conteúdo da Lei, mencionando o jota, isto é, o yod que é a menor letra do alfabeto hebraico, e fala de um “til” que, no contexto do versículo, alude a um tracinho que, para nós, seria como uma vírgula; tudo para expressar o seu respeito pela Lei e também o quanto ela falava dEle (Lc 24.44).
3. Jesus e o cumprimento da Lei. É importante perceber que nos versículos 17 e 18, Jesus está falando de sua relação com a Lei. Dessa forma, Ele assinala que até mesmo o “céu e a terra passarão, mas [as suas] palavras não hão de passar” (Mt 24.35). Em outros termos, até que tudo que a Lei requer idealmente não tenha encontrado a sua plenitude definitiva, nada de escatológico acontecerá, nenhuma “transformação” deve ser esperada na Terra e muito menos no céu.


Pense!

De que forma o Senhor Jesus “completou” a Lei?


Ponto Importante

Tendo Jesus Cristo cumprido toda a Lei, resta-nos saber qual deve ser o nosso relacionamento com ela.


II. ENSINO E RECONHECIMENTO

1. A Lei na perspectiva de Cristo. No versículo 19, o Mestre antecipa a responsabilidade que cada discípulo deve ter no que diz respeito à ressignificação que Ele dará à Lei. Todos os “mandamentos” a que o Senhor se referiu deverão ser observados a exemplo dos grandes princípios que Ele extraiu de cinco dos mandamentos, demonstrando com isso que obedecer a Deus vai muito além da observância mecânica de regras (vv.21-48).
2. “Maior” e “menor” no Reino. O Senhor utiliza uma linguagem corrente entre os discípulos para despertar a atenção (Mt 18.1-4; Mc 9.33,34; Lc 9.46). Comparando esse texto com os ensinamentos do Mestre em outras oportunidades, é perceptível que Ele não apoia qualquer tipo de disputa que resulte em distinção entre as pessoas (Jo 17.20.23).
3. O ensino no contexto do Sermão do Monte. A ideia de que o ensino pode ser meramente teórico e sem implicações práticas na vida das pessoas parece estranha na perspectiva e no contexto do Sermão do Monte. O Mestre fala de pessoas que “violam”, ou transgridem, e ensinam os outros a fazer o mesmo através de sua prática e também da teoria. De igual forma, Ele destaca a posição dos que praticam corretamente e assim também instruem os outros a fazer o mesmo (v.19).


Pense!

O que você acha de alguém que ensina corretamente e age de maneira errada? E vice-versa?


Ponto Importante

É imprescindível entender que Jesus utiliza figuras de linguagem e lança mão de expressões e costumes de sua época para ensinar grandes lições.


III. A JUSTIÇA NA PERSPECTIVA DO REINO

1. O ensino fundamental do Sermão do Monte. A expressão “justiça”, utilizada por Jesus no versículo 20, só pode ser plenamente entendida à luz dos princípios que serão expostos na sequência (vv.21-48). Entretanto, fica subentendido que ela significa algo como a motivação íntima que orienta cada um a fazer aquilo que é certo ou que se julga correto. A mesma expressão, e com o mesmo significado, pode ser encontrada em outras partes desse mesmo Evangelho (Mt 3.15; 5.6,10; 6.33; 21.32).
2. Ultrapassando a “justiça farisaica”. A justiça dos discípulos deve ultrapassar a dos escribas e fariseus, ou seja, eles devem ter motivos mais nobres para observar os princípios, ou mandamentos, da Palavra de Deus. A motivação para se viver corretamente não pode vir de qualquer desejo de ser premiado e nem por medo algum de ser punido. Tampouco a referência de Jesus diz respeito à quantidade, antes, tem a ver com o aspecto qualitativo com que se obedece, isto é, com a disposição correta do coração (cf. Mt 7.15-23).
3. Três tipos de justiça: teológica, “piedosa” e do Reino. Apesar de parecer estar em pé de igualdade, escribas e fariseus são dois grupos distintos: os primeiros são os “teólogos” da época, intérpretes autorizados da Lei; ao passo que os segundos, são leigos piedosos, provenientes de todas as camadas sociais. Assim, para ambos os grupos há diferentes espécies de “justiça”. A dos escribas será contrastada nos versículos 21 a 48. Já a dos fariseus será objeto de análise do Mestre no capítulo 6, versículos 1 a 18. Finalmente, o último tipo de justiça, a do Reino, e, portanto, dos discípulos, vai do capítulo 6, versículo 19 até o capítulo 7, versículo 27.


Pense!

É possível agir corretamente mesmo que as motivações sejam erradas?


Ponto Importante

O discípulo, ou cidadão do Reino, não pode viver instruído por motivações de prêmio ou de castigo.


CONCLUSÃO

Mateus revela Jesus como Mestre da Palavra e da ação. Enquanto no Sermão do Monte Jesus é o ensinador da Palavra, nos capítulos seguintes Ele aparece curando e libertando pessoas. Além disso, o Mestre cumpriu a “justiça” tal como ensinava os seus seguidores a cumprir (Mt 3.15), deixando um grande exemplo de harmonia e coerência entre discurso e ação (Lc 24.19).

ESTANTE DO PROFESSOR

ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2011.

HORA DA REVISÃO

1. O que Jesus quis dizer quando falou que veio “cumprir a Lei”?
Ele veio completá-la, isto é, dar-lhe pleno cumprimento.

2. Por que o Mestre utiliza as expressões “maior” e “menor”?
Para despertar a atenção dos discípulos cuja linguagem corrente era esta.

3. O que significa justiça no contexto do Sermão do Monte?
Significa algo como a motivação íntima que orienta cada um a fazer aquilo que é certo ou que se julga correto.

4. Qual deve ser a motivação para se fazer o que é certo e agir corretamente?
A motivação para se viver corretamente não pode vir de qualquer desejo de ser premiado e nem por medo algum de ser punido.

5. Jesus falou de justiça na perspectiva do Reino, porque havia outros tipos. Cite os três tipos de justiça.
A dos escribas, a dos fariseus e a do Reino.

SUBSÍDIO I

“Jesus É o Cumprimento da Lei (5.17-48)
Os oponentes de Jesus o criticavam por não guardar as minúcias das observâncias tradicionais da lei judaica. Aqui Jesus deixa claro que Ele não está ausente para destruir a lei, mas para cumpri-la e até intensificá-la. Ele fixa padrões mais altos. Seu principal interesse é a razão de a lei existir; Ele insiste que guardar a lei começa com a atitude do coração. Por este princípio Jesus afirma simultaneamente o valor das pessoas e da lei. Neste aspecto Ele cumpre a lei antecipada por Jeremias: ‘Porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo’ (Jr 31.33b).
Como sucessor de Moisés, Jesus dá a palavra final na lei. Mas o que Ele quer dizer quando fala que cumpre a lei? Não significa que Ele simplesmente a observa. Nem quer dizer que Ele anulou o Antigo Testamento e as leis (como sugerido por Márcion e os hereges gnósticos). A obra de Jesus e sua Igreja está firmemente arraigada na história de salvação. Em certo sentido, Jesus deu à lei uma expressão mais plena, e em outro, transcendeu a lei, visto que Ele se tornou a corporificação do seu cumprimento. Mateus vê o cumprimento da lei em Jesus semelhantemente ao cumprimento da profecia do Antigo Testamento: O novo é como o velho, mas o novo é maior que o velho. Não só o novo cumpre o velho, mas o transcende. Jesus e a lei do novo Reino são o intento, destino e meta final da lei” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.44).

SUBSÍDIO II

“O Princípio Básico (5.17-20)
Note o fraseado enfático de Jesus em não abolir a lei (Mt 5.18). A expressão ‘em verdade vos digo que’ aparece no começo das declarações mais enfáticas de Jesus. Esta palavra grega (amen) é a transliteração para o grego da palavra hebraica que Jesus falou, e é linguagem cristã especializada, denotando afirmação sagrada. Jesus assevera que nem um jota, a menor letra, nem uma serifa ou adorno numa letra, de nenhuma maneira passará até que tudo se cumpra.
Parece que a maneira na qual Jesus cumpre a lei varia de acordo com o tipo da lei. Muitas leis rituais foram completadas no sacrifício de Jesus (cf. a carta aos Hebreus) e então já não precisam ser observadas. O próprio Jesus considerou as leis dietéticas cumpridas, uma vez que a corrupção vem do coração (Mc 7.18,19; At 10.10-16; Gl 2.11-14). Outras leis são cumpridas na reinterpretação e reaplicação de Jesus no espírito de uma lei internalizada profundamente sentida, como ocorre nas interpretações revolucionárias que Ele dá da antiga lei apresentada nas seções seguintes de Mateus 5.
A pressuposição de que Jesus estava perpetuando o mero legalismo e elevando o lance legalista evapora-se no calor da advertência de Jesus encontrada no versículo 20: ‘Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrarei no Reino dos céus’. A questão era a qualidade e fim da lei, e não sua quantidade” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.44-45).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 4: Jesus e sua interpretação da Lei
Data: 23 de Abril de 2017


TEXTO DO DIA

“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo [...]” (Fp 1.27).

SÍNTESE

Jesus expôs o que havia de mais profundo na Lei, pois Ele conhece a finalidade de cada mandamento.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Gl 2.16; 5.3
Lei ou Evangelho. Você decide


TERÇA — Lc 6.27-36
Amar o inimigo


QUARTA — Lc 6.31
A regra áurea


QUINTA — Lc 6.37,38
“Não julgueis” e a lei da reciprocidade


SEXTA — Lc 6.40
Igualdade entre mestre e discípulo


SÁBADO — Jo 8.11
A flexibilização da Lei

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
REAFIRMAR a verdade de que a justiça dos escribas estava aquém da do Reino;
REVISAR os valores da Lei à luz da justiça do Reino;
ANALISAR o conceito de perfeição, na perspectiva do Reino, apresentado por Jesus.

INTERAÇÃO

Qualquer pessoa é capaz de cumprir leis e viver dentro da ordem mínima estabelecida em sociedade. Vangloriar-se por causa disso não parece ser algo muito inteligente, pois se trata de uma obrigação de todos para que a vida em sociedade seja possível. Essa, porém, era a postura de muitos judeus na época de Jesus. Achavam-se melhores que os outros povos e, até entre si, disputavam qual dos inúmeros grupos conseguia ser mais ascético e rigoroso a respeito dos preceitos morais e cerimoniais da Lei mosaica. Em tal competição, havia a perda do principal valor de toda a lei que é justamente o amor. Na lição de hoje você terá a oportunidade de trabalhar com os alunos este assunto e discutir o aspecto motivacional da obediência.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Para esta oportunidade, termine a aula com a reflexão feita por Cheryl Bridges e Vardaman White acerca da virtude. Eles dizem que para “que um ato seja virtuoso, a razão e o desejo devem estar dispostos para o ato. Em outras palavras, se alguém sabe que o ato que está fazendo é um ato bom, mas deseja fazer alguma outra coisa, então essa pessoa não agiu virtuosamente. Do mesmo modo, se alguém age de um modo bom, mas não entende a qualidade moral do ato, então não agiu virtuosamente” (Panorama do Pensamento Cristão, CPAD, p.301). O que foi dito, filosoficamente, nada mais é do que o Mestre ensinou a respeito da justiça do Reino que vai além da observação de regras, da busca de alguma recompensa, do evitar algum castigo, de se praticar algo inconscientemente ou mesmo uma obediência forçada. A mudança de perspectiva do súdito do Reino faz com que este veja e encare a realidade de forma distinta da maneira que fazia antes. Questione-os acerca do porquê de cada um agir corretamente. Verifique se o fazem por medo de serem condenados ao inferno, perderem a reputação ou alguma posição, ou se praticam as coisas de forma correta para serem elogiados, admirados e finalmente salvos. Finalize dizendo que nenhuma das duas posturas, à luz da justiça do Reino, é recomendável, pois de acordo com tal justiça, a ação virtuosa deve ser praticada sem nenhuma motivação a não ser o fato de que esta é a única postura que deve ser adotada.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 5.21-48.

21 — Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.
22 — Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno.
23 — Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24 — deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta.
25 — Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.
26 — Em verdade te digo que, de maneira nenhuma, sairás dali, enquanto não pagares o último ceitil.
27 — Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
28 — Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela.
29 — Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
30 — E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
31 — Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite.
32 — Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.
33 — Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor.
34 — Eu, porém, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus,
35 — nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei,
36 — nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.
37 — Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna.
38 — Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente.
39 — Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
40 — e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa;
41 — e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.
42 — Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
43 — Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo.
44 — Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem,
45 — para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos.
46 — Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
47 — E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
48 — Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

O Evangelho é superior a qualquer código de regras, pois o seu fundamento é a Boa Notícia de que, além de nos salvar, Deus, em Jesus, tornou-se modelo de ser humano para toda a humanidade (Mt 5.48). Esta é, basicamente, a próxima mensagem e lição do Sermão do Monte. Através de seis antíteses (teses contrárias, cf. vv.22,28,32,34,39,44), o Mestre demonstra que a observância mecânica dos mandamentos nada significa se o intento maior não for alcançado, ou seja, a transformação do caráter e da natureza, extirpando todo ódio, cobiça, desprezo, falsidade, vingança e egoísmo. Jesus mostra que a “justiça” dos escribas, doutores da Lei, estava muito aquém do real propósito da Lei, e também muito longe do que era esperado das pessoas que diziam crer em Deus como seu Pai (Mt 5.48).

I. NÃO ODIAR, COBIÇAR OU DESPREZAR

1. Mais que não matar, é preciso não odiar. De acordo com a Lei, além de pecado, matar é crime passível de severa punição (Êx 20.13; 21.23-25; Lv 24.21; Dt 5.17). O Mestre, porém, toca no âmago do problema ao dizer que a raiva gratuita ou mesmo depreciações verbais, frutos do ódio, são condenáveis (v.22). Como o Templo ainda estava em atividade, Jesus diz que alguém que sabe que existe uma pessoa aborrecida por sua causa deve, antes de apresentar sua oferta ao sacerdote, procurar a pessoa em questão e reconciliar-se com ela, antes que seja tarde demais (vv.23.26 cf. Pv 18.19).
2. Não basta fugir do adultério, é preciso extirpar a cobiça. Segundo a Lei, o adultério merecia uma punição exemplar e, por isso, os adúlteros recebiam a pena capital (Lv 20.10 cf. Êx 20.14; Dt 5.18). Jesus, contudo, ensina que não basta simplesmente não consumar o ato, antes, é preciso eliminá-lo em seu nascedouro, isto é, no “coração” ou na mente, onde tudo tem início (v.28). Uma vez mais, o Mestre lança mão de uma figura de linguagem para falar o quanto pode custar para nós libertar-se de desejos impuros. Todavia, é melhor livrar-se do prazer momentâneo, que experimentar a condenação eterna (vv.29,30).
3. Não é suficiente cumprir a legislação, antes é preciso não desprezar. Apesar de Jesus aludir a uma lei de Deuteronômio (24.1-4), que tinha como finalidade auxiliar a mulher para que ela não ficasse desassistida, sua reinterpretação é objetiva (v.32). O Mestre tem em conta a indissolubilidade do casamento, instituída pelo Criador no início de tudo, ponto que Ele tratou mais explicitamente por causa da insistência dos fariseus (Mt 19.1-9). Agindo dessa forma, não se preservava apenas o auxílio e o amparo necessários à mulher, mas resguardava igualmente o homem, posto que a separação deixa marcas dolorosas para ambas as partes.


Pense!

Você acha correto equiparar a intenção ao ato propriamente dito?


Ponto Importante

Antes que qualquer ato se materialize, ou venha se concretizar, invariavelmente, é precedido de elaboração mental, por isso Jesus trata do pecado nessa esfera e área.


II. NÃO JURAR, REVIDAR OU VINGAR-SE

1. Recuperando a credibilidade. Conquanto jurar fosse prática comum (Lv 19.12; Nm 30.2), Jesus veda toda forma de juramento, quer apelando para Deus, quer utilizando qualquer outro recurso (o céu, a Terra, Jerusalém ou mesmo a própria pessoa; cf. vv.34-36). O Mestre ensina que a palavra deve ser sincera a ponto de corresponder à intenção. Somente assim, recuperando a credibilidade, é que quando alguém disser “sim” ou “não”, será aceito sem necessidade alguma de qualquer juramento. Para o Senhor Jesus, tudo o que passar disso é de “procedência maligna” (v.37).
2. Não somente rejeitar a “lei do talião”, mas não revidar e ainda fazer o bem. No mundo antigo era conhecida a “lei de talião” que, surgida na Caldeia, servia para inibir os crimes, pois aplicava pena proporcional à violência. A Lei de Moisés continha regra similar (Êx 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21), a qual Jesus faz menção (v.38). O Mestre, contudo, contrapõe a lógica da retribuição, pois a justiça na perspectiva do Reino nada tem com a justiça no aspecto das relações sociais, tal como convencionado pelos homens. É assim que, conforme Ele ensina, ao prejuízo e perseguição perpetrados por alguém, a resposta deve ser o amor que constrange (vv.39-41). De maneira semelhante deve-se agir com quem quer algo emprestado ou solicita mesmo um simples favor (v.42). Tal postura realmente transcendia qualquer significado que pudesse ter o conceito de justiça na legislação, tanto do mundo antigo, quanto no mundo de então e até nos dias atuais (Mt 5.20).
3. Não apenas os de “casa”, mas amar igualmente os de fora e até mesmo os “inimigos”. De acordo com Levítico 19.18, havia a obrigatoriedade de se amar o “próximo”. Entretanto, “próximo” ali referia-se exclusivamente aos judeus. Nesse sentido, a antítese de Jesus é profunda e sem precedentes, pois como o “amor” de Levítico poderia não ser mais que bairrismo ou corporativismo, o Mestre afirma que somente amando os inimigos, bendizendo quem maldiz, fazendo o bem aos que odeiam e orando por quem maltrata e persegue, é que alguém pode considerar-se filho de Deus (vv.44,45). Isso porque, em uma cultura que considerava até mesmo o nome como algo que deveria seguir a linhagem paterna, não combinava com alguém que se dizia filho, comportar-se de forma tão diversa do pai (Lc 1.59-63). Assim, Jesus coloca quatro questões reflexivas que os leva a não ter outra conclusão (vv.46,47).


Pense!

Em uma sociedade competitiva, é possível viver da forma apresentada por Jesus Cristo?


Ponto Importante

A interpretação do Mestre transcende a mera observação compulsória da regra, pois atinge o ponto central e a fonte dos pecados humanos — o nosso “eu”.


III. PERFEITOS COMO O PAI

1. A perfeição. A maior dificuldade com o versículo final desse capítulo é o significado mais popular da palavra “perfeição” em nosso idioma: sem defeito algum. Tal ideia faz com que as pessoas, diante da inevitável realidade de que todos temos defeitos, sintam-se perplexas e desanimadas.
2. Perfeição na Lei. É interessante notar que o Mestre propõe, na perspectiva do Reino, o mesmo que a Lei também visava (Dt 18.13). Isso significa que a intenção do Filho de Deus não apenas convergia com o grande objetivo da Lei, mas que era a mesma do Pai (cf. Jo 10.30).
3. Perfeitos como o Pai. A perfeição pronunciada pelo Senhor refere-se a ser íntegro, inteiro e coerente, tal como Deus, o Pai, o é (2Tm 2.13; 2Pe 3.9). Não está em pauta uma exigência de que as criaturas assemelhem-se ao Criador de uma forma absoluta, o que seria, obviamente, impossível (Is 55.9). A questão gira em torno da mudança de perspectiva que, só pode ocorrer de verdade, com uma profunda transformação da natureza e personalidade de cada um (v.48). Tal processo, é bom lembrar, dura a vida toda (Ef 4.12,13).


Pense!

É possível ser perfeito no plano terreno e em nosso corpo material?


Ponto Importante

A perfeição apresentada por Jesus não significa igualar-nos a Deus, antes, refere-se à identificação natural que cada filho deve procurar ter com o Pai.


CONCLUSÃO

A perfeição mencionada por Jesus demonstra claramente o que é mais importante na Lei, e na perspectiva do Reino, qual seja: as intenções. Tal justiça excede a dos escribas, doutores da Lei (Mt 5.20). Isso porque ser íntegro não apenas nas ações, mas também nas intenções, faz com que nos pareçamos com o Pai celestial.

ESTANTE DO PROFESSOR

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007.

HORA DA REVISÃO

1. Qual é o fundamento do Evangelho?
A Boa Notícia de que, além de nos salvar, Deus tornou-se modelo de ser humano para toda a humanidade (Mt 5.48).

2. Onde o pecado tem início?
No “coração” ou na mente.

3. Acerca do divórcio, Jesus diverge do que prescrevia a Lei. Isso representa um prejuízo ou um benefício para as mulheres? Explique.
Um benefício, pois não se preservava apenas o auxílio e o amparo necessários a mulher, mas resguardava igualmente o homem, posto que a separação deixa marcas dolorosas para ambas as partes.

4. O que é perfeição na perspectiva de Jesus?
Refere-se a ser íntegro, inteiro e coerente, tal como Deus, o Pai, o é.

5. Como é possível ser “perfeito” como o Pai?
Com mudança de perspectiva que, só pode ocorrer de verdade, com uma profunda transformação da natureza e personalidade de cada um (v.48). Tal processo, é bom lembrar, dura a vida toda (Ef 4.12,13).

SUBSÍDIO

Jesus interpreta a Lei (5.21-48)
“Jesus [...] realiza o que todo rabino deseja fazer: ‘cumprir’ a Lei no sentido de prover uma explicação fiel, exata e confiável do verdadeiro significado da Lei. Com esta compreensão, vemos uma nova força em tudo o que vem a seguir. Mesmo o menor dos mandamentos não deve ser desrespeitado; a participação no reino dos céus exige uma justiça que ‘excede a dos escribas e fariseus’ (5.20). Isto é significativo, pois os escribas e fariseus eram conhecidos pela sua condescendência escrupulosa com até mesmo a mais obscura proibição bíblica. Neste ponto Jesus chama a atenção de seus ouvintes para os mandamentos e costumes familiares. Em cada um dos seis exemplos que se seguem, Jesus mostra que a Lei que proíbe uma ação, na realidade condena a atitude que suscitou essa ação! A justiça que a Lei verdadeiramente exige é uma justiça insuperável, uma pureza interior que purifica tão completamente, que não existe nem o menor desejo de fazer o mal. Assim, o verdadeiro significado da Lei, o significado de ‘cumprir’, é visto na sua revelação de uma justiça que se baseia em uma transformação interior, uma justiça que nenhuma mera observância de regras e regulamentos pode conceder. Para participar desta expressão do reino dos céus a pessoa deve modificar-se interiormente! De nenhuma maneira isto elimina a Lei, que regula as ações. Ao contrário, isto cumpre a Lei, mostrando como as exigências e regras da Lei dão testemunho da exigência definitiva de Deus: um caráter moral impecável e transformado” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.25-26).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 5: As exigências básicas da Justiça sob a ótica de Jesus
Data: 30 de Abril de 2017


TEXTO DO DIA

“Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer” (Lc 17.10).

SÍNTESE

O bem deve ser feito pelo simples fato de isso ser correto e recomendável, e não para proporcionar status ou visibilidade social.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Is 58.2-12
O verdadeiro jejum


TERÇA — Ef 2.10
Criados para o bem


QUARTA — Dt 10.17-19
O Criador não faz acepção de pessoas


QUINTA — Tg 4.17
O pecado de omissão


SEXTA — Dt 24.14-22
A justiça de Deus


SÁBADO — Tg 2.14-17
A fé sem obras é morta

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
INVESTIGAR a atualidade do primeiro ato de justiça;
DIFERENÇAR a prática da oração sincera do exercício mecânico da oração;
ESTIMAR a prática consciente do jejum.

INTERAÇÃO

“Fazer o bem sem olhar a quem”. Trata-se de um ditado conhecidíssimo, mas o quanto será que ele tem sido praticado? Aferir com precisão tal questionamento é impossível. Na verdade, mesmo que fosse possível essa ação não seria ética e nem biblicamente correta, pois não se deve ajudar a quem quer que seja e tornar o auxílio conhecido ou publicá-lo. Estender as mãos a quem precisa deve ser uma atitude cuja motivação e satisfação seja, simplesmente, o próprio ato de ajudar e nada mais. O exercício da piedade, que é muito mais amplo que a prática dos três atos básicos de justiça do judaísmo, conforme instruiu Paulo a Timóteo, é proveitoso sob quaisquer circunstâncias (1Tm 4.8). Além do auxílio aos menos favorecidos, a oração, como prática piedosa e forma de comunicar-se com Deus, deve ser cultivada para garantir a saúde espiritual do crente. Ela não deve se transformar em prática mecânica, motivo de orgulho por parte de quem “ora mais” que os outros e coisas afins. Semelhantemente o jejum, sua prática não pode converter-se em uma razão para que um se destaque dos demais, mas como uma forma de demonstrar gratidão e domínio próprio.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Para esta oportunidade, faça a seguinte pergunta aos alunos: O que Jesus estava dizendo quando afirmou que “não saiba a tua mão esquerda o que fez a tua direita”? Ouça os alunos com atenção. Ressalte que o Mestre estava ensinando que o real motivo para dar a Deus e ao próximo deve ser puro, ou seja, sem segundas intenções. Infelizmente, muitos até fazem algo em favor do outro, mas esperando receber algum tipo de benefício. Em seguida, utilize o texto abaixo, extraído da Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal, página 1333, para discutir com os alunos a respeito do dar sem esperar nada em troca: “É mais fácil fazer o que é certo, quando recebemos reconhecimento e louvor. Mas devemos fazer nossas boas obras silenciosamente ou em segredo, sem pensar em recompensa. Jesus diz que devemos examinar nossos motivos em três áreas: generosidade (Mt 6.4), oração (Mt 6.6) e jejum (Mt 6.18). Esses atos não devem ser egocêntricos, mas centrados em Deus, feitos não para que pareçamos generosos ou bons, mas para que Deus pareça bom. A recompensa que Deus promete não é material, e nunca é dada aos que a buscam. Fazer algo somente para nós mesmos não é um sacrifício de amor. Na sua própria boa obra, pergunte a si mesmo: será que eu ainda faria isso se ninguém jamais soubesse que eu o fiz?”.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 6.1-8,16-18.

1 — Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus.
2 — Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
3 — Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita,
4 — para que a tua esmola seja dada ocultamente, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.
5 — E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6 — Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.
7 — E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.
8 — Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes.
16 — E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
17 — Porém tu, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto,
18 — para não pareceres aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Os chamados “atos básicos de justiça do judaísmo” — esmola, oração e jejum — eram os pilares principais da religião oficial de Israel. Apesar de serem atos prezados pelos judeus, assim como contrapôs a justiça dos escribas (Mt 5.20), mostrando que a do Reino vai muito além (Mt 5.21-48), o Mestre procede da mesma maneira em relação à justiça dos fariseus (Mt 6.1-8,16-18). Jesus demonstra que mesmo tais atos não são piedosos em si mesmos, antes o que determina a sinceridade e a pureza deles é a atitude do coração, a intenção desprovida de qualquer outro interesse a não ser ajudar as pessoas como forma de gratidão a Deus, bem como orar e jejuar visando o estreitamento da relação com o Pai, pois Ele contempla o coração e não apenas o exterior (1Sm 16.7 cf. Lc 18.9-14).

I. PRIMEIRO ATO DE JUSTIÇA — A ESMOLA

1. Os deveres de Israel para com os pobres. Por também ter sido estrangeiro e peregrino em “terra estranha”, esperava-se do povo de Israel sensibilidade e solidariedade com as pessoas menos favorecidas, bem como em relação ao órfão, à viúva e ao estrangeiro (Dt 10.17-19; 24.14-22). Ciente da obstinação e dureza do coração humano, Deus, através de Moisés, ordena que em caso de sobra em uma colheita, não se deve “rebuscar”, isto é, repassar a mesma área do campo para ver se não ficou nada ainda a ser colhido ou recolhido, pois tal sobra era uma provisão divina a essas pessoas (Dt 24.19-22).
2. A atualidade da prática de auxiliar os pobres. A despeito de a prática de auxiliar os pobres estar sendo observada nos dias de Jesus (Mt 26.6-9), e até no tempo da igreja do primeiro século (Gl 2.10), o Mestre sabia que mesmo as ações virtuosas podem ser praticadas com motivações escusas. Por isso, Ele não contesta o ato de justiça de ajudar, mas chama a atenção para os motivos que, para além das aparências, podem não ser tão nobres (v.1 cf. Mt 19.21,22; Jo 12.4-6).
3. A atitude de quem ajuda. Não é de censura a instrução de Jesus acerca do auxílio aos menos favorecidos, ou seja, os pobres devem ser ajudados e assistidos em suas necessidades por aqueles que possuem mais condições (Mt 25.31-46; At 20.35). A observação do Mestre diz respeito não unicamente à motivação, mas também quanto à discrição com que se deve fazer o bem, ou dar esmolas às pessoas necessitadas. O Mestre utiliza expressivas figuras de linguagem ao falar de “tocar trombetas” (motivação de fazer publicidade) e também de “a mão esquerda não saber o que faz a direita” (falta de discrição) (vv.2,3). Em outras palavras, se a finalidade é ajudar e não se autopromover com a necessidade e o problema alheio, então deve-se agir discreta e sigilosamente, pois do contrário já se terá recebido a recompensa aqui mesmo, nada devendo esperar do Pai celestial em seu tribunal de galardão (vv.2,4 cf. 1Co 3.12-15).


Pense!

Você acredita que, observando o texto de Gálatas 2.10, e depois de estudar esse tópico, a igreja tem alguma responsabilidade em relação aos pobres?


Ponto Importante

O que fica claro foi que Jesus não aboliu a boa prática de auxiliar os menos favorecidos, mas advertiu acerca do cuidado de se fazer publicidade com a situação miserável das pessoas.


II. SEGUNDO ATO DE JUSTIÇA — A ORAÇÃO

1. Orar com discrição. De forma semelhante, o Mestre trata da oração (v.5). Como alguém que orava muito (Lc 6.12,13; 11.1; Mt 14.23; 26.36-46; Lc 22.44), Jesus não desaconselha a prática da oração, antes a afirma (Mt 26.41; Lc 18.1). Contudo, o Mestre dá instruções muito claras acerca do cuidado com a discrição no momento de se falar com Deus (v.5). Ele refere-se ao perigo de querer mostrar-se piedoso, e não da posição física ou mesmo do ato de orar em público em algum momento (Mt 11.25,26; Lc 18.10-14). Quem quer mostrar-se piedoso a fim de obter aplausos e admiração pública nada deve esperar da parte de Deus em termos de galardão.
2. Orar secretamente. A oração sigilosa é a prática recomendada pelo Mestre (v.6). A quem utilizava tal expediente para destacar-se, a observação do Senhor soava como afronta. Os fariseus costumavam agir dessa maneira e, certamente, ficaram aborrecidos e desapontados por causa da orientação de Jesus (Mt 23.14). No entanto, como ilustra a história de Agar e Ismael, Deus não apenas ouve orações secretas e até mesmo o choro, mas os atende (Gn 21.14-21).
3. O perigo de a oração degenerar-se em vãs repetições. A advertência do Senhor não se restringe a não orar como os hipócritas (os fariseus), mas para se cuidar com o perigo de a prática da oração não degenerar-se em artifícios, ou seja, adotar a forma pagã de orar como aqueles que não têm conhecimento de Deus. Estes achavam que usando mantras (fórmulas repetitivas para se pronunciar), obteriam o favor divino (v.7). Na verdade, como Criador, o Pai já sabe tudo o que o ser humano necessita (v.8 cf. vv.26-34). É curioso o fato de Jesus advertir para o perigo de que a prática hipócrita pode acabar levando à prática pagã, degenerando completamente a oração.


Pense!

Depois de aprender com essas orientações do Senhor, como devemos proceder ao orar?


Ponto Importante

O perigo de se orar com motivações mesquinhas, de acordo com o que ensina Jesus, é acabar levando as pessoas ao paganismo de achar que desenvolvendo mantras, suas orações se tornarão eficazes e, consequentemente, atendidas.


III. TERCEIRO ATO DE JUSTIÇA — O JEJUM

1. A prática do jejum no Antigo Testamento. Considerando o volume de texto, são poucas as referências a respeito do jejum no Antigo Testamento. A recomendação na Lei, por exemplo, era que se fizesse uma vez ao ano na chamada Festa da Expiação (Lv 16.29-34). Outras referências à prática do jejum no Antigo Testamento têm uma relação direta com a crença e a devoção pessoais (2Sm 12.16-23; 2Cr 20.3; Ed 8.21; Ne 9.1; Et 4.3; Jl 2.12; Jn 3.5, etc.).
2. O jejum no Novo Testamento. Jesus falou acerca do jejum unido à oração com finalidades bem definidas (Mt 17.21). Já os fariseus jejuavam, ritualística e religiosamente, duas vezes na semana (Lc 18.12). A fim de que não restassem dúvidas de que eles estavam jejuando, os fariseus adotavam outros procedimentos que caracterizavam a prática e, assim, garantiam a si próprios que as pessoas reconheceriam que eles estavam jejuando (v.16 cf. Mt 11.21; Lc 10.13).
3. O verdadeiro jejum. O Mestre diz que, tal como a prática de dar esmolas e orar, o jejum deve ser discreto e ter motivações nobres, pois do contrário a pessoa já recebia sua recompensa (v.16). Assim, o ensino de Jesus objetiva a discrição ao jejuar, pois se tal ato visa agradar a Deus, não há necessidade alguma de que isso transpareça a outros (vv.17,18). Ademais, é sempre oportuno lembrar-se do jejum requerido por Deus em Isaías 58.2-12.


Pense!

Sendo uma prática devocional, devemos convocar um jejum coletivo?


Ponto Importante

A não ser por questões puramente espirituais, a forma de jejum mais aconselhável é a de praticar a justiça social exposta em Isaías 58.2-12.


CONCLUSÃO

Ao utilizar, nas três recomendações dos atos de justiça, a expressão “hipócritas”, o Mestre faz alusão aos fariseus, cujo qualificativo depreciador, tornou-se sinônimo deles (vv.2,5,16 cf. Mt 15.1,7; 16.1,3,6,12; 22.15-18 etc.). A advertência era que as pessoas não se tornassem, tal como aqueles religiosos, hipócritas, isto é, fingidos. Tal advertência continua atualíssima para os dias atuais.

ESTANTE DO PROFESSOR

BOYER, Orlando. Espada Cortante. Volume 1. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2006.

HORA DA REVISÃO

1. Quais são os três “atos de justiça do judaísmo”?
Esmola, oração e jejum.

2. Jesus aboliu a prática de dar esmolas?
Não, pois os pobres devem ser ajudados e assistidos em suas necessidades por aqueles que possuem mais condições (Mt 25.31-46; At 20.35).

3. O Mestre disse algo a respeito da posição em que se deve orar ou proibiu se orar em público?
Não, Ele apenas orientou acerca do perigo de querer mostrar-se piedoso (Mt 11.25,26; Lc 18.10-14).

4. De acordo com o que Jesus ensinou, como se deve agir ao ajudar, orar ou jejuar?
Tudo deve ser discreto e ter motivações nobres, pois do contrário a pessoa já recebia sua recompensa.

5. Fale a respeito do jejum de Isaías 58.2-12.
Resposta pessoal.

SUBSÍDIO I

“As Esmolas (6.1-4)
Jesus presume que dar aos pobres é a norma. Ele não diz: ‘Se, pois deres’, mas: ‘Quando, pois, deres’. Sua admoestação aqui é contra dar aos pobres pelos motivos errados. A razão que Jesus apresenta para fazer caridade sem ser visto, é que a generosidade ostentosa não resulta em recompensa ‘do vosso Pai, que está nos céus’. Mateus frequentemente levanta a questão de pagamento e recompensa. O substantivo ‘galardão’ (misthos, às vezes traduzido por ‘salário, recompensa’) ocorre vinte e nove vezes no Novo Testamento, sendo encontrado dez vezes em Mateus; o verbo ‘recompensar’ (apodidomi, v.4) aparece quarenta e oito vezes no Novo Testamento, e é achado dezoito vezes em Mateus. Estes ensinos sobre pagamento e recompensa por boas e más ações são usualmente colocados no contexto de julgamento do tempo do fim. Jesus chama ‘hipócritas’ (hypocrites) os que dão pelos motivos errados. Este é linguajar forte para descrever as atividades dos seus inimigos, ainda que anteriormente Ele tivesse advertido contra tais epítetos indiscriminados (Mt 5.22). Atividades auto-ilusórias atraem acentuada crítica de Jesus, e Ele acha necessário chamar a atenção das pessoas para o perigo. O termo hypocrites era originalmente usado para descrever atores apropriado aqui, visto que o doador ostentoso está desempenhando para uma audiência” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.49-50).

SUBSÍDIO II

“As Esmolas (6.1-4)
O verbo ‘serdes visto’ (theaomai, v.1) implica ‘espetáculo’; origina-se da mesma família de palavras da qual provém a palavra ‘teatro’. Esta ‘justiça teatral’ pode enganar os seres humanos, mas o ato destinado do motivo puro de honrar a Deus através de um viver correto (Bruner; 1998a, p.229). ‘Fazer tocar trombeta’ (v.2) é uma expressão figurativa que significa ‘chamar a atenção para alguém’, pois não há evidência de que os fariseus jamais tenham subido em ‘palcos’ públicos sob o clangor de trombetas. Ao fazerem esmola eles buscavam a própria glorificação das pessoas, em vez de dar aos pobres como ato de agradecimento voltado à glória de Deus.
O que vem a seguir em Mateus é puramente Jesus: ‘Em verdade vos digo que [amem] já receberam o seu galardão’ (v.2). ‘Já receberam’ tem um sentido contábil, indicando que foi feito pagamento total e um recibo foi dado. O contrato foi cumprido; eles receberam pelo que negociaram — uma audiência iludida. Mas Deus não é iludido (Gl 6.3,7). O objetivo do afeto para o verdadeiro esmoleiro é principalmente Deus. A justiça que excede a dos fariseus (cf. Mt 5.20) busca proeminentemente agradar a Deus” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.50).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 6: O Pai-Nosso
Data: 7 de Maio de 2017


TEXTO DO DIA

“E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar [...]” (Lc 11.1).

SÍNTESE

A oração do Pai-Nosso representa uma segurança, mas também um desafio aos discípulos do Senhor de todos os tempos.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Lc 11.1
Os discípulos aprendem a orar


TERÇA — Lc 11.2
A santidade do Senhor e a vinda do Reino


QUARTA — Lc 11.3
O pão diário


QUINTA — Lc 11.4
Perdoa-nos como perdoamos e não nos deixe cair


SEXTA — Lc 11.13
O Espírito concedido pelo Pai celestial


SÁBADO — Mc 11.25
A consciência do perdão durante a oração

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
VALORIZAR o Pai-Nosso, pois foi o próprio Filho de Deus que assim nos ensinou a orar;
REFLETIR acerca das sérias implicações contidas nas petições do Pai-Nosso;
REAFIRMAR a obrigatoriedade de reconhecermos que a glória pertence a Deus.

INTERAÇÃO

O debate em torno da natureza da oração do Pai-Nosso é um daqueles em que há bons argumentos tanto de um lado quanto de outro. Defensores do Pai-Nosso como apenas um roteiro, e não como uma fórmula pronta, afirmam que tal ideia contraria o ensino do próprio Cristo em outras passagens. Para o outro grupo, não orar ipsis litteris tal como se encontra na passagem de Mateus 6.9-13, é um desrespeito com o texto e com Jesus que disse que devemos orar “assim”. Quem se apega a tais minúcias talvez esteja esquecendo o mais importante que é justamente orar. Mas meramente orar por costume. A oração pode ser mecânica, inclusive com repetições diuturnas, sem necessariamente ser igual a do Pai-Nosso. De igual forma, pode ser rotineira, mesmo parecendo espontânea. O essencial na oração é que ela brote de um coração que anseia pela comunhão com o Pai, desejando manter um relacionamento real com Ele ao mesmo tempo em que vai transformando o orante em alguém melhor no plano horizontal e comunitário. Quando a nossa vontade confunde-se com a de Deus, significa que o seu Reino já iniciou seu curso em nossa vida pessoal, podendo assim ser conhecido através de nós pelas pessoas que não servem a Deus.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

O estudo do Pai-Nosso ocupa páginas e mais páginas de obras especializadas ou exclusivamente escritas sobre este único tema. Portanto, o papel de uma lição como esta, até por uma questão física, não vai além de comentar o cerne da oração do Senhor, deixando alguns detalhes importantes, do ponto de vista exegético, sem ser considerados. A despeito disso, é interessante apresentar o paralelo de Mateus 6.9-13 que se encontra em Lucas 11.1-4, observando duas propostas principais de divisão: temática e sistemática. Para tanto, reproduza, conforme suas possibilidades, o quadro abaixo, esclarecendo que essas são apenas duas possibilidades de estudo da “Oração do Senhor”:


TEXTO BÍBLICO

Mateus 6.9-15.

9 — Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
10 — Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu.
11 — O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
12 — Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
13 — E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!
14 — Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós.
15 — Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Embora “curta”, a belíssima oração do Senhor, também conhecida como Pai-Nosso, ou oração dominical, contém farto material de instrução bíblica e teológica. Há muito se dividem as opiniões acerca de ela ser uma oração para se repetir tal como o Mestre ensinou ou se constitui apenas um roteiro, ou esboço, que os crentes devem utilizar como forma de orientação de seus devocionais particulares ou na liturgia de um culto. O fato mais importante é que o Mestre orava e, com seu exemplo e suas palavras, ensinou seus discípulos a fazerem o mesmo, tanto na forma, quanto no conteúdo (Lc 11.1-4).

I. FILIAÇÃO DIVINA, RECONHECIMENTO DA SANTIDADE E A VINDA DO REINO

1. Paternidade celestial. O Antigo Testamento registra pouquíssimas ocorrências em que Deus é, de forma inferida ou textual, chamado de Pai (Dt 32.6; 2Sm 7.14; 1Cr 17.13; Sl 68.5; Is 64.8; Jr 3.4; 31.20; Ml 1.6; 2.10). A novidade trazida pelo Senhor é a forma íntima como não apenas Ele se dirige ao Pai, mas também sua abertura a cada um de seus discípulos para que possam dirigir-se ao Criador da mesma forma. Ainda que reconhecendo sua grandeza e transcendência (“que estás nos céus”), o Mestre demonstra que o Pai não está longe, pois é “nosso” (v.9).
2. A santidade do nome divino. A santificação do nome do Pai, não é de alguma coisa produzida pelo suplicante, ou seja, a santidade é intrínseca ao nome do Criador (v.9). Conforme o entendia a cultura judaica, o nome de Deus era inseparável da sua Pessoa (Êx 3.13,14; 20.7). Sendo santo, o nome do Pai, cabe a quem se dirige a Ele, respeitá-lo.
3. A vinda do Reino e a vontade divina cumprida integralmente. A primeira súplica é definidora e norteia todo o restante. É importante notar que ela diz respeito à realidade divina e não terrenal. Pedir ao Pai, cujo nome é santo e a quem não se deve dirigir a palavra se esta não corresponde à intenção, para que o Reino dEle venha (v.10a), não contempla apenas um desejo escatológico ou de uma vinda futurística. O complemento do que se está suplicando revela claramente que se aspira que a vontade do Eterno Deus seja feita aqui (onde os seres humanos exercem sua vontade própria), tal como ela é realizada no céu, onde a vontade do Criador é ordem vigente e situação em curso (v.10b). E a prova de que o suplicante quer exatamente isso, é se em sua própria experiência de vida, no dia a dia, ele permite que a vontade divina seja prevalente (Rm 6.11 cf. Gl 2.20).


Pense!

Queremos, de fato, que a vontade de Deus seja feita na Terra, assim como ela é feita no céu?


Ponto Importante

Aspirar pelo Reino de Deus significa estar disposto a abdicar, aqui e agora, das vontades terrenas que nos prendem ao materialismo e ao consumismo.


II. O ALIMENTO, O PERDÃO MÚTUO E O LIVRAMENTO

1. O alimento necessário, tanto para hoje quanto para o amanhã. De acordo com os melhores especialistas da língua grega, a expressão epiousios (“cada dia”), contém três possibilidades de significação: pão necessário, pão diário e pão de amanhã (v.11). Dessa maneira, o primeiro pedido referente à realidade e necessidade terrenas tem um sentido bem mais profundo, pois leva em conta tanto aquilo que é urgente, quanto o que é necessário e até mesmo o desejo maior do discípulo, qual seja participar da Grande Ceia daquele Dia (Lc 14.15-24 cf. Mt 26.26-29). O pão de cada dia pedido para agora é, nesse caso, um desejo escatológico de que venha a plenitude do Reino, conforme pedido na primeira súplica referente à realidade divina.
2. Perdão divino e perdão no relacionamento interpessoal. As bem-aventuranças precisam ser lembradas nesse ponto (Mt 5.3-12), pois elas mostram claramente a forma, ou perspectiva, segundo a qual os filhos do Reino veem todas as coisas. Assim, o que parece ser uma condição para ser perdoado por Deus é, na verdade, uma expressão do comportamento de quem encara as ofensas, insultos e até agressões, de forma perdoadora (v.12 cf. Mt 5.11,12). Justamente por ter aprendido com o Pai é que os filhos assim se comportam e, por isso, dirigem-se ao Senhor dessa maneira (1Jo 4.19). Uma vez que o Mestre estava ensinando os discípulos, mas considerando também uma audiência maior e, nesse caso, especificamente os fariseus, pelo fato de a piedade judaica possuir um conceito de perdão bastante restrito (tradicionalmente eram apenas três vezes que se deveria perdoar uma ofensa, Pedro “amplia” para sete tentando ser mais generoso, cf. Mt 18.21), Cristo então, depois de ensinar a oração, aí sim, considera a justiça dos fariseus e afirma ser uma condição para obter o perdão divino, exercer misericórdia e perdoar as pessoas (vv.14,15).
3. Livramento e queda. A tradução literal desse texto dá uma ideia bastante negativa (Tg 1.13-15). Todavia, especialistas da língua grega defendem que uma tradução melhor revelaria que o que se quer dizer aqui é algo como “Não permitas que caia nas mãos do pecado” (v.13). Mas o sentido não é ser livrado da tentação em si, mas a última petição refere-se a não permitir que o suplicante caia em pecado, sucumba à provação e assim aparte-se de Deus (Lc 22.31,32 cf. Tg 1.2,3).


JESUS E A ORAÇÃO

A amizade com Deus
Deus sente prazer na nossa amizade: esse é o cerne da oração. Começamos a orar de fato quando consideramos a oração um privilégio, e não uma obrigação! É nisto que o Pai Nosso é tão saudável: ele começa relacionando-se com o Senhor e admirando-o (“Pai nosso, que estás nos céus”) antes de pedir alguma coisa. Tomemos Mateus 6.5-18 como nosso guia para orar e jejuar.

Você ora?
Observe que nosso Senhor presume que oramos: é “quando” oramos, não “se” orarmos! A oração é uma parte regular e persistente de sua vida? Veja Lucas 18.1.
Nosso Senhor Jesus segue em frente e distingue a oração cristã de dois tipos equivocados de oração. Mateus 6.5,6 — ao contrário da oração do hipócrita — transforma Deus na única audiência da oração. Mateus 6.7,8 — ao contrário da oração pagã — é uma oração simples e clara, pois depende da disposição do Pai, e não da loquacidade da oração!

Orando com outros
Deus é única audiência: isso não fala de forma alguma contra orar em conjunto. Nessas instruções, Jesus alterna o uso do pronome no plural com o singular. Temos de orar sozinhos e temos de orar em conjunto. Jesus, na verdade, está presente de forma extra e nos dá poder extra para a oração conjunta dos cristãos. Veja Mateus 18.19,20. Mas quando oramos juntos, temos de orar para Deus!
Observe o valor da exclusão: “Entra no teu aposento e, fechando a tua porta”. Deixe tudo o mais de fora para estar com Deus.

As riquezas em oferta
Mateus 6 usa uma palavra maravilhosa para “aposento”. Ela indica uma despensa, um armazém no qual é guardado a munição [...], e um tesouro do qual são tiradas riquezas. A oração traz as coisas boas que Deus guarda para nós, a munição espiritual de que precisamos contra os ataques do Diabo, as riquezas que Cristo nos oferece em nossa necessidade.
Jesus também elogia a confiança semelhante à das crianças: “Vosso Pai sabe o que vos é necessário”. Veja Mateus 6.8 e Hebreus 11.6.

O Pai Nosso
A própria oração começa com adoração: Mateus 6.9. Isso é muitíssimo importante. Ela descentraliza nosso ego e põe Deus de volta no centro de nossa atenção. O segundo passo é identificar-se com as preocupações do Senhor: sua reputação, reinado e vontade. Veja os versículos 9 e 10. O terceiro passo é que temos de levar a Deus todas nossas preocupações pequenas ou grandes: nossa provisão, perdão e proteção (vv.11-13). É provável que o fim tradicional da oração não tenha sido dito por Jesus nem escrito por Mateus, mas, em todas as palavras, esse final é totalmente cristão louvando o reinado, o poder e a glória de Deus.

O jejum
Nosso Senhor, como na oração, presume que temos de jejuar: Mateus 6.16. O jejum é abster-se de alimento a fim de nos devotarmos a Deus. Mais uma vez, ele é mais bem visto como uma oportunidade, em vez de uma obrigação. Podemos pedir que Deus nos dê o fardo das necessidades específicas que são próximas ao coração dEle para que, de preferência, estejamos negociando com Ele, em vez de estarmos comendo. Não jejue “porque o cristão deve jejuar”! Tente jejuar quando tiver de tomar decisões vitais (Lucas 6.12,13) ou questões específicas a vencer para Deus (Esdras 8.21-23).
As questões vencidas para Deus: é disso que se trata o jejum e a oração. O tipo de amizade que é eficaz para o reinado e honra do Senhor.
Extraído do Livro Guia Cristão de Leitura da Bíblia, CPAD, p.547.

Pense!

Se a fim de obter o perdão divino devemos realmente perdoar a cada um que nos ofende, o quanto fomos perdoados desde que aceitamos o Evangelho?


Ponto Importante

Nossa cultura individualista reputa como uma fraqueza alguém não revidar à agressão, porém, quem se orienta pelos valores e justiça do Reino, deve ignorar o que se ensina a esse respeito.


III. A GLORIFICAÇÃO DO PAI NO FINAL DA ORAÇÃO

1. O Reino. A oração termina com o reconhecimento de que o Reino é de Deus, e não propriedade dos homens (v.13). A despeito de muitos, de ontem e de hoje, pretenderem-se “donos” do Reino, ele continua sendo de Deus (Mt 23.13 cf. Mt 21.31).
2. O poder. Os discípulos serão felizes se, tal como o salmista, conseguirem entender a mensagem de que “o poder pertence a Deus” (Sl 62.11).
3. A glória. A glória pertence ao Senhor (Is 42.8). Qualquer oferta que venha com essa proposta, por mais sedutora que seja, é diabólica (Mt 4.8-10). O Mestre é a expressa imagem dessa glória que pertence somente ao Pai (1Jo 1.14).


Pense!

Será que existe, atualmente, pessoas que se acham proprietárias do Reino de Deus?


Ponto Importante

Sendo o poder e a glória pertencentes a Deus, nada justifica a postura altiva daqueles que se dizem seguidores de Cristo.


CONCLUSÃO

A oração do Senhor tem uma intenção muito clara, ensinar aos discípulos a não orar como os hipócritas ou como os pagãos. A introdução no versículo nove demonstra isso: “Portanto”. Os que abraçaram o Evangelho de Jesus e aceitaram sua justiça devem orar exatamente assim.

ESTANTE DO PROFESSOR

BICKET, Zenas J.; BRANDT, Robert L. Teologia Bíblica da Oração: O Espírito nos ajuda a orar. 6ª Edição. RJ: CPAD, 2013.

HORA DA REVISÃO

1. Qual a lição mais importante ensinada por Jesus na oração do Pai-Nosso?
O fato mais importante é que o Mestre orava e, com seu exemplo e suas palavras, ensinou seus discípulos a fazerem o mesmo, tanto na forma, como no conteúdo (Lc 11.1-4).

2. Ao dirigir-se a Deus como Pai, qual era a novidade dessa forma de Jesus tratar o Criador?
A novidade trazida pelo Senhor é a forma íntima como não apenas Ele se dirige ao Pai, mas também sua abertura a cada um de seus discípulos para que possam dirigir-se ao Criador da mesma forma.

3. Qual o significado de orar pela vinda do Reino e suplicar que a vontade de Deus seja feita na Terra assim como ela é feita no céu?
Se aspira que a vontade do Eterno Deus seja feita aqui (onde os seres humanos exercem sua vontade própria), tal como ela é realizada no céu, onde a vontade do Criador é ordem vigente e situação em curso (v.10b).

4. Como deve ser o comportamento de quem ora pedindo a Deus que o perdoe assim como perdoa as pessoas?
O comportamento de quem encara as ofensas, insultos e até agressões, de forma perdoadora (v.12 cf. Mt 5.11,12).

5. Comente sobre o final da oração, isto é, fale sobre Reino, poder e glória de Deus.
Resposta pessoal.

SUBSÍDIO I

Lucas 11.1-4
“Essa passagem transmite uma mensagem muito simples. [...] A oração é a expressão do nosso relacionamento familiar com Deus. E as respostas às orações não dependem de alguém ter ou não cometido um erro ao recitar as palavras adequadas. Na verdade, as respostas à oração representam um transbordamento daquele permanente amor que Deus tem por nós, seus filhos.
Essa grande realidade nos dá a chave para entendermos aquilo que chamamos de Oração do Senhor (11.2-4).
• Pai. Nós nos aproximamos de Deus como de um Pai, profundamente conscientes de seu amor e compromisso conosco, e o respeitamos e amamos.
• Santificado seja o teu nome. Exaltamos a Deus e o louvamos pelo que Ele é. Saboreamos o privilégio de nos aproximar daquele que é o Senhor do Universo com nosso louvor e ações de graças.
• Venha o teu Reino. Afirmamos nossa submissão a Deus como Rei de um reino universal do qual somos cidadãos. Comprometemo-nos a viver aqui e agora em obediência ao Senhor, como se seu reino já tivesse sido estabelecido na terra.
• Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano. Reconhecemos nossa dependência do Senhor e alegremente colocamos nele toda a nossa confiança. Não pedimos hoje o suficiente para atender às necessidades do amanhã, pois sabemos que Deus é nosso Pai, e que podemos confiar plenamente nEle” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.167-68).

SUBSÍDIO II

O Perdão
“O perdão, essencial a uma vida vitoriosa, é nossa primeira e maior necessidade. Não importa com quanta diligência resistamos às tentações e quão fiéis sejamos no cumprimento de todas as nossas obrigações religiosas, ainda assim estamos aquém da justiça de Deus. Nenhum filho de Deus pode abrir mão de pedir ao Senhor que lhe perdoe os pecados. A pessoa justa aos próprios olhos não sente necessidade de pedir perdão a Deus, porém à medida que nos aproximamos mais de nosso Salvador e Senhor, mais sentimos um profundo senso de pecado e indignidade pessoal. [...].
Pedimos o perdão de Deus, ‘assim como nós perdoamos aos nossos devedores’ (Mt 6.12). A expressão ‘assim como’ não indica grau, visto que jamais poderemos perdoar com perfeição, somente Deus pode perdoar o pecado, mas podemos e devemos perdoar erros reais e imaginários cometidos contra nós. Não obstante, há uma comparação implícita nessa passagem. Quando estamos prontos a perdoar, a despeito de nossa condição de fraqueza e pecaminosidade, Deus está pronto, em sua santidade perfeita, a nos perdoar igualmente. Receber o perdão divino segue de mãos dadas com o ato de perdoar os outros. Só podemos receber o perdão, quando entendemos o princípio que o rege, e isto implica em não levar a mal o desinteresse que os outros demonstram pelo nosso insignificante ego (Mt 18.21-35)” (BICKET, Zenas J.; BRANDT, Robert L. Teologia Bíblica da Oração: O Espírito nos ajuda a orar. 6ª Edição. RJ: CPAD, 2013, pp.200-01).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 7: A ansiedade pela vida
Data: 14 de Maio de 2017


TEXTO DO DIA

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6.34).

SÍNTESE

Desde sempre a humanidade tem pautado sua existência pela ansiedade e preocupação com o amanhã, porém, os filhos do Reino são ensinados a confiar no Senhor.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Sl 37.25
O testemunho de Davi


TERÇA — Lc 12.31
O Reino de Deus em primeiro lugar


QUARTA — 1Tm 4.8
A promessa para o presente e para o futuro


QUINTA — Tg 4.13-16
O amanhã só virá com a permissão divina


SEXTA — Pv 27.1
A imprevisibilidade do amanhã


SÁBADO — Lc 12.13-21
A precariedade dos bens materiais

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
AVALIAR onde se encontra o "coração" e mostrar-se disponível à necessária mudança e conversão de rumos;
VERIFICAR a forma de ver o mundo e o quanto é preciso reformulá-la;
AUTOAVALIAR com o intuito de decidir pelo Senhor e também fugir da ansiedade.

INTERAÇÃO

A ansiedade vai muito além de um sentimento ou estado psíquico, pois hoje já se sabe que ela é fonte de doenças não apenas emocionais, mas também físicas, sendo ela mesma, quando persistente e em um nível drástico, uma patologia conhecida como “transtorno de ansiedade”. A organização social favorece o desenvolvimento desse mal-estar físico e psíquico, levando as pessoas a manterem-se permanentemente ansiosas. O resultado desastroso dessa estratégia é que a sociedade termina pensando que tal estado de correria é “normal”. Técnicas comerciais levam a população a consumir, sem necessidade, tendo que por isso aumentar sua jornada de trabalho. Assim, forma-se uma “bola de neve”, pois as pessoas querem se sentir atuais, isto é, “na moda”, para serem aceitas e incluídas, endividando-se além de suas condições, tendo então que trabalhar mais do que o recomendável. Como resultado, muitos adoecem. Outras, ansiosas por causa da “ditadura da beleza” e do corpo perfeito, adotam “dietas desproporcionais” ou a ingestão de anabolizantes, recorrendo a artifícios para “ficar em forma”. Por outro lado, a ansiedade também é uma fonte de obesidade. As pessoas comem mais do que precisam para saciar de alguma forma sua ansiedade. O fato é que a ansiedade predispõe o ser humano à fácil dominação. Pesquisadores dizem que não é recomendável ir ao mercado quando se está com fome, pois a pessoa acaba comprando mais do precisa. Enfim, sob todos os aspectos, a ansiedade é nociva.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Uma distinção importante a se fazer é entre ansiedade e estresse. Segundo o psicólogo industrial, Frederick Sale, em sua obra Você & Deus no Trabalho (CPAD), a "dinâmica psicológica do estresse está bem entendida", pois o "processo tem início com um abalo emocional" fazendo com que você perceba "algo que lhe causa medo, pesar, culpa, ira, excitação, etc. (Experiências positivas intensas também podem ser estressantes.) Uma vez que o agente estressante é registrado pelo córtex cerebral (que é uma parte do cérebro), a sequência se desenvolve do seguinte modo:
• Outras partes do cérebro são despertadas;
• O hormônio pituitário desperta o restante do seu corpo;
• A atividade autônoma do sistema nervoso é aumentada;
• Sua taxa de metabolismo sofre um aumento;
• Seu consumo de oxigênio aumenta;
• Sua pressão sanguínea aumenta;
• Suas taxas de batimentos cardíacos e de respiração aumentam;
• Maior quantidade de sangue é bombeada aos seus músculos;
• A adrenalina é bombeada para sua corrente sanguínea;
• Seu fígado aumenta a secreção de colesterol;
• Sua atividade renal é aumentada;
• O teor de açúcar no seu sangue aumenta;
• Seus músculos se tornam tensos;
• As palmas de suas mãos começam a suar”.
O autor finaliza dizendo que fomos feitos “para funcionar deste modo”, e que o “estresse é, de fato, um mecanismo de sobrevivência” que nos “capacita a lidar com circunstâncias ameaçadoras que causem rupturas”. Se rapidamente reagirmos e, se tivermos sucesso para eliminar a fonte de estresse, “todos os sistemas do organismo voltarão à sua condição normal mais rápida e completamente” (pp.143-44). Portanto, se mantivermos a ansiedade, certamente viveremos permanentemente estressados, aumentando o risco de doenças e até mesmo o óbito.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 6.19-34.

19 — Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.
20 — Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.
21 — Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
22 — A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.
23 — Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!
24 — Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
25 — Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?
26 — Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
27 — E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
28 — E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam.
29 — E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
30 — Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?
31 — Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?
32 — (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;
33 — Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
34 — Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Em continuidade ao célebre Sermão do Monte, o Mestre passa agora a expor a justiça do Reino, portanto, a que deve prevalecer para os seus discípulos (6.19-7.27). Nessa primeira seção de ensino, Jesus aborda pontos básicos do dia a dia que dizem respeito não apenas ao seu núcleo apostólico, mas a todos os discípulos que, em todos os tempos e lugares, aceitarem o chamado para seguir a Cristo, devem orientar suas vidas de acordo com o que aqui está exposto (vv.19-34). Mesmo porque, para quem ora e se expressa com a oração do Pai-Nosso, nada diferente pode ser esperado.

I. TESOUROS TERRESTRES X TESOUROS CELESTES: EM QUAL DELES ESTÁ O NOSSO CORAÇÃO?

1. O desestímulo ao acúmulo de tesouros terrestres. Em uma sociedade cujo valor maior está em “ter” cada vez mais e assim conquistar prestígio, Jesus ensina justamente o contrário (Lc 12.15). Exaurir-se em uma busca frenética para acumular bens terrestres não é uma forma saudável para viver, pois a fragilidade de tais bens (“traça”, “ferrugem” e “ladrões”), demonstra claramente tal verdade (v.19).
2. O incentivo ao acúmulo de tesouros celestes. O estilo de vida do discípulo não é outro, senão o do Mestre (Lc 6.40). Jesus disse que a sua “comida” era cumprir a vontade do seu Pai e assim realizar o que Ele veio executar (Jo 4.31-34). É importante lembrar que tal obra é abrangente (Lc 4.18,19). O Mestre a destinou aos seus seguidores para que dessem continuidade e a levassem adiante (Lc 10.19,20; Mt 28.19,20; Jo 20.19-23; etc.). Assim, ser “rico para com Deus” (Lc 12.21) significa orientar-se pelos valores e justiça do Reino onde o bem é realizado, ou seja, “acumulado”, gerando tesouros celestes que serão revelados no fim como galardão (Mt 6.20 cf. Mt 25.31-46; Lc 12.22-34; 1Co 3.13-15).
3. O “lugar” do coração. A contraposição, ou antítese, entre os dois “lugares” de acúmulo (Terra e Céu), se dá por causa do “coração” (v.21). Os desejos, a vontade, as emoções e o intelecto, enfim, todo o nosso ser, estará voltado para o que nos for mais caro e importante, ou seja, o nosso “tesouro”. Se o nosso “tesouro” estiver nas coisas transitórias e efêmeras da vida, estaremos então perdidos, pois elas perecem facilmente, fazendo com que percamos a esperança (Lc 12.13-21; 1Co 15.19). Todavia, se a nossa confiança estiver em Deus e em seu Reino, nosso tesouro estará em lugar seguro, devendo perdurar por toda a nossa existência terrena e até na eternidade (Lc 12.33,34).


Pense!

De acordo com o que aprendemos, você é capaz de responder, sinceramente, sobre a “localidade” do seu coração?


Ponto Importante

Se o nosso coração está naquilo que nos é mais importante, torna-se obrigatório fazermos uma autoavaliação diária a fim de verificar onde o estamos “colocando”.


II. A MALÍCIA E A PUREZA DOS OLHOS

1. O olho como lâmpada do corpo. A visão é um dos sentidos mais utilizados, por isso, os olhos são apontados pelo Mestre como fonte de saúde para todo o corpo (v.22a). Tanto os “olhos” quanto o “corpo” aqui não devem ser entendidos simplesmente de forma literal (vide “olhos do entendimento” em Ef 1.18). Na verdade, o sentido das expressões é bem mais profundo, pois os olhos podem ser bons ou maus, puros ou impuros, sadios ou doentes, isto é, dependem da visão de mundo de quem olha (Mt 20.15). O “corpo”, por sua vez, não se trata unicamente da matéria, mas refere-se à totalidade do ser; logo, a existência e a condução da vida dependem da qualidade da visão de mundo da pessoa (Lc 11.34-36).
2. Olhos bons, corpo iluminado. Pelo fato de esta instrução estar sucedendo o assunto referente aos tesouros, certamente a saúde dos olhos está relacionada à perspectiva de vida de quem “olha” (v.22). Assim, se os valores da pessoa estão nos tesouros que se guardam para a eternidade (v.20), certamente ela será abençoada, ou seja, o seu “corpo” terá luminosidade real e verdadeira (Pv 22.9).
3. Olhos maus, corpo tenebroso. Contrariamente, se a visão de mundo da pessoa for mesquinha e tacanha, ela verá com maus olhos toda atitude de benevolência e generosidade (Mt 20.8-15; Jo 12.4-6). Se a lâmpada do corpo, ou seja, se o que era para ser luz vê todas as coisas por um prisma materialista e, portanto, negativo, a “luz” que deveria haver nessa pessoa são trevas. Tais trevas se tornarão mais densas, posto que tal pessoa tende a tornar-se cada vez mais dependente das circunstâncias e condição social, tornando-se sempre mais obscurecida pelos valores terrenais (Lc 12.13-21).


Pense!

Tendo em mente o que acabamos de estudar, o que é mais importante: O “que” olhamos ou “como” olhamos?


Ponto Importante

Se o curso de nossa vida depende da saúde da nossa maneira de enxergar a realidade, é imprescindível que cada um cuide com muito carinho de sua visão de mundo (Rm 12.2).


III. OS DOIS SENHORES, A ANSIEDADE PELA VIDA E O DIA DE AMANHÃ

1. Os dois senhores. O versículo 24 é contundente e aparece também em Lucas 16.13. O ensino que abre essa parte é iniciado com um “por isso”, indicando a orientação prática do Mestre a respeito de se ter uma visão de mundo cujos valores estão nos tesouros celestes. Não está sendo considerada a questão do trabalho que deve ser atendido como fonte de sustento. O que o Mestre está dizendo é que uma vida que se orienta de forma praticamente idolátrica em relação aos bens, ou à sua aquisição, não pode pretender servir a Deus, visto que o Criador não aceita tal divisão (Mt 19.16-30).
2. A ansiedade pela vida. Nos versículos 25 a 33, o Mestre explicita o seu ensino a respeito do estilo de vida e também da justiça para os discípulos. Através de vários exemplos, Jesus trata da “natural” ansiedade pela vida, contrapondo as preocupações adquiridas socialmente com a existência dada por Deus graciosamente (Lc 12.22-32). Assim, Ele mostra que a vida é mais valiosa que o alimento e o corpo, mais valioso que a roupa (v.25). As aves têm suas necessidades supridas pelo Criador e nós, pela nossa fragilidade social (seres humanos precisam construir sua realidade, pois não a recebe “naturalmente” como os demais seres vivos), somos mais importantes que elas (v.26). As preocupações não podem aumentar a nossa estatura ou prolongar os nossos dias de vida, que dirá resolver os problemas inerentes ao existir. Por isso, a inquietação pelo vestuário é desaconselhada, pois as flores do campo são mais belas em sua singeleza do que jamais foi Salomão em toda a sua grandeza (vv.28-30). Assim, o discípulo que está a serviço do Mestre não deve estar ansioso por nada deste mundo, pois o Criador sabe das necessidades do ser humano (vv.31,32). A recomendação a esse respeito é buscar viver a justiça do Reino de Deus, e também promovê-la, pois essas coisas básicas (comida, vestuário), certamente haverão de ser supridas (v.33). Não se deve viver nessa busca frenética, pois assim se comportam os que não conhecem a Deus (v.32).
3. O dia de amanhã. “Sofrer por antecipação”. Esse ditado popular resume a ideia censurada por Jesus no versículo 34. Não cabe ao discípulo sofrer o dia de amanhã, pois ao filho do Reino é ensinado que o dia de amanhã deve ser vivido quando tiver se tornado presente (v.34). Isso não significa que não devemos planejar e pensar o futuro, vivendo uma vida irresponsável, mas é preciso confiar plenamente no Senhor e submeter-se à sua vontade (Tg 4.13-17 cf. Lc 14.25-33).


Pense!

É possível adorar a Deus e ao dinheiro?


Ponto Importante

Buscar o Reino de Deus e a sua justiça é colocar em prática o estilo de vida ensinado por Jesus.


CONCLUSÃO

A mensagem do Mestre nessa primeira seção em que se tratou das coisas básicas do ser humano é uma só: A orientação da vida. O discípulo não deve orientá-la da mesma forma que os pagãos, ou seja, dos que não conhecem a Deus (v.32), visto que aqueles que atenderam ao chamado de Cristo, devem confiar nEle, ao passo que os outros confiam em si.

ESTANTE DO PROFESSOR

PEARLMAN, Myer. Mateus: O Evangelho do Grande Rei. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2004.

HORA DA REVISÃO

1. Os ensinos de Jesus nessa seção do Sermão do Monte são referentes à justiça de quem?
A todos os discípulos que, em todos os tempos e lugares, aceitarem o chamado para seguir a Cristo, devem orientar suas vidas de acordo com o que aqui está exposto (vv.19-34).

2. O que significa “coração” no versículo 21?
A sede dos desejos, da vontade, das emoções e do intelecto, enfim, todo o nosso ser, que se volta para o que nos for mais caro e importante, ou seja, o nosso “tesouro”.

3. Qual o sentido de “olhos” no ensinamento do Mestre?
A visão de mundo de quem olha (Mt 20.15).

4. Por que é impossível servir a Deus e ao dinheiro?
Uma vida que se orienta de forma praticamente idolátrica em relação aos bens, ou à sua aquisição, não pode pretender servir a Deus, visto que o Criador não aceita tal divisão (Mt 19.16-30).

5. A ansiedade “natural” é construída socialmente, ao passo que o dom da vida é outorgado pelo Criador graciosamente. Como o Mestre exemplifica essa verdade?
Através de vários exemplos, mostrando que a vida é mais valiosa que o alimento e o corpo, mais valioso que a roupa (v.25). As aves têm suas necessidades supridas pelo Criador e nós, pela nossa fragilidade social (seres humanos precisam construir sua realidade, pois não a recebe “naturalmente” como os demais seres vivos), somos mais importantes que elas (v.26). As preocupações não podem aumentar a nossa estatura ou prolongar os nossos dias de vida, que dirá resolver os problemas inerentes ao existir. Por isso, a inquietação pelo vestuário é desaconselhada, pois as flores do campo são mais belas em sua singeleza, do que jamais foi Salomão em toda a sua grandeza (vv.28-30).

SUBSÍDIO I

“Não podeis servir a Deus e às riquezas (6.24, versão RA)
Nós sabemos o que significa servir a Deus. Mas como pode uma pessoa servir ao Dinheiro? A palavra grega para ‘servir’, douleuein, enfatiza a sujeição da vontade. Ela tem a mesma raiz que a palavra ‘escravo’.
Podemos parafrasear este versículo do seguinte modo: ‘Ninguém pode ser escravo do dinheiro e ainda servir a Deus’.
Jesus está afirmando uma profunda verdade espiritual e psicológica. Podemos ser capazes de compartimentar nossos pensamentos, de modo que o trabalho, o lar, a diversão e a igreja sejam mantidos separadamente. No fundo, no entanto, elas serão um valor que orienta a maneira como cada escolha é avaliada. Para alguns, este valor é a popularidade, e tais pessoas farão qualquer coisa para obter a aprovação da multidão. Para muitos, o valor básico é a riqueza, e cada escolha é, em última análise, avaliada pelo resultado econômico final. Jesus nos diz que o valor orientador do reino é a vontade de Deus, e Deus deve ter prioridade em nossas vidas. Se não decidirmos servir a Deus, e fazer com que agradar a Ele seja a coisa mais importante das nossas vidas, certamente seremos escravizados a alguma coisa que não tem nenhum valor.
Somente o serviço a Deus é que traz as riquezas eternas” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.32-33).

SUBSÍDIO II

“Vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida (6.25)
‘Andar cuidadoso’ é merimnao, estar ansioso, distraído pelos medos. Em um segundo sentido pode significar simplesmente preocupar-se. A vida é psuche, uma palavra que reflete o significado da hebraica nephish e chama a atenção para nossa natureza como seres que vivem no mundo material.
Como existimos em corpos, precisamos de comida, bebida e abrigo, para mantermos a vida biológica. Alguns se vêem como seres que têm apenas a vida biológica, e vêem a vida propriamente dita como nada mais do que uma luta para obter as coisas materiais. Um moderno adesivo de para-choques capta bem este ponto de vista: ‘Quem tem mais briquedos, quando morre, ganha o jogo’.
Jesus não objeta o fato de que os seres humanos precisam de comida, roupas e abrigo. Mas Ele nos lembra que os seres humanos não são essencialmente biológicos por natureza. Nós temos uma participação na imagem de Deus, e o espiritual tem um significado mais fundamental para nós do que o material.
Quanto às nossas necessidades de psuche, temos o Pai que proverá por nós. Assim, nós, cidadãos do reino de Deus, estamos livres da preocupação com as necessidades mundanas, livres para dar prioridade ao espiritual” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.32-33).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 8: Autoavaliação e discernimento, sim, julgar, não
Data: 21 de Maio de 2017


TEXTO DO DIA

“Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lc 6.36).

SÍNTESE

A nossa natural disposição em sentenciar as pessoas, coloca-nos em uma posição que não nos cabe.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Mc 4.24
O ônus do julgamento


TERÇA — Lc 6.37
Não julgueis e não sereis julgados


QUARTA — Lc 6.38
Com a medida que medirmos, seremos igualmente medidos


QUINTA — Lc 6.41
O argueiro e a trave


SEXTA — Lc 6.42
Antes de reparar o argueiro, tire a trave da sua frente


SÁBADO — Lc 6.36
A melhor recomendação

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
CRITICAR a autossuficiência da postura de juiz, tanto em si, quanto nos outros;
CULTIVAR o bom costume de autoavaliar-se, autocorrigir-se e também ajudar aos outros;
BUSCAR o discernimento a fim de conduzir-se sabiamente durante toda a vida.

INTERAÇÃO

Em 1 Coríntios 11.31,32 o apóstolo Paulo diz que “se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seriamos julgados. Mas quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. Este texto utilizado, tradicionalmente, em reuniões de celebração da Ceia revela uma grande verdade. Se cada um de nós exercesse sobre, e acerca de si, um autoexame perfeito, não haveria o perigo de sermos julgados. Contudo, devido ao fato de não sermos perfeitos, terminamos não nos avaliando corretamente, ou seja, fazemos isto de forma desequilibrada, sendo, muito vezes, autoindulgentes ou severos demais. Entretanto, quando somos avaliados pelo Senhor, acabamos corrigidos para o nosso bem, para não sermos condenados com o mundo. Na realidade, como diz a Palavra de Deus, “Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz” (Hb 12.11 — ARA).

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

A fim de contribuir para um melhor entendimento acerca das três posturas e/ou práticas a serem estudadas nesta lição, apresente a seguinte atividade: Solicite aos alunos que se dividam em três grupos. Um grupo representará a prática do julgamento, o outro a da capacidade de autoavaliação e o último, a do discernimento. A ideia é que cada grupo apresente, ao menos, dez palavras relacionadas a cada uma das práticas para posteriormente compará-las com as expressões das demais. Exemplo:


O objetivo é que ao comparar as expressões, os alunos compreendam não apenas a diferença entre elas, mas o lugar de cada prática e o que cabe a cada um. No sentido em que o Senhor Jesus ensina no Sermão do Monte, só a Deus cabe o julgamento, pois Ele é o único capaz de julgar perfeitamente e sentenciar. Nosso papel é “julgarmos” a nós mesmos, isto é, nos autoavaliarmos e discernirmos todas as coisas para que possamos agir com sabedoria.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 7.1-6.

1 — Não julgueis, para que não sejais julgados,
2 — porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.
3 — E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho?
4 — Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
5 — Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.
6 — Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

A vida em comunidade é fascinante. Não podemos existir saudavelmente vivendo em isolamento. Contudo, o viver em sociedade tem os seus desafios. Um dos principais diz respeito ao relacionamento interpessoal. Na convivência surgem rusgas, discordâncias e até ofensas. Apesar de essas práticas não serem positivas e cristãs, muitas vezes são inevitáveis. A Bíblia, porém, nos ensina a tratar de tais conflitos para que eles não se tornem raízes de amargura e, com isso, venham contaminar a muitos (Hb 12.15). Outro fator perigoso é que discordâncias podem formar grupos e nestes as pessoas se transformam em juízes (1Co 3.1-8; Rm 14.1-12), postura altamente reprovável pelo Senhor, conforme iremos aprender nesta aula (Mt 7.1-5). Não podemos esquecer de que o ensinamento desse texto dirige-se aos discípulos, portanto, aos filhos do Reino de ontem e de hoje.

I. JULGANDO O PRÓXIMO OU OCUPANDO O LUGAR DE DEUS

1. Não podemos julgar. O texto é claro e não permite outras interpretações. O Mestre é enfático: “Não julgueis” (v.1). Como pessoas de uma sociedade estratificada, ou seja, dividida em partidos e grupos, tanto políticos quanto religiosos, era atitude corriqueira entre eles a disputa pela “verdade” (Mt 22.15,23; Mc 3.18; Lc 7.18; 20.1; Jo 12.20-22; At 5.36,37). Cada facção reivindicava a posse da verdade e assim punha-se a julgar as demais pessoas ou grupos. Na realidade, os discípulos foram forjados nessa sociedade e, mesmo depois de estarem com o Mestre, eles ainda disputavam entre si (Mc 9.33,34; Lc 9.46). Quem entra em uma disputa não o faz sem intenção de ganhar e, para isso, lança mão de todos os tipos de artifícios e argumentos para que o seu ponto de vista prevaleça. Ao final, o comportamento é o de alguém que se acha capaz de julgar as demais pessoas, tendo a si mesmo como base e referência. Infelizmente, quem se acostuma com essa prática, faz do costume de julgar os outros seu estilo de vida.
2. A consequência para quem se comporta como juiz. O Mestre adverte que o discípulo não deve julgar para que não venha a ser julgado (v.1). Ele desdobra o seu ensino e mostra a consequência, ou o resultado, do exercício do julgamento por parte de quem se acha capaz de julgar, dizendo que da mesma forma que a pessoa julga, ela será julgada, e que a medida utilizada para medir será também a mesma com que ela também será medida (v.2). A pergunta inevitável é: Se tal for feito, qual será o destino de todos? Se não falhamos em uma área da vida em que alguém sempre tropeça, por outro lado temos defeitos que, às vezes, nos passam despercebidos, mas que prejudicam outras pessoas do nosso convívio (Sl 19.12). Entretanto, esse “nível de julgamento” ainda é simples diante do que o Senhor está advertindo a que não se faça (Mt 18.15-35).
3. Por que não podemos julgar? A Bíblia de Estudo Palavras-Chave, em seu Dicionário do Novo Testamento, afirma que o verbo krinō, traduzido no versículo primeiro como “julgar”, significa “propriamente distinguir”, ou seja, “decidir (mentalmente ou judicialmente)” e, sendo assim, “julgar, condenar, punir: — vingar, concluir, condenar, maldizer, decretar, determinar, estimar, julgar, recorrer a Lei, ordenar, questionar, sentenciar a, pensar”. Considerando os versículos posteriores, não seria forçado dizer que a expressão tem um sentido de julgar com o objetivo de “sentenciar”, isto é, condenar e proferir um castigo à altura. Ocorre, porém, que nesse sentido, o julgamento só cabe a Deus, que conhece perfeitamente a tudo. Nem mesmo o Mestre colocou-se nessa condição (Lc 12.14; Jo 12.47,48). Assim, os discípulos, ao menos agora, não devem sentenciar a ninguém, pois não têm prerrogativa para tal. Quanto ao exercício do julgamento futuro, tanto Jesus, como os salvos, no dia determinado pelo Pai, deverão exercê-lo (Jo 5.22,23; 1Co 6.2,3).


Pense!

Qual seria o seu destino se as pessoas exercessem um juízo sobre sua vida da mesma maneira que você exerce sobre a vida dos outros?


Ponto Importante

Não tendo possibilidade de conhecer os motivos — que vão além das atitudes —, não cabe a nós sentenciarmos ninguém.


II. AUTOAVALIAÇÃO, AUTOCORREÇÃO E O AUXÍLIO A TERCEIROS

1. A disposição natural para corrigir aos outros. Pensando na possibilidade de exercer um juízo de correção, portanto, de menor alcance sobre as pessoas, o discípulo, como ser humano em transformação, é tentado a observar a conduta alheia e apontar o erro do próximo sob a desculpa de estar sendo cuidadoso (v.3). A este comportamento, o Senhor Jesus interpõe uma observação fundamental: Se a pessoa tem capacidade para enxergar um pequeno “cisco” no olho de alguém, é estranho que não verifique que há uma tábua na frente dos seus próprios olhos! Quem tem capacidade para observar pequenos detalhes nos outros, precisa exercer o mesmo rigor consigo mesmo. Nessa mesma linha é que Jesus faz duas censuras ao comportamento dos que se achavam justos aos seus próprios olhos, mas não “conseguiam” ver os sinais que Ele fazia como sendo provenientes de Deus (Lc 12.54-57; Jo 7.19-24). Somos ávidos para corrigir e avaliar os outros, mas lentos e parcimoniosos quando se trata de ver os próprios erros e corrigi-los da mesma forma.
2. Autoavaliação. Quem é competente para perceber um pequeno defeito nos demais, deve ser suficientemente capaz para perceber os seus grandes erros e mudar de atitude (v.4). Se essa não for a postura, torna-se impossível corrigir alguém. Na verdade, querer consertar os outros antes de fazer o mesmo consigo é hipocrisia (Rm 2.1-16). Mesmo porque, a correção alheia não redime os meus defeitos e pecados.
3. Autocorreção e auxílio ao próximo. A instrução do Mestre é clara quanto ao comportamento de quem quer corrigir aos outros no intuito de “ajudá-los”: Tirar a trave, ou seja, remover os seus graves desvios e se autocorrigir. Só assim estará apto a auxiliar o próximo na remoção do “cisco do olho” (v.5). Vale lembrar que, posteriormente, Jesus instrui acerca da correção ao próximo, isto é, como ela deve ser feita e as reais motivações que devem levar alguém a fazê-lo (Mt 18.15-17).


Pense!

Por que será que somos rápidos para reparar os defeitos dos outros, mas tão lentos para nos autocorrigir?


Ponto Importante

Viver em comunidade significa disposição para se autocorrigir e assim estar apto a auxiliar os outros a também fazer o mesmo.


III. A NECESSIDADE DE DISCERNIMENTO

1. Discernir é preciso. O versículo seis demonstra claramente que o ensino do Mestre acerca de “julgar” nos versículos anteriores não se refere ao indispensável exercício do discernimento nem da autoavaliação. É necessário e urgente que se faça. Todavia, é preciso que isso se dê de forma consciente, inclusive, dos nossos próprios erros e do valor das coisas sagradas.
2. Cães e porcos. Os destinatários da justiça do Reino são os discípulos. Como eles são judeus, sabem claramente o que essa palavra quer dizer ao utilizar a figura de dois animais imundos, ou cujo comportamento remete à imundície (Lv 11.7; 2Pe 2.22).
3. Coisas santas e pérolas. Novamente não é possível entender o ensinamento do Mestre se não tivermos em mente o fato de que Ele se dirige a uma audiência imediata composta por judeus. “Coisas sagradas” lembram claramente o sacrifício destinado á expiação da culpa que era propriedade de Deus e do sacerdote, portanto, sagrado (Lv 7.5-38). Quanto às pérolas, lembra-nos o que o Senhor falou em Mateus 13.45,46. Como os cachorros são animais carnívoros, a carne do sacrifício lhes era certamente atrativa, mas nem isso os impediam de satisfazerem-se e, depois de empanzinados, voltarem-se contra quem lhes ofereceu. É importante lembrar que o cachorro não era um animal de estimação como se vê nos dias de hoje. A respeito dos porcos, a ideia é simples: Em um chiqueiro do mundo antigo, e até mesmo em época mais recente, a comida dos porcos consistia de restos e sobras, muitas vezes estragados. Pérola para um animal como esse só tinha um destino: ser despedaçada. Assim, a mensagem do Reino levada a pessoas que a desprezavam, davam de ombros e desdenhavam, seria como dar coisas sagradas aos cães e pérolas ao porcos. Um desperdício que os discípulos não podiam se dar ao luxo de cometer (Mt 10.5-15).


Pense!

Como você tem exercido sua capacidade de discernir todas as coisas?


Ponto Importante

Conquanto nos seja vedado o exercício do julgamento e, por conseguinte, sentenciar os outros, é nos recomendado pelo Senhor que venhamos a discernir e nos autoavaliarmos.


CONCLUSÃO

A lição de hoje ensinou-nos grandes princípios, mas o principal deles é que a única pessoa que cada um de nós pode realmente melhorar através da correção somos nós mesmos.

ESTANTE DO PROFESSOR

Dicionário Vine. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002.

HORA DA REVISÃO

1. Qual a consequência para quem julga os outros?
Da mesma forma que a pessoa julga, ela será julgada, e a medida utilizada para medir será também a mesma com que ela também será medida.

2. Por que não podemos julgar?
Porque o julgamento só cabe a Deus, que conhece perfeitamente a tudo. Nem mesmo o Mestre colocou-se nessa condição (Lc 12.14; Jo 12.47,48). Assim, os discípulos, ao menos agora, não devem sentenciar a ninguém, pois não têm prerrogativa para tal.

3. Antes de corrigir aos outros devemos ser capazes de quê?
Remover nossos graves desvios e nos autocorrigir.

4. Ao corrigir alguém, qual deve ser o nosso propósito?
Ajudar.

5. Por que o discernimento é tão importante?
Para reconhecer nossos próprios erros e saber dar valor às coisas sagradas.

SUBSÍDIO I

“Não Julgar ou Ser Julgado (7.1-5)
Esta passagem é uma das declarações de Jesus mais equivocadamente interpretadas e erroneamente citadas. Sempre que a pessoa quer obstar críticas sobre atitudes, ações ou estilo de vida de alguém, objeções são encontradas na ordem: ‘Não julgueis’. Obviamente não é o que Jesus pretendia aqui. Ele espera que julgamentos de valor sejam feitos, que o certo e o errado sejam identificados e que o digno e o indigno sejam discernidos, como vemos nos versículos seguintes (especialmente o v.6). O discípulo deve poder ver a falta no irmão de forma que tal pessoa seja trazida a uma correção gentil, mas firme (cf. Mt 18.15-17). Jesus nunca disse que o bem e o mal são ideias relativas determinadas por cada pessoa. A tradição profética pede discernimento e correção. A oferta de Deus de perdão não envolve libertinagem impenitente.
O que Jesus proíbe nesta passagem é a mania de criticar, a condenação e o espírito de hipocrisia. O imperativo presente em ‘não julgueis’ (ou ‘parai de julgar’) indica um estilo de vida e uma atitude habitual de condenação. Tal atitude obsta a misericórdia e sujeita o participante à mesma justiça rigorosa e implacável. A expressão: ‘Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós’ (v.2) conota a retribuição divina e era usada nas obras rabínicas judaicas (e.g., M. Sotá 1.7). Esta declaração de Jesus remonta à Oração do Senhor no capítulo prévio, na qual Ele deixou claro que um espírito irreconciliável ou condenador revoga o perdão já recebido (Mt 6.14,15; cf. Mt 18.23-35)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.59-60).

SUBSÍDIO II

A trave e o argueiro
“Para ampliar seu ensino contra o julgamento, Jesus focaliza a imagem do argueiro e da trave (vv.3-5). A trave, ou tábua, é uma hipérbole que Jesus usa para condenar a pessoa que, com uma tábua no olho (i.e., uma grande falta), tenta tirar um farelo de serragem (um defeito menor) dos olhos de outra pessoa. Esta imagem ridícula intensifica a imperfeição e autoilusão da hipocrisia. Normalmente Jesus reserva o título ‘hipócrita’ para os inimigos, mas Ele o aplica aos discípulos. Ninguém está imune desta miopia ética; assim devemos provar a percepção da profundidade espiritual da pessoa” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.60).

“Não julgueis, para que não sejais julgados (7.1)
A palavra krinō tem o sentido de ‘avaliar, distinguir’ e também de ‘julgar, condenar’. Aqui ‘não julguei’ refere-se a uma atitude crítica e cáustica com relação a outros. Por quê? Jesus dá três razões poderosas.
Em primeiro lugar, a maneira como tratamos os outros definirá a maneira como eles nos tratam (7.2). Em segundo lugar, estar alertas às nossas próprias faltas já é um trabalho suficiente (7.3-5). E, em terceiro lugar, se os outros não valorizam o que você valoriza (‘Nem deiteis aos porcos as vossas pérolas’ [7.6]), sua condenação irá enfurecê-los ao invés de convencê-los do pecado” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, p.33).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 9: A bondade divina e a regra de ouro
Data: 28 de Maio de 2017


TEXTO DO DIA

“E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira fazei-lhes vós também” (Lc 6.31).

SÍNTESE

A bondade divina é infinitamente maior que a que os homens demonstram aos seus filhos. Mesmo assim, somos ensinados a fazer aos outros àquilo que gostaríamos que fizessem a nós.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Lc 11.5-8
A insistência e a oportunidade


TERÇA — Lc 11.9,10
A procura e a resposta


QUARTA — Lc 11.11-13
Somos maus, mas sabemos dar boas coisas aos nossos filhos


QUINTA — Mt 22.34-40
O grande mandamento da Lei


SEXTA — Rm 13.10
O cumprimento da Lei


SÁBADO — 1Tm 1.5
A finalidade do mandamento

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
DISTINGUIR a necessária prática diuturna da oração da repetição mecânica desta;
CONTRASTAR a bondade divina com a maldade humana;
PRATICAR a Regra de Ouro tal como apresentada por Jesus.

INTERAÇÃO

“Tratar os demais como nós mesmos gostaríamos de ser tratados” é um conhecido dito popular. Contudo, ao analisar melhor tal sentença, é possível perceber que ela diz mais do que conseguimos enxergar em uma primeira leitura. A forma como todos gostamos de ser tratados é algo bastante pessoal. Um exemplo ilustra o ponto: Há pessoas que preferem ser chamadas de maneira formal (senhor/senhora), mesmo tendo pouca idade, ao passo que outras, mais idosas, preferem a informalidade (você). Tratá-las como “gostaríamos de ser tratados” significa justamente observar essa regra. Não nos cabe exigir que as pessoas gostem das mesmas coisas que nós, pois isso seria tratá-las como nós — e não elas — pessoalmente gostamos de ser tratados e não como elas, segundo suas predileções, gostariam de ser consideradas. Isso, porém, não significa que devemos concordar com tudo que as pessoas gostam/fazem e vice-versa. Tal distinção é necessária, pois não se pode confundir educação e boas maneiras com concordância acrítica e descompromissada de práticas reprováveis. Cuidemos, entretanto, de não tornar os nossos “gostos pessoais” a regra, segundo a qual, avaliamos as pessoas.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

A aula de hoje é uma excelente oportunidade para averiguar o quanto somos educados, tolerantes e sabemos respeitar os gostos e opiniões alheias. É interessante observar que o Mestre pontua a questão da maldade intrínseca do ser humano, mas demonstra, por outro lado, que existe um mínimo de bondade que se encontra preservada neste, podendo ser conferida através da maneira "natural" com que trata sua prole e/ou família. Por conseguinte, não se concebe a ideia de alguém que afirma crer em Deus, mas é mal-educado, intolerante e não respeita a opinião do outro. Isso, é bom dizer, não significa que você não possa ter sua própria opinião e convicção sobre as coisas, mas apenas sinaliza para a necessidade de saber conviver com as diferenças. Distribua para todos os presentes o breve questionário abaixo, solicitando que cada um assinale uma das alternativas. Em seguida escreva a legenda no quadro para que cada aluno compare com sua marcação.

1. Respeito a opinião, os gostos e preferências das pessoas, mesmo que sejam diferentes do que penso e aprecio?
( ) Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

2. Cumprimento as pessoas independentemente de como esteja o meu dia ou humor?
( ) Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

3. Desfaço uma amizade por causa de discordância?
( ) Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

4. Agradeço, peço licença e solicito algo pedindo “por favor”?
( ) Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

5. Só me comunico com pessoas que concordam em tudo comigo?
( ) Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

Se você marcou uma vez a opção “Sempre” nas questões 2, 3 e 5, é bom cuidar-se. Se essa opção foi marcada em duas dessas perguntas, você precisa melhorar rapidamente. Três vezes, significa que você deve ter poucos ou quase nenhum amigo. Se elas foram assinaladas no “Às vezes”, talvez seu problema seja de variação de humor. Se nas três delas você marcou “nunca”, apenas avalie se faz isso de coração, tendo suas convicções preservadas ou se não tem opinião alguma ou só quer agradar.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 7.7-12.

7 — Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
8 — Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre.
9 — E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?
10 — E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
11 — Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?
12 — Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Os seis versículos da lição de hoje encerram grandes ensinamentos. Os primeiros cinco retomam verdades que já foram implicitamente trabalhadas na oração do Pai-Nosso e também nas orientações gerais sobre o ato de orar (Mt 6.5-13). O Mestre retoma igualmente os ensinos acerca da ansiedade pela vida (Mt 6.25-34). Entretanto, em relação a este último aspecto do discipulado, Cristo instrui, primeiramente, em detalhes e agora o coloca de forma implícita em forma de orientação a respeito da “frequência” com que se deve orar (vv.7,8). A confiança no Pai é ensinada com base na própria bondade humana que, como se sabe, é limitadíssima (vv.9-11). Finalmente, um dos textos mais populares e que é repetido até mesmo por pessoas que não creem em Deus: a regra de ouro é apresentada pelo Mestre como síntese da Lei (v.12).

I. PEDIR, BUSCAR E BATER

1. A vida orante. É preciso ter em mente que o Mestre dirige-se aos seus discípulos e que eles são judeus. É acerca da justiça do Reino que Ele está a ensinar. Sendo assim, como a abnegação e a confiança são pré-requisitos indispensáveis aos que atenderam ao chamado de Jesus (Mt 6.25-34), o Mestre instrui agora acerca da “vida orante”, ou seja, da adoção de um estilo de vida que tem a oração como uma constante (v.7). A constância aqui nada tem com as vãs repetições que foram reprovadas anteriormente, posto que aquelas consistem em palavrórios vazios de quem não tem discernimento do caráter de Deus (Mt 6.7,8,32,33). A questão visada aqui não é algo circunstancial, mas perene e profundamente espiritual indo além das necessidades básicas que já são conhecidas pelo Pai (Lc 11.9-13).
2. “Pedi”, “buscai” e “batei”. Através de três verbos, o Mestre ensina acerca da constância e do estilo de vida do discípulo no que diz respeito à oração: “Pedi”, “buscai” e “batei” (v.1). São ações e não meramente contemplações. Quem pede demonstra humildade, pois reconhece sua necessidade (Mt 15.21-28). Buscar está relacionado ao reconhecimento de que há algo mais que precisa ser encontrado, obtido. Não quer dizer inconformismo egoísta, mas a não aceitação de um estado de apatia espiritual e de falta de comunhão (Jr 29.11-14). Finalmente, o que bate sabe que depende da benevolência e da sensibilidade de quem está do “lado de dentro”. Portanto, precisa contar com tal confiança (At 12.16; Ap 3.20).
3. Receber, encontrar e abrir. Quem tomou a decisão de pedir, buscar e bater, tem do Mestre a confiança de que “aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre” (v.8). Adotar esse estilo de vida orante, significa manter-se em um estado de perpétuo reconhecimento. Não é algo que deve se apresentar apenas em momentos de dificuldades que atingem a todos indistintamente. Comportar-se dessa maneira significa reconhecer a total dependência que temos do Criador (At 17.24-28).


Pense!

Com os afazeres da vida, o envolvimento on-line quase que 24 horas, você acha possível adotar um estilo de vida orante?


Ponto Importante

A petição do estilo de vida orante não se restringe às necessidades básicas e, muito menos, a desejos caprichosos e individualistas, mas é um reconhecimento da nossa dependência divina.


II. A BONDADE DIVINA E A MALDADE HUMANA

1. O amor paternal humano. Em continuidade ao seu ensino acerca do estilo de vida orante, o Mestre agora evoca a figura paterna para demonstrar o quanto se pode confiar em Deus. Qual pai, em sã consciência, ao pedido de alimento do filho lhe dará uma pedra, ou, “pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?” (vv.9,10). Evidentemente que os dois elementos aqui colocados para exemplificar os cuidados paternais — pão e peixe — são típicos da sociedade daquela época. No entanto, a mensagem é clara: salvo os comportamentos patológicos que existem, qualquer pai, em condições normais, cuida do filho e quer o melhor para ele (Lc 15.11-32).
2. A maldade inata do ser humano. Apesar de este não ser o propósito do ensino do Mestre, Ele reitera uma doutrina cara da fé cristã que é o fato de a humanidade ser pecadora por natureza (Gn 3; Rm 5.12), ou seja, os atos de bondade que somos capazes de exercer não nos tornam bons, pois somos maus (v.11).
3. A infinita bondade divina. A capacidade humana de praticar um ato de bondade ante a necessidade do filho, a despeito de o ser humano ser mau, faz com que Jesus tome tal situação como referência para exemplificar a infinita bondade do Pai (v.11). Em outros termos, se nós, sendo maus, temos capacidade de dar coisas boas aos nossos filhos, que dirá Deus, que é infinitamente bondoso (1Jo 4.8). Dessa forma, a pergunta do versículo 11 é retórica, pois é claro que Deus é indiscutivelmente mais digno da nossa confiança, pois Ele é bom para todos, independentemente das circunstâncias (Sl 118.1; Is 49.15,16; Lc 18.19; Mt 5.44,45).


Pense!

Como os pais “normais” comportam-se diante dos pedidos egoístas dos filhos?


Ponto Importante

O discípulo não é como os pagãos que não possuem entendimento algum sobre Deus. Por isso, seus pedidos precisam ser conscientes e nunca individualistas e egoístas.


III. A REGRA DE OURO E A COMPLETUDE DA LEI

1. A regra de ouro. Conhecida até mesmo, de alguma forma, por pessoas que não leem a Bíblia, a regra de ouro consiste em um ditado que, em sua forma negativa (“Não faça aos outros, o que não queres que façam a ti”) era muito difundida no mundo antigo. Alguns autores defendem ser ela, em sua forma positiva (v.12), uma criação de Jesus. Entretanto, pesquisas realizadas no campo da literatura greco-romana e rabínica, demonstram sua existência em outros lugares e cultura.
2. A novidade da regra de ouro em Jesus. Como qualquer ditado que, devido ao seu uso popular, tende a se tornar um chavão desgastado e raramente praticado, Jesus surpreende ao relacionar a regra de ouro àquilo que era mais caro aos judeus: as Escrituras Veterotestamentárias (v.12). Nesse sentido, uma vez mais o Mestre demonstra que não veio para “pisar” na Lei, e sim dar-lhe pleno sentido e cumprimento (Mt 5.17).
3. A Lei e os Profetas. Considerando o volume físico do material do Antigo Testamento, inscrito em papiros e, posteriormente, em pergaminhos, sendo, por isso mesmo, de difícil reprodução, não há dificuldade alguma em imaginar o que o Mestre fez ao acrescentar à regra de ouro que o seu cumprimento correspondia a viver integralmente a “Lei e os Profetas”. Sendo as mentes judias disputadas por várias escolas rabínicas e estas, monopolizadoras do Antigo Testamento, não é difícil entender a revolução que foi afirmar que toda discussão teórica em torno de minúcias da Lei de nada valiam, mas sim o agir em amor, o fazer (praticar, realizar) aos outros aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. Esta sim era uma atitude que significava viver, integralmente, o que ensinava a Lei e os Profetas (Mt 22.34-40).


Pense!

Você realmente faz aos outros àquilo que gostaria que fizessem a você?


Ponto Importante

Uma vez mais o Mestre ensina que a vontade de Deus não é contemplação, mas ação. Saber sobre a Lei e os Profetas não é tão importante quanto cumprir o que lá está escrito, isto é, amar e agir como gostaríamos que agissem conosco.


CONCLUSÃO

Pedir, buscar e bater são atitudes que indicam reconhecimento de que se está necessitado e de que há falta de algo. O apelo se dirige a quem, a priori, acreditamos nos ser propício e benevolente, posto que confiamos que irá nos atender. Outro grande ensinamento do Senhor é que, fazer aos outros primeiro o que gostaríamos que fosse feito a nós é o que, de fato, significa cumprir o que está na Lei e nos Profetas. Para o judeu este é o maior de seus anseios e objetivos. Mas, e para os discípulos? Sua justiça deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt 5.20). Logo, deve ter algo mais profundo. E Jesus revela isso em João 13.34.

ESTANTE DO PROFESSOR

TENNEY, Marill. Tempos do Novo Testamento: Entendendo o mundo do Primeiro Século. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2010.

HORA DA REVISÃO

1. O que seria a vida orante?
A adoção de um estilo de vida que tem a oração como uma constante.

2. Apesar de não ser a intenção de Jesus, o que Ele reiterou a respeito do ser humano?
O fato de a humanidade ser pecadora por natureza (Gn 3; Rm 5.12), ou seja, os atos de bondade que somos capazes de exercer, não nos tornam bons, pois somos maus (v.11).

3. Qual foi a novidade acrescentada por Jesus à regra de ouro?
Ele relacionou a regra de ouro àquilo que era mais caro aos judeus: as Escrituras Veterotestamentárias (v.12).

4. Em que consiste o cumprimento da Lei e dos Profetas?
O agir em amor, o fazer (praticar, realizar) aos outros àquilo que gostaríamos que fizessem a nós. Esta sim era uma atitude que significava viver, integralmente, o que ensinava a Lei e os Profetas (Mt 22.34-40).

5. Após essa lição, como será para você ouvir as pessoas repetirem a regra de ouro novamente?
Resposta pessoal.

SUBSÍDIO I

“Pedir, Buscar, Bater: Jesus fala da oração (7.7-12)
Interpretação. Duas observações essenciais para nossa interpretação. Jesus está falando estas palavras como incentivo. Jesus está falando de súplica, não de outras formas de oração. Nós sabemos que as palavras de Deus devem ser interpretadas como um incentivo e não como um mandamento, porque cada exortação vem acompanhada de uma promessa:
• Pedi e dar-se-vos-á.
• Buscai e encontrareis.
• Batei e abrir-se-vos-á.
Isto leva à pergunta imediata: Por que precisamos ser incentivados a levar nossas súplicas a Deus?
A resposta pode estar sugerida no contexto total do ensino de Jesus. O relacionamento com Deus é verdadeiramente uma coisa ‘em secreto’. Os incrédulos não podem ver, tocar nem sentir ‘Deus’. Nem nós! Quando oramos, damos um salto de fé, confiando em um Ser invisível para atuar em nosso nome no universo material. À medida que começamos a praticar a oração, precisamos da certeza provida pelas promessas de Jesus” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, p.36).

SUBSÍDIO II

“Pedir, Buscar, Bater
Se os pais humanos, que são maus, dão coisas boas aos seus filhos, Deus, que é completamente bom, certamente dará coisas boas àqueles que Lhe pedirem. Isto verdadeiramente é incentivo. Deus não apenas responderá nossas orações, mas, sua resposta nascerá de seu amor de Pai por nós, e será verdadeiramente uma ‘coisa boa’. Em segundo lugar, o tipo de oração que Jesus está ensinando é a súplica. Isto não é louvor, nem ação de graças, nem contemplação. É pedir a Deus por alguma coisa que é vital para nós. Nós sabemos disto porque Jesus descreve a oração como pedir, buscar e bater. ‘Pedir’ é um ato de oração na sua forma mais simples. ‘Buscar’ transmite intensidade, uma ‘sinceridade fervorosa’. E ‘bater’ retrata persistência. Nós batemos à porta do céu, e continuamos batendo! É importante não confundir o que Jesus está dizendo com o estabelecimento de condições que, se cumpridas, levarão Deus a nos responder. Jesus não está dizendo que se você pedir com fervor o suficiente, Deus responderá sua oração. Ele simplesmente está dizendo que quando sentirmos uma necessidade tão intensa que nos leve ao Senhor repetidas vezes, não devemos nos sentir desencorajados, mesmo se a resposta parecer atrasada. Deus verdadeiramente se preocupa com estas coisas que importam para os seus filhos. E Deus responde às nossas súplicas dando-nos boas coisas” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, pp.36-37).

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 10: As duas portas e os dois caminhos
Data: 04 de Junho de 2017


TEXTO DO DIA

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

SÍNTESE

Seguir o fluxo é o comportamento normal e corriqueiro, porém, o discípulo é convidado a tomar o caminho da justiça do Reino.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Dt 11.26-28
A bênção e a maldição


TERÇA — Dt 30.11-20
A vida e o bem, a morte e o mal


QUARTA — Sl 1.6
O caminho dos justos e o caminho dos ímpios


QUINTA — Sl 119.29,30
O caminho da falsidade e o caminho da verdade


SEXTA — Jr 21.8
O caminho da vida e o caminho da morte


SÁBADO — Lc 13.24
A porta estreita

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
INTERPRETAR as metáforas apresentadas por Jesus;
REAFIRMAR que a “opção” é apenas em relação à porta estreita;
EXPERIMENTAR a realidade, da porta estreita e do caminho apertado, colocada por Jesus.

INTERAÇÃO

O tempo atual não comporta a ideia de as coisas não darem certo. O pensamento corrente é que servir a Deus significar blindar-se ou proteger-se de todo e qualquer tipo de problema. Contudo, o caminho feito por Jesus Cristo evidencia uma trajetória que nenhuma semelhança tem com a época de hoje e a expectativa messiânica daquele tempo. Por mais que se queira romantizar, a vida cristã implica o esforço de seguir a Cristo, tomando decisões que leva o crente a fazer o mesmo caminho que o Salvador fez. Não apenas o caminho é apertado, mas a própria porta, que leva a este caminho, é estreita. Portanto, caminhar com o Mestre é estar disposto a entrar pela porta estreita. E a dificuldade não estará apenas na decisão de entrar por esta porta, mas durará por todo o caminho, pois “larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela”. A salvação não é uma conquista particular de quem quer que seja, pois foi conquistada na cruz por Cristo, mas a decisão de adentrar a porta da salvação, e a permanência no “caminho que leva à vida”, são de nossa livre e espontânea vontade e, por isso mesmo, “poucos há que a encontrem”.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Antes de realizar qualquer tipo de atividade, observe bem sua classe e verifique se a sugestão desta orientação pedagógica se adéqua a sua realidade, pois a intenção é facilitar o aprendizado e não causar constrangimento. Pergunte para a classe se alguém já teve de fazer dieta. Privar-se daquilo que o paladar queria, mas que por uma questão de orientação médica não podia comer. Se a pessoa quiser, peça para ela relatar o quanto foi difícil passar por esse período. Questione se alguém, por decisão própria, e por sentir-se cansado, acima do peso, com problema de saúde ou mesmo incomodado com o tamanho do manequim que usava em relação ao número que passou a usar, e que por isso fez alguma vez um regime, privando-se de fast-foods e outros alimentos calóricos para emagrecer. Veja se, além disso, a pessoa não teve igualmente de desenvolver hábitos saudáveis, mudando radicalmente a alimentação e praticando atividades físicas. Se a pessoa não se sentir constrangida (e nem provocar algum constrangimento em terceiros), e quiser relatar sua experiência, ela servirá de parâmetro para demonstrar o quão difícil é tomar uma decisão e nela perseverar para que os bons resultados atingidos não regridam.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 7.13,14.

13 — Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
14 — E porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Encaminhando-se para o final do Sermão do Monte, o Mestre agora inicia seu apelo e desafio à escolha da justiça do Reino (Mt 7.13-27). Trata-se de um momento decisivo, pois Jesus Cristo não convida as pessoas para se reunir em torno dEle e, posteriormente, em seu nome a fim de discutir, teoricamente, o que foi ensinado. O convite é à prática, e isso ninguém pode fazer por outro, antes é uma decisão individual que interpela a uma ou a outra opção, sem meio-termo, pois essa possibilidade não existe (Jo 14.6).

I. A METÁFORA DA PORTA E DO CAMINHO

1. Uma metáfora conhecida. Desde os tempos do Antigo Pacto, a imagem dos dois caminhos é muito conhecida (Dt 11.26,28; 30.11-20; Sl 1.6; 119.29,30; Jr 21.8). Trata-se de um recurso linguístico apropriado para se demonstrar a impossibilidade de se andar, simultaneamente, nos dois caminhos, ou de se pensar que possa existir um “terceiro caminho”. O raciocínio é simples, se o caminhante está em um não pode, automaticamente, estar no outro. O uso do plural também é recorrente e abundante, mas de igual forma, há caminhos do Senhor e há caminhos da perdição, isto é, existem apenas dois tipos de caminho (Dt 8.6; 10.12; 19.9; 26.17; 28.9; 32.4; Jz 2.19; 5.6; 1Rs 15.26; 2Rs 17.13 etc.).
2. A metáfora da porta. O Mestre utilizou a metáfora da porta para dizer aos seus discípulos que Ele era a “porta das ovelhas” (Jo 10.7) e reiterou: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9). A indicação é oportuna, sobretudo, se nos lembrarmos da lição passada que falou acerca de “bater” (Mt 7.7,8). Só se bate em uma porta, e essa porta que abre passagem para outra realidade, é o próprio Mestre e não algum conhecimento teórico de que alguns se acham proprietários (Lc 11.52). Quem se dirige a essa “Porta”, certamente encontrará a liberdade que procura (Jo 10.9).
3. A metáfora do caminho. Jesus igualmente ensinou que Ele era o Caminho (Jo 14.6). O Mestre é a porta e o caminho que conduz ao Pai. Não existe qualquer subterfúgio ou atalho, é preciso comprometer-se em entrar por Ele, caminhar nEle e assim permanecer até o destino final (Mt 24.13).


Pense!

Diante da verdade de que só há dois caminhos, você saberia dizer em qual deles você está?


Ponto Importante

Como porta e caminho de acesso a Deus, Jesus está à disposição de todos que quiserem aceitá-lo, pois Ele não é propriedade de ninguém.


II. A PORTA LARGA E O CAMINHO DA PERDIÇÃO

1. A opção pela porta estreita. Antes de apresentar a porta larga e ao que conduz o caminho espaçoso, o Mestre convida os discípulos a entrar “pela porta estreita” (v.13). Por quê?
2. Porta larga e caminho espaçoso. Sob qualquer ângulo que se analisar, é muito mais fácil que, entre uma porta larga e outra estreita e entre um caminho espaçoso e outro apertado, o caminhante opte pelos primeiros (v.13). O “normal” é seguir a multidão que, pelo próprio “tamanho” da porta e a largueza do caminho, é a maioria. No ensinamento de Jesus, tais metáforas representavam a religiosidade oficial de Israel que, com todo o seu legalismo, era incomparavelmente mais “fácil” de seguir que a justiça do Reino (Mt 15.14; Lc 11.52).
3. O destino final da porta larga e do caminho espaçoso. Não obstante, serem a porta larga e o caminho espaçoso mais convidativos, o destino final de ambos é trágico, pois “conduz à perdição” (v.13). Muitos, porém, ignorando o destino, valorizam a facilidade do trajeto. Isso porque, no momento da peregrinação, não há necessidade alguma de renunciar a nada, e a aceitação popular acaba falando mais alto. Todavia, ao final a perdição será eterna (Lc 12.4-12 cf. Mt 10.16-30).


Pense!

Entre uma porta estreita e outra larga, e entre um caminho espaçoso e outro apertado, quais são os mais fáceis de serem aceitos?


Ponto Importante

Considerando a estimativa de vida de uma pessoa, parece ser mais “fácil” decidir optar por ter “facilidades” nesta vida em relação a vida eterna.


III. A PORTA ESTREITA E O CAMINHO DA VIDA

1. A conformidade com a porta larga e o caminho espaçoso. O convite só acontece em relação à porta estreita e o motivo é óbvio: o estar na vida leva as pessoas a seguirem pelo rumo mais fácil. Neste caso, o da porta larga e do caminho espaçoso que, visivelmente, é mais bem popular (v.13).
2. Porta estreita e caminho apertado. São poucos os que decidem por entrar pela porta estreita e andar pelo caminho apertado (v.14). A justiça do Reino exige renúncia. Mesmo tendo razão, abrir mão de si em favor dos outros, amar os inimigos e não retribuir o mal, ser rejeitado até mesmo pela família por causa da fé e assim por diante (Mt 5.20; Lc 14.25-27,33; Jo 15.18-21; 16.1-3, etc.). Em outras palavras, abrir mão de seguir o fluxo para tornar-se discípulo exige uma decisão radical.
3. A vida plena como destino final dos que são discípulos. Como o próprio caminho e também a vida (Jo 14.6), Cristo promete vida em abundância (Jo 10.10). Tal vida inicia-se aqui e prolonga-se até a eternidade (Jo 4.13,14). Por isso, o discípulo é informado acerca dos percalços que certamente serão encontrados durante o trajeto. Nesse caso, não há uma negação mágica prometida pela religiosidade retributiva, onde o certo é feito para se obter o bem e o errado evitado apenas para não se atrair o mal. Na perspectiva da justiça do Reino, o bem é realizado sem que haja nenhuma expectativa de retorno ou reciprocidade, mas sim porque a nova natureza leva-nos a agir assim (Mt 5.13-16). Só é possível viver dessa forma sob a égide do Reino (Mc 8.34-38; Lc 9.23-26).


Pense!

Embora seja a opção mais difícil, entrar pela porta estreita e andar no caminho apertado, é uma decisão consciente e radical. Você já a fez?


Ponto Importante

O caminho feito por Jesus Cristo — da rejeição popular e da aceitação e aprovação divinas — é o caminho que o discípulo deve também trilhar.


CONCLUSÃO

A mensagem do Mestre é clara e não permite devaneios linguísticos, quem quiser segui-lo o fará através da passagem por uma porta estreita e da permanência em andar em um caminho apertado. Já em seu tempo, relata-nos João em seu Evangelho, que “apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga” (Jo 12.42). Na verdade, informa-nos ainda o apóstolo do amor, tais pessoas não assumiram a fé no Mestre, “porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (Jo 12.43).

ESTANTE DO PROFESSOR

Bíblia de Estudo Palavra-Chave. 1ª Edição. RJ: CPAD.

HORA DA REVISÃO

1. Muitas vezes Jesus ensinava através de figuras de linguagem. Ele se exemplificou como várias coisas em algumas oportunidades. Fale sobre as duas do tópico I.
A porta e o caminho.

2. No ensinamento de Jesus, o que significava as metáforas da porta larga e do caminho espaçoso?
No ensinamento de Jesus, tais metáforas representavam a religiosidade oficial de Israel que, com todo o seu legalismo, era incomparavelmente mais “fácil” de seguir que a justiça do Reino (Mt 15.14; Lc 11.52).

3. Por que é mais fácil adentrar a porta larga e andar no caminho espaçoso?
Porque no momento da peregrinação, não há necessidade alguma de renunciar a nada, e a aceitação popular acaba falando mais alto.

4. O convite de Jesus se dá apenas em relação à porta estreita. Por quê?
O convite só acontece em relação à porta estreita e o motivo é óbvio: o estar na vida leva as pessoas a seguirem pelo rumo que for mais fácil, neste caso, o da porta larga e do caminho espaçoso que, visivelmente, é mais numeroso e bem popular (v.13).

5. Na perspectiva do Reino, o que significam as metáforas da porta estreita e do caminho apertado?
Estar em Jesus e andar na presença dEle.

SUBSÍDIO I

“Entrai pela porta estreita (7.13,14)
A imagem fica mais clara no texto original. Devemos escolher entre dois caminhos. Um caminho é ‘apertado’ ou ‘difícil’ (tehlimmene, não ‘estreito’), e a porta a que ele leva é ‘estreita’ (stene). Assim, poucos o escolhem. Por outro lado, multidões fluem ao caminho que parece mais espaçoso e fácil, que leva a uma porta larga e de fácil entrada. Aqui, como sempre, as multidões estão erradas, pois é o caminho difícil e a porta estreita que levam à vida.
Se parece fácil, e é popular entre a multidão, é provavelmente a escolha errada” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, p.33).

“Dois Caminhos (7.13,14). A ideia de dois caminhos é familiar no Antigo Testamento (cf. Sl 1; Jr 21.8). Mas Jesus chamou a atenção para as portas. Estreita (13); a mesma palavra do versículo 14. A tradução literal é ‘apertada’. O termo grego para larga significa ‘espaçosa’. O ‘cristianismo do caminho largo’ não levará ninguém para o céu. Este é um pensamento solene que Jesus declarou; poucos encontrariam o caminho que leva à vida” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, pp.68-69).

SUBSÍDIO II

“Dois Caminhos: O Largo e o Estreito (7.13,14).
O caminho da morte e o da vida aparecem no Antigo Testamento, na literatura intertestamental, nos escritos de Qumran e na literatura cristã primitiva (Dt 11.26-28; 30.15-20; Sl 1.6; 119.29,30; Jr 21.8, 2 Enoque 30.15; Testamento de Aser 1.3,5; 4 Esdras 7.1-9; Didaquê 1.1; 5.1; Normas da Comunidade 3.20,21). Na literatura de Qumran os dois caminhos são expostos como o ‘caminho da luz’ e o ‘caminho das trevas’. Jesus, de forma típica, apresenta as opções diante da audiência em paralelismo antitético: uma porta para a vida ou uma porta para a morte. A maioria das pessoas toma o caminho fácil, o qual é desastroso. A porta para a vida é difícil e restritiva; os verdadeiros discípulos são minoria. Dado o contexto de Mateus, a dificuldade da porta estreita é o caminho da justiça, na qual Jesus há pouco instruiu as pessoas” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.61).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 11: Os falsos profetas e os seus frutos
Data: 11 de Junho de 2017


TEXTO DO DIA

“Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos” (Mc 13.22).

SÍNTESE

Os frutos, e não a retórica, são os sinais de que alguém é, ou não, profeta de Deus.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Lc 6.43
O fruto segundo a sua árvore


TERÇA — Lc 6.44
O fruto identifica a árvore


QUARTA — Lc 3.8,9
Frutos dignos de quem se arrependeu


QUINTA — Mt 21.43
Os frutos do Reino de Deus


SEXTA — Mc 4.20
A Palavra gera fruto em abundância


SÁBADO — Gl 5.22
O fruto do Espírito

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
RECONHECER a triste realidade da existência dos falsos profetas entre nós;
IDENTIFICAR os falsos profetas e sua atuação;
DESCREVER o destino dos falsos profetas.

INTERAÇÃO

Há quem pense e imagine que a existência de falsos profetas entre o povo de Deus é fenômeno recente. No entanto, uma rápida pesquisa demonstra não apenas que eles sempre existiram, mas deixa claro que, no Antigo Testamento, o Senhor, por intermédio de Moisés, estipulou regras claras para se identificar um falso profeta (Dt 13.1-3; 18.20-22). Os próprios profetas também se viram às voltas com os falsos profetas e, por isso mesmo, ofereceram regras para se crivar e verificar a autenticidade de alguém que dizia falar em nome de Deus (Is 8.19,20; Jr 28.9). Nos dias de Jesus e dos apóstolos esta advertência também se mostrou necessária (Mc 13.22,23; 2Pe 2.1-3). E em nossos dias, será que não precisamos estar atentos por causa dos que querem enganar em nome de Deus? A fórmula para se identificar os falsos profetas no passado continua a mesma. Não são os prodígios, os sinais e as maravilhas que eles supostamente realizam que os credencia como profetas do Altíssimo, mas sim a fidelidade ao Senhor e à sua Palavra. De igual forma, é preciso evitar o outro extremo que é justamente não acreditar na operação divina por causa dos que enganam. O ideal é conhecer a Escritura e também o poder de Deus (Mt 22.29).

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Apesar de não ser biblicamente recomendável, até mesmo entre os que servem a Deus existem espécies de “fã-clubes”. Há alguns que são tão fanáticos pelo “ídolo” gospel que chegam a digladiar-se até mesmo entre si. Existem outros que não suportam uma única observação bíblica que, de forma sadia, poderia corrigir a postura não apenas deles, mas igualmente da pessoa que eles admiram. Com esta informação em mente, solicite à classe que abra a Bíblia em 1 Coríntios 1.12,13. É possível identificar quatro grupos principais: Paulo, Apolo, Cefas (Pedro) e “Cristo”. Esses grupos organizavam-se como verdadeiros “fã-clubes”, admirando a teologia elaborada por pessoas que tinham em cada um desses representantes quem elas mais admiravam. Não era apenas uma identificação, mas eles achavam-se superiores em relação aos outros. Uns viam Paulo, como um grande ensinador, Apolo como um grande pregador, Pedro como um grande pastor e um quarto grupo que se achava piedoso por seguir apenas “Cristo”. Entretanto, Paulo os adverte como “carnais” (1Co 3.1-4) e questiona: “Está Cristo dividido?” (1Co 1.13). Se o Corpo de Cristo é um só, como pode haver divisões? Depois de orientá-los acerca do cuidado com este tipo de postura de “fã-clube”, encerre dizendo ser incorreto haver desavenças por causa disto.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 7.15-20.

15 — Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
16 — Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 — Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus.
18 — Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons.
19 — Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
20 — Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Prática que é, a justiça do Reino não admite palavras sem coerência com as ações. Por isso, o Mestre avança em sua conclusão do Sermão do Monte expondo agora uma maneira para se reconhecer os falsos profetas (Mt 7.15-20). Não são suas credenciais, nem sua capacidade de oratória que revelam quem eles, de fato, são. Jesus apresenta os sinais inequívocos para se identificá-los e reconhecê-los. Tal atitude do Mestre deve ser urgentemente observada nos dias atuais, pois não são poucos os enganadores que usam, indevidamente, o nome santo do Senhor sem ter, entretanto, compromisso algum com Ele.

I. OS FALSOS PROFETAS E SUA ATUAÇÃO

1. Perturbadores antigos. Estar à volta com pessoas que pretendiam manipular — sob o manto de uma falsa espiritualidade — é uma luta constante dos verdadeiros profetas de Deus. Desde o Antigo Testamento, o povo de Deus sofre com a atuação dos falsos profetas (Nm 22.1-24.25; Mq 3.5; Jr 23.9-32). Ao se estudar o texto bíblico facilmente se verifica que este é um dos grandes males que sempre assolou o povo de Deus. No Novo Testamento há vários exemplos. Um deles, cuja medida, aparentemente, radical adotada por Paulo para erradicá-los na Ilha de Creta chama a atenção. Para lá o apóstolo dos gentios enviou Tito com a finalidade de colocar em ordem as coisas que ainda faltavam ser ajustadas, separar pessoas para auxiliar na realização da obra de Deus, mas também coibir a atuação dos maus obreiros e falsos profetas, “tapando-lhes a boca” (Tt 1.5-11), isto é, tirar-lhes a oportunidade de usar a palavra na igreja. Ao se observar o texto bíblico, é possível verificar que os maus obreiros estavam agindo motivados por “torpe ganância”, ou seja, por dinheiro (Tt 1.11). Assim, o que parece ser, à primeira vista, uma medida implacável é, na realidade, um ato de amor, pois o apóstolo dos gentios tinha como objetivo, não meramente repreendê-los de forma severa, e sim torná-los “são na fé” (Tt 1.13).
2. Lobos devoradores. A metáfora utilizada pelo Mestre ao dizer que os falsos profetas são lobos devoradores que se vestem de ovelhas, é exclusividade dEle registrada por Mateus (v.15). Contudo, a figura do “lobo” é uma imagem usual na Bíblia para exemplificar pessoas mal-intencionadas (Ez 22.27; Sf 3.3; Mt 10.16; Lc 10.3; At 20.29). Ao despedir-se dos anciãos da Igreja em Filadélfia, falando particularmente aos responsáveis por aquele rebanho, Paulo afirma que nunca deixou de pregar e ensinar o que Deus lhe entregava para que dividisse com aquela congregação, e que depois de sua partida “lobos cruéis” se infiltrariam na igreja e não perdoariam o rebanho, ou seja, os devovariam (At 20.17-38). Infelizmente, em nossos dias, a realidade parece não ser muito distinta.
3. A introdução dos lobos entre as ovelhas de Deus. Provavelmente por ser um animal dócil e de fácil domesticação (2Sm 12.3), tanto a ovelha como o cordeiro são utilizados para exemplificar o povo de Deus (Sl 74.1; 78.52; 79.13; 119.176; Is 13.14; 40.11; Jr 12.3; Ez 36.37,38; Am 3.12; Mq 2.12; Zc 11.16; 13.7; Mt 18.11,12; 25.1-3 etc.) e até o próprio Mestre (Is 53.7). Por isso, Jesus observa de forma preventiva o ardil do falso profeta (v.15). Uma vez que o Senhor está em busca das ovelhas perdidas (Is 53.6; Jr 50.6; Zc 10.2,3; Mt 9.36; 10.6; 15.24; Jo 10.16; 1Pe 2.2), e incumbe os discípulos de darem continuidade a essa missão, é fato que o melhor disfarce de um falso profeta para introduzir-se entre o rebanho é se passar por ovelha.


Pense!

Em meio a tantas vozes que se pronunciam atualmente, você acha que é possível haver lobos disfarçados de ovelhas?


Ponto Importante

É imprescindível não perder de vista o fato de que os lobos devoradores não se apresentam assim, mas fingem-se de dóceis ovelhas.


II. IDENTIFICANDO OS FALSOS PROFETAS

1. A metáfora dos frutos. A utilização da ideia de “frutos” como exteriorização do caráter, ou resultado final das ações, é um recurso comum desde o período do Antigo Testamento (Pv 1.31; Is 3.10; Jr 17.10; Os 10.13 etc.).
2. A figura das árvores boas e más. De igual forma, a tipificação de árvores boas e más como figuras das pessoas, é igualmente uma maneira didática utilizada para exemplificar o caráter, o resultado das ações ou ainda o ressurgimento ou extinção de um reino ou nação (Gn 49.22; Sl 37.35; Pv 11.30; 13.12; 15.4; Ct 2.3; Is 7.2; 10.33; 44.23; 55.12; 56.3; 65.22; Jr 11.19; 17.8; Ez 17.24; 31.1-18; Dn 4.1-37; Zc 11.2; Mt 3.10, etc.).
3. Identificando os falsos e os verdadeiros profetas. Sendo os frutos utilizados como metáfora para identificação do caráter de alguém, após dizer que é justamente por eles que se pode identificar os falsos profetas (vv.16a,20), o Mestre questiona: “Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (v.16b). Aprofundando sua advertência, Jesus lança mão tanto da figura da árvore má para exemplificar os falsos profetas e, ao mesmo tempo, deixa uma “pista” para se reconhecer os verdadeiros profetas, ou seja, a figura da árvore boa. O Mestre assim o faz porque cada árvore só pode gerar frutos segundo a sua própria espécie e natureza (vv.17,18). É interessante lembrar que no Antigo Testamento também havia uma forma de identificar o falso profeta (Dt 13.1-5). É preciso notar que não era simplesmente o fato de que o tal profeta fizesse algum sinal miraculoso, ou mesmo um prodígio, o que valeria como forma de reconhecê-lo como um verdadeiro profeta, antes, a sua devoção, respeito e reverência a Deus é o que contavam. O Senhor até advertiu o povo dizendo ser permissão dEle que o tal prodígio se concretizasse para saber se o povo realmente era fiel a Ele. Em outro texto, uma forma diferente de identificação do falso profeta dizia respeito à profecia como predição. Se o que o tal profeta dissesse não se cumprisse, ele era considerado falso (Dt 18.20-22).


Pense!

Ter discernimento a respeito da identificação dos falsos profetas é o mesmo que ter poder de julgá-los para a condenação eterna?


Ponto Importante

Saber distinguir entre a avaliação dos frutos, para identificar os falsos profetas, e o julgamento definitivo que só pertence a Deus, também faz parte da maturidade da fé.


III. O DESTINO DOS FALSOS PROFETAS

1. O dever de gerar bons frutos. A árvore boa tem o dever de gerar bons frutos (Lc 3.8-14), pois essa é a sua natureza. Não basta ter folhas (aparência), e não gerar bons frutos (obras/ações); é preciso que aqueles que abraçaram o Evangelho de Cristo demonstrem isso de forma concreta e visível (Mt 21.18-20 cf. Mt 3.8-10).
2. A prática que desvirtua. O fruto exemplificado como ações e práticas diz muito da preocupação do Mestre, pois o mau exemplo “ensina” mais eficazmente que as palavras (Mt 23.1-39). Aos que, porém, se dedicam com amor e compromisso a essa atividade, há uma linda promessa (Dn 12.3).
3. O destino da árvore que não produz bons frutos. A sentença do Mestre aos que não produzem bons frutos lembra a mensagem de João Batista (v.19 cf. Mt 3.10). O destino final será o juízo da condenação eterna, pois diferentemente da figueira condenada pelo Mestre, a pessoa que conhece o Evangelho e, ainda assim, decide produzir frutos maus, é inteiramente responsável pela sua condenação (Mt 25.41-46 cf. Mt 13.40-42).


Pense!

É possível ser discípulo de Cristo e não gerar bons frutos?


Ponto Importante

O destino de cada pessoa que tem oportunidade de obedecer ao Evangelho, pois o conhece, e não o faz, é de inteira responsabilidade dela.


CONCLUSÃO

O alerta do Mestre é válido para todos os seus seguidores em qualquer tempo e em qualquer lugar, pois enquanto estivermos vivendo sob o regime desse mundo pecaminoso, estamos sujeitos a ser enganados pelos falsos profetas. Portanto, atentemos para a fórmula ensinada pelo Senhor para os identificarmos, pois ela continua válida.

ESTANTE DO PROFESSOR

Comentário Bíblico Matthew Henry: Novo Testamento. 1ª Edição. RJ, 2008.

HORA DA REVISÃO

1. Qual é o ardil do falso profeta?
Se passar por ovelha.

2. Os frutos (ações) servem como formas de identificarmos o quê?
O caráter.

3. De acordo com o Antigo Testamento, a realização de um prodígio, ou sinal, era suficiente para ter alguém como profeta verdadeiro?
Não, antes era a sua devoção, respeito e reverência a Deus é o que contavam.

4. Por que a árvore boa tem o dever de gerar bons frutos?
A árvore boa tem o dever de gerar bons frutos (Lc 3.8-14), pois essa é a sua natureza.

5. A preocupação do Mestre em relação ao exemplo dos falsos profetas tinha uma razão de ser. Qual era?
O mau exemplo “ensina” mais eficazmente que as palavras (Mt 23.1-39).

SUBSÍDIO I

“Falsos Profetas (7.15-20)
Jesus teve que advertir os seus discípulos contra aqueles vestidos como ovelhas. Eles ajuntariam o rebanho de crentes, como se fossem um com eles, mas interiormente (15) seriam lobos devoradores. A igreja de Jesus Cristo tem sido afligida por esses falsos profetas ao longo de toda a sua história. Eles às vezes têm feito muito para destruir o rebanho. Como podem ser reconhecidos? Por seus frutos os conhecereis (16).
Cristo usou a analogia de vinhas e árvores frutíferas. Cada uma produz seus próprios frutos. Se a árvore for má, os frutos serão maus. O inverso também é verdadeiro. A árvore que não produz bons frutos corta-se e lança-se no fogo. Esta é uma advertência solene. Aqueles que não estão produzindo bons frutos não pertencem a Cristo (19)” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).

SUBSÍDIO II

“Os Verdadeiros Profetas e os Falsos Profetas (7.15-23)
A advertência de Jesus sobre os falsos profetas tem uma lição oportuna para a igreja atual. Só Mateus registra a advertência sobre os falsos profetas que são lobos vestidos (endyma) como ovelhas (probaton). Estas duas palavras fazem parte do vocabulário preferido de Mateus: Ele usa o termo endyma para dizer que as roupas são necessidade básica (Mt 6.25,28) e para identificar especificamente as pessoas que usam vestuário exclusivo como parte do Reino de Deus (Mt 3.4; 22.11,12; veja também Mt 28.2,3); ele usa o termo probaton para descrever os eleitos ou o povo de Israel (e.g., Mt 10.6; 15.24; 25.32,33). Neste ponto Jesus enfatiza que às vezes os falsos profetas não podem ser discernidos só por palavras ou ações. Embora façam grandiosos milagres (Mt 7.22), podem ser falsificações.
O Evangelho de Mateus torna o fruto dos profetas a verdadeira prova de tais ministérios. O caráter é essencial. O evangelista comenta muitas vezes o tema de árvores boas e ruins e seus frutos; seu interesse em produzir justiça o compele a repetir o tema. [...] Em Mateus 12.33,35 Jesus une a acusação dos fariseus (de que Ele faz o bem pelo poder do mal) com dar maus frutos e a chama de blasfêmia contra o Espírito Santo” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.61).

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 12: Uma séria advertência aos discípulos
Data: 18 de Junho de 2017


TEXTO DO DIA

“E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” (Lc 6.46).

SÍNTESE

A obra do Senhor é uma tarefa que não deve ser feita sem que igualmente cumpramos a vontade de Deus.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Ml 1.6
A honra de Pai e o temor de Senhor


TERÇA — Lc 6.46
É preciso obedecer, e não apenas chamá-lo de Senhor


QUARTA — Lc 13.27
Uma dura sentença


QUINTA — Lc 10.17-20
A verdadeira alegria


SEXTA — 2Cr 35.20-25
Um bom início não garante um final feliz


SÁBADO — Os 6.6; Mt 9.13
Misericórdia e não sacrifício

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
EXAMINAR a própria prática antes de ficar pronunciando, em vão, o nome do Senhor;
SUBLINHAR o fato de que fazer coisas em nome de Deus não é o mesmo que fazer algo para a glória de Deus;
DESTACAR a séria advertência que pesa sobre o exercício do sacerdócio atual.

INTERAÇÃO

Se por um lado a igreja evangélica brasileira caminhou, por muitas décadas, sob o peso de uma religiosidade que em nada se parecia com o Evangelho, por outro, adentramos em um tempo em que a falta de compromisso e a irreverência tomaram conta. Vivemos uma época em que, infelizmente, quase não se conhece a Bíblia. A despeito de tantas versões do Livro Sagrado, não há uma preocupação em conhecer mais da Palavra de Deus. Nunca se viu tanta literatura, mas ao mesmo tempo, tanta gente reproduzindo frases nas redes sociais, algumas até antibíblicas, como se fossem parte da Escritura. Antigamente ouvíamos falar em pessoas que eram apenas “crentes nominais”, pois nada tinham com a igreja. Atualmente, as igrejas são até frequentadas, mas cabe perguntar acerca da qualidade dos hinos, ou seja, de suas letras, o quanto são bíblicas ou apenas produto da imaginação formada pelo pragmatismo religioso. Os templos, alguns apinhados, por conta de pregadores famosos, parecem mais entreter que desafiar os crentes. A despeito de tudo isso, a advertência de Jesus Cristo continua atual e ainda há muitos servos do Senhor comprometidos com ela. Aos que levam uma vida sem qualquer respeito para com o Senhor, ainda que falando em nome dEle, ouvirão naquele dia que o Mestre não os conhece.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Nesta penúltima aula deste trimestre, devido ao tema de hoje, é interessante apresentar algumas características dos atos milagrosos realizados por Jesus. Reproduza o quadro abaixo, conforme suas possibilidades, e apresente aos alunos, questionando-os para que estabeleçam um paralelo com os milagres realizados atualmente:


Os exemplos poderiam ser multiplicados, mas os que foram elencados para exemplificar dão uma ideia da diferença entre realizar um milagre para ajudar o necessitado, glorificar a Deus e promover salvação, de realizações portentosas, ou nem tanto, que têm como objetivo a autopromoção.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 7.21-23.

21 — Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 — Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?
23 — E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Em face da seriedade de tudo que anteriormente foi exposto, o Mestre agora sublinha a gravidade de se observar o que Ele disse e não apenas atentar, de maneira interesseira, para as capacitações espirituais disponíveis aos que se colocam a dar continuidade à missão iniciada pelo Senhor e confiada aos discípulos. Fazer estas e não observar aquela resultará em uma grande decepção e, finalmente, numa sentença terrível. A penúltima lição soa como uma séria advertência aos que atenderam ao chamado do Mestre, ou seja, todos os discípulos que se dispõe a fazer a obra de Deus, pois Cristo nos ensina que é preciso fazer a sua obra sem, contudo, deixar de cumprir a vontade do Pai. Jesus tinha autoridade para falar acerca desse assunto, visto que Ele dissera que não veio fazer a sua vontade própria, mas sim a daquEle que havia lhe enviado (Jo 6.38). É legítimo que façamos a obra, porém, ela deve ser realizada segundo a vontade do Pai (1Co 3.10,11).

I. NÃO BASTA PRONUNCIAR. É PRECISO RESPEITAR E FAZER A VONTADE DE DEUS

1. Não basta chamar a Deus de Pai ou Senhor. Através de Malaquias, o último profeta literário do Antigo Testamento, Deus repreende os líderes do povo escolhido dizendo: “O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se eu sou Pai, onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o meu temor? — diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome e dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?” (Ml 1.6). No questionamento, o Senhor deixa claro que de nada adianta dirigir-se a Ele chamando-o de Pai ou Senhor, mas não honrá-lo ou obedecê-lo como tal, pois isso é hipocrisia.
2. A pronúncia mecânica que em nada resultará. Da mesma maneira que no Antigo Testamento o Senhor repreendeu aqueles que o chamavam de Senhor, mas não o honrava, o Mestre diz que nem todo aquele que lhe diz “Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus” (v.21). Apesar de a confissão ser importante, ela só tem valor se vier acompanhada do reconhecimento que lhe corresponda. Do contrário, é mera pronúncia mecânica e nada mais.
3. Praticando a vontade de Deus. No complemento ao ensino de que pronunciar “Senhor” mecanicamente não será capaz de proporcionar à pessoa sua entrada no Reino dos céus, o Mestre diz que tal está reservado somente àquele que faz a vontade do Pai. O que Ele estava ensinando é que chamá-lo de Senhor, mas não fazer a vontade de seu Pai, isto é, obedecer o que anteriormente foi exposto como justiça do Reino, não tem valor algum (Mt 5.20-6.34). Confessando Jesus como nosso Senhor e fazendo a vontade do Pai nos tornamos discípulos de forma integral e coerente (Mt 21.28-32).

 

 


Pense!

Se não basta apenas dizer que Jesus Cristo é o Senhor, e sim fazer a vontade do Pai, é oportuno nos autoavaliarmos: Estamos praticando a vontade de Deus?


Ponto Importante

Confessar Jesus Cristo, em espírito e em verdade, não é apenas fazer uma pronúncia mecânica, antes, significa fazer a vontade de Deus.


II. ADQUIRINDO STATUS COM A OBRA DE DEUS E RECEBENDO UMA DURA SENTENÇA

1. A alegria de ver as maravilhas de Deus. Conforme vimos na lição anterior, Deus mesmo permite que determinados sinais aconteçam sem que, no entanto, o tal realizador tenha compromisso algum com Ele (Dt 13.1-5). A Palavra de Deus diz que a “manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co 12.7), sendo assim, é preciso entender que tal utilidade é aferida pelo próprio Espírito, e não por nós mesmos. Ao enviar os setenta discípulos para fazer a obra de Deus, o Mestre notou que eles voltaram regozijando e cheios de alegria (Lc 10.1-17). Tal felicidade é legítima, pois realmente é maravilhoso ver Deus realizar prodígios por intermédio de nossas vidas.
2. O perigo do status. Conquanto seja algo maravilhoso realizar a obra de Deus, é preciso ter muito cuidado para não querer usurpar a glória que pertence somente a Deus (Is 42.8). É fato que todos aqueles que realizam a obra do Senhor sejam notados e distinguidos. Porém, é preciso maturidade e lucidez para reconhecer-se apenas como canal e não portador do poder de Deus (At 3.11-16). Na visão materialista, ser canal de Deus gera tanto status que já houve quem quisesse comprar tais dons (At 8.17-24).
3. Uma dura sentença aos que fizeram a obra de Deus sem compromisso com o Senhor. O Mestre diz que “naquele Dia” (v.22), isto é, no momento do juízo, os que aqui realizaram a obra de Deus sem compromisso com Ele, sem fazer a vontade do Pai, desfrutando apenas do status proporcionado por aqueles a quem o Espírito usa, não compreenderão por que estão sendo condenados mesmo depois de profetizar, expulsar demônios e fazer muitas outras maravilhas. A sentença será dura. O Mestre demonstra não os conhecer, pois pela condenação, percebe-se que tais pessoas apenas usufruíram, de forma desonrosa, e para praticar coisas erradas, do poder que lhes fora conferido por Deus (v.23).


Pense!

Você, após fazer algo para Deus, tributa toda honra a Ele ou reserva um pouco de glória para si?


Ponto Importante

Será muito triste descobrir-se, no dia do juízo, como alguém desconhecido por Jesus.


III. UMA ADVERTÊNCIA PARA O SACERDÓCIO ATUAL

1. A Grande Comissão. A incumbência do Senhor aos seus discípulos, de que continuassem e dessem prosseguimento ao que Ele começou, é conhecida como a “Grande Comissão” (Mt 28.19-20; Mc 16.15-20; Lc 24.46-49; Jo 20.21). Além da pregação e do discipulado, ela envolve a operação de milagres da parte do Espírito de Deus (Lc 10.19).
2. A verdadeira alegria dos discípulos. Ao enviar os setenta, os milagres aconteceram, e os discípulos voltaram felizes por isso (Lc 10.1-17). Ciente do perigo que tal “alegria” pode trazer se extrapolar o nível tolerado, o Mestre relembra-os: “Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus” (Lc 10.20). Esta deve ser a verdadeira alegria de todo discípulo.
3. O sacerdócio atual. Na atualidade, a igreja toda, pelo fato de ela ser formada pelos discípulos do Mestre, é chamada a realizar a obra de Deus. O apóstolo Pedro diz que nós, que não éramos povo, agora somos e temos tal incumbência, isto é, somos “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). Portanto, cuidemos para que a obra de Deus seja realizada, mas que igualmente pratiquemos a vontade de Deus, para que não venhamos a ouvir a dura sentença, mas, diferentemente, o bem-vindo amoroso do Mestre: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34b).


Pense!

Você tem se alegrado pela sua salvação?


Ponto Importante

A realização da obra de Deus é uma obrigação dos discípulos. Mas devemos fazê-la com temor e cuidado.


CONCLUSÃO

A advertência do Mestre aos seus discípulos é oportuna, pois muitos iniciam bem, mas acabam se desvirtuando durante o trajeto. Continuemos a fazer a obra de Deus, sem descuidar com a necessidade de fazer a vontade do Pai, visto que, ao final, é isso que contará.

ESTANTE DO PROFESSOR

Comentário Bíblico Beacon: Novo Testamento. Volumes 6 a 10. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006.

HORA DA REVISÃO

1. O que significa chamar Deus de Pai ou Senhor e não honrá-lo ou obedecê-lo?
Mera pronúncia mecânica e nada mais.

2. De acordo com a lição, o que é fazer a vontade de Deus?
Obedecer ao que anteriormente foi exposto como justiça do Reino.

3. Fale sobre o perigo do status de quem é usado por Deus.
A resposta é pessoal, mas ela deve basear-se no subtópico 2 do ponto II.

4. O que é perceptível pela sentença do Senhor aos que forem condenados?
O Mestre demonstra não os conhecer, pois pela condenação, percebe-se que tais pessoas apenas usufruíram, de forma desonrosa, e para praticar coisas erradas, do poder que lhes fora conferido por Deus (v.23).

5. Qual deve ser a verdadeira alegria do discípulo?
Ter o nome escrito nos céus (Lc 10.20).

SUBSÍDIO

“Falsa Profissão de Fé (7.21-23)
Enquanto a advertência anterior estava particularmente voltada aos líderes religiosos, esta trata do grupo de membros dentro da Igreja. O verdadeiro teste do discipulado é a obediência. Nem mesmo a pregação e a operação de milagres em Nome de Jesus Cristo prova que uma pessoa é aceita diante de Deus. O termo demônio, diabolos (‘Diabo’) é sempre singular no grego. A palavra aqui é plural, daimonia, ‘demônios’. A penalidade para a desobediência é a separação de Deus” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon: Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).

“7.22 Muitos me dirão naquele dia
Nos versículos 22,23, Jesus declara enfaticamente que ‘muitos’ que profetizam, pregam ou realizam milagres em seu nome estão enganados, pensando que são servos de Deus quando, na realidade, Ele não os conhece. Para não ser enganado nos últimos dias, o dirigente de igreja, ou qualquer outro discípulo, deve apegar-se totalmente à verdade e à justiça reveladas na Palavra de Deus [...], e não considerar o ‘sucesso ministerial’ como padrão de avaliação no seu relacionamento com Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, pp.1399-400).

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS


2º Trimestre de 2017

Título: O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus
Comentarista: César Moisés Carvalho


Lição 13: A decisão crucial do discípulo: ouvir e praticar
Data: 25 de Junho de 2017


TEXTO DO DIA

“Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” (Tg 1.25).

SÍNTESE

A justiça do Reino não é um amontoado de regras que serve para debates, trata-se de posturas e atitudes que precisam ser vivenciadas e praticadas.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Lc 6.47
Vir a Jesus e ouvir suas palavras


TERÇA — Lc 6.48
A atitude do discípulo consciente


QUARTA — Lc 6.49
A falta de lucidez do ouvinte esquecido


QUINTA — Tg 1.22
Cumpridores da Palavra e não apenas ouvintes


SEXTA — Tg 1.23,24
O perfil do ouvinte não cumpridor da Palavra


SÁBADO — Tg 1.25
A felicidade do cumpridor da Palavra

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
INCENTIVAR a prudência apresentada por Jesus no primeiro exemplo;
CRITICAR a postura imprudente do segundo exemplo;
DESAFIAR os educandos a decidir por obedecer aos ensinamentos do Sermão do Monte.

INTERAÇÃO

O momento mais importante de um período de aprendizado é, sem dúvida alguma, quando o educando decide reorientar sua vida de acordo com as informações e os saberes apreendidos. É o que se chama de práxis, ou seja, a prática instruída pela teoria e esta modificada e readequada por aquela. Consiste em agir de forma refletida e refletir de forma ativa. O Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos que se eles tinham entendido o que Ele ensinara com o ato de lavar os pés de cada um deles, “bem-aventurados” seriam se praticassem (Jo 13.17). Toda instrução que não gera prática precisa se questionar. As pessoas entenderam o que lhes fora transmitido? Se não, o professor deve perguntar a si mesmo acerca de sua didática, de sua maneira de transmitir e lecionar. Vencida essa etapa e tendo certeza de que se fez entender, o educador deve perscrutar a sua própria prática. O quanto acredita, vive e age de acordo com as lições que ensina. É fato que o Evangelho é maior que qualquer pessoa ou instituição, mas a incoerência é um excelente “pedagogo”, posto que “ensina” mais e melhor que qualquer método. Portanto, a legitimidade, não apenas do conteúdo, mas de qualquer mestre, está visceralmente relacionada à forma com que ele pratica e persegue como alvo a mensagem que leciona.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Proponha aos alunos uma reflexão acerca das placas de sinais de trânsito. Apresente, de acordo com as suas condições, algumas placas de trânsito, e reflita com os alunos as implicações de não se observar as principais advertências dos sinais. Quantas pessoas se acidentam, chegando a perder a própria vida, a de sua família e até a de outros, por conta da imprudência no trânsito. Quantas vezes uma negligência, um atalho, ou uma “bandalha”, além de ser contravenção, em termos de tempo quase nada adianta, já não levou pessoas a perder a vida. Obedecer pode não evitar absolutamente uma tragédia, mas certamente minimizará suas possibilidades de acontecer ou mesmo os efeitos de uma, caso venha a ocorrer. Conclua dizendo que, da mesma forma, saber o conteúdo do Sermão do Monte é importante, mas não colocá-lo em prática, como disse o próprio Mestre, é insensatez e imprudência que têm como resultado a destruição.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 7.24-29.

24 — Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.
25 — E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26 — E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.
27 — E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
28 — E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina,
29 — porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

O Mestre finaliza o Sermão do Monte chamando-nos a todos a que tomemos uma decisão séria diante do que ouvimos (Mt 7.24-27). Tal postura se contrasta com a dos mestres religiosos de Israel, posto que eles mesmos não cumpriam as lições transmitidas em seus ensinamentos (Mt 23.1-38). Agindo dessa forma, Jesus evidencia claramente que não tem interesse algum em fundar uma escola de interpretação, tornar-se tema de debate ou mesmo um rabino popular por suas diferentes leituras da Lei. Seu objetivo é fazer com que as pessoas conheçam e vivam a verdade que pode salvá-las em tempos de aflição (Jo 6.60-69; 10.10). Finalmente, os últimos dois versículos do capítulo sete são da pena de Mateus que observa e assinala a reação do povo diante de tudo o que acabara de ouvir (vv.28,29).

I. O HOMEM PRUDENTE QUE CONSTRUIU SUA VIDA EM UM TERRENO SEGURO

1. A imprescindibilidade da obediência no Antigo Testamento. Diferente das divindades pagãs das nações ao redor da Terra Prometida, o Deus de Israel nunca exigiu coisa alguma de seu povo que não a obediência (1Sm 15.22). Através de Jeremias, Deus revela que até mesmo os rituais veterotestamentários nunca foram sua preocupação, e sim a obediência (Jr 7.21-26).
2. A relação entre obediência e bênção no Antigo Testamento. A despeito de o pensamento corrente afirmar que havia uma conexão automática e mecânica entre obediência e bênção no Antigo Testamento, uma leitura mais atenta dos textos demonstra que o próprio ato de obedecer já era algo abençoador (Lv 26.1-13; Dt 28.1-14). Isso porque havia regras quanto ao cuidado com a terra, consigo e no relacionamento interpessoal, só para citar algumas, e em sua observância residia a “bênção” pessoal e comunitária (Lv 25).
3. A escolha sensata. Tendo em mente esse aspecto da Antiga Aliança, é importante entender que o Mestre chega ao fim de seu sermão apelando não para uma memorização irrefletida do que Ele dissera acerca da justiça do Reino, mas à prática de tal justiça, pois em tal ação há segurança existencial (v.24). O Mestre não disse que se o discípulo atentasse para o seu ensinamento não teria problemas, justamente o contrário, Ele sinalizou o imprescindível fato de que aquele que o colocasse em prática podia ser comparado ao homem prudente que construiu sua casa sobre um fundamento seguro. A metáfora utilizada por Jesus, isto é, a construção comparada à vida, e as intempéries exemplificadas na “chuva”, “rios” e “ventos”, significando os problemas e dificuldades comuns a todos, demonstra que a observância da justiça do Reino é, tal como na Antiga Aliança, para o nosso próprio bem (v.25).


Pense!

Se a salvação não é adquirida através dos nossos próprios méritos, então por que devemos praticar a justiça do Reino?


Ponto Importante

A justiça do Reino, tal como na Antiga Aliança, é para o nosso próprio bem.


II. O HOMEM INSENSATO QUE CONSTRUIU A SUA VIDA SOBRE UM TERRENO INSEGURO

1. O tema da desobediência no Antigo Testamento. Semelhantemente ao assunto da obediência, o tema da desobediência era a tônica no Antigo Testamento (Jr 7.23-26; 25.1-11; 44.4,5). Ela era o grande conteúdo das mensagens proféticas (Jr 26.1-6).
2. A relação entre desobediência e maldição no Antigo Testamento. Conquanto pareça haver um resultado automático entre desobediência e maldição, desde o pecado de Adão, tal resultado raramente se dá em linha reta (Gn 2.16,17; 3.1-24). Entretanto, suas consequências são inevitáveis (Gn 3.17-19; Lv 26.14-39; Dt 28.15-68) e, às vezes, duradouras (Rm 5.12-14). Contudo, é importante lembrar-se de que, ainda no período da Antiga Aliança, Deus “mudou” o resultado da desobediência no que diz respeito à abrangência e implicações, ou seja, havendo arrependimento, Deus sempre está disposto a mudar sua sentença (Êx 20.5,6 cf. Jr 31.29,30 e Ez 18.1-32; Jn 4.10,11 cf. 3.1-10).
3. A escolha insana. O quadro da última cena mostrada pelo Mestre é a do homem insensato, ou imprudente, que devido à pressa ou mesmo por desleixo, resolve construir sua casa sobre um terreno arenoso e movediço, isto é, inseguro (v.26). Quando as dificuldades que acometem a todos, indistintamente lhe sobrevieram, sua “casa” desabou, ou seja, sua vida, e foi “grande a sua queda” (v.27). Da mesma forma que na Antiga Aliança, a desobediência está relacionada à derrocada e aos efeitos danosos de todos que decidem por tomar o caminho contrário ao que o Senhor propõe (Pv 14.12).


Pense!

A maldição mencionada no Antigo Testamento tem alguma relação com o mero pronunciar de uma expressão como se as palavras tivessem, por si mesmas, poder?


Ponto Importante

A maldição é o contrário da bênção e, resultando ou não em infortúnio, é o contrário do que Deus planejou para o seu povo.


III. A RADICALIDADE DO ENSINAMENTO DE JESUS

1. A simplicidade da doutrina de Jesus Cristo e a admiração do povo. Enquanto a “Lei oral” possuía 613 preceitos, e os escribas debatiam entre as várias escolas de interpretação sobre qual deles era o mais importante, tendo sempre que se subordinar à interpretação dada pelo fundador de tal escola, a doutrina do Mestre era simples, direta e facilmente inteligível (v.28), levando o povo a ficar admirado (Mc 1.27).
2. A autoridade do Mestre. O motivo da admiração do povo era não apenas a simplicidade do ensinamento de Cristo, mas também o fato de Ele não ter preocupação alguma com o que a “tradição dos anciãos” dizia, isto é, a “Lei oral” não era divina, mas uma interpretação humana acerca da Lei de Moisés (Mt 15.1-20). Por isso, o Mestre não tinha compromisso algum com ela, e sim com o espírito da Lei do Senhor em si, daí porque Ele dissera seis vezes durante o sermão: “Ouviste o que foi dito, eu, porém, vos digo” (Mt 5.21,22,27,28,31-34,38,39,43,44). Ele não ensinava como os doutores da Lei de sua época, mas com a autoridade dada pelo Pai (v.29).
3. A radicalidade da justiça do Reino. O Mestre coloca acertadamente, nas mãos do próprio ouvinte, a responsabilidade e o desafio deste ouvir e proceder conforme o que Ele acabara de ensinar. Na verdade, só pode ser discípulo dEle, quem decide proceder conforme a justiça do Reino. Não há possibilidade alguma de seguir o Mestre como um mero repetidor de conteúdos, pois a radicalidade da justiça do Reino não requer nada menos que a prática e a imitação do Mestre (Mt 10.16-42; 16.24-26).


Pense!

Você acha que a salvação depende de se entender determinada doutrina ou crer em Cristo?


Ponto Importante

A prática da justiça do Reino significa que já somos de Cristo e estamos salvos.


CONCLUSÃO

Como Mateus escreve a judeus e estes têm Moisés como o maior dos profetas, ele mostra o Mestre, tal como Moisés, promulgando a nova justiça do alto de um monte (Êx 31.12-32.1 cf. Mt 5.1). O ex-funcionário estatal conclui de forma magistral seu registro do Sermão do Monte, mostrando o povo admirado da doutrina do Filho de Deus, em clara substituição da forma dos escribas ensinar.

ESTANTE DO PROFESSOR

CARVALHO, César. Uma Pedagogia para a Educação Cristã: Noções básicas da ciência da educação a pessoas não especializadas. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015.

HORA DA REVISÃO

1. O que Deus exigiu do seu povo desde o início?
Obediência.

2. Por que a obediência, em si mesma, era “algo abençoador”?
Porque havia regras quanto ao cuidado com a terra, consigo e no relacionamento interpessoal, só para citar algumas, e em sua observância residia a “bênção” pessoal e comunitária (Lv 25).

3. Construir a “casa” sobre a rocha significava livrar-se dos problemas? Explique.
Não. A metáfora utilizada por Jesus, isto é, a construção comparada à vida, e as intempéries exemplificadas na “chuva”, “rios” e “ventos”, significando os problemas e dificuldades comuns a todos, demonstra que a observância da justiça do Reino é, tal como na Antiga Aliança, para o nosso próprio bem (v.25).

4. Qual o significado da maldição decorrente da desobediência?
Da mesma forma que na Antiga Aliança, a desobediência está relacionada à derrocada e aos efeitos danosos de todos que decidem por tomar o caminho contrário ao que o Senhor propõe (Pv 14.12).

5. Fale sobre a simplicidade da doutrina do Mestre.
Enquanto a “Lei oral” possuía 613 preceitos, e os escribas debatiam entre as várias escolas de interpretação qual deles era o mais importante, tendo sempre que se subordinar à interpretação dada pelo fundador de tal escola, a doutrina do Mestre era simples, direta e facilmente entendível (v.28), levando o povo a ficar admirado (Mc 1.27).

SUBSÍDIO I

“A Conclusão do Sermão (7.24-29)
a) Ilustração Final (7.24-27). Aquele que ouve e pratica é como um homem que construiu a sua casa sobre a rocha. Quando as tempestades batem contra a casa com toda a sua fúria, ela ainda permanece firme. O termo enchente, utilizado por algumas versões, significa, literalmente, rios. O clima da Palestina é como o do sul da Califórnia, sob muitos aspectos. Os leitos dos rios ficam secos durante a maior parte do ano. Mas quando as chuvas do inverno e da primavera chegam, surgem as inundações. Jesus retratou o ouvinte descuidado como um homem que de forma insensata construiu a sua casa sobre a areia, e então a perdeu. As casas na Palestina são em sua maioria construídas com pedras ou com tijolos secos ao sol. Quando as tempestades dissolvem a argamassa, as paredes tendem a cair.
b) A Reação da Multidão (7.28-29). Quando Jesus concluiu o seu sermão, o povo se admirou da sua doutrina ou melhor, do seu ‘ensino’. Ele ensinava com autoridade (29). As pessoas comuns sentiram a sua autoridade divina, que faltava aos escribas, e a reverenciaram. Os escribas tinham o hábito de citar antigos mestres como apoio aos seus ensinos” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).

SUBSÍDIO II

“O Epílogo do Sermão (7.28,29)
É evidente que Mateus quer que esta seja a conclusão da primeira seção principal dos ensinos de Jesus, porque ele encerra com as palavras: ‘Concluindo Jesus este discurso’ (v.28). Cada uma das cinco principais unidades pedagógicas que Mateus apresenta tem um desfecho narrativo semelhante (Mt 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1). Jesus é o novo Moisés que tem cinco apresentações principais da lei nova ou Torá, da mesma maneira que Moisés teve cinco livros da lei no Pentateuco [...].
O que se segue é uma observação da resposta das multidões aos ensinos de Jesus, os quais elas reconhecem que são autorizados, ao contrário dos ensinos dos mestres da lei (veja também Mc 1.21-27; Lc 4.31-37). Mateus está direcionando o espanto das pessoas para as afirmações de Jesus, a fim de que Ele seja o Intérprete da nova lei, cujas palavras serão a base de julgamento no ajuste de contas do tempo do fim” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.62).

fonte www.mauricioberwald.com